A segunda-feira foi uma das sessões mais esquizofrénicas dos últimos anos. O petróleo abriu acima de US$ 111, atingiu US$ 119 no meio do dia — o maior patamar desde 2022 —, derrubou o índice sul-coreano Kospi em mais de 8% (com circuit breaker acionado) e fez o Dow Jones perder quase 900 pontos no pior momento. Então Trump apareceu numa entrevista a CBS, disse que a guerra estava "praticamente concluída" e tudo virou: S&P 500 fechou em alta de 0,83%, o Ibovespa recuperou, o dólar recuou.
Detalhe que estraga a festa: o Ira nao recebeu o memorando. Respondeu, com toda a delicadeza diplomatica do caso, que "nao ha espaco para cessar-fogo". Enquanto isso, o Brasil acorda com estoque de diesel para 15 dias, a Petrobras com a maior defasagem de preco da historia e o Copom de marco virando um ponto de interrogacao gigante. Mas ei — o cafe ainda ta quente. Bom dia.
| →Trump diz que guerra está "praticamente concluída" — declaração à CBS reverteu pregão inteiro; Irã respondeu que não há espaço para cessar-fogo enquanto ataques continuarem |
| →Defasagem do diesel da Petrobras atinge 85% — recorde histórico — Acelen já subiu diesel 26% em março; estoques garantem abastecimento por 15 dias; risco de desabastecimento cresce |
| →Focus: Selic do fim de 2026 sobe de 12% para 12,13% — revisão modesta, mas revela que choque do petróleo já contamina expectativas; corte de março em 14,5% segue na mesa |
Ontem o pregão começou com o caos: Brent a US$ 119, circuit breaker na Coreia do Sul (-8%), Dow perdendo 900 pontos, dólar a R$ 5,28. O tipo de manhã que faz gestores de fundo envelhecerem visivelmente.
Tudo mudou às 16h20, quando Donald Trump apareceu na CBS e disse que a guerra contra o Irã estava "praticamente concluída". Sem condição. Sem prazo. Sem acordo assinado. Só a frase. Em 40 minutos: dólar caiu para R$ 5,1655 (-1,52%), Ibovespa fechou em 180.915 pontos (+0,86%), S&P 500 subiu 0,83%, Nasdaq avançou 1,38%. O Dow Jones, que perdia 900 pontos, fechou em alta de 0,50%. Até o Brent, que tocou US$ 119, recuou e fechou em US$ 98,96 (+6,8%).
O Irã respondeu horas depois que "não há espaço para cessar-fogo enquanto os ataques continuarem". Os futuros do Brent, que chegaram a cair abaixo de US$ 90 no after-market, podem retomar a alta ainda de manhã. Fique de olho no noticiário antes de qualquer decisão.

Imagine que você há mais de 300 dias não reajusta o preço do que vende, enquanto o custo do produto foi às nuvens. É exatamente o que a Petrobras está fazendo com o diesel. A defasagem atingiu 85% — recorde histórico — o que significa que a estatal precisaria subir o combustível em R$ 2,74 por litro só para empatar com o mercado internacional.
O resultado prático: quem pode cobrar mais, está cobrando. A Acelen (Refinaria de Mataripe, 14% do mercado nacional) já subiu o diesel 26% em março e ainda apresenta 42% de defasagem. Quem não reajustou — a Petrobras — está com filas se formando nas suas refinarias. Importadores privados pararam de comprar, porque não dá pra ganhar dinheiro trazendo diesel quando a Petrobras vende abaixo do custo. Os estoques nacionais garantem abastecimento por cerca de 15 dias.
Na sexta-feira passada, era quase consenso: Copom cortaria 0,50 p.p. em 17-18 de março, levando a Selic de 15% para 14,5%. Simples, previsto, chato do jeito que o mercado gosta. Aí veio o petróleo acima de US$ 100 e o consenso foi por água abaixo. A curva de juros futuros passou a precificar apenas 27 pontos-base — o que é a linguagem técnica para "não sabemos mais o que vai acontecer".
O Boletim Focus de segunda ainda não captou a reviravolta (boletim é compilado nas sextas). Mas os sinais já aparecem: projeção da Selic ao fim de 2026 subiu de 12% para 12,13%. A XP alerta que a alta do petróleo de US$ 70 para mais de US$ 100 pode adicionar 0,4 p.p. no IPCA. O secretário do Tesouro, Rogério Ceron, foi mais direto: disse que acima de US$ 100 isso pode "antecipar o fim do ciclo de queda de juros". Para quem quiser um número mais concreto: cada 10% de alta no Brent gera cerca de 0,25 p.p. de IPCA. Com o petróleo 40% acima do início do conflito, a matemática já não é amigável.
Os ministros das Finanças do G7 se reúnem hoje para tentar chegar ao que ontem não conseguiram: um acordo para liberar reservas estratégicas de petróleo e conter a escalada de preços. Na segunda, o grupo se reuniu mas não fechou posição. A França foi mais longe — o presidente Emmanuel Macron afirmou publicamente que os países do G7 "podem recorrer às reservas estratégicas", evocando a estratégia usada em 2022 com a invasão da Ucrânia.
Os Estados Unidos, detentores da maior reserva estratégica do mundo (SPR), ainda não confirmaram participação. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou ontem que "não há falta imediata de petróleo ou gás no mercado global" — uma leitura que contrasta com a da maioria dos analistas. Analistas do mercado avaliam que a liberação das reservas pode aliviar o mercado no curto prazo, mas não resolve o problema estrutural enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado.
* VIX acima de 30 = mercado com medo. Abriu o dia em pânico (41,3), fechou aliviado após Trump.
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Times Brasil / CNBC
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Gazeta do Povo
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InfoMoney
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Nem pânico, nem euforia. Atenção redobrada e café na mão.