Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUARTA-FEIRA · 27 DE MAIO DE 2026

☕ Bom dia

A Câmara vota amanhã o pacote do fim da escala 6x1: 40 horas semanais, folga no domingo. Em paralelo, o petróleo caiu pelo segundo pregão e o governo entrou no rateio com a Petrobras via decreto de subvenção publicado à noite no DOU. A curva de juros já reagiu.

Lá fora, Wall Street fez recorde e a Micron entrou no clube do US$ 1 trilhão. O Ibov, sozinho, ignorou tudo e caiu 0,69%. ☕

Brasil · O domingo entrou na conta

PEC 6x1 · Câmara · Magalu · Carrefour · RD Saúde · PCAR3

40 horas, oito por dia, uma folga no domingo. O Brasil vota o pacote amanhã na comissão.

Léo Prates (vice-líder do Republicanos na Câmara, eleito pela Bahia) entregou ontem o parecer da PEC do fim da escala 6x1. O texto cria jornada máxima de 40 horas semanais, oito horas diárias e duas folgas semanais — uma delas no domingo. A transição é gradual: a jornada cai primeiro de 44h para 42h e depois para 40h. Um deputado da oposição pediu vista, e a comissão especial vota na quinta (28/05). Se passar, vai a plenário em seguida.

A conta não é pequena. Milhões de trabalhadores estão em escala 6x1 no Brasil — varejo, supermercados, restaurantes, farmácias, hotelaria, logística, call centers. Os setores mais expostos: Magalu, Carrefour, Pão de Açúcar, RD Saúde (controladora da Raia Drogasil), redes de fast food, logística de última milha. Não há almoço grátis: o domingo do trabalhador é pago em margem menor, preço maior ou contratação que não vai acontecer.

O placar interno do governo é pró-PEC, mas política de mercado de trabalho costuma ser tema de fim de mandato — e estamos a quatro meses de outubro. O cenário mais provável, contado pelas comissões, é aprovação na Câmara com texto enxugado, transição mais longa, e o tema vivo na campanha. Para o gestor que carrega varejo brasileiro, é risco de margem que entra no modelo a partir desta semana.

Brasil · Conta dividida

Petrobras · Subvenção · Arcabouço · IPCA-15 · DI

O petróleo caiu de novo. Para a Petrobras não pagar sozinha, o governo entrou no rateio.

A Petrobras passou dois pregões liderando as quedas da B3 (PETR4 e PRIO arrastaram o Ibovespa, que cedeu 0,69% e fechou em 176.589 pontos — o único índice grande das Américas em queda no dia). Em dois dias, US$ 15 saíram do barril de petróleo, e a regra de pagamento de dividendos da estatal — 45% do fluxo de caixa livre, quando a dívida bruta está em torno do limite de US$ 65 bilhões do plano estratégico — começou a perder gordura visivelmente.

O governo publicou na noite de terça, em edição extra do DOU, o decreto que regulamenta a subvenção explícita a gasolina e diesel — equivalente aos tributos federais embutidos no preço final. A ANP calcula o ressarcimento; o Tesouro paga. O conselho da Petrobras já havia aprovado a adesão à política em 20/05, antes do decreto sair. Resultado: parte da margem que a queda do petróleo derruba na refinaria vem agora de fundo público, não do consumidor na bomba. É o mesmo movimento que apareceu em 2022 com outro nome (Auxílio Caminhoneiro) e em 2024 com outro (Conta de Estabilização), refraseado em decreto.

A conta da Petrobras encolhe, mas a do orçamento cresce — e em ano eleitoral, despesa nova chega com nome técnico. A meta fiscal de 2026 já está apertada em 0,25% do PIB de superávit primário (LDO); subvenção é despesa primária. O mercado leu rápido: a curva de juros futuros (DI) voltou a subir na terça, após dias de alívio. O IPCA-15 sai amanhã às 9h — primeiro termômetro do que combustível mais barato faz com o índice. Preço ao consumidor cai. O custo continua na mesa.

🎓 O que a teoria diz

Dominância fiscal (Sargent e Wallace, 1981, Some Unpleasant Monetarist Arithmetic): quando o Tesouro precisa financiar uma despesa nova num espaço fiscal apertado, a conta volta para o Banco Central de uma maneira ou de outra — com juros mais altos para colocar a dívida no mercado, com inflação futura, ou com política monetária menos ousada do que o ciclo permite. Subvenção aos combustíveis não faz a inflação sumir; faz ela mudar de lugar — sai do IPCA cheio (item combustível) e aparece na curva de juros (custo de financiar a dívida que paga a subvenção). Foi exatamente o movimento do DI na terça.

E daí?

IPCA-15 de maio sai amanhã cedo. PIB do 1º tri sai sexta. O Copom se reúne em 16-17 de junho, com Selic em 14,5% e expectativa de Selic para o fim de 2026 ainda em 13,25%. Três testes em quatro semanas para descobrir se o "petróleo mais barato + subvenção" passa para a inflação de fato ou se a política monetária vai ter que segurar mais um pouco. Para PETR4, o pano de fundo é o oposto da queda dos últimos dois dias: parte da margem volta — mas o assunto dividendo não sai da mesa.

EUA · Recorde com três letras

S&P 500 · Nasdaq · Micron · Nvidia · HBM · AI

S&P e Nasdaq fecharam em recorde no mesmo dia. A bolsa americana parou para olhar duas empresas.

Com Wall Street de volta depois do Memorial Day, o S&P 500 fechou em 7.519,12 (+0,61%) e o Nasdaq em 26.656,18 (+1,19%) — ambos em máximas históricas. O Dow ficou para trás: caiu 0,23% e fechou em 50.461 pontos. O recorde do dia não foi de tudo, foi de dois índices — e dentro deles, de duas empresas que pesam como nunca.

A Micron saltou cerca de 19% no pregão e cruzou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado — primeira fabricante de memória dos EUA a chegar lá (Samsung e SK hynix, as líderes do segmento, são sul-coreanas). A justificativa: HBM (memória de alta largura de banda usada nos chips de inteligência artificial) está vendida sob contrato até o fim de 2026, com a capacidade de 2027 começando a ser negociada. A Nvidia, no mesmo embalo, caminhou para US$ 5,2 trilhões — maior empresa listada do mundo. Juntas, as duas explicam mais da metade do ganho do Nasdaq na sessão.

A foto agradável esconde a sombra: amplitude de mercado segue baixa. O Russell 2000, índice de small caps, não bate máxima desde fevereiro. Quando dois nomes movem dois índices, qualquer correção nesses dois aparece no índice todo — e nas carteiras passivas. O recorde é verdadeiro. A festa é restrita.

📊 Gráfico do dia

PETR4 · últimos 30 pregões

Da máxima de R$ 49,34 ao último fechamento em R$ 43,40. A foto da semana que mudou.

Fonte: Yahoo Finance (PETR4.SA) · Elaboração: Daily Brew

PETR4 nos últimos 30 pregões: queda de 10,27% no período, com a maior parte do recuo concentrada nas duas últimas semanas. A ação saiu da máxima de R$ 49,34 em 04/05 e fechou em R$ 43,40 no último pregão — antes de o Decreto 12.984 entrar em cena. As duas sessões marcadas em vermelho são segunda (25/05) e terça (26/05), em que Petrobras e PRIO lideraram as quedas da B3.

📌 O número do dia

40 horas

JORNADA SEMANAL MÁXIMA NA PROPOSTA DA PEC DO FIM DA 6x1

Oito horas por dia, duas folgas por semana — uma delas no domingo. Transição gradual: 44 → 42 → 40. Vota na quinta na comissão e, se passar, vai a plenário em seguida. O domingo do trabalhador entra na conta dos balanços.

📈 Mercados — Fechamento Terça 26/05

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa ⭐ 176.589 pts ↓ −0,69% 175.516 / 177.816
Dólar (spot) R$ 5,02 ↓ −0,18% 5,01 / 5,04
Petróleo (Brent) ⭐ US$ 96,73 ↓ −6,58% 96,27 / 96,96
Ouro US$ 4.490 ↓ −1,7% 4.485 / 4.520
S&P 500 ⭐ 7.519 pts ↑ +0,61% 7.501 / 7.539
Dow Jones 50.461 pts ↓ −0,23% 50.357 / 50.786
Nasdaq ⭐ 26.656 pts ↑ +1,19% 26.520 / 26.725
Bitcoin US$ 75.700 ↓ −1,99% 75.676 / 77.890

Ibovespa: ignorou os recordes de Wall Street e fechou no negativo — único índice grande das Américas em queda no dia. Petrobras e PRIO lideraram as perdas; PETR4 fechou em torno de R$ 43,40, perda de R$ 16,5 bi em valor de mercado em 2 pregões. A curva DI voltou a subir, após dias de alívio.

Petróleo: segundo dia consecutivo de queda forte. Em duas sessões, o barril saiu de US$ 103,54 para US$ 96,73 (série contínua de futuros) — recuo de cerca de 9,5%. Driver: avanço (não assinado) das tratativas EUA-Irã sobre o Estreito de Ormuz.

S&P 500 e Nasdaq: ambos em recorde de fechamento. Movimento concentrado em Micron (+19%, entrou no clube do US$ 1 trilhão) e Nvidia (caminhando para US$ 5,2 trilhões).

Fonte: B3 (Ibov) · Money Times / CNN Brasil (Dólar spot) · AP / Yahoo Finance (S&P, Dow, Nasdaq) · Yahoo BZ=F série contínua (Brent) · WSJ / Fortune (Ouro front-month) · Investing (BTC ref. 24h) · Elaboração: Daily Brew · 26/05/2026

💬 A leitura do dia

"Subsidiar é mais fácil que tributar. Tributar é mais fácil que cortar. Eis o ciclo."

— Síntese editorial Daily Brew

A gasolina mais barata aparece no índice de preços ao consumidor. O custo de financiar a subvenção aparece na curva de juros. Foi o que aconteceu na terça — e é o que o IPCA-15 sai amanhã para confirmar.

📅 O que vem aí

Qui 28/05

IPCA-15 de maio (IBGE) · PEC do fim da 6x1 na comissão — prévia da inflação sai às 9h, primeiro dado pós-queda do petróleo. Na mesma manhã, a comissão especial da Câmara vota o parecer da PEC (40h semanais, folga no domingo). Se passar, vai a plenário em seguida. Alto impacto

Sex 29/05

PIB do 1º trimestre (IBGE) — primeira foto da economia brasileira com a Selic em 14,5%, divulgada às 9h. Expectativa para 2026 já em 1,89%. Surpresa para cima reforça tese de inércia inflacionária; para baixo, libera discussão sobre defasagem da política monetária. Alto impacto

16-17/06

Reunião do Copom — quarta decisão de política monetária do ano. Selic atual em 14,5% (após corte de 25 bps em abril). O mercado projeta 13,25% para o fim de 2026. O debate da próxima ata: subvenção aos combustíveis muda o ritmo do ciclo? Alto impacto

📚 Vale ler

Conselho da Petrobras aprova adesão ao subsídio do governo aos combustíveis

A apuração da InfoMoney sobre como a empresa entra no esquema: cálculo da ANP por tipo de combustível e região, pagamento pelo Tesouro, sem alteração na política de preços da própria Petrobras. Quem paga é o orçamento.

INFOMONEY · MERCADOS · 20/05/2026

Câmara adia votação da PEC do fim da escala 6x1 — entenda os detalhes do parecer

Resumo do parecer do relator Léo Prates (vice-líder do Republicanos): 40 horas semanais, 8h/dia, duas folgas (uma no domingo), transição gradual. Vista pedida pela oposição; votação na comissão nesta quarta e em plenário quinta.

O TEMPO · BRASIL · 25/05/2026

S&P 500 and Nasdaq close at fresh record highs as Micron crosses US$ 1 trillion

A cobertura ao vivo da CNBC do pregão que devolveu Wall Street para os recordes — Micron saltando cerca de 18%, Nvidia caminhando para US$ 5,2 trilhões. A leitura do consenso de mesa: o ciclo de HBM dura mais do que o consenso anterior previa.

CNBC · MERCADOS · 26/05/2026

Zema sobre Flávio Bolsonaro: "tapa na cara dos brasileiros de bem"

Para quem quer seguir o tabuleiro eleitoral: a reverberação dos áudios do Banco Master começou a abrir frente interna na direita. O governador de Minas Gerais atacou Flávio publicamente, parte do Novo questionou a estratégia. O ruído segue, com janela curta até o horário eleitoral (28/08).

BRASIL 247 · ELEIÇÃO 2026 · 25/05/2026

☕ Boa quarta

Quarenta horas.

Folga no domingo.

O arcabouço aprendeu a ser ignorado.

Amanhã sai o IPCA-15. Café passado. ☕

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