O dia depois de amanhã começou horrível — e terminou melhor do que parecia. O Ibovespa abriu em queda de quase 2%, o Brent bateu US$ 119 na madrugada, Trump ameaçou explodir campos de gás iranianos e o dólar subiu para R$ 5,28. Por volta do meio-dia, parecia que a Super Quarta tinha sido um desperdício de otimismo.
Então chegou a diplomacia europeia. Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão publicaram um comunicado conjunto dizendo que estão "prontos para contribuir com esforços para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz". O petróleo recuou. O dólar cedeu. A bolsa virou e fechou em alta de 0,35%.
O Brent fechou a US$ 108,65 — ainda em alta de 1,18%, mas bem longe do pico de US$ 119. A sessão foi um resumo do mundo em 2026: o pânico dura horas, a diplomacia salva o pregão. Até amanhã, pelo menos.
O Ibovespa protagonizou uma das sessões mais voláteis do ano. Abriu no negativo, chegou a operar abaixo dos 177 mil pontos na mínima do dia, com o petróleo disparando, os juros futuros em alta e o dólar subindo. O humor dos investidores estava claramente na escala "o pior ainda está por vir".
A virada veio no período da tarde, quando o anúncio conjunto de europeus e japoneses sobre o Estreito de Ormuz chegou. O petróleo caiu da máxima, os ativos de risco respiraram e a bolsa foi a 180.271 pontos no fechamento — alta de 0,35%. O dólar, que chegou a R$ 5,28, recuou. No acumulado do dia: um V perfeito no gráfico, com mínima em 176.296 e máxima em 181.251.

Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão divulgaram um comunicado conjunto declarando-se "prontos para contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz". O texto veio depois de Trump ter pedido que países aliados enviassem navios militares — e os europeus terem recusado a solicitação americana. Recusaram o pedido, mas fizeram o movimento do jeito deles.
O efeito no mercado foi imediato. O Brent, que havia chegado a US$ 119,13 na madrugada após os ataques iranianos a instalações de GNL no Catar e nos Emirados Árabes, recuou ao longo do dia e fechou a US$ 108,65 (+1,18%). O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, também ajudou: disse que os EUA podem liberar novamente a reserva estratégica de petróleo para manter os preços sob controle. O mercado leu as duas declarações como "o Ocidente não vai deixar o Estreito fechar".
A indústria reagiu ao corte do Copom com a elegância de quem ganha um presente menor do que esperava. A Fiesp elogiou, mas chamou de "tímido" e "insuficiente para recuperar as perdas acumuladas". Paulo Skaf foi direto: o Brasil pratica juros seis vezes superiores à inflação — algo que ele definiu como "absurdo". A crítica até poderia fazer sentido técnico, mas só para quem não pede mais protecionismo todo dia.
Mas o BC também não estava errado. Com o petróleo que chegou a US$ 119 esta manhã, cortar mais agressivamente seria arriscado. O comunicado cauteloso foi uma leitura honesta do cenário — e o mercado de câmbio agradeceu ao não entrar em colapso. A tensão entre o que o setor industrial precisa e o que o BC pode fazer não vai se resolver em um único corte de 0,25pp. Essa conversa vai durar o ano inteiro.
Fonte: Investing.com / B3 · 19/03/2026 (fechamento). Brent: Valor Econômico. Dólar e Bitcoin: Investing.com (19/03/2026).
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Europa e Japão prontos para ajudar no Estreito de Ormuz — o comunicado que virou o mercado
Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão em um comunicado conjunto. Sem tropas, mas com o efeito de derrubar o Brent de US$ 119 para US$ 108 no mesmo pregão.
G1 / Globo
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Brent fecha em alta, mas longe da máxima de US$ 119 — a sessão volátil explicada
O Brent chegou a US$ 119,13 na madrugada e fechou a US$ 108,65. A análise do Valor sobre os movimentos que trouxeram o petróleo de volta.
Valor Econômico
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Trump ameaçou explodir campo de gás iraniano — o contexto do pânico da manhã
A ameaça que enviou o petróleo a US$ 119 e o gás natural europeu +35%. Os ataques ao Catar e aos Emirados e o que aconteceu antes da virada diplomática.
Infomoney / Estadão
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Indústria aplaudiu o corte, mas já reclamou que foi pouco
A Fiesp e o paradoxo brasileiro: juros que punem quem investe e premiam quem aplica em renda fixa. A reação do setor industrial ao corte de 0,25pp do Copom.
Infomoney
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A Europa fez um comunicado.
O Brent caiu US$ 10. A bolsa fechou em alta.
Às vezes a diplomacia salva o pregão. Às vezes não. ☕☕
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