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QUINTA-FEIRA · 18 DE JUNHO DE 2026
☕ Bom dia
O Banco Central cortou o juro para 14,25%, mas pisou no freio. O comunicado veio mais duro e deu a entender que o ciclo de quedas pode estar perto do fim.
No G7, um microfone aberto pegou o Lula dizendo que "nunca foi esquerdista". Na mesma viagem, ele voltou sem destravar as tarifas dos EUA.
Nos Estados Unidos, o Fed segurou o juro e Warsh estreou com personalidade. Encurtou o comunicado, puxou pra si a responsabilidade de segurar a inflação, e metade dos dirigentes já vê o juro subindo até o fim do ano.
E EUA e Irã assinaram um acordo de paz de 14 pontos. Já valem o cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz; o programa nuclear e as sanções ficaram para 60 dias, e o petróleo segue na casa dos US$ 80, o menor valor em três meses.
Brasil · Os juros
Copom · Selic · 14,25% · corte · comunicado
Banco Central corta o juro para 14,25%, mas sinaliza que o ciclo pode estar no fim
O Banco Central cortou o juro básico (a Selic) de 14,5% para 14,25% ao ano nesta quarta, dando sequência ao ciclo de cortes iniciado em março. A decisão foi unânime e confirmou a aposta da maioria do mercado. Só que o destaque não foi o corte, e sim o tom: o comunicado veio mais duro e deu a entender que as quedas podem estar perto do fim.
A reunião era das mais apertadas do ano. A inflação oficial de maio veio a 4,72% e furou o teto da meta (4,5%), os núcleos de preço rodam perto de 5,5% (quase o dobro da meta de 3%) e o mercado já vê a inflação fechar 2026 em 5,30%, pelo Focus, a pesquisa semanal do Banco Central. No texto, o comitê reconheceu tudo isso: disse que a atividade econômica "mostra aceleração" e que a inflação "superou o limite superior" da meta. E tirou o trecho que sinalizava continuar cortando, trocando por uma frase que joga o tamanho do resto do ciclo para os próximos dados.

Juro básico (% ao ano): Brasil (Selic) × EUA (Fed funds), desde 2012. Fontes: Banco Central e Federal Reserve (FRED).
Um alívio pode vir do petróleo. Com a trégua entre Estados Unidos e Irã, o barril do Brent despencou para a casa dos US$ 80, ante quase US$ 120 no auge da guerra. Combustível mais barato lá fora costuma segurar a inflação adiante e tira um pouco da pressão sobre a Petrobras na bomba. Não muda a conta de hoje, mas é vento a favor para as próximas reuniões.
No campo político, o governo deve comemorar. O Planalto vinha cobrando juros menores: o líder do governo na Câmara, José Guimarães, chegou a dizer que o Banco Central "perdeu a oportunidade de baixar o juro" e ligou a taxa alta ao endividamento recorde das famílias.
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Brasil · G7
Évian · Lula · FMI · tarifas · centro
No G7, Lula diz que "nunca foi esquerdista" e volta sem destravar as tarifas dos EUA
Num microfone que ficou aberto por engano na cúpula do G7, em Évian (França), o presidente Lula soltou a frase que viralizou: disse que "nunca foi esquerdista" e que "o mundo é do caminho do meio". A conversa era informal, com a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Mas a chegada dos líderes estava sendo transmitida e deu pra ouvir tudo. O argumento dele foi prático: nos Estados Unidos, os republicanos governaram mais que os democratas, e na França os socialistas ficaram pouco no poder. Conclusão: "o mundo não é de esquerda". O movimento tem cálculo: a quatro meses da eleição, Lula tenta se descolar do rótulo de esquerda que a direita cola nele e se apresentar como um nome de centro.
Quando Georgieva lembrou que, em 2003, todo mundo esperava dele um esquerdista que não apareceu, Lula puxou a própria biografia: "Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, italiano, com a UGT espanhola. Em 1980, fui convidado para um congresso na Rússia e não fui porque estava condenado pela Lei de Segurança Nacional. Fiz uma viagem pela Europa angariando solidariedade e passei a ser tratado como anticomunista." Na mesma conversa, ainda sugeriu que a ONU recomende ao mundo a urna eletrônica brasileira.
Foi a 10ª vez que Lula participa de uma cúpula do G7. O Brasil não é membro do clube das maiores economias, mas foi convidado pelo francês Emmanuel Macron, ao lado de Índia e Quênia. No discurso oficial, se pôs como voz dos países pobres e cobrou que os ricos banquem o desenvolvimento. No que mexe com o bolso brasileiro, porém, voltou de mãos quase vazias: não destravou o tarifaço dos Estados Unidos, que mexe com emprego e preço aqui dentro. O que sobrou de concreto foi um canal político com a União Europeia, fechado numa reunião com Ursula von der Leyen e António Costa, para tentar destravar o comércio. Com Trump, que também estava lá, não houve reunião: os dois dividiram a foto oficial e só se cumprimentaram.
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💬 Frases do dia
Donald Trump, no G7, ao comentar a condenação de Eduardo Bolsonaro
Trump errou quase tudo. Eduardo Bolsonaro foi condenado na véspera a 4 anos e 2 meses pelo STF por coação, não "preso" (ele mora nos Estados Unidos), e quem vai bem nas pesquisas é o irmão Flávio, o candidato. O presidente americano confundiu os dois. (link)
"Nunca fui esquerdista. O mundo é do caminho do meio."
Lula, em conversa captada por um microfone aberto no G7
A quatro meses da eleição, o petista que ajudou a fundar a esquerda brasileira tenta se reposicionar no centro. (link)
Internacional · Fed
Super Quarta · Warsh · juros · comunicado
Na estreia de Warsh, o Fed segura o juro e metade dos dirigentes já vê alta em 2026
Na estreia de Kevin Warsh no comando do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos), o Fed manteve o juro americano na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, como o mercado esperava. A surpresa foi o tom: bem mais duro. O comitê tirou o corte do horizonte e, no mapa de projeções, 9 dos 18 dirigentes que enviaram estimativas já veem o juro subindo até o fim de 2026. Ou seja, metade pensa em alta, não em corte.
A mudança maior foi na comunicação. O comunicado encolheu para 130 palavras, contra 341 da reunião anterior, e cortou qualquer pista sobre os próximos passos. Warsh ainda não apresentou seu próprio ponto nesse mapa, disse que ele "não ajuda a conduzir a política" e prometeu revisar todo o jeito de o Fed se comunicar. É a marca dele: menos sinalização, menos compromisso e mais liberdade pra decidir reunião a reunião.
A conta chegou rápido aos mercados. Com o tom mais duro, as bolsas americanas caíram, o S&P 500, principal índice de lá, recuou 1,21%, e os investidores passaram a apostar em juro americano alto por mais tempo. O dólar se fortaleceu no mundo, o Ibovespa fechou em queda de 0,70% e o ouro, refúgio clássico na incerteza, subiu. A leitura é simples: enquanto o juro lá fora não cede, sobra menos apetite por risco e parte do dinheiro prefere ficar nos Estados Unidos.
🎓 O que a teoria diz: banco central deve falar mais ou menos?
Por 20 anos, a resposta foi "mais": como o que move o mercado são as expectativas, sinalizar o futuro (o tal forward guidance) ajudaria a ancorar tudo (Blinder et al., J. Econ. Lit., 2008). Mas cresce o time do contra. Falar demais pode virar um jogo de espelhos, em que o mercado reage ao que o BC diz e o BC acaba reagindo ao mercado, criando falsa precisão e exageros (Morris & Shin, Am. Econ. Rev., 2002). E há quem mostre que o próprio guidance é mais fraco do que os modelos supunham (McKay, Nakamura & Steinsson, Am. Econ. Rev., 2016). Warsh é a cara dessa turma.
E daí?
Na prática, a aposta de Warsh em falar menos é uma faca de dois gumes. Do lado bom, corta o ruído: o mercado para de reagir a cada vírgula e o Fed ganha margem de manobra. Do lado ruim, sem o mapa do banco central, cada reunião vira uma caixa de surpresas, e o preço disso é mais volatilidade, do dólar à Bolsa, aqui inclusive. Não à toa, o "chilique" de 2013, quando uma simples fala do Fed derrubou os títulos no mundo todo, virou o exemplo clássico do estrago que a comunicação pode causar.
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Internacional · Oriente Médio
EUA · Irã · Ormuz · cessar-fogo · paz
EUA e Irã assinam a paz: cessar-fogo e reabertura de Ormuz
Saiu do papel. Estados Unidos e Irã assinaram o acordo que encerra a guerra de quase quatro meses, um plano de 14 pontos. Os que já valem são os que mais pesam: o cessar-fogo em todas as frentes, inclusive no Líbano; a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa quase um quinto do petróleo do mundo; e o fim do bloqueio naval americano, com o tráfego de navios voltando ao normal em até 30 dias.
O mais espinhoso ficou para os próximos 60 dias de negociação: o programa nuclear iraniano, as sanções e a liberação de até US$ 25 bilhões em ativos congelados do Irã. A assinatura, por ora, foi eletrônica, por Donald Trump, o vice JD Vance e o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf. A cerimônia formal, com o texto final, fica para sexta (19), em Genebra.
Para o bolso, o que pesa é o petróleo. Foi o medo de Ormuz fechado que jogou o barril para perto de US$ 120 no auge da guerra; com a paz encaminhada, o Brent já recuou para a casa dos US$ 80. A partir daqui, dois roteiros. Se a trégua segurar, petróleo barato segura a inflação mundo afora e alivia a bomba aqui, o mesmo vento a favor que o Copom citou ao cortar o juro e um motivo a menos de preocupação para o Fed. Se as negociações dos próximos 60 dias azedarem e o conflito voltar, o barril dispara de novo e esse alívio some, bem na hora em que os dois bancos centrais seguem de olho na inflação, um já avisando que pode parar de cortar, o outro nem cogitando baixar.
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📈 Mercados · Fechamento de ontem (17/06)
*Não fecham no horário do Brasil: cotação de referência às 18h (Brasília) de 17/06. Ibovespa e dólar, no fechamento do dia. Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics e Yahoo Finance · Elaboração: Daily Brew. |
📚 Vale ler
Copom corta a Selic para 14,25% e mercado já fala em freio nos cortes A decisão, o tom mais duro do comunicado e por que o ciclo pode estar perto do fim. INFOMONEY · ECONOMIA · 17/06/2026 |
No G7, Lula diz que "nunca foi esquerdista" e que o mundo é "do meio" A conversa captada por um microfone aberto na cúpula, em Évian. PODER360 · GOVERNO · 17/06/2026 |
STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por coação A decisão unânime da Primeira Turma e o que ela significa para a família. CNN BRASIL · POLÍTICA · 16/06/2026 |
"Prenderam o Bolsonaro Jr.": Trump confunde os filhos do ex-presidente O que o presidente americano disse no G7, e por que está errado. INFOMONEY · POLÍTICA · 17/06/2026 |
Fed mantém juros na estreia de Warsh e encurta o comunicado O tom mais duro, o comunicado de 130 palavras e o comitê dividido sobre alta. CNBC · ECONOMIA · 17/06/2026 |
EUA e Irã concordam em suspender o conflito e reabrir Ormuz Os termos do acordo preliminar e o que ainda falta para a paz definitiva. AGÊNCIA BRASIL · INTERNACIONAL · 15/06/2026 |
☕ Boa quinta
O juro começou a cair, mas o Banco Central já avisou que a folga é curta.
Lá fora, a paz chegou e o petróleo cedeu. Boa quinta, e bom café. ☕
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