Trump mandou um plano de paz de 15 pontos para o Irã via Paquistão. O embaixador iraniano no Paquistão disse que não havia negociação nenhuma. O Ibovespa subiu 1,6%. O Brent voltou para US$ 98. O mercado, como de costume, decidiu acreditar em Trump antes de checar com o Irã.
No Brasil, o caso Master voltou com força: rombo de R$ 60 bilhões no FGC — o maior da história do fundo. BTG, Nubank e XP na mira da Justiça por terem vendido os CDBs com entusiasmo. Todo investidor de renda fixa em banco médio está relendo o extrato com a cara de quem encontrou uma barata na marmita.
E o governo quer propor teto de juros para o consignado privado. Boa intenção. Péssimo histórico. O próprio Banco Central tem um working paper explicando por que não funciona — mas working paper não vota, e outubro de 2026 está chegando.
Washington enviou ao Irã, via Paquistão, um plano de cessar-fogo com 15 pontos cobrindo desnuclearização e mísseis. Trump disse que as conversas estavam indo bem. O embaixador iraniano em Islamabad disse que "não houve qualquer negociação, nem direta nem indireta". Um operador da Warren resumiu: "Os EUA falam que estão negociando com o Irã, mas parece que esqueceram de combinar com o Irã."
O mercado, sem se deixar abalar por detalhes como a opinião do Irã, subiu. Europa +1,4%. S&P +0,75%. Brent −6%. A lógica é simples e inflexível: sinal de cessar-fogo = petróleo cai = inflação recua = juros caem = bolsas sobem. Que o Irã tenha ou não assinado o cessar-fogo é, para os algoritmos de trading, uma questão de menor importância.

O caso Master voltou às manchetes com o número que ninguém queria ver: R$ 60 bilhões de rombo no FGC — mais de um terço do patrimônio do fundo, o seguro coletivo dos bancos brasileiros. Para recompor o caixa, as instituições tiveram que antecipar 60 meses de contribuição. Esse custo não evapora. Ele encontra seu caminho até o spread do cliente final com a determinação de quem nunca perdeu um endereço.
O esquema era simples na essência: o Master captava a 140% do CDI, prometia o que não conseguia pagar, aplicava em precatórios e carteiras de crédito fictícias, e usava o dinheiro de novos investidores para pagar os antigos. O FGC era o argumento de venda — "seu dinheiro está protegido" — que virou o argumento jurídico: BTG, Nubank e XP, que distribuíam os papéis com entusiasmo, agora enfrentam ação civil pública por propaganda enganosa.
O Ministério do Trabalho quer propor teto de juros para o consignado privado. A taxa média está em 3,26% ao mês — o dobro do consignado público — e o governo quer chegar abaixo de 3%. O argumento político é impecável: famílias endividadas, popularidade a defender, outubro chegando. O argumento econômico é aquela outra história que ninguém quer ouvir em ano eleitoral.
O Working Paper 550 do próprio Banco Central já documentou o problema: os juros altos no Brasil têm causas estruturais reais — inadimplência crônica, cunha fiscal, concentração bancária, custo de funding. Não é abuso. É estrutura. Teto de juros nesse contexto não barateia o crédito — reduz a oferta para quem mais precisa. O trabalhador de maior risco sai do banco e vai para o mercado informal. A medida protege quem já tem acesso. Os que não têm, desaparecem das estatísticas.
Fechamento 17h (25/03). Fonte: B3, Investing.com · 25/03/2026
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Wall Street sobe com expectativa de fim da guerra — mas o Irã discorda
O plano de 15 pontos chegou via Paquistão. O mercado comprou. Teerã negou. O S&P subiu de qualquer forma.
CNN Brasil
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Caso Master: entenda o rombo de R$ 60 bi e o impacto no FGC
A linha do tempo completa de como um banco quebrou o maior fundo de garantia da história do Brasil.
Agência Brasil
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Governo vai propor medida para conter juros do consignado privado
A proposta, os riscos e o histórico de intervenções que não funcionaram como planejado.
Investing.com Brasil
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Working Paper 550 — Banco Central: por que os juros no Brasil são estruturalmente altos
O próprio BC já documentou as causas reais: inadimplência, concentração bancária, custo fiscal. Não é abuso. É estrutura. Leitura essencial antes de qualquer debate sobre teto.
Banco Central do Brasil · PDF
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R$ 60 bi. CDB a 140% do CDI. Parecia bom demais.
O governo quer teto de juros. O BC tem um paper sobre isso.
Sábado é o prazo. O mercado já precificou o sim. ☕
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