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Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUINTA-FEIRA · 25 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Começamos pelas contas públicas: um estudo internacional colocou o Brasil no topo da lista de risco fiscal, à frente de dezenas de países.

Na política, a Polícia Federal mirou o líder do governo no Senado, que deve entregar o cargo e deixa a base de Lula em alerta.

E o dólar voltou a subir, empurrado pela aposta de que os Estados Unidos vão subir os juros em vez de cortar.

Brasil · Contas públicas

Oxford Economics · 46 economias · risco de dívida

Brasil teria que poupar 3% da economia por ano para a dívida parar de crescer

A consultoria Oxford Economics colocou 46 países lado a lado para responder a uma pergunta simples: quanto cada governo precisa apertar o cinto, todo ano, só para a dívida pública parar de crescer. O Brasil apareceu no topo da lista, classificado como "a maior preocupação" do grupo.

A conta mostra que o Brasil precisaria de um superávit, ou seja, gastar menos do que arrecada, de quase 3% de tudo o que o país produz, e segurar isso de pé por anos. É o maior esforço exigido entre as grandes economias da amostra. Para comparar, Itália, Japão, México e Colômbia precisariam de algo acima de 1%.

O problema não é só o tamanho do número, é o que ele costuma provocar. Os economistas Gabriel Sterne e Felipe Camargo escreveram que, quando o esforço passa de 3%, "a história sugere que o apoio político às medidas corretivas se torna extremamente frágil". Em português claro: cortar tanto, por tanto tempo, costuma rachar com o Congresso e com a rua antes de a conta fechar.

O Brasil até já fez isso, mas num mundo diferente. Entre 2004 e 2008, no auge do boom das commodities, o país guardou em média 3,5% por ano. Repetir a façanha agora, com a economia mais fraca e o gasto público acelerando em ano de eleição, é outra história.

A consultoria lembra que, desde 2020, Brasil, México e Colômbia foram cavando esse buraco sem que os juros altos, que já cobram caro de quem deve, forçassem o ajuste. E dívida que assusta cobra juro ainda mais alto, que encarece tudo o que depende de crédito, do financiamento da casa ao capital de giro das empresas.

Brasil · Política

Operação da PF · liderança no Senado · STF

Operação da PF derruba o líder de Lula no Senado e abala a base

Jaques Wagner, o senador que costura os projetos do governo no Senado, virou alvo de uma operação da Polícia Federal, batizada de Compliance Zero. A suspeita é de ligação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, num esquema de fraude. Depois de resistir por alguns dias, Wagner deve entregar a liderança ainda esta semana.

A pressão maior veio de dentro do próprio PT. Com a eleição de 2026 no horizonte, aliados avaliam que manter o senador no cargo respinga na imagem do presidente. Pesou também um incômodo nos bastidores: pessoas próximas a Lula dizem que Wagner havia garantido, mais de uma vez, que não havia elementos para uma operação. O nome mais cotado para a vaga é o senador Rogério Carvalho.

O momento é ruim. A relação do governo com o Congresso já vinha arranhada, e perder um articulador no meio do caminho complica. Por isso o Planalto acelerou uma reaproximação com Davi Alcolumbre, o presidente do Senado, que sinalizou estar disponível para conversar.

E ainda há o Supremo no meio do tabuleiro. Continuam em aberto a Lei da Dosimetria, cuja promulgação o ministro Alexandre de Moraes chegou a suspender, a indicação travada de Jorge Messias para uma vaga na Corte e a disputa do marco temporal das terras indígenas. Planalto, Congresso e STF se cutucando ao mesmo tempo, a poucos meses do calendário eleitoral.

Mundo · Juros e câmbio

Federal Reserve · aposta de juros · dólar

Dólar sobe a R$ 5,20 com o mercado apostando em juro mais alto nos EUA

O dólar fechou esta quarta a R$ 5,20, em alta de 0,9%, depois de bater R$ 5,22 no melhor momento. Não é um pico histórico, a moeda já esteve bem mais cara em 2025, mas marca uma virada: em pouco mais de um mês, o dólar subiu cerca de 6% ante a baixa de meados de maio, como mostra o gráfico.

A moeda americana saiu da casa dos R$ 4,90 em meados de maio e voltou para perto de R$ 5,20 no fim de junho, no topo das últimas semanas.

O empurrão veio de fora. O mercado correu para apostar que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, vai subir os juros em vez de cortar. A chance de uma alta ainda em 2026 já aparece em torno de 98% nas apostas, e a probabilidade de aumento já em dezembro saltou de 48% para 65% em poucos dias, tudo na véspera do principal termômetro de inflação de lá, o PCE.

No pano de fundo está a virada de tom do Fed. O novo presidente, Kevin Warsh, estreou em junho com um discurso duro, dizendo que segurar a inflação, ainda acima da meta de 2% há anos, é prioridade absoluta, mesmo com o presidente Donald Trump pedindo juros mais baixos. O comitê deixou as taxas paradas na decisão passada, mas metade dos diretores já projeta ao menos uma alta neste ano.

O que a teoria diz

A paridade da taxa de juros, um dos pilares da economia internacional, diz mais ou menos isto: o dinheiro viaja para onde rende mais para um mesmo risco. Quando o juro nos Estados Unidos sobe, a diferença para o juro brasileiro encolhe, e parte do capital que vinha buscar retorno por aqui faz o caminho de volta. Menos dólar entrando, e mais saindo, deixa a moeda americana mais cara e o real mais fraco. O economista Rudiger Dornbusch (1976) mostrou que, nesses momentos, o câmbio costuma reagir na hora e até exagerar no susto antes de achar o novo patamar.

E daí?

Dólar mais caro não fica só na tela do operador. Ele encarece o combustível, o eletrônico importado e a viagem, e empurra a inflação, que o mercado vem revisando para cima há semanas. Também aperta o Banco Central: se o juro lá fora sobe e o nosso cai, a diferença que atrai investidor encolhe, e fica mais difícil seguir cortando a taxa por aqui sem espantar capital. No fim, a conta do dólar mais alto chega ao supermercado e ao financiamento.

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📌 O número do dia

98%

a aposta de alta de juros nos EUA em 2026

É o quanto o mercado já dá de chance de o banco central americano subir os juros ainda este ano. Quando o juro lá fora sobe, o dólar costuma subir junto, e foi esse o estopim da alta da moeda nesta quarta.

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📊 Mercados — Fechamento de quarta (24/06)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa170.369 pts↓ −0,52%
Dólar (comercial)R$ 5,20↑ +0,91%
Petróleo (Brent)US$ 73,18↓ −5,06%
OuroUS$ 3.998↓ −3,20%
S&P 5007.338 pts↓ −0,38%
BitcoinUS$ 59.594↓ −4,91%

Fontes: B3 e InfoMoney (Ibovespa e dólar), Reuters e CNBC (Brent e ouro), Yahoo Finance (S&P 500 e Bitcoin) · Fechamento de quarta, 24/06 · Elaboração: Daily Brew

Dólar (R$ 5,20, +0,91%) e Ibovespa (170.369 pts, −0,52%) a conferir no fechamento comercial da InfoMoney/B3; ouro e Brent pela Trading Economics na revisão final.

📅 O que vem aí

Hoje · 25/06

PIB dos EUA, leitura final do 1º tri. O número que fecha o tamanho do crescimento da maior economia do mundo no começo do ano, acompanhado de perto por quem investe.

Sex · 26/06

Inflação PCE dos EUA e desemprego no Brasil. A inflação que o Federal Reserve mais acompanha para definir os juros por lá, e a taxa de desocupação no trimestre até maio (PNAD).

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