Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

TERÇA-FEIRA · 02 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Universidades. O Brasil despencou no ranking mundial.

Correios. Prejuízo de R$ 3,2 bi num trimestre, quase o dobro do ano passado.

Inflação. O mercado já vê o ano fechando acima de 5%.

Trump. Esfriou o acordo com o Irã e o petróleo voltou a subir. ☕

Brasil · Pódio que desce

CWUR · USP · Pesquisa · Ranking · Ensino superior · Ciência

O Brasil despencou no ranking global de universidades.

O ranking CWUR de 2026 saiu e o Brasil foi mal na prova: das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições — 87% da turma. A USP, a melhor do país, escorregou para o 119º lugar do mundo. O culpado, segundo o próprio ranking, é justo o item que mais pesa na nota: a pesquisa, com 40%.

Pesquisa não desaba de um ano para o outro por acaso — ela é o termômetro de quanto se investe, por quanto tempo, e de quantos cérebros resolvem ficar. Quarenta e quatro das 52 brasileiras pioraram justamente aí: menos um tropeço, mais um boletim. Orçamento de ciência que encolhe enquanto o resto do mundo abre o talão.

E não dá pra culpar a régua. O CWUR é dos rankings que não perguntam reputação a ninguém — conta produção científica, citações e o emprego de quem se forma — e ainda assim peneira mais de 21 mil universidades para deixar só 2 mil na lista. Cinco brasileiras até subiram, a UFU entre elas, mas cair dentro desse pelotão de elite é um recado que não se varre pra debaixo do tapete.

Sobra um consolo de participação: o Brasil ainda é o primeiro da fila na América Latina. Mas medalha regional não paga conta — a régua que vale é a mundial, e nela o país anda de lado enquanto os outros correm. Universidade é investimento de prazo longo e aplauso curto: rende pouco voto e, por isso, costuma ser a primeira fila do corte.

Brasil · Carta no vermelho

Correios · Estatal · Prejuízo · Tesouro · Aval da União · Reestruturação

Os Correios perderam R$ 3,2 bi num trimestre — quase o dobro.

No 1º trimestre de 2026, os Correios entregaram com pontualidade rara um prejuízo de R$ 3,16 bilhões — quase o dobro do mesmo período do ano passado. Não é tropeço isolado: 2025 fechou com rombo recorde de R$ 8,5 bilhões, e a empresa está no vermelho desde 2022. Para não parar, sacou R$ 12 bilhões emprestados — com aval da União.

A receita encolhe (a carta virou e-mail e a encomenda ganhou um exército de concorrentes) enquanto as despesas não dão trégua — incluindo uma provisão trabalhista de cerca de R$ 1 bilhão reconhecida no período. Sob novo comando desde setembro, a estatal promete reestruturação; só que virar um transatlântico desse porte leva um tempo que o caixa não tem.

Dois números dão o tamanho do buraco. As despesas financeiras mais que triplicaram em um ano — de R$ 283 milhões para R$ 985 milhões —, porque o empréstimo que tapou o caixa agora cobra juros. E o patrimônio líquido ficou negativo em R$ 16,2 bilhões: no papel, a estatal já deve mais do que vale — e quase metade do rombo do trimestre veio de processos na Justiça, não de carta que deixou de ser postada.

O detalhe que muda tudo é o aval: com o Tesouro de fiador, o prejuízo dos Correios deixa de ser problema só da empresa.

📚 O que a teoria diz

Restrição orçamentária fraca (soft budget constraint, de János Kornai, 1979): quando a estatal sabe que, no limite, o Tesouro cobre o rombo, o incentivo para cortar custo e brigar por receita enfraquece — o socorro de hoje vira a expectativa de socorro de amanhã. O aval de R$ 12 bilhões é a rede que conforta e, no mesmo gesto, adia o ajuste.

E daí?

Para o contribuinte: o aval da União não é gasto imediato — é risco fiscal contingente, que pode virar conta do Tesouro se a empresa não conseguir honrar a dívida. O número a vigiar não é o prejuízo de um trimestre; é se ele encolhe sem precisar de um novo socorro público.

Brasil · A âncora que escorrega

Focus · IPCA · Selic · Copom · Expectativas · Combustível

O Brasil deve fechar 2026 com inflação acima de 5%.

O Focus de ontem — aquele relatório que todo mundo sabe que sempre erra, mas todo mundo divulga religiosamente — trouxe a 12ª semana seguida de alta na projeção de inflação para 2026: o IPCA esperado subiu de 5,04% para 5,09%, cada vez mais longe do teto da meta (4,5%), já furado há semanas. A Selic projetada para o fim do ano segue cravada em 13,25%.

Furar o teto deixou de ser manchete — virou paisagem. São três meses de revisão numa direção só, e nem a Selic a 13,25% convence o mercado de que a inflação volta para a meta no horizonte que importa. Quando a expectativa anda sozinha, o juro corre atrás — e fica mais alto por mais tempo.

O diagnóstico dos economistas é confortável: a culpa seria do combustível lá fora, com a tensão no Oriente Médio. Mas âncora de inflação não se solta por barril — solta por desconfiança com a conta fiscal. O petróleo é o álibi; a expectativa que não cede é a causa.

Internacional · Tanto faz

Trump · Irã · Ormuz · Petróleo · Brent · Nuclear · Oriente Médio

Trump dá de ombros pro Irã, e o petróleo sobe.

Trump avisou ontem que não tem pressa nem se deixa pressionar a fechar acordo com o Irã: ‘não me importo’ se as negociações acabarem. Devolveu o texto do acordo com exigências mais duras sobre os compromissos nucleares e a reabertura do Estreito de Ormuz, e esticou a conversa por mais uma semana — o equivalente diplomático de deixar a ligação no mudo.

O petróleo escutou. Depois de cair cerca de 17% a 19% em maio apostando num acordo, o Brent voltou a subir forte — mais de 4% no fechamento de segunda, para perto de US$ 95. O mercado repreçou o risco: somou as falas de Trump, os relatos de endurecimento nas conversas e o velho fantasma de Ormuz. O final feliz que estava no preço foi devolvido junto com o texto.

E aqui a conta volta para casa: o mesmo barril que volta a subir lá fora é o que os economistas apontam como vilão da inflação brasileira. A indiferença em Washington tem CEP em São Paulo.

💬 A frase do dia

"Não me importo se as negociações com o Irã acabaram."

— Donald Trump, sobre o acordo nuclear, em declaração reportada em 01/06/2026

Indiferença é a arma mais barata de uma mesa de negociação — e a mais cara pro resto do mundo. No mesmo dia, o petróleo subiu mais de 4%. O Irã que decida se acredita no ‘tanto faz’; o barril já não acreditou.

📌 O número do dia

+4,2%

PETRÓLEO (BRENT) · FECHAMENTO DE SEGUNDA 01/06

No fechamento de segunda, o Brent avançou mais de 4%, a US$ 94,98 — depois de cair cerca de 17% a 19% em maio. O mercado repricou o risco geopolítico: as falas de Trump sobre o Irã, os relatos de endurecimento nas negociações e o velho fantasma de Ormuz. Incerteza tem preço — e a conta, no fim, é a gasolina.

📈 Mercados — Fechamento de segunda 01/06

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 172.197 pts ↓ −0,91%
Dólar (spot) R$ 5,02 ↓ −0,39%
Petróleo (Brent) US$ 94,98 ↑ +4,2%
Ouro (futuro) US$ 4.475,20 ↓ −1,87%
S&P 500 7.600 pts ↑ +0,30%
Dow Jones 51.079 pts ↑ +0,10%
Nasdaq 27.087 pts ↑ +0,40%
Bitcoin (24h) US$ 71.374 ↓ −3,00%

Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 01/06 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Sexta 05/06

Payroll de maio nos EUA (BLS) — 9h30, o principal dado da semana. Em abril foram +115 mil vagas; o consenso aponta desaceleração, para perto de 90 mil. Um número forte esfria a aposta de corte de juros do Fed em julho. Alto impacto

📚 Vale ler

Mercado eleva previsão de inflação para 5,09% e supera o teto da meta

As projeções de mercado desta semana, em números: a 12ª alta seguida do IPCA esperado, a Selic projetada e o que os economistas dizem sobre o porquê.

Agência Brasil

Brasil: 45 universidades caem no ranking das melhores do mundo

A leitura do CWUR 2026 instituto a instituto — quem caiu, quem subiu, e por que a pesquisa (40% da nota) puxou o país para baixo.

Metrópoles

Prejuízo dos Correios quase dobra e vai a R$ 3,2 bi no 1º trimestre

Os números do balanço, o rombo recorde de 2025, o empréstimo com aval da União e o plano de reestruturação da estatal.

Jornal de Brasília

Trump endurece exigências e estende a negociação com o Irã

O que está sobre a mesa — urânio enriquecido, Estreito de Ormuz — e por que o petróleo reagiu a cada fala.

CNN Brasil

☕ Boa terça

As universidades descem.
Os Correios entregam prejuízo.
A inflação sobe.
E o Trump dá de ombros pro petróleo subir.
Boa terça — e segura o troco. ☕
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