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Daily Brew

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TERÇA-FEIRA · 14 DE JULHO DE 2026

☕ Bom dia

Saiu pesquisa nova da eleição: Lula segue na frente, mas a vantagem no segundo turno encolheu.

O mercado passou a esperar menos inflação pra este ano, e quem ajudou na conta foi a feira.

O Brasil nunca tirou tanta moto da loja num semestre, e o segredo está no jeito de pagar.

E o Trump quer virar porteiro do corredor mais valioso do petróleo, cobrando pela passagem. ☕

Brasil · Eleições

Lula lidera com 40%, e o segundo turno trava em 47 a 44

Saiu ontem a sexta rodada da pesquisa que a Nexus faz pro banco BTG Pactual, com 2.003 eleitores ouvidos por telefone de sexta a domingo (margem de 2 pontos, registro no TSE). No primeiro turno, o placar estimulado ficou em Lula 40%, Flávio Bolsonaro 34%, com Ronaldo Caiado (5%), Renan Santos (4%) e Romeu Zema (4%) dividindo as sobras. Na série, Lula roda entre 40% e 42% desde março, enquanto Flávio já esteve em 38%, caiu e estacionou na casa dos 34%. Na simulação de segundo turno, Lula fez 47% contra 44% de Flávio, repetindo exatamente o placar de duas semanas atrás: a vantagem, que era de 6 pontos em meados de junho, encolheu pra 3 e agora travou aí, no limite do empate técnico.

Contra os outros nomes, a folga do presidente é maior: 47 a 40 diante de Zema, 47 a 38 contra Caiado e 49 a 35 sobre Renan Santos. Traduzindo o quadro: Flávio é, hoje, o adversário mais competitivo. A rejeição segue mandando no jogo, mas deu um sinal de degelo: na amostra total, os que não votariam em Lula de jeito nenhum caíram de 49% pra 46%, e os de Flávio, de 51% pra 50%. Na régua da Nexus que conta só quem conhece cada nome, Lula tem a menor rejeição do pelotão (47%, único abaixo de 50%; Flávio marca 52%). E o eleitorado chegou cedo ao jogo já decidido: 80% dos eleitores de Lula e 74% dos de Flávio dizem que o voto está tomado e não muda mais. O governo, enquanto isso, patina no mesmo lugar: 35% o consideram ótimo ou bom, 41% ruim ou péssimo, e 53% acham a economia do país ruim ou péssima.

A pesquisa também mediu a novela do momento: a briga pública de Michelle Bolsonaro com o enteado, que a levou a deixar o PL Mulher e se afastar da campanha, já chegou aos ouvidos de 64% dos eleitores. Quase metade (46%) acha que o episódio atrapalha a candidatura de Flávio; 40% dizem que não muda nada. E o país segue dividido em tribos de tamanho parecido: 24% de lulistas convictos, 25% de bolsonaristas convictos e 23% de não polarizados, o quarto do eleitorado que, junto com os 7% que rejeitam os dois lados, deve decidir a eleição de outubro.

Pro leitor de economia, o dado mais interessante está no fim do relatório: perguntado sobre o principal problema do Brasil, o eleitor respondeu segurança pública (29%), corrupção (24%) e saúde (23%). A inflação, vilã das últimas eleições, caiu pra 11% das menções, e os juros altos, obsessão do mercado, são problema pra só 2%. Pesquisa assim virou insumo de mercado: o placar eleitoral entra na mesma conta dos juros do bloco logo abaixo, porque ajuda a calibrar o risco que os investidores enxergam no país. O contraste fica registrado: pro eleitor, a economia saiu do centro da briga; pro mercado, ela nunca esteve tão dentro.

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Brasil · Juros

Mercado agora espera inflação de 5,16% e juros em 14% no fim do ano

Toda segunda o Banco Central publica o Focus, a pesquisa que junta as apostas de cerca de 150 casas do mercado pros principais números da economia. A edição de ontem trouxe a primeira leitura completa depois da inflação magra de junho: a projeção pro IPCA de 2026 caiu de 5,30% pra 5,16%, o segundo corte seguido. O empurrão, na leitura de quem acompanhou a divulgação, veio da comida: os alimentos caíram de preço em junho pela primeira vez desde novembro de 2025, e o índice do mês fez só 0,16%.

O gráfico conta a história inteira. Em maio, o mercado esperava inflação de 4,91% pra este ano; veio a guerra no Golfo, o petróleo disparou e a projeção escalou até 5,33% em junho. O IPCA fraco começou a devolver o estrago. Ainda assim, 5,16% segue bem acima do limite de 4,5% da faixa de tolerância da meta (o centro é 3%), e o acumulado em 12 meses roda em 4,64%.

O que não mudou também diz muito. A Selic esperada pro fim do ano seguiu em 14% ao ano, o que significa um único corte de 0,25 ponto daqui até dezembro; a aposta corrente do mercado é que ele venha já no Copom de 4 e 5 de agosto (os juros básicos estão em 14,25%). E tem um detalhe que passa batido: há um mês, essa mesma projeção era de 13,75%. Ou seja, o mercado passou as últimas semanas esperando MENOS cortes, não mais. Pra 2027, a projeção de inflação até subiu, de 4,18% pra 4,20%, sinal de que o alívio é visto como pontual. O resto do quadro: economia crescendo 1,99% em 2026 e dólar a R$ 5,20 no fim do ano.

E o dia foi um lembrete de que projeção não é contrato. Na manhã de ontem, as taxas do Tesouro Direto voltaram a subir depois do alívio da semana passada: o papel prefixado que vence em 2029 saiu de 13,98% pra 14,09% ao ano na leitura da manhã, segundo o Money Times. O empurrão veio principalmente de fora, do petróleo disparando e da aversão a risco, assunto do fim da edição. Expectativa de inflação menor aqui dentro não segura os juros quando o mundo assusta.

No fim, o recado pro seu bolso tem duas camadas. A boa: a inflação esperada caindo é exatamente o ingrediente que o Copom precisa pra seguir cortando os juros, e cada corte barateia, com defasagem, o crédito novo que você for tomar. A má: com a Selic prevista em 14% até dezembro, o dinheiro segue caro por muitos meses, e o mercado já acha que o espaço pra cortes acabou mais cedo do que se imaginava um mês atrás.

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Brasil · Economia real

Brasil emplaca 1,17 milhão de motos e bate recorde histórico no semestre

No país dos juros a 14,25%, tem um mercado vendendo como nunca. O Brasil emplacou 1.174.459 motos no primeiro semestre, alta de 14,1% e o maior volume da história da série pra uma primeira metade de ano, segundo a Fenabrave, a federação dos concessionários. A produção acompanhou: 1.063.397 unidades saíram do Polo de Manaus, o melhor primeiro semestre desde 2011, nos dados que a Abraciclo, associação das fabricantes, divulgou ontem. Se o ritmo seguir, 2026 será o primeiro ano da história com mais de 2 milhões de motos produzidas no país.

O retrato de quem compra explica o fenômeno. Quase 8 em cada 10 motos produzidas são de baixa cilindrada, as populares de trabalho: a Honda CG 160 sozinha emplacou 260 mil unidades no semestre. E o quinto lugar do ranking entrega o jogo: é a Mottu Sport 110i, com 55,6 mil emplacamentos, a moto que uma startup criou pra alugar a entregadores de aplicativo (hoje ela também é vendida ao consumidor, por R$ 9.990). O delivery virou personagem do recorde.

E como se compra tanta moto com o crédito mais caro em quase 20 anos? Driblando o crédito. Segundo a ABAC, a associação do setor, as contemplações de consórcio no começo do ano equivaleram a uma compra em potencial pra cada três motos vendidas no país. É a modalidade em que o comprador não paga juros (paga taxa de administração) e espera a carta ser contemplada. A moto também é o degrau de entrada de quem não alcança um carro: no semestre, o país emplacou quase uma moto pra cada carro ou utilitário leve vendido. Não é que a moto cresça mais que o carro (em porcentagem, os carros subiram até mais), é que ela virou volume comparável, algo impensável anos atrás.

O segundo semestre tem dois fantasmas no radar da própria Abraciclo. Um é o El Niño: em coletiva, o presidente da entidade citou a previsão de seca severa nos rios que escoam a produção de Manaus. O outro chega amanhã: a decisão do tarifaço americano, que pode alcançar as exportações de motos, a depender da lista final, em plena arrancada (24 mil unidades no semestre, alta de 29,4%, com os Estados Unidos entre os principais destinos). Por ora, o retrato é o de um país que resolveu andar sobre duas rodas: mais barato de comprar, mais barato de rodar e, pra uma multidão crescente, a própria ferramenta de trabalho.

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Mundo · Petróleo

Trump quer pedágio de 20% em Ormuz e o petróleo dispara

Donald Trump acordou na segunda com um plano pro estreito mais disputado do planeta. De manhã, na Fox, disse que os Estados Unidos vão "ficar com o estreito" de Ormuz e virar seu "guardião", sendo "reembolsados" por isso. Horas depois, no Truth Social, colocou preço: os EUA seriam ressarcidos "à taxa de 20% sobre toda carga embarcada" na passagem. O anúncio coroa um fim de semana de escalada: Estados Unidos e Irã trocaram ataques com mísseis e drones, uma negociação de 11 horas no domingo terminou em nada ("tínhamos um acordo fechado, e eles romperam", disse Trump) e Teerã voltou a afirmar que fechou o estreito, versão que Washington contesta.

O tamanho do gargalo explica o apetite. Em tempos normais, 1 em cada 5 barris de petróleo consumidos no mundo passa por Ormuz, além de um quinto do gás natural liquefeito, segundo a agência de energia americana (EIA). A guerra iniciada em fevereiro já tinha derrubado esse fluxo em quase 30% no primeiro trimestre; no fim de semana, o corredor virou deserto: segundo os rastreadores marítimos, de cerca de 130 navios por dia antes da crise pra menos de 10, com o tráfego caindo à metade entre sexta e domingo, mesmo com a Marinha americana escoltando comboios. Resultado: o petróleo Brent disparou 9,6% nesta segunda e fechou a US$ 83,30, ainda bem abaixo do pico de US$ 126 que a crise cravou no fim de abril.

Tem um detalhe que nenhum decreto muda: Ormuz não é dos Estados Unidos. O estreito corre por águas territoriais do Irã e de Omã, e o direito internacional do mar garante a passagem livre de navios por ali. Não existe base legal pra um terceiro país cobrar pedágio, e o Irã já rejeitou a ideia. Só que, na prática, o "pedágio" já é cobrado há meses, sem guichê: está no frete que triplicou, no seguro que as embarcações pagam pra cruzar uma zona de guerra e no prêmio de risco embutido em cada barril.

🎓 O que a teoria diz: quem paga o pedágio no fim da linha?

Os economistas chamam de incidência: quem entrega o dinheiro de uma taxa raramente é quem carrega o custo dela. A conta desliza pra quem tem menos alternativa. Num gargalo quase sem saída, caso de Ormuz (os oleodutos que o contornam dão conta de só uma parte do fluxo), o armador repassa a taxa ao dono da carga, o dono da carga ao preço do petróleo, e o petróleo à gasolina, ao gás de cozinha e ao frete de tudo que anda de caminhão. No fim da linha, um pedágio cobrado de navios no Golfo funciona como um imposto sobre o consumidor de energia do mundo inteiro. É por isso que economista trata taxa em rota monopolizada como a mais repassável das cobranças: o cliente não tem pra onde fugir.

E daí?

A fatura já circula. Nos Estados Unidos, o galão de gasolina está em US$ 3,88 (AAA), cerca de um dólar acima do nível de antes da guerra, em fevereiro, um problema e tanto pra quem prometeu combustível barato e enfrenta eleições legislativas em 3 de novembro. No Brasil, petróleo acima dos US$ 80 aumenta a pressão sobre a Petrobras e, com defasagem, sobre a bomba, e é exatamente o risco que pode desfazer o otimismo com a inflação lá do bloco do Focus.

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“Vamos guardá-lo. Vamos ser pagos para guardá-lo: muito dinheiro.”

— Donald Trump, sobre o Estreito de Ormuz, à Fox News nesta segunda

📅 O que vem aí

Hoje · 14/07

Inflação nos EUA e safra. às 9h30 sai o CPI americano de junho, o número que baliza a decisão de juros do Fed no fim do mês; antes, às 9h, o IBGE atualiza a estimativa da safra recorde de grãos.

Hoje · 16h

Semifinal da Copa. França e Espanha se enfrentam em Dallas; pela primeira vez desde que o ranking da Fifa existe (1992), os quatro primeiros fazem juntos as semifinais de um Mundial.

Amanhã · 15/07

Decisão do tarifaço. termina o prazo legal pros Estados Unidos decidirem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e o governo já trata a taxação como o desfecho mais provável. De tarde, às 16h, tem Inglaterra e Argentina na outra semifinal.

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📊 Mercados — Fechamento de segunda (13/07)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa175.739 pts↓ −1,20%
Dólar (comercial)R$ 5,13↑ +0,46%
Petróleo (Brent)US$ 83,30*↑ +9,59%
Ouro (futuro)US$ 4.006*↓ −2,62%
S&P 5007.515 pts↓ −0,79%
BitcoinUS$ 62,1 mil*↓ −2,6%

* Preço por volta do fechamento do mercado brasileiro; segue em negociação no exterior.

Fontes: B3, InfoMoney, ICE, Comex e CoinGecko · variação no dia (13/07) · Elaboração: Daily Brew

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