
TERÇA-FEIRA · 01 DE SETEMBRO DE 2026
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
A Surprising Way to Invest in AI
Investors are spending a lot of time trying to figure out which AI company is worth their time and money.
Should they bet on OpenAI? Anthropic? Or one of the many other large language models on the horizon?
But there may be a simpler way to invest in AI: the companies these platforms need to keep growing.
Each large language model requires a massive amount of specialized technology to stay up and running, including memory, storage, networking, semiconductor manufacturing, power, and cooling infrastructure.
MarketBeat’s new The Infrastructure’s Backbone: 10 Stocks Powering the AI Buildout report identifies 10 publicly traded companies that are crucial to the AI infrastructure buildout already underway.
These companies are building the underlying ecosystem that could power the next round of growth for the AI industry.
☕ Bom dia
O retrato oficial da economia brasileira no segundo trimestre sai hoje às 9h, e a aposta é de freada.
A China está com a indústria e os serviços encolhendo ao mesmo tempo, e o efeito chega ao Brasil pelo dólar, pela carne e pela bolsa.
E o governo entregou a proposta de Orçamento de 2027 no azul, com um gatilho inédito travando a folha dos servidores. ☕
A edição de hoje tem 1.426 palavras, uma leitura de 6 minutos.

1 · Economia · O PIB do 2º trimestre sai às 9h
A economia cresceu 1,1% no começo do ano e mostra hoje às 9h se a freada veio
O IBGE divulga às 9h o PIB do segundo trimestre, a medida oficial de quanto a economia do país cresceu de abril a junho. No primeiro trimestre, a alta foi de 1,1%.
A aposta do mercado é de freada. O Monitor do PIB da FGV, a prévia mais acompanhada, aponta alta perto de 0,3%, e as projeções das casas vão de 0,3% a 0,5%, com o centro em torno de 0,4%. A Fazenda é a mais otimista da mesa, com 0,8%.
Os últimos dados apontaram na mesma direção. A indústria caiu 1,8% em junho, mais que o dobro da queda de 0,8% esperada. O Caged criou 58,5 mil vagas com carteira em julho, o pior número pro mês desde 2020 e metade do que o mercado projetava. E lá fora a China, maior compradora do Brasil, emendou o segundo mês de indústria em contração, a história do bloco 2.
O outro lado da régua é o emprego. O desemprego está no menor nível da série pra um julho e a renda média sobe 3,3% em um ano. O número de hoje diz qual dos dois retratos manda: o emprego forte ou o motor esfriando.
O dado chega duas semanas antes da decisão dos juros, marcada pra 16 de setembro. Freada forte reforça a aposta de cortes nos juros básicos de 14%. Número forte segura os juros onde estão, e com eles o preço do crédito.
Dentro do número, três coisas pra olhar: o consumo das famílias, que vinha sendo o motor, o investimento, a primeira vítima dos juros altos, e o agro, que já salvou trimestres antes. Amanhã a gente traduz o resultado.
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2 · Internacional · A atividade na China
Serviços e construção na China repetem o pior nível desde o fim da covid zero, e a fábrica segue encolhendo
A indústria da China ficou abaixo da linha d'água pelo segundo mês seguido: o PMI oficial de agosto, o termômetro colhido com os gerentes de compras das fábricas, marcou 49,8, e abaixo de 50 a atividade está encolhendo. O detalhe que quase ninguém destacou: o termômetro de serviços e construção parou em 49,0, empatado com julho no pior nível desde o fim da política de covid zero, no fim de 2022. Os serviços isolados marcam 49,3 pelo segundo mês, e a construção afunda a 46,9.
Por dentro, o dado até melhorou. Produção e encomendas novas voltaram a crescer, as encomendas de exportação também. O emprego industrial segue encolhendo, em 48,7.
O pano de fundo é a guerra comercial: os EUA estudam uma tarifa extra de 7,5% sobre produtos chineses por excesso de capacidade, segundo a Bloomberg, semanas antes da cúpula entre Trump e Xi marcada pra 24 de setembro.
O canal mais direto pro Brasil é o dólar. Quase três em cada dez dólares exportados pelo Brasil vão pra China, 28,7% do total em 2025. Fábrica parada lá é menos navio saindo do porto e menos dólar entrando aqui, e o real mais fraco aparece no preço do eletrônico, do remédio importado e da passagem.
O segundo canal é a comida. Quando a China compra menos carne e soja, parte do que iria pro porto sobra no mercado interno e derruba o preço no campo: no embargo de 2021, a arroba do boi caiu cerca de 13% em poucas semanas, pela conta da consultoria Athenagro. O açougue é outra história: naquele embargo a carne no varejo seguiu cara, em São Paulo até subiu 0,62%, e o frigorífico ficou com a diferença.
O terceiro canal é a poupança de quem nem sabe que tem China na carteira: Vale e Petrobras estão entre os maiores pesos do Ibovespa, é neles que fundo de ação e previdência do brasileiro está sentado. Na sexta, com a China fraca no radar, a Vale caiu enquanto a bolsa subia.
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3 · Fiscal · O Orçamento de 2027 entregue
O governo promete R$ 18,6 bilhões de azul e os analistas ouvidos pela própria Fazenda esperam R$ 55 bilhões de vermelho
O governo entregou ontem ao Congresso a proposta de Orçamento de 2027 com a conta no azul. Na régua da meta, que aceita descontos previstos em lei, a sobra projetada é de R$ 83,4 bilhões. Na conta cheia, sem os R$ 64,7 bilhões de descontos, a maior parte precatórios, sobram R$ 18,6 bilhões, e é essa a conta que pesa na dívida, como o próprio Planejamento reconhece.
A promessa se apoia num gatilho que dispara pela primeira vez: como 2025 fechou no vermelho, o gasto com pessoal fica travado em 0,6% acima da inflação. A trava põe o teto da folha do Executivo em R$ 369,5 bilhões e o governo propôs menos ainda, R$ 361,5 bilhões, abaixo até da verba deste ano corrigida pela inflação. Com as demais travas do pacote, caso das despesas atreladas à receita, o aperto soma R$ 17,2 bilhões na conta oficial, quase o tamanho da sobra prometida.
Nos parâmetros, o time econômico jogou na defesa: sem medida nova de receita dependendo do Congresso e com o barril de petróleo a US$ 71, bem abaixo dos US$ 91 de ontem. O otimismo ficou na receita, que embute a economia acelerando a 2,46% no ano que vem. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que entregar o superávit é "muito factível".
A desconfiança sai de um boletim da própria Fazenda. No Prisma Fiscal, a pesquisa do ministério com analistas privados, a mediana projeta déficit de R$ 55 bilhões em 2027. São R$ 73,6 bilhões de distância entre a promessa e a aposta do mercado:

Um detalhe torna a aposta menos arriscada pro governo: como os descontos valem pra régua oficial, a meta pode ser dada como cumprida mesmo com a conta cheia no vermelho. E a régua mais dura é a da IFI, o braço fiscal do Senado: estabilizar a dívida pediria superávit de 2,1% do PIB, somando União, estados e estatais, dezesseis vezes o 0,13% prometido na parte federal.
Dois detalhes fecham o retrato. As emendas parlamentares, já contadas na proposta, reservam R$ 44,8 bilhões, mais que o dobro da sobra da conta cheia. E o histórico pesa contra: a proposta pra 2024 prometia R$ 2,8 bilhões de azul e o ano fechou R$ 43 bilhões no vermelho, e a de 2015 prometia R$ 114,7 bilhões de azul e o ano terminou R$ 115 bilhões no vermelho.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu com uma farpa: o superávit de 2022 foi "fictício", disse na entrega, porque deixou despesas penduradas pro ano seguinte, e prometeu que os de agora serão "recorrentes e crescentes".
🎓 O que a teoria diz: pra que serve um gatilho fiscal?
Pra amarrar o próprio futuro. A economia chama de inconsistência temporal: todo governo promete apertar o gasto amanhã, e amanhã sempre tem uma eleição, uma crise, uma pressão. O gatilho tira a decisão da caneta do político e a entrega a uma regra automática, que corta sem precisar de coragem. Foi o que aconteceu agora: o vermelho de 2025 puxou a trava sozinho. É o truque de Ulisses amarrado ao mastro: a força da regra está em não poder mudar de ideia quando a sereia canta.
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📈 Mercados
| Ativo | Fechamento | No dia |
| Ibovespa | 177.419 pts | +1,00% |
| Dólar (Ptax) | R$ 5,1816 | -0,36% |
| S&P 500 | 7.686 pts | -0,33% |
| Nasdaq | 26.371 pts | -0,12% |
| Petróleo (Brent) | US$ 91,05 | +3,34% |
| Ouro | US$ 4.481,50 | -1,1% |
Fechamento de segunda 31/08. A nona alta seguida da bolsa não salvou o mês: agosto fechou em -0,33%. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Petróleo: contrato de novembro, após o vencimento do de outubro, em alta com o ataque americano à ilha iraniana de Larak. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, InfoMoney, Bloomberg.
📅 O que vem aí
Hoje · 9h
PIB do 2º trimestre
A conta oficial do bloco 1. O 1º trimestre deu 1,1%, e o mercado espera algo em torno de 0,4%.
Hoje · 10h
Taxa das blusinhas: a votação adiada
A comissão adiou ontem pra hoje o relatório da MP que zera o imposto das compras de até US$ 50. O texto recebeu 112 emendas, e a regra caduca em 8 de setembro.
Hoje · 11h
ISM industrial dos EUA
O termômetro da indústria americana em agosto, o primeiro dado da semana que termina no relatório de empregos de sexta.
Amanhã · 9h
A CCJ vota o fim da escala 6x1
A jornada de 44 pra 40 horas sem corte de salário. Comércio, serviços e turismo lançaram campanha pra adiar a votação, então o calendário pode escorregar.
📚 Vale ler
O dado oficial dos serviços chineses abaixo da linha O comunicado do governo chinês com o PMI não manufatureiro de agosto em 49, na fonte. Gov.cn · Economia · 31/08/2026 |
A tarifa de 7,5% que os EUA estudam contra a China A reportagem que revelou o plano semanas antes da cúpula entre Trump e Xi. Bloomberg · Mundo · 24/08/2026 |
O parecer que abre caminho pro fim da escala 6x1 O texto do Senado com o que a PEC muda na jornada, na transição e no descanso semanal. Senado Notícias · Trabalho · 28/08/2026 |
O calendário oficial do IBGE, com o PIB de hoje às 9h Onde acompanhar a divulgação do 2º trimestre e os próximos indicadores da semana. IBGE · Agenda · setembro/2026 |


