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Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

TERÇA-FEIRA · 16 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

O Copom decide o juro amanhã, e o mercado está rachado. Depois de o Focus piorar de novo, parte aposta em corte e parte já vê o Banco Central segurando a taxa.

Lula abre 6 pontos sobre Flávio numa nova pesquisa. A BTG/Nexus o pôs à frente fora da margem pela 1ª vez, e a aprovação encostou na reprovação.

EUA e Irã fecharam uma trégua provisória, e o petróleo desabou. O Brent caiu à mínima em 3 meses — um alívio que, com o tempo, chega à inflação.

Brasil · Os juros

Copom · Super Quarta · Focus · Selic · 14,5% · Fed

O Focus piora de novo e o mercado racha sobre o juro de amanhã

O Boletim Focus de ontem jogou mais lenha na decisão de amanhã. Pela 14ª semana seguida, o mercado piorou a conta da inflação: agora vê o IPCA — a inflação oficial do país — fechar 2026 em 5,30%, contra 5,11% de uma semana antes, e o juro terminar o ano mais alto, em 13,75%. Não para por aí. A projeção de inflação para 2027 também subiu, de 4,03% para 4,10%, a do dólar segue perto de R$ 5,20 no fim do ano e a do crescimento da economia foi ajustada para 1,96%. Com os preços resistindo — puxados por alimentos, energia e serviços, que custam a ceder —, ficou mais difícil cravar que o Copom, o comitê do Banco Central que define os juros, vai cortar a taxa amanhã.

Por isso o mercado está rachado. De um lado, casas como Itaú e ASA ainda apostam num corte de 0,25 ponto, levando o juro de 14,5% para 14,25% ao ano. De outro, gente como a Warren já acha que o Banco Central segura a taxa onde está, depois de a inflação acumulada em maio (4,72%) furar o teto da meta (4,5%). Nas últimas semanas, aliás, a aposta na manutenção foi ganhando corpo, e hoje divide o mercado quase no meio.

Mais do que o quarto de ponto, o que todo mundo vai garimpar é o comunicado: se o Copom deixa a porta aberta para cortar de novo ou avisa que vai parar por aqui. No mesmo dia, lá fora, o Fed — o banco central dos Estados Unidos — também decide o juro de lá, na chamada Super Quarta. A aposta majoritária é que ele segure a taxa na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, sem pressa de cortar enquanto a inflação por lá não dá trégua. Para o seu bolso, porém, o que pesa mesmo é a decisão daqui. Um corte alivia um pouco a conta do crédito; manter a taxa deixa tudo onde está — a Selic é a que aparece na prestação do carro, no rotativo do cartão e no financiamento da casa.

🎓 O que a teoria diz

Por que a palavra do Banco Central pesa tanto quanto o juro? Os economistas chamam isso de forward guidance (orientação futura): o que move financiamento, câmbio e Bolsa não é só a taxa de hoje, mas o que o mercado espera dos próximos meses. Quando o Banco Central sinaliza o rumo — se vai cortar mais ou parar —, ele já mexe nos juros longos e no crédito antes mesmo de agir. Por isso, amanhã, a frase pode pesar mais que o número.

E daí?

Pro seu bolso: o custo do financiamento e do cartão segue mais as expectativas de juro do que a taxa de hoje. Se o comunicado assustar, o crédito pode ficar mais caro mesmo com um corte de 0,25 ponto.

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💬 A frase do dia

“Cortar juros agora poderia transmitir ao mercado uma mensagem de tolerância maior com a inflação, justamente quando as expectativas estão se deteriorando.”

— Cassio Viana, diretor da Pilar Capital · InfoMoney

É o argumento de quem defende o Copom segurar o juro amanhã, em vez de cortar — o lado que ganhou força com a inflação resistindo.

Brasil · Eleições 2026

BTG/Nexus · Lula · Flávio · 2º turno · aprovação

BTG/Nexus: Lula abre 6 pontos sobre Flávio e empata aprovação com reprovação

A BTG/Nexus, divulgada ontem, deu Lula com 49% num eventual segundo turno, contra 43% de Flávio Bolsonaro. São seis pontos — pela primeira vez em quatro rodadas desse levantamento, uma vantagem fora da margem de erro (de 2 pontos) e o maior patamar da série. No primeiro turno, é 42% a 33%. O instituto ouviu 2.017 pessoas por telefone, entre 12 e 14, e Lula lidera todos os duelos: bate Romeu Zema (49% a 39%), Ronaldo Caiado (48% a 39%) e Renan Santos (49% a 36%).

Veio junto um dado que o governo comemorou: a aprovação chegou a 48%, contra 47% de reprovação — primeira vez que passa a reprovação nesse instituto. Mas é por um ponto só, dentro da margem: empate técnico, não virada. E antes dos fogos, o outro lado: a rejeição ao próprio Lula seguiu parada em 47%. O que subiu foi a fatia que aprova o trabalho, de 45% em março para 48% agora.

E por que melhorou? O instituto sugere que tem menos a ver com a economia do que com o adversário. O pessimismo com o bolso não cedeu — 49% ainda acham a economia ruim ou péssima. O que pesou foi o desgaste de Flávio: 42% dos entrevistados o responsabilizam pela tarifa de 25% que os Estados Unidos puseram sobre produtos brasileiros.

Fica a ressalva de sempre: é uma pesquisa só, e os institutos divergem — semana passada, a Gerp pôs Flávio numericamente à frente. As leituras recentes vieram melhores para Lula, mas 2026 está longe de decidido.

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Internacional · Petróleo

EUA · Irã · Ormuz · Brent · trégua

EUA e Irã assinam acordo provisório e o petróleo cai à mínima em 3 meses

O Oriente Médio deu um passo rumo à trégua. Nesta segunda, os Estados Unidos — com Donald Trump e o vice, JD Vance — e o Irã, pelo presidente do parlamento, Ghalibaf, assinaram um acordo provisório para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passa quase um quinto do petróleo do mundo. Quem costurou foi o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif; Trump comemorou e mandou suspender o bloqueio naval americano.

Preço do barril do Brent (US$), de fevereiro a junho. Fonte: Yahoo Finance, até 15/06/2026.

Mas a guerra acabou mesmo? Aí o samba é outro. O conteúdo do acordo só sai na sexta (19), na cerimônia formal na Suíça; até lá, os termos seguem no escuro. Israel também ficou de fora: o premiê Benjamin Netanyahu reagiu dizendo que “nossa luta não acabou”. E reabrir Ormuz não é apertar um interruptor — tirar as minas navais pode levar semanas, então o petróleo deve voltar a fluir aos poucos.

Foi o medo de Ormuz fechado que, no auge do conflito, jogou o petróleo para perto de US$ 120. Só com a perspectiva de trégua, o Brent despencou para a casa dos US$ 83, a mínima em cerca de três meses, como mostra o gráfico. As bolsas americanas subiram e o dólar recuou por aqui.

E por que isso chega ao seu bolso? Petróleo mais barato lá fora tira pressão da Petrobras para reajustar a gasolina e, no médio prazo, alivia a inflação — a conta que tira o sono do Copom, o comitê do Banco Central que define os juros. A decisão desta quarta não muda por isso, mas, se a trégua segurar, é vento a favor adiante.

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📈 Mercados — Fechamento de ontem (15/06)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa170.630 pts↓ −0,29%
Dólar (spot)R$ 5,07→ estável
Petróleo (Brent)US$ 83,13↓ −4,81%
Ouro (futuro)US$ 4.348,50↑ +3,17%
S&P 5007.560 pts↑ +1,72%
BitcoinUS$ 66.799↑ +1,66%

Fontes: B3, Yahoo Finance e Investing · variação no dia 15/06 · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Hoje · 16/06

Lula no G7 — o presidente discursa em Évian, na França, sobre crescimento e comércio.

Quarta · 17/06

A Super Quarta — Copom (Brasil) e Fed (EUA) decidem os juros no mesmo dia. Alto impacto

Quarta · 17/06

IBC-Br — sai a prévia mensal do PIB, calculada pelo Banco Central.

📚 Vale ler

Focus eleva a inflação de 2026 e vê o juro mais alto

As novas projeções do mercado às vésperas da decisão do Copom.

INFOMONEY · ECONOMIA · 15/06/2026

BTG/Nexus: Lula vai a 49% e Flávio fica em 43% no 2º turno

Os números do 1º e 2º turno e a virada na aprovação do governo.

CNN BRASIL · ELEIÇÕES · 15/06/2026

Brent cai e vai a US$ 83 após acordo entre Irã e EUA

Por que a trégua derrubou o preço do petróleo no mundo todo.

INFOMONEY · MERCADOS · 15/06/2026

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☕ Boa terça

Na corrida, o Lula respira melhor — mas é a Super Quarta de amanhã que mexe no seu bolso.

Lá fora, a trégua derrubou o petróleo. Boa terça — e bom café. ☕

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