Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUARTA-FEIRA · 29 DE ABRIL DE 2026

☕ Bom dia

Super Quarta. Fed e Copom decidem hoje com cenário diferente do de março — porque o petróleo decidiu antes deles. O Brent fechou em US$ 111,26 ontem, alta de 2,8%, no sétimo pregão seguido de alta, depois que Trump teria ficado “insatisfeito” com a proposta iraniana sobre Ormuz, segundo autoridade dos EUA. Tradução em barril: 25% do comércio marítimo global de petróleo segue passando pelo lugar do qual ninguém quer falar — e o mercado tem reaprendido geografia em tempo real.

Lá fora, Wall Street devolveu parte do rali antes mesmo do envelope abrir: S&P 500 -0,49%, Nasdaq Composite -0,90%, Dow praticamente flat (-0,05%). Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon entregam balanço hoje no pós-mercado de NY. Quando quatro nomes concentram parcela relevante do índice, mesa não espera o número — vende uma ponta na véspera para dormir.

Aqui dentro, Ibovespa em 188.618 (-0,51%) e dólar parado em R$ 4,982. O mercado ainda paga corte de 25 pb no Copom, para 14,50% — mas o número virou detalhe. Petróleo acima de US$ 110, IPCA-15 em 0,89%, expectativas para o IPCA 2026 em 4,86%: três sinais piscando ao mesmo tempo. O comunicado de hoje à noite vai ter que dar conta dos três.

Café passado. ☕

Energia · A proposta travou

Brent · Trump · Irã · Ormuz · IEA · Petrobras

Trump teria recusado a proposta. O petróleo voltou aos três dígitos — e o Copom perdeu folga.

O Brent fechou em US$ 111,26, alta de 2,8%, no sétimo pregão seguido de alta — referência ICE Brent Jun/26 via Reuters. WTI Jun/26 acompanhou, em US$ 99,93. Segundo o New York Times (e a Reuters, citando autoridade dos EUA), Trump teria dito a assessores, em conversa privada, que não estava satisfeito com a proposta iraniana de reabrir Ormuz: a oferta deixava o programa nuclear fora da mesa até o fim das hostilidades e a resolução das disputas de navegação no Golfo. O que o mercado leu na segunda como abertura de canal, a Casa Branca leu como manobra. O barril leu igual à Casa Branca.

Ormuz segue crítico. A IEA segue tratando o Estreito como ponto de passagem obrigatória do petróleo global: em rotina, cerca de 20 milhões de barris/dia de petróleo e derivados transitam por ali — perto de 25% do comércio marítimo mundial. Hoje o tráfego é parcial e parte do volume migra para rotas alternativas. Goldman segue projetando US$ 90 para o 4T26 com cauda relevante para cima. A diferença é que a cauda de hoje está mais grossa que a de ontem — e ninguém esqueceu a cauda de antes de ontem.

Aqui dentro, Petrobras ajudou e não salvou: PETR3 +0,72%, PETR4 +0,32%. Vale caiu 1,30%, a R$ 84,30, e pressionou o Ibovespa antes do próprio balanço (fonte: Exame). Tradução de mesa: petróleo a três dígitos não muda o número que o Copom vai entregar — muda quanto do próximo passo o BC pode prometer hoje.

🎓 O que a teoria diz

Petróleo em reais, preços administrados e expectativas: no Brasil, o choque do barril não vira IPCA de forma instantânea. Ele passa primeiro por câmbio, paridade de importação, política de preços da Petrobras, impostos e margens de distribuição. Por isso, o efeito direto na bomba vem com defasagem e intensidade variável. Mas, quando o petróleo fica alto por vários dias, o canal de expectativas aparece antes do reajuste: expectativas de inflação, DI e Copom passam a olhar menos o número corrente e mais o risco de persistência.

E daí?

Petrobras: Brent acima de US$ 110 é positivo para geração de caixa — e ruim para sossego político sobre diesel e gasolina. Diesel: a discussão deixa de ser só preço internacional e vira risco de reajuste, compensação tributária ou nova intervenção. IPCA: não é o preço de um dia — é a persistência do choque que importa para maio/junho. Selic: o corte de 25 pb ainda pode vir, mas petróleo a três dígitos torna o comunicado mais importante que o número.

Mercados · Vendeu antes do próprio balanço

Mag 7 · Microsoft · Meta · Alphabet · Amazon · Apple · Nasdaq · capex IA

Quatro Magníficas reportam hoje à noite. E a Nasdaq vendeu antes mesmo do envelope abrir.

Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon entregam balanço hoje no pós-mercado de NY; Apple reporta amanhã. Wall Street já tinha começado a reduzir antes do envelope abrir: Nasdaq Composite -0,90%, S&P 500 -0,49%, Dow praticamente flat (-0,05%). A queda foi concentrada em IA e semis — Nvidia e Broadcom puxaram o índice para baixo, segundo a AP. Mesa boa não espera o resultado para realizar lucro: realiza um pouco antes e dorme melhor.

As Magníficas chegaram às portas dos balanços com mês forte nas costas: Amazon +27%, Alphabet +20%, Meta +18%, Microsoft +15%, Apple +6% no acumulado de abril. Para uma mesa que está comprada e gostou do mês, vender 1% na véspera é barato. A mesa não quer chegar ao balanço com posição máxima justamente quando a pergunta deixou de ser crescimento e virou retorno do capex de IA.

O número que organiza tudo é o capex projetado de IA. Em janeiro, as quatro guiaram algo na casa de US$ 600 bilhões combinados em 2026 (MarketWatch fala em até US$ 650 bi). Subiu? Caiu? Cada CFO vai ter as próximas 24 horas para explicar — e o resto de 2026 para entregar.

🎓 O que a teoria diz

Reposicionamento pré-evento: quando poucos nomes concentram grande parte do índice e chegam ao balanço depois de forte alta, o mercado tende a reduzir risco antes do número. Não é necessariamente pessimismo — é assimetria. Se o resultado vem bom, parte já estava no preço. Se capex, margem ou guidance decepcionam, o ajuste pode ser maior porque o posicionamento estava cheio.

E daí?

Mag 7: o mercado não quer apenas lucro — quer saber se o capex de IA está virando receita, margem e fluxo de caixa. Nasdaq: a queda pré-balanço aumenta a sensibilidade do after-market — guidance de IA e cloud pode importar mais que o EPS. S&P 500: como Microsoft, Alphabet, Meta e Amazon concentram parcela relevante do índice, a abertura de quinta pode ser decidida no pós-mercado de hoje. EWZ: NY verde ajuda beta e fluxo externo; NY vermelho deixa Brasil mais dependente do tom do Copom e do petróleo.

Brasil · O comunicado pesa mais que o número

Copom · Selic · IPCA-15 · DI futuro · Curva · Comunicado

Copom decide à noite. O mercado já sabe o número. O que falta saber é a frase.

O Copom anuncia à noite, após 18h30. Selic atual: 14,75%. Consenso de mesa: corte de 25 pontos-base, levando a Selic para 14,50%. O que está em disputa não é a decisão — é o tom do comunicado.

Em duas semanas, três coisas mudaram contra um afrouxamento mais rápido — e mudaram juntas. O IPCA-15 de abril veio em 0,89% no mês (eram 0,44% em março) e 4,37% em 12 meses; alimentação e transportes lideraram. Veio abaixo do consenso para o mês, mas ainda acelerou em 12 meses — ajuda no número do dia, não resolve a história. O petróleo voltou aos três dígitos. E as expectativas para o IPCA 2026 subiram pela sétima semana seguida no boletim de expectativas — agora em 4,86%, contra 4,71% há quinze dias. Coincidência seria pedir muito.

Curva DI mexeu na terça: ponta longa esticou, ponta curta também. O mercado está precificando duas coisas ao mesmo tempo — corte hoje (porque já estava na curva) e menos corte depois (porque o cenário piorou). A Selic projetada para o fim de 2026 firmou em 13,00% no boletim mais recente, 50 pontos-base acima de quatro semanas atrás. Em um mês, o mercado moveu meio ponto. Na curva, isso é uma reunião inteira.

Por isso o número pesa menos hoje que o comunicado. Cortar 25 com tom de cautela: mercado lê como pausa próxima. Cortar 25 com tom de continuidade: curva longa cede. Manter em 14,75%: a Selic projetada sobe junto. Três caminhos, três leituras. O BC escolhe a porta hoje à noite.

🎓 O que a teoria diz

Forward guidance e função de reação: em ciclo de afrouxamento, o comunicado vale quase tanto quanto a decisão. Quando expectativas, petróleo e curva sobem ao mesmo tempo, o BC perde graus de liberdade: pode cortar porque a política ainda está contracionista, mas precisa mostrar que a trajetória continua dependente dos dados. O risco não é o corte de 25 pb em si — é o mercado entender que o BC está relaxando a função de reação num momento em que as expectativas voltaram a subir.

E daí?

NTN-B longa: carrega prêmio de incerteza e pode ceder se o comunicado vier hawkish o suficiente para limitar cortes à frente. DI Jan/27: se o Copom cortar 25 pb com tom duro, fecha; se cortar e sinalizar continuidade, abre; se mantiver em 14,75%, a ponta curta reprecifica junto. Dólar: R$ 4,98 parece apertado com Fed parado, petróleo alto e risco global aberto, mas commodities ainda ajudam a amortecer. EWZ: quinta abre menos pelo número do Copom e mais pelo tom do comunicado combinado com o after-market das big techs.

📊 Gráfico do dia

Ibovespa · Últimos 30 dias

A bolsa subiu 6,71% em 30 dias, tocou os 199 mil pontos — e devolveu parte relevante do rali na semana do Copom.

Fonte: B3 / Yahoo Finance · Elaboração: Daily Brew

A máxima dos 199 mil pontos foi tocada em 14/04, dois pregões após o IPCA-15 surpreender para baixo. Desde então, o índice perdeu cerca de 4,5% — em parte por toma de lucro, em parte por reposicionamento defensivo na véspera do Copom. O fechamento de segunda em 189.579 é o menor desde 8 de abril, antes da euforia do meio do mês.

📌 O número do dia

100%

FED MANTÉM 3,50–3,75% · CME FEDWATCH · LEITURA DE 28/04

Probabilidade implícita de manutenção dos Fed funds na decisão de hoje (14h ET / 15h BRT). Quando o número da decisão é 100% conhecido, o mercado não precifica número — precifica adjetivo. Às 14h de hoje, o Fed não decide juros: decide qual palavra usa em cada parágrafo do comunicado.

📈 Mercados — Fechamento Terça 28/04

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 188.618,69 pts ↓ −0,51% 187.236,80 / 189.578,50
Dólar à vista R$ 4,982 ↓ −0,01% 4,972 / 5,016
Brent ⭐ US$ 111,26 ↑ +2,80% — / 112,70
Ouro futuro US$ 4.609,79 ↓ −1,79% 4.567,75 / 4.716,35
S&P 500 7.138,80 pts ↓ −0,49% 7.115,17 / 7.152,52
Dow Jones 49.141,93 pts ↓ −0,05% 49.077,75 / 49.381,33
Nasdaq Composite ⭐ 24.663,80 pts ↓ −0,90% 24.524,23 / 24.724,70
Bitcoin US$ 76.346 ↓ −1,33% 75.676 / 77.468

Ações BR (fechamento 28/04): Petrobras ajudou e não salvou — PETR3 +0,72%, PETR4 +0,32% com Brent em alta. Vale caiu 1,30%, a R$ 84,30, e pressionou o Ibovespa antes do próprio balanço. WTI Jun/26: US$ 99,93, alta de 3,7%. Fonte: Exame.

⭐ Brent: alta de 2,8% para US$ 111,26 — sétimo pregão seguido de alta — reage à reportagem do New York Times (Reuters confirmou, citando autoridade dos EUA) de que Trump teria ficado insatisfeito com a proposta iraniana sobre Ormuz. O barril dispensou cerimônia. Referência: ICE Brent Jun/26 via Reuters.

⭐ Nasdaq: queda de 0,90% concentrada em IA e semis — Nvidia e Broadcom puxaram o índice para baixo, segundo a AP. Quatro Magníficas reportam hoje no pós-mercado — e a mesa preferiu não chegar abastecida.

Fonte: B3, BCB PTAX, ICE Brent Jun/26 (Reuters), CME, AP, Exame · Elaboração: Daily Brew · 28/04/2026.

💬 A frase do dia

“A reunião será muito sobre a guerra no Irã e o que ela trouxe para os dois lados do mandato do banco central.”

— Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM · Prévia FOMC · 28/04/2026

Brusuelas está dizendo que Powell não precisa mudar a taxa para mudar o preço dos ativos. Com FedWatch em 100% de manutenção, o mercado já sabe o número. O risco está na linguagem: se petróleo e guerra elevam inflação e ao mesmo tempo ameaçam crescimento, cada palavra sobre balanço de riscos vira guidance.

📅 O que vem aí

Hoje 29/04

FOMC — decisão do Fed (14h ET / 15h BRT) — CME FedWatch precifica 100% de manutenção em 3,50–3,75%. Coletiva de Powell às 14h30 ET / 15h30 BRT define o tom global — provavelmente sua última como presidente. Alto impacto

Hoje 29/04

Copom — decisão da Selic (à noite, após 18h30 BRT) — consenso de mesa é corte de 25 pb para 14,50%. Curva DI mexeu na terça; petróleo a três dígitos reduz espaço para tom dovish. O comunicado pesa mais que a decisão. Alto impacto

Hoje 29/04

Big Tech earnings (after-market NY) — Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon reportam no mesmo pós-mercado. Foco em capex de IA, Azure, Google Cloud e margem operacional. Cerca de 19% do S&P 500 sai do envelope nas próximas horas. Alto impacto

Qui 30/04

PIB EUA prévia 1T26 + Personal Income/Outlays (BEA, 8h30 ET) — primeiro retrato oficial do trimestre após o choque do petróleo, junto com PCE de março (métrica de inflação preferida do Fed). Define se o Fed continua tendo espaço ou se a desaceleração já bate na porta. Alto impacto

Qui 30/04

Apple earnings + PNAD Contínua mensal — trimestre móvel encerrado em março — balanço de Apple após o fechamento NY; IBGE divulga taxa de desocupação do trimestre móvel jan-fev-mar. Médio impacto

📚 Vale ler

Trump teria rejeitado proposta iraniana sobre Ormuz. Petróleo volta a três dígitos.

CNBC reporta que uma autoridade dos EUA disse que Trump não estaria satisfeito com a proposta de Teerã de reabrir o Estreito sem incluir o programa nuclear. Cerca de 20 milhões de barris/dia transitam por Ormuz em rotina — perto de 25% do comércio marítimo global de petróleo.

CNBC · Energia · 28/04/2026

Cinco das Magníficas reportam nesta semana — e capex de IA é o número que organiza a leitura do balanço.

CNBC e MarketWatch: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon haviam guiado, em janeiro, cerca de US$ 600 a 650 bilhões em gastos combinados de capex em 2026. O pós-mercado de hoje é sobre se essa projeção sobe ou cede — e como se traduz em margem.

CNBC · Earnings · 26/04/2026

Fed mantém juros em 3,50–3,75% — e provavelmente é a última reunião de Powell.

CBS News: CME FedWatch aponta 100% de manutenção; CPI de março acelerou para 3,3% em 12 meses, e o tema central da reunião será o impacto do petróleo nos dois lados do mandato.

CBS NEWS · Política monetária · 28/04/2026

Petróleo a três dígitos reduz espaço para tom dovish do Copom.

Empiricus: na véspera da decisão, curva DI longa esticou. Consenso de mercado segue corte de 25 pb para 14,50%, mas o tom do comunicado vai pesar mais que o número.

EMPIRICUS · Brasil · 28/04/2026

☕ Boa quarta

Trump travou Ormuz. O barril voltou aos três dígitos.

Quatro Magníficas reportam à noite. A Nasdaq vendeu antes.

O Fed mantém. O Copom corta — mas decide no comunicado.

A Super Quarta virou teste de comunicação.

A poeira, em quinta. ☕

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