Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEGUNDA-FEIRA · 25 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
Segunda-feira. O fim de semana foi de Ormuz. No sábado, Trump disse que o acordo com o Irã está “largamente negociado”. No domingo, deu marcha à ré: pediu à equipe para não apressar e disse que “o tempo está do nosso lado”. Tehrã contestou.
O Brent fechou a sexta a US$ 103,94 — queda de 6% na semana. Wall Street comemorou: o S&P 500 emendou a oitava semana em alta e o Dow bateu recorde, 50.580 pontos. O Ibovespa, no mesmo dia, caiu 0,81% — sexta semana no vermelho, maior sequência desde 2018. Dólar a R$ 5,03.
Hoje é Memorial Day — Wall Street fechado. Por aqui, liquidez fina. A agenda doméstica acorda quarta com IPCA-15. Café em modo de espera. ☕
Geopolítica · O acordo no fio
Trump · Irã · Ormuz · Rubio · Brent · MoU nuclear
No sábado, Trump disse que o acordo já estava largamente negociado. No domingo, pediu para não apressar. Em 24 horas, dois Trumps.
Foi no sábado à tarde, com posts em sequência do Salão Oval. Depois de chamadas com os líderes de Arábia Saudita, Emirados, Catar, Paquistão, Turquia, Egito, Jordânia, Bahrein e Netâniahu, Trump escreveu que o acordo com o Irã estava “largamente negociado”. A estrutura proposta: declaração oficial do fim da guerra, reabertura do Estreito de Ormuz, fim do bloqueio americano aos portos iranianos e dois meses de negociações para um framework nuclear, com alívio gradual de sanções.
No domingo, o tom virou. Trump postou que “o tempo está do nosso lado”, que não vai “correr para um acordo” e atacou críticos como losers. Em outra postagem, marcou diferença com o entendimento da era Obama: o acordo dele “será bom e adequado — não como o que Obama fez, que deu ao Irã somas enormes de dinheiro e um caminho aberto para a arma nuclear”. O Irã ainda discorda do recheio: a agência estatal disse que Ormuz “continuará sob controle iraniano”.
O barril teve que reler tudo. O Brent fechou a sexta em US$ 103,94, alta de 1,3% no dia mas queda de cerca de 6% na semana — saindo de US$ 112 na segunda. No Estreito, nada mudou: pela conta da Organização Marítima Internacional, 20 mil tripulantes seguem retidos em cerca de 2 mil embarcações desde 4 de março. A Marinha americana destruiu seis pequenas embarcações iranianas durante a semana, depois de ataques a mercantes; os Emirados reportaram drones no fim de semana. Cada manchete continua valendo um dólar de barril.
🎓 O que a teoria diz
Brinkmanship (Thomas Schelling, 1960): a estratégia de levar o oponente até a beira do precipício para extrair concessão sem precisar empurrar. A ameaça precisa ser crível, mas o que vende não é a explosão — é o risco de que alguém perca o controle. Alternar “largamente negociado” no sábado com “não vai apressar” no domingo não é ruído: é coreografia. Ambos os sinais mantêm Tehrã calculando o preço de cada hora de espera — e o mercado precificando em pulos.
E daí?
Para o Brasil, cada dólar a menos no barril alivia gasolina no IPCA e juro longo lá fora — que arrasta o câmbio e a bolsa. Mas o piso ainda é alto: o Brent segue cerca de 50% acima do nível pré-conflito. Para quem opera, o sinal prático está no spread: enquanto não sair MoU assinado, o prêmio de guerra continua precificado em camadas. Hedge segue caro. Posição direcional, arriscada.
EUA · O 17º da fila
Warsh · Powell · Fed · FOMC · Senado · Junho
Warsh tomou posse na sexta. Powell continuou na sala.
Kevin Warsh foi empossado na sexta como o 17º chair do Federal Reserve, na East Room da Casa Branca, com juramento administrado pelo juiz Clarence Thomas. A votação no Senado, dois dias antes, foi 54 a 45 — a mais apertada da história para um chair do Fed. O voto saiu na linha do partido.
O detalhe institucional importa. Powell não foi embora. Continua no Fed como governor — primeira vez em quase 80 anos que um chair se rebaixa para conselheiro em vez de sair de cena. Pela mesa, o ex-presidente segue na sala da reunião, com voto, mas sem o microfone.
A Casa Branca pediu corte de juros assim que Trump nomeou Warsh em janeiro. O mercado, porém, já abandonou essa torcida: com inflação ainda acima da meta, precifica o Fed parado por mais alguns meses. A primeira reunião do novo chair é em 17 de junho.
🎓 O que a teoria diz
Inconsistência intertemporal (Kydland e Prescott, 1977): a política monetária ótima ex-ante deixa de ser ótima ex-post quando o banco central pode ser tentado a desviar da regra. A solução clássica é construir credibilidade ao longo do tempo. Toda troca de chair custa parte desse capital — mesmo quando a intenção do novo chefe é boa. O mercado precisa rever a regra antes de acreditar nela.
O que vem
Junho traz a primeira reunião com voto contado: doze membros, novo chair, mesmo arsenal. Para quem opera renda fixa americana, o que muda agora não é a taxa de hoje — é o intervalo crível para os próximos seis meses. Qualquer diretor que falar antes do dia 17 vira leitura obrigatória.
Mercados · Oito contra seis
S&P 500 · Ibovespa · Dow · Fluxo · Tecnologia · Petróleo
Wall Street emendou oito semanas em alta. A bolsa daqui, seis no vermelho.
O S&P 500 fechou na sexta a oitava semana consecutiva no positivo — maior sequência desde dezembro de 2023. O Dow Jones bateu recorde em 50.580 pontos. O Ibovespa, no mesmo período, caiu pela sexta semana seguida. A diferença acumulada nos últimos sessenta pregões passa de quinze pontos percentuais — e o gráfico de hoje conta a história.
As duas Américas estão em filmes diferentes. Lá fora, o tombo do petróleo (Brent saiu de US$ 112 para US$ 104 na semana, −6%), os sinais de avanço nas negociações EUA-Irã e os resultados de tecnologia somam pano de fundo benigno. Aqui dentro, fiscal frouxo, calendário eleitoral se aproximando e Selic em 14,5% — com prêmio relativo que vem encolhendo.
O dado mais brutal está no fluxo. Em maio, fundos de tecnologia americanos receberam aporte forte. Aqui, o estrangeiro virou vendedor estrutural. Não é uma onda de risco-off — é uma escolha de geografia.
🎓 O que a teoria diz
Push and pull factors (Calvo, Leiderman e Reinhart, 1993): fluxos de capital para emergentes são governados por duas forças. O push vem do exterior — juros baixos, apétite global por risco — e empurra dinheiro para fora dos países desenvolvidos. O pull vem de dentro — retorno esperado, estabilidade política, prêmio fiscal — e atrai o dinheiro para o destino. Quando o push enfraquece OU o pull seca, o fluxo reverte. Em maio, o push global continua alto. O pull brasileiro pingou.
E daí?
Para reverter a maré, o Brasil precisa de uma das duas peças: ou os juros americanos sobem mais (o estrangeiro repatria), ou o fiscal local convence (o pull volta). A primeira não depende daqui. A segunda depende do IPCA-15 de quarta e do PIB de sexta. Para quem carrega bolsa, a aposta da semana é doméstica.
📈 Gráfico do dia
Ibovespa vs S&P 500 · últimos 60 pregões (base 100)
Quando duas Américas escolhem direções opostas.
Fonte: Yahoo Finance · Elaboração: Daily Brew

A linha azul é a B3, base 100 em 27 de fevereiro. A laranja é o S&P 500. Saíram juntos, foram juntos até meados de abril e tomaram rumos opostos no segundo trimestre. Hoje o índice americano está cerca de 16 pontos percentuais acima do brasileiro no recorte.
📌 O número do dia
20.000
Tripulantes retidos em Ormuz
A conta é da Organização Marítima Internacional: 20 mil tripulantes em cerca de 2 mil embarcações seguem parados no Golfo desde 4 de março. O barril precifica o anúncio que ainda não saiu — eles esperam o próprio anúncio chegar.
📈 Mercados — Fechamento Sexta 22/05
⭐ Brent: alta de 1,3% no dia não salva a semana — queda de cerca de 6%, de US$ 112 para US$ 104, com o sinal de avanço nas negociações EUA-Irã. ⭐ Ibovespa: sexta semana consecutiva no vermelho — a maior sequência de queda semanal desde maio-junho de 2018. ⭐ S&P 500: oitava semana consecutiva no positivo, maior sequência desde dezembro de 2023. ⭐ Dow Jones: novo recorde de fechamento na sexta, em 50.580 pontos. Fonte: B3 (Ibov) · Money Times (Dólar spot) · Reuters (Brent settlement) · AP (S&P, Dow, Nasdaq) · Yahoo Finance (Ouro) · Investing (BTC ref. 24h) · Elaboração: Daily Brew · 22/05/2026 |
💬 A frase do dia
“Não ouçam os losers, que criticam algo sobre o que não sabem nada. O tempo está do nosso lado.”
— Donald Trump · Truth Social · Domingo, 24/05/2026
Tradução livre: no sábado o acordo estava largamente negociado. No domingo, o tempo passou a estar do nosso lado. Há uma semana, o próprio Trump dizia que o relógio estava correndo. O barril aprendeu a esperar até o próximo post.
📅 O que vem aí
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Seg 25/05 |
Memorial Day nos EUA · Focus no Brasil — bolsas e títulos americanos fechados. Liquidez fina por aqui e tudo o que se decidir vai ficar em modo de espera. Às 8h25, o relatório Focus traz a primeira leitura do consenso após o IPCA cheio de maio. Informativo |
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Ter 26/05 |
Confiança do consumidor (Conference Board, EUA) — Wall Street reabre depois do feriado com três dias de manchete acumulados sobre o acordo Irã-EUA. O índice sai às 11h ET e dá o termômetro do humor antes do PCE de sexta. Médio impacto |
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Qua 27/05 |
IPCA-15 de maio (Brasil) — a prévia da inflação oficial. O IPCA cheio de abril veio em 0,67%, e o acumulado em 12 meses fechou em 4,39% — já perto do teto de 4,5%. O Focus projeta 4,92% para 2026, dez semanas em piora. Alto impacto |
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Qui 28/05 |
PNAD desemprego (Brasil) · PIB EUA 2ª estimativa · jobless claims — triíade de mercado de trabalho num só dia. No Brasil, o desemprego no trimestre móvel. Nos EUA, a revisão do PIB do 1º trimestre e os pedidos semanais de seguro-desemprego. Alto impacto |
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Sex 29/05 |
PIB do 1º trimestre (Brasil) · PCE de abril (EUA) — primeira foto da economia brasileira depois da Selic em 14,5% e o índice de preços preferido do Fed na mesma janela. PCE acima do esperado significa Fed parado por mais tempo — e juro longo americano sob pressão de novo. Alto impacto |
📚 Vale ler
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Trump says agreement with Iran has ‘been largely negotiated’ and Strait of Hormuz will be opened A íntegra dos posts de sábado: as calls com Netâniahu e oito líderes do Golfo, a estrutura do MoU, os dois meses de framework nuclear, o fim do bloqueio aos portos iranianos. E o ruído imediato de Tehrã, dizendo que Ormuz “continuará sob controle iraniano”. CNN · ORIENTE MÉDIO · 23/05/2026 |
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Trump not rushing Iran deal, whacks critics as ‘losers’ A marcha à ré de domingo: “o tempo está do nosso lado”, “não vou correr para um acordo” e a referência ao entendimento da era Obama. O guia de bolso para decifrar o próximo post. CNBC · GEOPOLÍTICA · 24/05/2026 |
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Kevin Warsh sworn in as Fed chair at pivotal moment for US economy A cerimônia no East Room da Casa Branca na sexta, o juramento administrado por Clarence Thomas, Powell ficando como governor pela primeira vez em quase 80 anos — e a votação de 54 a 45, a mais apertada da história para um chair do Fed. CNN · ECONOMIA · 22/05/2026 |
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Ibovespa fecha em queda e acumula maior série de perdas semanais desde 2018 A radiografia do mercado brasileiro na sexta: por que o estrangeiro virou vendedor estrutural em maio, qual a leitura do bloqueio fiscal de R$ 22,1 bi e o que muda no DI longo com o IPCA-15 de quarta. CNN BRASIL · MERCADOS · 22/05/2026 |
☕ Boa segunda
O acordo apareceu no sábado.
Sumiu no domingo.
O Brent fechou perto de US$ 104.
Wall Street está em recorde — e em feriado.
Volte amanhã — uma manchete é tudo o que falta. ☕
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