Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEGUNDA-FEIRA · 11 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
Sexta foi de bolsa em alta, dólar abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024 e Wall Street em recorde com payroll surpreendendo. No fim de semana, Lula voltou ao X reafirmando o tom da reunião com Trump: parceria, sim — soberania, intacta.
A B3 reabre hoje com três frentes ao mesmo tempo. A primeira é interna: Petrobras divulga o 1T26 depois do fechamento, com consenso de Ebitda ajustado perto de US$ 13 bilhões e dividendos na casa de US$ 2,1 bilhões. Sai sob pressão — a ação fechou cinco pregões consecutivos em queda na semana passada, na esteira do Brent que voltou para perto de US$ 100.
A segunda é o IPCA cheio de abril, que sai amanhã (8h, IBGE) — primeira leitura cheia depois do choque do petróleo, com IPCA-15 já em 0,89% no mês. A terceira é a viagem de Trump a Pequim, quinta e sexta. Terra rara é o item da pauta — e o Brasil entrou no jogo na semana passada.
Café passado. ☕
Brasil · Estatal entra na vitrine
Petrobras · Brent · Dividendos · 1T26 · Citi · BTG
Petrobras divulga o 1T26 hoje à noite. Sai depois da pior semana da ação em dois anos.
A estatal solta o balanço após o fechamento. O consenso convergiu para Ebitda ajustado em torno de US$ 13 bilhões — alta forte na base trimestral, segundo o Citi e o BTG, puxada por produção mais alta (Búzios e Mero acima de 2,58 milhões de barris/dia no relatório operacional) e Brent médio elevado no trimestre. Dividendo esperado: aproximadamente US$ 2,1 bilhões, dividend yield de 1,5% só no tri.
O contexto, porém, é o oposto do número. Na semana passada, PETR4 caiu cinco pregões seguidos acompanhando o Brent — que devolveu cerca de 6% e fechou sexta a US$ 101,29. Foi a pior semana da ação em mais de dois anos. O mercado precificou primeiro o reflexo de petróleo abaixo de US$ 100, depois o desgaste com câmbio mais leve (dólar sub-R$ 4,90 reduz a receita convertida).
O que sai à noite é retrato do tri — produção firme, Brent ainda em patamar elevado durante o período, capex próximo de US$ 4,3 bilhões com a P-79 entrando. O que o mercado opera amanhã é o forward: quanto do Ebitda se sustenta com Brent oscilando entre US$ 95 e US$ 105 no segundo trimestre, e se a empresa mantém o ritmo de dividendos com fluxo de caixa pressionado por subsídio em atraso e capital de giro mais alto.
🎓 O que a teoria diz
Prêmio de risco geopolítico: ativos cuja receita depende de uma commodity sujeita a ruptura de oferta carregam um spread sobre o fluxo descontado normal — o investidor exige retorno extra para segurar o papel enquanto a manchete pode reverter de um pregão para o outro. Quando a manchete some, o prêmio recolhe primeiro, e só depois o preço começa a refletir o operacional. É por isso que petroleiras costumam abrir descontadas no balanço bom: o tri ficou para trás antes do mercado conseguir respirar.
E daí?
PETR4: reação do pregão de terça vai precificar guidance de capex e política de dividendos, não o lucro do tri — esse já está na curva. Renda variável dividendeira: teleconferência amanhã às 11h30 é o ponto de informação real; quem carrega esperando provento extraordinário no fim do ano precisa ouvir o tom. Câmbio: dólar a R$ 4,89 ajuda na importadora, machuca a exportadora — Petrobras e Vale começam a sentir na conversão. Ibovespa: peso da Petrobras caiu na composição do índice na semana, mas o setor ainda decide a direção da ponteira.
Brasil · Régua nova
IPCA · IBGE · IPCA-15 · Selic · Focus · IGP-DI
Amanhã sai o IPCA cheio de abril — a primeira leitura completa depois que o petróleo bateu US$ 118.
O IBGE divulga o índice cheio às 8h. A prévia, o IPCA-15 de abril, já tinha vindo em 0,89% — quase o dobro dos 0,44% de março, com Alimentação (+1,46%) e Transportes (+1,34%) respondendo por 65% do mês. O cheio costuma ficar próximo da prévia; a pergunta é quanto a gasolina e a passagem aérea, que pressionaram o 15, se confirmam ou cedem.
No atacado, o sinal já está dado. O IGP-DI de abril, divulgado sexta pela FGV, fechou em 2,41% — mais um mês de pressão concentrada em combustíveis e insumos industriais que entraram pelo Brent. O canal já abriu; o que se mede amanhã é quanto chegou ao varejo.
A leitura sai com a Selic em 14,50%, depois do segundo corte do ciclo, e com o Focus desta semana já com mediana de 4,89% para 2026 — oitava semana seguida de revisão para cima. A ata divulgada na terça passada deixou a porta de junho aberta, mas amarrada a "informações futuras". O IPCA cheio é a primeira informação que o comitê precisa ler antes da próxima reunião.
🎓 O que a teoria diz
Pass-through cambial: em economia aberta, choques no preço internacional de uma commodity essencial chegam ao IPCA por dois canais — o repasse direto via combustível, e o repasse indireto via custos da indústria de transformação. O primeiro aparece em poucas semanas; o segundo demora um trimestre. Em abril, o Brasil mediu o primeiro com IPCA-15 e IGP-DI. Em junho e julho, vai medir o segundo. Por isso o BC trata o choque como temporário até ele virar persistente — e aí já é tarde para olhar para o lado.
E daí?
NTN-B curta: número acima do IPCA-15 abre marcação positiva no curto e força reprecificação da curva real. DI Jan/27: hoje compra corte adicional na próxima reunião; surpresa de cima fecha essa porta. Renda fixa pós-fixada: Selic a 14,50% segue carrego polpudo enquanto o Focus não cede. Varejo de consumo essencial: alimentação e transporte explicam dois terços do IPCA-15 — quem opera supermercado tem preço para repassar, mas pisa no calo do orçamento das famílias mais expostas.
Mundo · Pauta da semana
Trump · Xi · Pequim · Terras raras · Lula · Mercosul
Trump pousa em Pequim quinta. O item da pauta é terra rara — e o Brasil entrou no jogo na quinta passada.
É a primeira visita de um presidente americano à China desde 2017. A agenda oficial inclui comércio, Taiwan, Irã e inteligência artificial. A agenda real, segundo análises do CFR e do CSIS publicadas no fim de semana, gira em torno de um item: minerais críticos. A China detém 44 milhões de toneladas de reservas de terras raras e domina mineração, processamento e refino. Os EUA não têm resposta de cadeia de suprimentos para isso — e Pequim sabe.
O Brasil entra como segundo maior detentor mundial de reservas, com 21 milhões de toneladas. Não é coincidência que Trump tenha procurado Lula uma semana antes da viagem. A reunião de quinta-feira passada na Casa Branca durou três horas, terminou com grupo de trabalho sobre tarifas e Seção 301 e tem nova rodada agendada nos próximos 30 dias. O Câmara já aprovou o texto-base do marco regulatório dos minerais críticos. No sábado, Lula voltou ao X reafirmando a tese de "ampliar parcerias sem abrir mão da soberania".
A leitura mais útil da semana é que a posição negocial do Brasil melhorou justamente porque a americana piorou. Toda vez que a cúpula de Pequim mostrar Xi confortável e Trump na defensiva no item terras raras, o Brasil ganha valor de opção como fornecedor alternativo. Toda vez que vier acordo em Pequim, Brasília perde ar. Quinta e sexta valem leitura — não pelo que será assinado, mas pelo recado deixado.
🎓 O que a teoria diz
Captura regulatória reversa e poder de barganha em cadeias críticas: quando uma única jurisdição concentra a oferta global de um insumo essencial, o país comprador deixa de negociar preço e passa a negociar acesso. A literatura de comércio internacional descreve esse arranjo como dependência estrutural — e mostra que países com reservas alternativas conseguem extrair condições melhores quanto mais o comprador-dominante perceber que a fonte primária pode fechar a porta. Reserva geológica, nesse modelo, vira ativo geopolítico antes de virar receita.
E daí?
Mineradoras juniores brasileiras: notícia de Pequim sem acordo abre janela de fluxo para o setor; com acordo, fecha. Tarifaço residual: a Seção 301 sobre o Brasil entrou no grupo de trabalho — investidor que opera carne, suco e calçado precifica mais nos próximos 30 dias do que precificou nos últimos seis meses. Câmbio: o que move o dólar pelos próximos dias é menos Selic, mais o tom da quinta em Pequim. Dívida soberana brasileira: rerating de risco-país está mais próximo do que parecia em janeiro — mas só se confirma com tarifa zerada.
📊 Gráfico do dia
Focus · Mediana IPCA 2026 · Semanas selecionadas
Oito semanas, oito altas seguidas. A mediana saiu de 4,31% e chegou a 4,89% — encostando no teto da meta.
Fonte: Boletim Focus · Banco Central do Brasil · Elaboração: Daily Brew

A mediana do Focus para o IPCA de 2026 acumulou oito altas semanais seguidas até a leitura de 04/05. O teto da meta vigente é 4,5% (centro 3% · banda ±1,5pp). O Copom calibra com Selic em 14,50% desde a reunião de 28-29/04 — e a ata de 06/05 condicionou a próxima decisão à evolução das expectativas e ao IPCA cheio de abril, que sai amanhã. O movimento, em si, não é ruído: é desancoragem em ritmo de relógio.
📌 O número do dia
115 mil
Vagas criadas no Payroll EUA — abril (BLS · 08/05/2026)
O consenso da Reuters era 62 mil. Veio quase o dobro. O FedWatch — ferramenta do CME que precifica a função de reação do Fed — segue projetando juros estáveis até dezembro de 2027. O mercado de trabalho americano está fazendo uma coisa muito chata para quem queria corte: continuar funcionando.
📈 Mercados — Fechamento Sexta 08/05
| Ativo | Fechamento | Dia | Mín / Máx |
|---|---|---|---|
| Ibovespa | 184.108,29 pts | ↑ +0,49% | 183.217 / 185.584 |
| Dólar (BRL) ⭐ | R$ 4,8939 | ↓ −0,60% | 4,8810 / 4,9220 |
| Brent | US$ 100,38 | ↑ +0,32% | 99,70 / 103,96 |
| Ouro Futuro | US$ 4.720,40 | ↑ +0,44% | 4.700 / 4.748 |
| S&P 500 ⭐ | 7.398,93 pts | ↑ +0,80% | 7.337 / 7.402 |
| Dow Jones | 49.609,16 pts | ↑ +0,10% | 49.486 / 49.870 |
| Nasdaq Composite ⭐ | 26.247,08 pts | ↑ +1,70% | 25.806 / 26.310 |
| Bitcoin | US$ 79.950 | ↑ +0,19% | 79.501 / 80.480 |
⭐ Dólar: abaixo de R$ 4,90 pela primeira vez desde janeiro de 2024 — payroll forte derruba o índice DXY e fluxo entra em emergente.
⭐ S&P 500: renova recorde de fechamento com payroll de abril em 115 mil (consenso era 62 mil) — o teste do pouso suave passou.
⭐ Nasdaq: +1,70% no dia, +4,5% na semana — IA segue puxando, e a curva de juros americana parou de pressionar tecnologia depois do payroll.
Fonte: Money Times/Estadão (Ibovespa) · AP/Investing (S&P, Dow, Nasdaq) · Yahoo Finance BZ=F (Brent fechamento histórico) · WSJ/Dow Jones Market Data (Ouro Comex front-month, settlement) · Money Times/CNN Brasil (Dólar à vista local) · Coinbase (Bitcoin ref. 18h ET) · Variação semanal vs. fechamento sex 02/05 · Elaboração: Daily Brew.
💬 A frase do dia
"Vamos seguir em tratativas para ampliar nossas parcerias, fortalecendo sempre o caminho do diálogo sem abrir mão de nossa soberania."
— Lula · Postagem no X · sábado, 09/05/2026
Tradução para mesa: a posição de barganha brasileira melhora justamente porque Trump precisa fechar minerais críticos antes de pousar em Pequim na quinta. O comunicado é dirigido a Washington — e à China, que está lendo.
📅 A semana que começa
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Seg 11/05 |
Boletim Focus (BCB, 8h25) · Petrobras 1T26 (após o fechamento) — Focus traz a 9ª leitura semanal de expectativas depois da ata; mediana já em 4,89% para o IPCA 2026. À noite, Petrobras solta o balanço com consenso de Ebitda perto de US$ 13 bi e dividendos próximos de US$ 2,1 bi. Teleconferência amanhã, 11h30. Alto impacto |
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Ter 12/05 |
IPCA cheio de abril (IBGE, 8h) — primeira leitura cheia depois do choque do petróleo, com IPCA-15 já em 0,89%. É a régua que o Copom vai ler antes de calibrar a próxima decisão. Nos EUA, sai o NFIB pequenos negócios. Alto impacto |
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Qua 13/05 |
Banco do Brasil 1T26 · CPI EUA — abril (BLS, 9h30 ET) — BB sai com o tom mais cauteloso entre os grandes bancos, com BBA estimando lucro de R$ 21 bi (abaixo do guidance). Nos EUA, CPI cheio é a primeira inflação completa depois do payroll forte e do ruído do Brent. Médio impacto |
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Qui 14/05 |
Cúpula Trump–Xi em Pequim (1º dia) · PPI EUA — primeira visita de presidente americano à China desde 2017. Pauta real: minerais críticos. O que sair de comunicado conjunto define a posição de barganha brasileira para a próxima rodada com a Casa Branca, marcada para 30 dias. Alto impacto |
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Sex 15/05 |
Cúpula Trump–Xi (2º dia) · Vendas no varejo EUA — abril — encerramento da visita; eventual anúncio de extensão da trégua comercial e/ou alívio sobre terras raras. Vendas no varejo americano de abril são a primeira amostra de consumo depois do choque do petróleo. Médio impacto |
📚 Vale ler
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Resumo do enquadramento das casas (BTG e Citi) para o 1T26: Ebitda perto de US$ 13 bi, dividendos próximos de US$ 2,1 bi, dividend yield de 1,5% só no tri. Útil para calibrar a leitura da teleconferência de amanhã. Seu Dinheiro · Petrobras · 08/05/2026 |
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Entenda em cinco pontos a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca. Mapa do que foi conversado na quinta passada: tarifas, Seção 301, terras raras, Venezuela, Irã. Lê-se em paralelo às postagens de Lula no X de sábado e ajuda a entender por que Trump procurou Brasília uma semana antes da viagem a Pequim. CNN Brasil · Internacional · 08/05/2026 |
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Trump em Pequim em meio à guerra comercial: o que a China espera da reunião. Análise de bastidor com fontes em Pequim sobre o que Xi entrega e o que pede em troca. Tom geral: confiança cautelosa, terras raras como ativo não-negociável, expectativa de extensão da trégua sem reset estrutural. Boa leitura antes da quinta. Exame · Mundo · 09/05/2026 |
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Ata do Copom: BC cita guerra e evita sinalizar próximos passos da Selic. Cobertura da ata divulgada na terça passada. Útil para revisar o trecho sobre balanço de riscos e a frase-chave sobre "magnitude e duração do ciclo de calibração" antes do IPCA cheio sair amanhã. Exame · Política Monetária · 06/05/2026 |
☕ Boa segunda
A B3 reabre.
A Petrobras solta o balanço.
Amanhã sai o IPCA.
Quinta, Trump pousa em Pequim.
Quatro dias úteis. Quatro recados.
Boa semana. ☕
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