Don’t Wait for the OpenAI IPO
OpenAI and Anthropic could be two of the biggest AI IPOs Wall Street has seen in years.
But investors don’t have to wait for those names to hit the public markets to get exposure to the AI boom.
MarketBeat’s 7 AI Stocks to Buy Now report reveals 7 publicly traded companies already positioned to benefit as the next wave of AI investment moves beyond the private model providers.
These are the stocks investors can buy today, before the IPO crowd rushes in.

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
TERÇA-FEIRA · 04 DE AGOSTO DE 2026
☕ Bom dia
A reunião do Copom começa hoje e amanhã à noite sai a decisão. A aposta é mais um corte nos juros, sem sinalizar sobre o próximo passo.
Um experimento com milhares de empresas achou o gatilho que faz dívida pública virar inflação: ninguém acreditar no banco central.
E o STF adiou de novo o Funrural, a novela tributária que já passa de quinze anos e trava uma conta bilionária entre o agro e a União. ☕

Juros · A decisão da semana
O Copom deve cortar os juros pra 14% amanhã e não dar pista do próximo passo
A aposta dominante dos economistas do Focus é de corte de 0,25 ponto na reunião do Copom que começa hoje e termina amanhã. Os juros básicos cairiam de 14,25% pra 14%. A decisão sai amanhã à noite e a expectativa é de um comunicado neutro, sem promessa sobre o passo seguinte. É o mesmo tom do silêncio que o Banco Central mantém desde junho, quando Galípolo avisou que não havia sinalização nenhuma sobre os próximos passos.
Os argumentos pro corte se acumularam na véspera. No Focus de ontem a inflação projetada pra 2026 caiu pela quinta semana seguida e chegou a 5,03%. A mediana pros juros no fim do ano cedeu de 14% pra 13,75%, a primeira mudança em semanas. E a prévia da inflação de julho veio em 0,06%, com o acumulado em 4,52%. São dois centésimos acima do limite de tolerância da meta. O gráfico acompanha a virada das apostas.

O petróleo entra na conta a partir de agora. As projeções do Focus foram colhidas até sexta e não pegaram a queda de ontem. A inflação boa que elas capturam vem de trás, de quando o petróleo ainda estava no vale. Em junho o conflito dos Estados Unidos com o Irã estava em banho-maria e o Brent rodava perto de US$ 72. Aí vieram os ataques no Estreito de Ormuz e o petróleo disparou 38% até estourar os US$ 100 no fim de julho. A distensão chegou no fim de semana. Trump suspendeu um ataque que estava marcado e retomou a negociação com Teerã. O petróleo caiu 6,4% ontem e fechou em US$ 84,3, ainda uns 16% acima do vale de junho. Durante o pregão chegou a cair 7,5%. Pro Copom importa a direção. Se a paz andar o alívio na inflação continua. Se a negociação descarrilar o petróleo dispara de novo e empurra a inflação dos próximos meses pra cima.
E o Copom deve evitar se comprometer com a reunião seguinte. A ata de junho registrou, por unanimidade, que as decisões acontecem em ambiente de expectativas desancoradas, com a projeção do próprio comitê pra 2027 piorando de 3,5% pra 3,7%. Nesse quadro, prometer trajetória de queda seria gastar uma credibilidade que o BC ainda tenta recomprar. Qualquer pista viraria preço na mesma hora.
E a régua do próprio regime ajuda. Desde junho, o horizonte que o BC mira passou a ser o primeiro trimestre de 2028. Com mais tempo no relógio, dá pra decidir agora e deixar o resto pra depois, reunião a reunião.
Se o roteiro se confirmar, os juros chegam amanhã a 14% sem nenhuma promessa pendurada neles. O silêncio também é mensagem: quem não pode errar de novo prefere não prometer. E a briga sobre onde isso termina segue aberta: pro fim de 2027, os economistas do Focus projetam 12% e o FMI vê 9,3%. Alguém vai errar feio, só que essa conta fica pra depois de amanhã.
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Economia · O gatilho da inflação
Desconfiança no banco central é o que faz a dívida pública virar expectativa de inflação, mostra estudo
Pesquisadores deram notícia ruim sobre a dívida de Itália, França e Espanha a milhares de empresários alemães. Quem desconfiava do banco central europeu passou a esperar quase 1,5 ponto a mais de inflação daqui a três anos a cada dose de pessimismo com a dívida. Entre quem confiava a reação foi pequena e passageira. Nem meio trilhão de euros de gasto novo anunciado pela própria Alemanha mudou isso. O experimento, publicado em junho pelo NBER, o maior birô de pesquisa econômica do mundo, foi desenhado pra isolar uma coisa só: a dívida dos outros não mexe no imposto que o alemão paga, então o que sobra na resposta é o que cada um acha que o banco central vai fazer.
Nem na Alemanha a fé é unânime: 44% das empresas declaram baixa confiança no banco central europeu. E a desconfiança anda junto com a crença de que o BCE vai amarelar diante de governos endividados: essa fatia sobe de 40% entre os que mais confiam pra 70% entre os que menos confiam. O detalhe importa porque a Alemanha é o país mais ortodoxo do euro. Se lá quase metade duvida, o resto do mundo não começa a conversa em situação melhor.
O mecanismo não é exclusividade da Europa: dívida não vira inflação sozinha, vira quando falta fé em quem segura os preços. Por aqui, o Copom decide amanhã naquilo que ele mesmo chama de ambiente de expectativas desancoradas, com os economistas do Focus projetando inflação acima da meta em todos os horizontes. A desconfiança vota primeiro.
🎓 O que a teoria diz: o que é dominância fiscal?
É o nome do regime em que a dívida manda na política monetária. Quando o endividamento é grande demais e o mercado teme calote, subir os juros pode sair pela culatra. Cada alta engorda a dívida. O medo cresce, o dólar sobe e a inflação vai junto. A ideia vem de Thomas Sargent e Neil Wallace. Em 1981 eles mostraram uma aritmética desagradável: se o governo não para de se endividar, o banco central só escolhe quando a inflação vem. Não escolhe se vem. Olivier Blanchard aplicou o mecanismo ao Brasil de 2002, num estudo que os economistas citam até hoje. As ressalvas de sempre: o experimento alemão mostra o mecanismo da confiança, não uma medição do Brasil, e dominância fiscal é diagnóstico forte, que ninguém crava sobre o Brasil de hoje.
E daí?
Enquanto a desconfiança durar, cada corte de juros custa mais caro em credibilidade, e credibilidade barata é justamente o que faria os juros caírem de verdade. O caminho mais curto pra quebrar o círculo passa pelo lado fiscal. Amanhã, repare menos no tamanho do corte e mais nas palavras do comunicado: é ali que o Copom mostra se acha que ainda está sendo acreditado.
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Impostos · A novela do Funrural
O STF adiou de novo o julgamento que trava R$ 17,2 bilhões entre o agro e a União
O STF ia concluir ontem, na primeira sessão do semestre, o julgamento do Funrural. Adiou de novo, a pedido do ministro Dias Toffoli, pra provavelmente a semana que vem. A ação tramita desde 2010 e já entrou em pauta pelo menos 15 vezes.
Funrural é a contribuição que o produtor rural pessoa física paga sobre a venda da produção, 1,63% desde abril. Quem desconta e recolhe é o comprador: o frigorífico, o laticínio, a cooperativa. Essa retenção na fonte é o que está em jogo.
A cobrança em si já tem maioria de 6 a 5 desde 2022. O nó é somar os votos sobre a retenção. Pela conta dos frigoríficos ela caiu por 6 a 5. Pela conta da Fazenda o placar seria 5 a 5, porque um dos votos veio de um ministro já aposentado e não tratou desse ponto específico. O Supremo votou. O problema é somar. Enquanto a soma não sai, uma liminar de Gilmar Mendes congelou os processos sobre o tema no país inteiro.
O dinheiro em jogo anda mal contado: a imprensa repete R$ 20,9 bilhões, mas esse número é a estimativa de 2023. No anexo de riscos fiscais mais recente do próprio governo, o risco estimado chega a R$ 17,2 bilhões, somando um ano de arrecadação perdida e a devolução dos últimos cinco. É um teto que pode não se materializar.
Se a retenção for mantida a União respira e nada muda pro produtor. Se cair, os frigoríficos poderiam derrubar autuações e pedir restituição, a depender de cada processo e de o STF modular os efeitos. O imposto continuaria devido, só que produtor por produtor. Na prática isso pode inviabilizar a cobrança. Existe ainda o meio-termo de derrubar a regra só dali pra frente.
No fim, a maior parte desses 1,63% está pendurada nessa soma, e ela vale pra quem vende como pessoa física. E imposto que ninguém sabe quem recolhe vira insegurança no contrato, e parte dessa conta costuma aparecer no preço.
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📅 O que vem aí
Hoje · 04/08
Indústria de junho (IBGE) e balanço do Itaú — o retrato da indústria ainda antes da nova tarifa americana, e o maior banco do país abre a temporada pesada de resultados depois do fechamento.
Qua · 05/08
Decisão de juros (o Copom) — o anúncio sai à noite, depois do fechamento do mercado. É a decisão desta edição inteira. No mesmo dia, termina o prazo das convenções partidárias e o Bradesco divulga resultado.
Qui · 06/08
Balança comercial de julho e balanço da Petrobras — o fechamento oficial do mês no comércio exterior, e a Petrobras divulga resultado um dia depois do Copom, no meio da pressão por reajuste.
Sex · 07/08
Emprego nos Estados Unidos (o payroll) — o dado que mais mexe com o dólar no mundo. Se vier fraco de novo, alivia a pressão por juros mais altos por lá.
Semana que vem
Funrural de volta ao plenário, provavelmente — foi a promessa feita na abertura da sessão de ontem. A data exata ainda não está na pauta do STF.
📊 Mercados · Fechamento de segunda (03/08)
Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de segunda (03/08), variação no dia · Elaboração: Daily Brew |
📚 Vale ler
Julgamento que discute cobrança do Funrural no STF é adiado O adiamento de ontem, com o placar reportado e a fala de Fachin sobre a volta do caso. Estadão Conteúdo / DGABC · Justiça · ago/2026 |
Anexo de riscos fiscais da LDO, atualização de setembro A fonte dos R$ 17,2 bilhões do bloco 3, direto do Tesouro. O número que a imprensa repete é a versão de 2023. Tesouro Nacional · PDF · set/2025 |
Lack of Trust and Fiscal Dominance O estudo do bloco 2: o experimento com empresas alemãs que achou o gatilho entre dívida e inflação. NBER · Working Paper · jun/2026 |
O relatório em que a mediana dos juros pro fim do ano caiu pela primeira vez em semanas, direto do Banco Central. Banco Central · Focus · ago/2026 |
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