Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEGUNDA-FEIRA · 18 DE MAIO DE 2026
☕ Bom dia
Segunda-feira. A semana passada fechou no vermelho: o Ibovespa caiu pela quinta semana seguida e o dólar voltou para cima de R$ 5. Em Nova York foi parecido — Wall Street devolveu na sexta o recorde que tinha batido poucos dias antes.
O que mudou foi a leitura sobre o Fed. Com a inflação americana teimosa e o petróleo caro, o mercado parou de torcer por corte de juros e começou a discutir o contrário. E o banco central americano faz essa conta com um comandante novo: Kevin Warsh acaba de assumir o lugar de Powell.
A semana é cheia. Hoje sai o IBC-Br, a prévia do PIB. Na quarta, a ata do Fed e o balanço da Nvidia. Café forte: a conta de maio ainda não fechou. ☕
Estados Unidos · A aposta virou
Fed · FOMC · Warsh · Powell · Treasury · CPI · Trump
O mercado parou de torcer por corte de juros. Agora teme o contrário.
Há poucos meses, a dúvida era quantos cortes o Federal Reserve faria em 2026. Agora a pergunta é outra: e se o próximo movimento for para cima? A inflação americana está em 3,8% ao ano, o petróleo não cede, e o juro do título de 10 anos fechou a sexta a 4,59% — o maior nível em cerca de um ano. No FedWatch da CME, a chance de uma alta de juros ainda em 2026 subiu para a faixa de 45% a 50%, dependendo do contrato.
No meio da virada, o Fed troca de comando. O Senado confirmou Kevin Warsh na semana passada, por 54 votos a 45 — a confirmação mais partidária da história do banco central americano. Warsh assume o lugar de Jerome Powell, indicado e pressionado por Donald Trump, que quer corte de juros. A inflação, por enquanto, pede o contrário.
O teste vem na quarta: sai a ata da última reunião do Fed, a primeira leitura detalhada de como o comitê enxerga o risco de o petróleo contaminar a inflação. Warsh herda a cadeira no pior momento possível — com o mercado dividido entre corte e alta, e um presidente que já avisou qual resposta espera.
🎓 O que a teoria diz
Regra de Taylor: a referência mais conhecida de política monetária diz, de forma simplificada, que o juro deve subir quando a inflação fica acima da meta e a economia não está em colapso. Com o CPI a 3,8% — bem acima dos 2% que o Fed persegue — e atividade ainda de pé, a régua de Taylor aponta para juro mais alto, não mais baixo. É essa conta mecânica que o mercado passou a fazer.
E daí?
Carteira montada para um Fed cortando juros está com a tese trocada. Juro americano alto valoriza o dólar, pressiona moedas emergentes e encarece o crédito global. A ata de quarta é o gatilho — se o tom for duro, a curva de juros sobe mais, e o estrago se espalha de Nova York para a Faria Lima.
Brasil · Olhar pra dentro
IBC-Br · PIB · Selic · Copom · Desemprego · Atividade
Por semanas, a culpa foi do mundo lá fora. Esta semana, o Brasil produz os próprios números.
As últimas semanas da bolsa brasileira foram escritas em Nova York e em Pequim — juro americano subindo, humor global piorando. Esta semana o foco vira para dentro. Hoje o Banco Central divulga o IBC-Br de março, indicador que funciona como prévia do PIB. É o primeiro retrato de como a economia respondeu ao juro mais alto.
O pano de fundo doméstico é de desaceleração lenta. A Selic está em 14,50% depois de dois cortes pequenos, a taxa de desemprego subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março, e o crédito perdeu fôlego. A pergunta da semana é se a atividade está esfriando no ritmo que o Banco Central calculou — ou rápido demais.
Nenhum desses dados move o mercado como a ata do Fed. Mas todos entram na conta do Copom para a reunião de junho, quando o comitê decide se o ciclo de corte continua. Depois de meses olhando para fora, o investidor vai precisar olhar o termômetro de casa.
🎓 O que a teoria diz
Defasagem da política monetária: Milton Friedman descreveu o efeito do juro sobre a economia como tendo defasagens "longas e variáveis". Uma mudança na Selic leva meses — às vezes mais de um ano — para aparecer na atividade e na inflação. Por isso o IBC-Br de março é um retrovisor: mostra a economia reagindo à Selic de meses atrás, quando estava ainda mais alta. O efeito do juro de hoje só aparece lá na frente.
E daí?
Dado fraco de atividade reforça o argumento de quem quer mais corte em junho; dado resistente, com inflação ainda acima da meta, joga a favor da cautela. Para quem investe em renda fixa, é o tipo de semana que mexe pouco no preço e muito na narrativa — e a narrativa é o que desenha a curva de juros das próximas semanas.
Commodities · O barril na mesa do Fed
Brent · Petróleo · Ormuz · Irã · Inflação · Fed
O petróleo deixou de ser notícia de geopolítica. Virou problema de banco central.
O Brent fechou a sexta perto de US$ 109. Desde fevereiro, com o Estreito de Ormuz sob bloqueio parcial e o tráfego restrito, o barril virou personagem fixo do noticiário — sempre na seção de geopolítica: Irã, cessar-fogo, ataques, negociação.
Mas o petróleo nesse patamar há meses parou de ser só uma história de guerra. Virou uma história de inflação — e, portanto, de juro. Combustível caro entra no transporte, no frete, na comida, e empurra os índices de preço para cima. Foi exatamente isso que mudou a conta do Fed: a alta do petróleo é uma das maiores razões pelas quais o mercado passou a temer uma alta de juros nos Estados Unidos.
É um problema sem saída boa para um banco central. Cortar juro para proteger a atividade alimenta a inflação que o barril já está empurrando. Subir juro para conter a inflação freia uma economia que o barril caro já está encarecendo. O petróleo fechou a porta dos dois lados.
🎓 O que a teoria diz
A quebra da "divina coincidência": os economistas Olivier Blanchard e Jordi Galí deram esse nome (2007) à situação normal em que estabilizar a inflação também estabiliza a atividade — sem dilema para o banco central. Um choque de oferta, como o do petróleo, quebra essa coincidência: empurra a inflação para cima e a atividade para baixo ao mesmo tempo. O banco central é obrigado a escolher qual dos dois aceita piorar. Não há resposta sem custo.
E daí?
O petróleo virou o termômetro da política monetária global: cada dólar a mais no barril aperta um pouco mais o Fed. Para a Petrobras, barril caro é receita boa no curto prazo. Para o brasileiro no posto e no supermercado, é a inflação importada batendo à porta — e um Banco Central com menos espaço para cortar a Selic em junho.
📊 Gráfico do dia
Estados Unidos — juro do Treasury de 10 anos · 30 pregões
O juro de 10 anos dos EUA subiu a 4,59% — e o Fed não tocou em nada.
Fonte: Treasury via Yahoo Finance (^TNX) · Elaboração: Daily Brew

A linha mostra o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano nos últimos 30 pregões — a referência que baliza o custo do crédito no mundo todo. O salto de 4,34% para 4,59% aconteceu sem nenhuma decisão do Fed: foi o mercado, sozinho, reprecificando o risco de a inflação não ceder. Quando esse juro sobe, fica mais caro financiar dívida — de Washington a São Paulo.
📌 O número do dia
54–45
OS VOTOS QUE CONFIRMARAM KEVIN WARSH NO COMANDO DO FED
O novo presidente do Federal Reserve chega com a margem mais apertada e mais partidária que um chefe do banco central americano já teve. Na pasta de entrada: inflação no maior nível em três anos e um mercado apostando em alta de juros. Boa sorte, Kevin.
📊 Mercados — Fechamento Sexta 15/05
⭐ Ibovespa: quinta semana seguida de queda — acumulou −3,71% no período. ⭐ S&P 500: devolveu parte do recorde — caiu para baixo dos 7.500 pontos três pregões depois de bater a máxima histórica. ⭐ Brent: de volta perto de US$ 109, com o tráfego pelo Estreito de Ormuz ainda restrito. Fonte: B3 e Yahoo Finance (Ibovespa, índices dos EUA, Brent, Ouro) · dólar spot USD/BRL e Bitcoin como referência 24h · Elaboração: Daily Brew · 15/05/2026 |
💬 A frase do dia
Para Trump, a melhor notícia para a economia americana foi tirar Jerome Powell do comando do Fed e pôr Kevin Warsh no lugar.
— Posição de Donald Trump, reportada pela CNBC · sobre a troca de comando no Fed · abril de 2026
Ele cravou isso em abril; em maio, virou realidade. Mas Warsh assume com a inflação no maior nível em três anos e o mercado apostando em alta de juros — a melhor notícia do presidente é a pior herança do novo chefe.
📅 O que vem aí
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Seg 18/05 |
IBC-Br de março (Banco Central) — a prévia mensal do PIB. Primeiro retrato de como a economia respondeu ao juro alto, antes do corte da Selic para 14,5%. Alto impacto |
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Ter 19/05 |
China decide a taxa de juros (PBoC) — o banco central chinês define sua taxa básica, referência para o apetite de risco global e para a demanda que sustenta o minério e as commodities brasileiras. Médio impacto |
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Qua 20/05 |
Ata do FOMC + balanço da Nvidia — a ata da última reunião do Fed (15h de Brasília) mostra como o comitê lê o risco do petróleo; à noite, a Nvidia, termômetro do trade de inteligência artificial. Alto impacto |
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Qui 21/05 |
Emprego e Fed nos EUA — pedidos de seguro-desemprego e dados de habitação nos Estados Unidos, além de uma fala do diretor Waller, do Fed — mais pistas sobre o humor do banco central depois da ata. Médio impacto |
📚 Vale ler
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Ibovespa fecha em queda com mau humor global; dólar sobe a R$ 5,06 O recap da sexta-feira que fechou a quinta semana seguida de perdas da bolsa brasileira — o ponto de partida da semana que começa. CNN BRASIL · MERCADOS · 15/05/2026 |
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O que esperar de Kevin Warsh, o indicado de Trump à frente do Fed Análise do perfil e dos desafios do novo presidente do banco central americano — e do que a história ensina sobre trocas de comando no Fed. GAZETA DO POVO · MUNDO · 2026 |
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Choque do petróleo e tensão no Irã travam a queda de juros nos EUA Por que o barril caro deixou de ser um problema de geopolítica e virou o principal obstáculo a um corte de juros pelo Fed. SPACEMONEY · ECONOMIA · 2026 |
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Calendário da semana: dados da China, ata do Fed, Nvidia e IBC-Br O mapa completo dos eventos que vão mexer com o mercado entre segunda e sexta — do indicador de atividade no Brasil ao balanço mais aguardado de Wall Street. INVESTING.COM · CALENDÁRIO · 2026 |
☕ Boa segunda
Wall Street devolveu o recorde.
O Ibovespa caiu pela quinta semana.
O Fed trocou de chefe — e o petróleo, de seção.
A semana decide na quarta. O café vai ser preciso. ☕
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