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QUARTA-FEIRA · 06 DE MAIO DE 2026

☕ Bom dia

Ontem foi dia de ata do Copom, ISM Serviços e JOLTS. O mercado leu a ata como confirmação do comunicado — cautela com o choque externo, mas sem fechar a porta para junho. Ibovespa fechou no verde. Real apreciou pelo segundo dia.

Lá fora, S&P e Nasdaq fizeram novo recorde — chips e IA voltaram ao comando, earnings ajudaram, e o Brent recuou. Mas o ISM Serviços trouxe preços pagos travados no maior nível desde 2022. Pouso suave com inflação no banco do passageiro.

Hoje sai o ADP. Sexta o payroll. Café em pé. ☕

Brasil · Mercado leu como confirmação

Copom · Curva DI · Selic · Real · Ibovespa · Ata

O mercado leu a ata como confirmação do roteiro. O real apreciou pelo segundo dia, e o Ibovespa subiu 0,68%.

A ata da reunião de 28-29 de abril saiu ontem às 8h. O comitê manteve o tom cauteloso do comunicado, com atenção explícita ao ambiente externo, mas não apertou mais o vocabulário do que o mercado já vinha precificando. Para um consenso que tinha ido até o final de abril desconfiando, o tom calibrado foi suficiente para devolver prêmio na curva curta.

A reação foi simultânea: Ibovespa fechou em 186.860,14, alta de 0,68%. Real apreciou 0,79%, com spot próximo a R$ 4,91. A última PTAX disponível é a de seg 04/05 em R$ 4,9587 — a de terça sai ao longo do dia e deve confirmar a apreciação. A curva DI fechou com leve compressão em todos os vértices, com máximo movimento na ponta curta.

A porta de junho segue aberta, mas depende de várias coisas: inflação corrente, expectativas e o tamanho do choque externo. Hoje o foco vira para os dados nos EUA. ADP de emprego sai às 8h15 ET, e a base diária do Focus — menos famosa que o boletim de segunda, mas mais útil para capturar o ajuste imediato pós-ata — vai mostrar como analistas começam a calibrar o vetor brasileiro.

🎓 O que a teoria diz

Comunicação como instrumento de política monetária: em regime de metas, comunicação é parte da política monetária — ela ajuda a coordenar expectativas sobre a função de reação do BC. A decisão de juros ainda é o preço, mas a comunicação calibra a curva. Quando a ata confirma o comunicado sem acrescentar surpresa, o mercado tende a reduzir o prêmio de incerteza que havia embutido na curva — foi o que se observou ontem.

E daí?

Curva DI: ponta curta comprimiu na terça; próximo teste é o IPCA cheio de abril em 12/05. Se vier muito acima do IPCA-15 (0,89%), pode reabrir. Pré curto: quem comprou nas últimas semanas com taxas mais altas saiu ganhando ontem. NTN-B: seguiu defensável; se o IPCA cheio confirmar a pressão do IPCA-15, real protegido continua atraente. Selic projetada: Focus de 04/05 manteve mediana 2026 em 13,00%; ata calibrada permite que esse número estabilize ou ceda na próxima leitura. Risco vivo: o risco de Ormuz não desapareceu — se o Brent voltar a subir, a calma da terça vira ruído na quinta.

Mundo · Recorde com inflação no banco do passageiro

S&P 500 · Nasdaq · ISM Serviços · JOLTS · ADP · Payroll

Nasdaq fez novo máximo em 25.309,97. Mas ISM mostrou preços pagos travados em 70,7.

Wall Street voltou ao verde com força na terça. S&P 500 fechou em 7.259,20, alta de 0,81% — novo recorde, superando o pico de sexta. Nasdaq subiu 0,97% para 25.309,97, máximo histórico absoluto. Dow recuperou 0,52% para 49.194,27. Em duas sessões desde o pico do dia 1º/05, o mercado fez ajuste de posição e voltou ao topo — agora com novo catálogo de dado para sustentar.

Mas a leitura macro não foi tão redonda quanto a tela sugere. O ISM Serviços de abril veio em 53,6 (frente a 54,0 em março) — ainda em expansão, mas com novas encomendas desacelerando. O componente de preços pagos ficou em 70,7, exatamente igual a março — uma das maiores leituras desde 2022. Ou seja: serviços ainda rodam, mas sem sinal de que a inflação de custos está arrefecendo. JOLTS de março trouxe 6,87 milhões de vagas em aberto (frente a 6,92 mi em fevereiro), com contratações subindo para 5,55 mi — mercado de trabalho menos recessivo do que o headline sugeria.

Hoje vem ADP de emprego (8h15 ET) — prévia privada do payroll. Sexta o relatório cheio do BLS. Powell encerra o mandato de chair em 15/05, deve permanecer como governor. Sem FOMC em maio, o mercado tem mais de um mês para precificar a sucessão sem decisão nova — e cada dado dessa semana é vetor.

🎓 O que a teoria diz

Pouso suave depende da combinação, não do dado isolado: a literatura monetária distingue ciclos com aterrissagem suave dos cenários em que a desinflação vem com recessão. O sinal clássico de pouso suave é o conjunto: atividade desacelerando sem colapsar, mercado de trabalho perdendo força sem virar onda de demissão, e inflação cedendo. O problema da terça foi que só duas partes encaixaram: JOLTS mostrou vagas estáveis com contratações melhores; ISM mostrou expansão moderada e emprego ainda fraco. Mas preços pagos travados em 70,7 mantêm a inflação no banco do passageiro — pouso suave com turbulência, não céu limpo.

E daí?

S&P/Nasdaq: recordes confirmados, mas preços pagos do ISM travados em 70,7 colocam um asterisco na tese de pouso suave; surpresa hawkish na próxima leitura testa o nível novo. Treasuries 10y: ISM ainda expansionista, mas com novas encomendas mais fracas — o alívio na curva depende mais do JOLTS/ADP/payroll do que de uma leitura desinflacionária clara no ISM. Setores: com Brent recuando ontem, realização em energia; tech e consumer voltaram ao comando. Dólar global: dado de emprego mais fraco tenderia a aliviar yields e dólar; dado forte demais reabre a leitura de Fed mais duro. Calendário: ADP hoje, payroll sex; cada um pode mover a curva US em 5-10 bps.

Brasil · Real venceu de novo

PTAX · Real · Brent · Fluxo · Carry · Mercosul

O Brent voltou. O real apreciou mesmo assim. O carry está ganhando da geopolítica — por enquanto.

A PTAX de venda de segunda saiu em R$ 4,9587, ante R$ 4,9886 da quinta-feira anterior. São cerca de 60 bps de apreciação do real em uma sessão, com B3 reabrindo pós-feriado e o dólar global ganhando força marginal contra outras moedas. O ponto importante: o real apreciou no mesmo dia em que o Brent gapped up de US$ 108 para US$ 114. Em livro-texto, alta de petróleo costuma pressionar moeda de país importador líquido. Aqui não pressionou.

Por quê? Três vetores que ficaram fortes ao mesmo tempo. Primeiro, o carry: Selic em 14,50%, com Fed em 3,50-3,75%, gera diferencial de juros reais que atrai fluxo. Segundo, fluxo de exportação: agro mantendo embarque pesado, com o Mercosul-UE em aplicação provisória desde sexta como pano de fundo de médio prazo — não como causa direta do movimento do dia. Terceiro, posicionamento: muita mesa entrou no feriado vendida em real e cobriu na reabertura, comprimindo o preço.

Não significa que o real está blindado. A ata de hoje mexe na conta — uma ata mais hawkish (preservando Selic alta por mais tempo) tende a sustentar o carry e o real, ao custo de aperto maior na atividade. Uma ata mais dovish reduz o diferencial esperado na margem; com o Brent voltando, esse seria o mix mais desconfortável para o câmbio.

🎓 O que a teoria diz

UIP (Uncovered Interest Parity) e seus desvios: a paridade de juros não coberta diz que diferencial de juros entre dois países tende a ser anulado pela variação cambial esperada — ou seja, em equilíbrio, não existe carry trade lucrativo sem risco. Na prática, o desvio é persistente: moedas de juro alto tendem a apreciar no curto prazo (forward premium puzzle). O real em 2026 é um caso clássico — o diferencial real de juros está entre os maiores do mundo, e o fluxo segue o número. Até o dia em que choque externo (ou desancoragem fiscal) muda a ponderação de risco.

E daí?

Posicionamento: com mesa ainda parcialmente short real do feriado, qualquer notícia local hawkish puxa cobertura — efeito de curto prazo amplificado. Vol implícita do real: ATM 1m do BRL recuou na sessão, mas segue acima da média do mês passado — mercado ainda paga prêmio por incerteza. Cupom cambial: abre se a ata vier dovish; comprime se hawkish — leitura inversa à do DI nominal. Para a ata de hoje: ata hawkish (Selic alta por mais tempo) tende a sustentar o carry e o real, ao custo de aperto maior na atividade; ata dovish reduz diferencial e, com Brent em alta, é o mix mais desconfortável para o câmbio.

📈 Gráfico do dia

S&P 500 · Últimos 30 dias

Recorde, dip de uma sessão, volta ao recorde. O índice fez quatro recordes de fechamento em duas semanas.

Fonte: yfinance (^GSPC) · Elaboração: Daily Brew

A linha mostra o fechamento diário do S&P 500 nos últimos 30 dias. A trajetória recente: recorde de fechamento na quinta 30/04 (7.209), novo recorde na sexta 1º/05 (7.230), recuo na segunda 04/05 (7.200,75) na primeira sessão pós-recorde, e novo máximo na terça 05/05 (7.256,79). Pano de fundo: ata calibrada do Copom no Brasil, ISM Serviços e JOLTS sustentando a tese de pouso suave nos EUA, e Brent oscilando sem ruptura. O Nasdaq acompanhou em ritmo parecido, cravando seu primeiro fechamento acima dos 25 mil pontos em 1º/05 e fechando terça em 25.293,51 — novo máximo histórico.

📌 O número do dia

+0,79%

APRECIAÇÃO DO REAL CONTRA O DÓLAR · TERÇA 05/05

Spot fechou perto de R$ 4,91, depois de R$ 4,95 na segunda. Em duas sessões seguidas, o real apreciou apesar do Brent oscilar entre US$ 108 e US$ 114. O carry está ganhando da geopolítica — a ata calibrada e os dados US sustentando a tese ajudaram. A próxima conta vem com payroll na sexta e IPCA cheio de abril em 12/05.

📈 Mercados — Fechamento de terça 05/05

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 186.753,82 pts ↑ +0,62% 185.364 / 187.428
Dólar comercial venda R$ 4,912 ↓ −1,12% 4,91 / 4,98
Dólar PTAX venda R$ 4,9242 ↓ −0,70%
Brent ⭐ US$ 110,41 ↓ −3,52% 109,81 / 114,45
Ouro Comex (settlement WSJ) US$ 4.555,80 ↑ +0,80%
S&P 500 ⭐ 7.259,22 pts ↑ +0,81% 7.233,62 / 7.261,78
Dow Jones 49.298,25 pts ↑ +0,73% 49.009,11 / 49.318,08
Nasdaq Composite ⭐ 25.326,13 pts ↑ +1,03% 25.217,16 / 25.335,40
Bitcoin US$ 81.208 ↑ +1,73% 79.824 / 81.650

⭐ Brent: queda de 3,52% devolveu parte do salto de segunda. Em duas sessões, o barril fez US$ 108 → US$ 114 → US$ 110 — geopolítica em modo on-off. Referência: Investing/front-month.

⭐ S&P 500: novo recorde de fechamento (7.259,22). ISM e JOLTS mantiveram a tese de pouso suave viva, mas a alta também veio de chips/IA (Intel, AMD), earnings da semana e alívio do petróleo. Próximo teste: ADP hoje + payroll na sexta.

⭐ Nasdaq: máximo histórico em 25.326,13, terceiro recorde em quatro pregões desde a primeira quebra de 25 mil em 1º/05. Tech retomou liderança no mercado de risco.

Fonte: B3 (Ibovespa, ter 05/05), Agência Brasil (dólar comercial), BCB (PTAX 05/05), Investing/front-month (Brent), WSJ Comex settlement (ouro), Yahoo Finance (índices US), Investing (Bitcoin, referência 05/05) · Elaboração: Daily Brew · 05/05/2026.

💬 A leitura do dia

O Copom deixou junho vivo, mas condicionado à inflação, às expectativas e ao tamanho do choque externo.

— Síntese da ata do Copom · reunião de 28-29 de abril · divulgada em 05/05/2026

Em bom português: depende. Em ata do Copom: depende, mas com governança. Mercado leu como ratificação e devolveu prêmio na curva.

📅 O que vem aí

Hoje 06/05

ADP de emprego abril (8h15 ET) · PMI Serviços global · Base diária do BCB — prévia privada do payroll de sexta. Sinal antecipado se a desaceleração americana ganhou tração em abril, depois de ISM Serviços ainda em expansão (53,6) e JOLTS com contratações subindo. No Brasil, primeira leitura de expectativas pós-ata na base diária do BCB. Médio impacto

Qui 07/05

Pedidos de seguro-desemprego EUA (semana, 8h30 ET) — termômetro semanal do mercado de trabalho americano. Em ambiente de Fed sem reunião em maio, cada dado parcial pesa mais no preço da curva. Médio impacto

Sex 08/05

Payroll EUA — abril (BLS, 8h30 ET) — primeiro relatório de emprego depois do choque do petróleo, com Powell encerrando o mandato em 15/05 (deve permanecer como governor). Número forte demais reanima medo de Fed segurando; fraco demais reanima medo de recessão. Próximo FOMC só em 16-17/06. Alto impacto

Próxima semana

Relatório Focus consolidado (seg, 8h30) · IPCA cheio de abril (ter, IBGE) — primeira leitura semanal das expectativas com a ata digerida. Na terça, IPCA cheio de abril testa quanto o IPCA-15 (0,89%) e o IGP-M (+2,73%) já chegaram no varejo. Alto impacto

📚 Vale ler

Copom vê inflação da guerra invadindo 2028, diminuindo margem para cortar juro.

InfoMoney: ata destaca que a guerra no Oriente Médio pode prolongar efeitos sobre inflação, com expectativas desancoradas exigindo política monetária mais restritiva por mais tempo. Comitê debateu alterações mais amplas no balanço de riscos.

INFOMONEY · Política Monetária · 05/05/2026

Services PMI® at 53,6%; April 2026 ISM® Services PMI® Report.

PRNewswire (release oficial ISM): Services PMI em 53,6% em abril, frente a 54,0% em março. O componente de preços pagos ficou em 70,7%, igual ao mês anterior — repetindo a maior leitura desde outubro de 2022. Empresas citaram preços mais altos de combustíveis, cobre e frete por causa da guerra.

PRNEWSWIRE / ISM · Macro EUA · 05/05/2026

U.S. Job Openings Stay Flat in March, But Hiring Shows Renewed Strength.

IBTimes: JOLTS de março em 6,866 milhões de vagas em aberto, queda de 56 mil ante fevereiro. Contratações subiram para 5,554 milhões — maior nível de hiring bruto desde fevereiro de 2024. Sinal de mercado de trabalho desacelerando sem ruptura.

IBTIMES · Macro EUA · 05/05/2026

Por que a Petrobras pode estar torcendo para o preço do petróleo cair.

Exame: análise da estatal em meio à volatilidade do barril. Defasagem em relação à paridade chegou a 74% no pico de março de 2026; mesmo após reajuste de 11,6%, a pressão continua. Em ano eleitoral, o componente político no valuation aumenta.

EXAME · Mercados · 05/05/2026

☕ Boa quarta

A ata leu certo.

Wall Street voltou ao recorde.

O Brent voltou e devolveu de novo.

E o real apreciou pelo segundo dia. ☕

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