Elon's Cooking Up Something Big
Love him or hate him, Musk moves markets. His next launch hits July 22, and the smart money is already positioning. Our analyst found 3 stocks set to ride it — with entry points and a buy/sell playbook.

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEGUNDA-FEIRA · 03 DE AGOSTO DE 2026
☕ Bom dia
A dívida pública sobe novamente e o custo é duplo: você paga o gasto do governo, e paga os juros altos que esse gasto sustenta.
Lula prometeu no palanque que as terras raras do Brasil não serão nem de chinês, nem de americano. Um estudo novo mostra que ter o minério nunca foi o que dá o poder.
E o real entrou num cabo de guerra: China esfriando, tarifa americana e eleição puxando pra baixo, o prêmio dos juros segurando. O Copom decide na quarta. ☕

Contas públicas · A esteira
O gasto com juros do Lula 3 deve fechar como o maior de qualquer governo do século 21
Na sexta-feira o Banco Central informou que a dívida bruta do governo chegou a 81,9% do PIB em junho, R$ 10,8 trilhões. A conta de juros acumulada em doze meses passou de R$ 1,16 trilhão, 8,8% do PIB, o maior valor da série histórica. Só em junho foram R$ 110,7 bilhões, quase o dobro de um ano antes.
Na régua dos governos, o levantamento é do Valor na própria série do BC: o gasto médio com juros deste mandato deve fechar 2026 entre 7,6% e 7,8% do PIB, o maior de qualquer governo do século 21. O recorde anterior era do primeiro governo do próprio Lula.
Dez dias antes, o FMI tinha publicado a radiografia anual que faz de cada país, o Artigo IV. O Fundo mede a mesma dívida com uma régua mais dura (conta também os títulos do Tesouro parados no cofre do Banco Central) e chega a 97,8% do PIB neste ano. A régua importa menos que a direção. Nas duas contas, a dívida sobe o resto da década, como mostra o gráfico.
O que o relatório diz por trás da curva é mais incômodo que a curva. A dívida sobe mesmo com o governo fazendo a lição de casa: a projeção já assume o país voltando ao superávit primário em 2028 e chegando a 1,1% do PIB em 2031, e ela cresce assim mesmo. O que empurra não é gasto novo. São os juros. E os juros não caíram do céu: pra economistas ouvidos pelo Valor, eles estão onde estão porque o quadro fiscal é frouxo e as expectativas de inflação desancoraram. O gasto de ontem virou os juros de hoje, e o país paga os dois. O Brasil se financia caro demais em relação ao quanto cresce, pior que os vizinhos da região, diz o Fundo. É uma esteira: o país corre e fica parado.
No gráfico do próprio FMI, abaixo, as barras hachuradas são a conta de juros. O resultado das contas do governo sem os juros, em azul, quase não aparece.

No gráfico do FMI: barras hachuradas = conta de juros · azul = resultado sem os juros (primário) · linha vermelha = saldo total. Em % do PIB.
O Fundo pôs número na chance de dar errado: 82,2% de probabilidade de a dívida não se estabilizar, risco classificado como alto. A receita pra descer da esteira é um ajuste de 3 pontos do PIB em cinco anos, atacando as duas coisas que ninguém ataca: o gasto engessado por lei e as renúncias tributárias caras e ineficientes.
O petróleo caro até deu uma ajuda, cerca de 0,5% do PIB de receita extra neste ano, e a recomendação do relatório era guardar tudo. A conta do Fundo é que vai sobrar 0,1 ponto. O resto já tem endereço: mais gasto social, medidas pra segurar o preço da energia e repasses a estados e municípios.
Sobre a decisão de quarta, o Fundo endossou a paciência do Banco Central. Projeta os juros básicos fechando o ano em 14%, ou seja, mais um corte e ponto final, e vê a inflação em 5,6% no fim de 2026, voltando pros 3% da meta só em meados de 2028.
Na quarta o Copom decide com essa esteira rodando atrás. Cortar alivia o boleto de R$ 110,7 bilhões. Manter protege o câmbio e a inflação que seguram o resto da conta. O relatório não manda fazer uma coisa nem outra. Só lembra que o tempo joga contra.
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Transição verde · O privilégio da tabela periódica
A China virou o centro dos 13 metais da energia limpa sem ter as reservas
O comércio mundial dos 13 metais que fazem bateria, carro elétrico e painel solar se reorganizou nas últimas três décadas em torno de um único centro, a China. Um estudo novo do NBER mediu essa rede de 1995 a 2023 e achou um contraste que resume a nova geopolítica: o petróleo circula numa teia difusa, com vários polos e rotas alternativas. Os metais da eletrificação viraram um sistema de eixo e raios, e o eixo é Pequim.
O detalhe que muda a conversa: a posição não veio do subsolo. A China tem poucas das reservas desses metais. Ela virou o centro por escolha, com décadas de investimento em refino e processamento, política industrial e financiamento aos países donos das minas. Os autores chamam isso de centralidade endógena, o país que decide virar o eixo e vira. Entre eles está Hélène Rey, uma das economistas mais influentes do mundo, que assume em setembro a chefia econômica do BIS, o banco dos bancos centrais. Quando ela publica sobre inflação vinda de minerais, os bancos centrais leem.
O título do estudo é uma provocação: privilégio exorbitante da tabela periódica. Privilégio exorbitante é o apelido clássico da vantagem americana de imprimir a moeda que o mundo inteiro usa. A pergunta do paper é se existe um privilégio parecido escondido entre os elementos químicos. A resposta é sim, e o dono é outro.
E o privilégio tem preço pra quem está fora. Garimpando noticiário pra identificar cortes de oferta de cada metal, os autores estimam que um aperto nos metais críticos eleva os preços ao consumidor nos Estados Unidos e na Europa cerca de duas vezes mais que um choque comparável de petróleo e gás, e o efeito dura mais. A conclusão em uma linha: a transição verde não quita a dívida com os exportadores de energia. Troca de credor.
No Brasil, o assunto subiu ao palanque no domingo. Na convenção que oficializou a candidatura, Lula listou as terras raras entre as cinco prioridades de um novo mandato e prometeu que elas não serão nem de chinês, nem de americano. O estudo mostra o tamanho do desafio embutido na promessa: ter o minério nunca foi o que dá o poder. O país que fez meme com o nióbio tem as reservas que a China não tem, e vem fazendo o papel do lado fraco da rede, vende a pedra bruta e recompra o produto processado, pagando a margem de quem refinou.
🎓 O que a teoria diz: o que é um privilégio exorbitante?
A expressão nasceu na França dos anos 1960, como reclamação: os Estados Unidos compram do mundo pagando com um papel que só eles imprimem. A própria Rey, com Pierre-Olivier Gourinchas, mediu essa vantagem, os EUA tomam emprestado barato e investem caro, e embolsam a diferença. O estudo novo pergunta se a centralidade numa rede de insumos dá poder parecido, e o modelo responde que sim: quanto mais concentrada a rede e mais inelástica a demanda (ninguém faz bateria sem lítio de um dia pro outro), maior o poder de preço de quem segura o eixo. Duas ressalvas de rigor: é um working paper, ainda sem revisão por pares, e o fator de 2 vezes depende de como se define um choque comparável de petróleo.
E daí?
A inflação da próxima década pode vir menos do barril e mais da bateria. E a promessa de soberania mineral se decide menos na mina e mais na refinaria, no financiamento e no marco legal do setor, que está parado no Senado. Por enquanto o placar joga contra o discurso: a única mina de terras raras em operação no país, a Serra Verde, teve a venda para um grupo americano anunciada em abril. Fornecedor de pedra não dita preço. Quem dita é quem processa.
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Câmbio · Cabo de guerra
Três forças puxam o real pra baixo, e 10,6 pontos de juros seguram tudo
O dólar fechou julho a R$ 5,07, queda de 7,7% no ano contra o real. Esse número está no meio de um cabo de guerra. De um lado, três forças puxando o real pra baixo. Do outro, um prêmio de 10,6 pontos por ano segurando a corda.
A primeira força é o maior freguês esfriando. A indústria da China encolheu em julho, com o termômetro oficial caindo de 50,3 para 49,2, a pior leitura em cinco meses. O buraco é a demanda interna, justamente a que compra soja, minério e carne: os pedidos de exportação quase não caíram, o que desabou foi o pedido de dentro. E não é um mês ruim isolado. A economia de lá cresceu no trimestre passado no ritmo mais fraco desde 2022, o consumo anda de lado e o preço dos imóveis caiu pelo trigésimo sexto mês seguido. Tudo isso no momento de dependência máxima: a China levou 31,6% de tudo que o Brasil exportou no semestre, como mostra o gráfico, e os cinco produtos que ela domina (soja, petróleo, minério de ferro, carne bovina e celulose) são 45% da nossa pauta inteira, com 62% deles indo pra lá.

A segunda força veio de Washington. Os Estados Unidos empilharam em julho duas sobretaxas, de 25% e 12,5%, sobre produtos brasileiros. A fatia que paga os 37,5% cheios é 16,5% do que vendemos pra lá, concentrada em calçado, móvel, máquina, roupa e madeira. O precedente é que pesa: quando a tarifa de 50% mordeu, um ano atrás, as vendas aos EUA caíram um quinto em cinco meses.
A terceira é o calendário. O Valor ouviu as mesas internacionais no domingo e a expressão repetida é cautela eleitoral. O HSBC, o mais cuidadoso, trabalha com três cenários pra outubro e vê o dólar entre R$ 5,20 e R$ 5,25 até setembro. O canadense RBC zerou as apostas no real que carregava havia meses e foi esperar a eleição de camarote. O Wells Fargo segue gostando do real, mas contra o peso colombiano, e o Bank of America ainda o vê como a oportunidade mais atraente da América Latina. E a cautela já aparece no caixa: pelo dado do Banco Central, saiu mais dólar do que entrou em julho, US$ 538 milhões no líquido, mesmo com o ano ainda positivo em quase US$ 17 bilhões.
Do outro lado da corda, o que segura. Aplicar em real rende hoje uns 10,6 pontos a mais por ano do que aplicar em dólar, e o alicerce embaixo do prêmio é menos frágil do que parece: o rombo externo do país, de 2,5% do PIB, é coberto quase uma vez e meia só pelo investimento estrangeiro de longo prazo, e as reservas passam de US$ 370 bilhões. O câmbio não está forte porque o país está blindado. Está forte porque paga bem, e porque quem financia o buraco é fábrica, não aposta. E tem o petróleo do mesmo lado da corda: o barril subiu 23,5% em julho, o Brasil hoje vende mais petróleo do que compra, e barril caro engorda a receita externa. Esse apoio tem teste marcado: a OPEP+ decidiu no domingo aumentar a produção a partir de setembro.
O cabo de guerra tem data. Na quarta, o Copom deve cortar os juros pra 14%, é o que o mercado projeta. Em setembro, o Fed, o banco central americano, pode subir os dele: três diretores votaram por alta já em julho, e as apostas dão quase dois terços de chance. Cada movimento encurta a corda. E é o dólar comportado que vem segurando a inflação por aqui.
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📅 O que vem aí
Hoje · 03/08
As apostas do mercado (o boletim Focus) — a última foto das projeções de inflação, juros e dólar antes da decisão de quarta. Sai de manhã cedo.
Ter · 04/08
Indústria brasileira em junho e balanço do Itaú — o retrato da indústria de junho, ainda antes da nova tarifa americana, e o maior banco do país abre a semana pesada de resultados.
Ter e qua · 04 e 05/08
Decisão de juros no Brasil (o Copom) — o Banco Central anuncia na quarta à noite se corta os juros básicos de novo ou se para. É a decisão desta edição inteira.
Qui · 06/08
Balança comercial de julho e balanço da Petrobras — o fechamento oficial do mês no comércio exterior, e a Petrobras divulga resultado um dia depois do Copom, no meio da pressão por reajuste.
Sex · 07/08
Emprego nos Estados Unidos (o payroll) — o dado que mais mexe com o dólar no mundo. Se vier fraco de novo, alivia a pressão por juros mais altos por lá.
📊 Mercados · Fechamento de sexta (31/07)
Fontes: B3, Banco Central (Ptax) e Yahoo Finance · fechamento de sexta (31/07), variação na semana (24 a 31/07) · Elaboração: Daily Brew |
📚 Vale ler
Déficit do setor público sobe para R$ 55,3 bilhões em junho Os números de sexta do Banco Central que abrem e fecham esta edição: a dívida, o déficit e a conta de juros de um mês. Agência Brasil · Economia · jul/2026 |
O comunicado oficial do índice da indústria chinesa de julho Em inglês, com todos os subíndices: é onde aparece que o buraco é a demanda interna, não a exportação. NBS/SCIO · Indústria · jul/2026 |
Exorbitant Privilege of the Periodic Table? O estudo do bloco 2: a rede dos 13 metais da transição verde, assinado pela economista que assume em setembro a chefia econômica do BIS. NBER · Working Paper · jul/2026 |
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