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SEGUNDA-FEIRA · 2 DE NOVEMBRO DE 2026
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
☕ Bom dia
Os americanos escolhem amanhã o Congresso, e os democratas são favoritos para tomar a Câmara.
Pela história, a aprovação do Trump indica uma perda grande de cadeiras nas duas casas.
Uma Câmara democrata trava as leis do Trump, mas a tarifa sobre os produtos brasileiros fica. ☕

1 · EUA · A eleição de amanhã
Os democratas são favoritos para tomar a Câmara amanhã, e o Senado se decide em sete disputas indefinidas
Os americanos escolhem amanhã as 435 cadeiras da Câmara, 35 das 100 do Senado e 36 governadores. A eleição de meio de mandato, que acontece dois anos depois da presidencial, decide se o Trump governa os dois últimos anos com o Congresso a favor ou contra.
Os democratas são favoritos para tomar a Câmara. Hoje os republicanos têm 218 cadeiras e os democratas, 214, e a maioria é de 218. Na média das pesquisas para a Câmara, os democratas estão 9 pontos a frente. O Cook Political Report, referência em análise eleitoral nos EUA, já põe 222 cadeiras do lado deles sem contar 18 indefinidas, e nos mercados de apostas a chance democrata é de 94%.
A eleição virou um referendo sobre o Trump, que chega com 38% de aprovação na média das pesquisas. Na posse, estava perto de 50%, como mostra o gráfico.

O bolso pesa mais no voto. Numa pesquisa de outubro da agência AP com a Universidade de Chicago, 85% puseram a economia e 84% o custo de vida entre os temas mais importantes. A inflação americana está em 3,7% em 12 meses, e a gasolina custa 37% mais que há um ano.
O Senado está mais aberto. Os republicanos têm 53 das 100 cadeiras, e os democratas precisam tomar 4 delas. Nos mercados de apostas, a chance democrata é de 70%. Além da Carolina do Norte, onde o democrata deve vencer, tudo se decide em sete disputas indefinidas (Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Michigan, Ohio e Texas), seis delas em estados que o Trump venceu em 2024.
A Câmara deve sair na madrugada de quarta, mas o Senado pode levar dias. No Alasca e no Maine, o eleitor ordena os candidatos por preferência, e a apuração em rodadas do Alasca pode ficar para 18 de novembro.
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2 · História · O preço da impopularidade
Pela história, a aprovação do Trump indica 43 cadeiras perdidas na Câmara e 6 no Senado
O partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 18 dos 20 meios de mandato desde 1946. Quanto mais impopular o presidente, maior a perda, como mostra o gráfico. O instituto Gallup mediu a aprovação dos presidentes americanos de 1938 até fevereiro deste ano, e a série dele é a única que cobre todos esses meios de mandato. Com aprovação abaixo de 50% no Gallup, o partido do presidente perdeu em média 35 cadeiras. Com 50% ou mais, 15.

Medido como o Gallup mede, o Trump chega com uns 34%. O Gallup costuma achar o Trump menos popular que a média das pesquisas, uns 4 pontos abaixo em 2025. Pela mesma diferença, os 38% de hoje equivalem a uns 34%. Só o Harry Truman, em 1946, foi a um meio de mandato mais impopular, com 27%, e perdeu 56 cadeiras.
Pela relação média da história, os 34% do Trump indicam umas 43 cadeiras perdidas na Câmara e 6 no Senado. Os republicanos elegeram 220 deputados em 2024 e perdem a maioria da Câmara se perderem 3. No Senado, têm 53 e perdem a maioria se perderem 4, porque num 50 a 50 o desempate é do vice, JD Vance.
Por essa relação média, a Câmara vira com folga e o Senado, por pouco.
Em 2025 e 2026, nove estados redesenharam os distritos, as áreas que elegem cada deputado, e sete desses mapas novos favorecem os republicanos. Com o mapa novo, os democratas precisam ganhar o voto nacional por uns 3,5 pontos para ficar com a maioria da Câmara. Nas pesquisas, estão 9 pontos a frente. Se as pesquisas errarem como nas eleições em que o Trump era candidato, em 2016, 2020 e 2024, quando exageraram os democratas em uns 5 pontos, a vantagem cai para uns 4, ainda acima do necessário.
Em 2018, no primeiro mandato do Trump, os republicanos perderam 41 cadeiras. Os economistas Emily Blanchard, Chad Bown e Davin Chor calcularam, num estudo de 2024, que 10 delas se deveram à guerra comercial, a briga de tarifas com a China e outros países.
China, Canadá, Europa e México retaliaram as tarifas americanas, e os republicanos perderam votos nos condados mais atingidos, muitos deles agrícolas. Os condados são divisões dos estados parecidas com os nossos municípios. Onde a tarifa protegeu a indústria local, não ganharam votos que se notem.
Se a lógica de 2018 valer, o teste fica nos estados agrícolas. Iowa, Kansas e Nebraska estão entre as disputas do Senado de amanhã.
Blanchard, Bown e Chor, Journal of International Economics, 2024
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3 · Trump e Brasil · O que muda depois da eleição
Uma Câmara democrata trava as leis do Trump, mas não as tarifas, e a do Brasil segue em 25%
Com a Câmara democrata, o Trump perde a maioria para aprovar leis. Morrem os planos de novos cortes de impostos e de exigir prova de cidadania para votar. Os democratas assumem em 3 de janeiro e passam a comandar as comissões que investigam o governo, da guerra com o Irã aos negócios da família do presidente. Depois de perder a Câmara em 2018, o Trump enfrentou a mais longa paralisação do governo até então, de 35 dias, e o primeiro impeachment.
Um impeachment exigiria dois terços do Senado para condenar. Se o Senado também virar, o Trump passa a depender da oposição para nomear juízes, inclusive da Suprema Corte, e diretores do Fed, o banco central americano.
Tarifas, sanções e vistos não passam pelo Congresso e continuam com o Trump. Para derrubar uma tarifa, o Congresso precisa aprovar uma lei e, se o Trump vetar, ter dois terços dos votos nas duas casas.
Para o Brasil, isso quer dizer que ficam os 25% que parte dos produtos paga desde julho, por uma investigação americana sobre o Pix e o etanol, entre outros pontos. As compras americanas de produtos brasileiros caíram 17% de janeiro a agosto, contra o mesmo período de 2025. Os EUA vendem ao Brasil mais do que compram, e o saldo a favor deles foi de US$ 14,4 bilhões no ano passado.
A pressão dos preços já mexeu na tarifa uma vez. Em novembro de 2025, com a comida cara e depois de derrotas republicanas em eleições estaduais, o Trump tirou a sobretaxa da carne e do café brasileiros. A tarifa de agora já poupa carne, café, suco de laranja e petróleo, e pega sobretudo máquinas, equipamentos elétricos, granito, pneus e roupas.
O etanol liga a briga com o Brasil a um dos estados que decidem o Senado. O Iowa, uma das sete disputas indefinidas, produz 28% do etanol americano, e o governo Trump acusa o Brasil de, desde 2017, não dar ao etanol dos EUA o mesmo tratamento que o brasileiro recebe lá.
A mesma investigação reclama de ordens sigilosas da Justiça brasileira contra redes sociais americanas, e em maio o governo Trump classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Nada disso depende do Congresso. O que uma Câmara democrata muda é a fiscalização, com audiências sobre o papel do Departamento de Estado, o ministério americano das Relações Exteriores, na eleição brasileira e na entrada do Flávio Bolsonaro nos EUA.
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📅 O que vem aí
TERÇA · 3/11 · 20h
Urnas fecham nos EUA
As primeiras às 20h de Brasília. Ohio e Carolina do Norte, os primeiros sinais do Senado, às 21h30. Alasca, às 3h de quarta.
QUARTA · 4/11
Copom
O Banco Central decide os juros básicos, hoje em 13,75% ao ano.
SEXTA · 6/11 · 10h30
Emprego nos EUA
Quantas vagas a economia americana criou em outubro. Em setembro foram 29 mil.
📚 Vale ler
Ahead of the midterms, most voters cite the economy and cost of living as top issues a pesquisa sobre os temas do voto, em inglês. AP NORC · PESQUISA · 15/10/2026 |
Seats in Congress gained/lost by the president's party in mid-term elections a tabela de 1946 a 2022 do gráfico, em inglês. AMERICAN PRESIDENCY PROJECT · DADOS · 13/07/2026 |
Did Trump's trade war impact the 2018 election? o estudo da caixa Teoria, em inglês. NBER · ESTUDO · 01/2024 |
USTR Section 301 Action on Brazil's Unreasonable Acts, Policies, and Practices o anúncio da tarifa de 25% pelo escritório de comércio da Casa Branca, em inglês. USTR · COMÉRCIO · 15/07/2026 |
Trump's new tariffs on Brazil reflect the weakness of US trade strategy a análise do centro de estudos Peterson Institute sobre o que a tarifa pega, em inglês. PIIE · COMÉRCIO · 17/07/2026 |


