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SEXTA-FEIRA · 04 DE SETEMBRO DE 2026

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☕ Bom dia

Na pesquisa que o Banco Central publicou ontem, a inadimplência das famílias virou o risco mais citado pelo sistema financeiro, e o dado de julho é o maior em 15 anos de série.

A Câmara e o Senado aprovaram no mesmo dia o fim da taxa das blusinhas, e a medida foi pra sanção antes de caducar na terça.

E o petróleo parou de subir depois de uma semana de 7% de alta, com os EUA e o Irã trocando ataques e Trump dizendo que a briga não vai durar. ☕

A edição de hoje tem 1.462 palavras, uma leitura de 6 minutos.

1 · Crédito · A inadimplência das famílias

Inadimplência bate recorde e vira o risco que mais cresce em pesquisa com os bancos

O Banco Central perguntou a 117 instituições financeiras quais são os maiores riscos ao sistema nos próximos três anos e publicou as respostas ontem. Somando os três riscos que cada uma cita, a inadimplência virou o mais citado e o que mais cresceu. O quadro fiscal segue como o mais importante para 34% delas, contra 27% em maio. O que tira o sono do sistema hoje é o cliente que não consegue pagar.

O número que está por trás dessa resposta saiu na sexta passada, no pacote de crédito do Banco Central: a fatia do crédito das famílias com parcela vencida há mais de 90 dias chegou a 5,81% em julho. É a maior inadimplência de toda a série do BC, que começa em 2011.

O recorde anterior era de maio deste ano, 5,62%, e a série renova a marca desde fevereiro. Antes disso, o pico era 5,51%, em 2012. E o número de hoje é o dobro do de julho de 2021, quando estava em 2,94%. Na recessão de 2016 a inadimplência parou em 4,37%, e na pandemia caiu a 4,13% porque o auxílio emergencial e a renegociação em massa tiraram a parcela adiada da conta. O indicador caiu, a dívida não sumiu.

O Banco Central mede dinheiro, quanto do saldo emprestado está vencido. A Serasa mede gente, e conta também luz, telefone e crediário:

  • 83,9 milhões de pessoas negativadas em julho, o maior número já registrado, no mapa de meados de agosto.
  • 348,3 milhões de dívidas em aberto, somando R$ 586,4 bilhões.
  • 9,2 milhões de empresas negativadas, também recorde, com R$ 238,6 bilhões atrasados, em levantamento de terça.

De cada R$ 100 que as famílias ganham, R$ 28,85 vão pra prestação e juros de banco, na média do país inteiro, gente com e sem dívida no mesmo bolo. É o maior pedaço da renda desde 2005.

Os juros básicos estão em 14% desde agosto, depois de quatro cortes a partir do pico de 15%. Contas públicas frouxas sustentam o prêmio de risco, o prêmio sustenta os juros, e é sobre esse piso de 14% que o banco monta o resto: o rotativo do cartão cobrava 436% ao ano em julho. O comitê de estabilidade do BC escreveu na ata de quarta que o endividamento segue historicamente alto e que prepara medidas, sem dizer quais nem quando.

Pela Serasa, o ritmo de entrada na lista de negativados desacelerou: a alta média caiu de 0,7% ao mês, entre maio e julho do ano passado, pra 0,2% neste ano, com 14 milhões de acordos fechados no período.

🎓 O que a teoria diz: por que os juros demoram a chegar na sua conta?

Porque os juros andam com atraso. O Banco Central nem arrisca um prazo, fala em defasagens longas, variáveis e incertas, e trabalha com um horizonte de cerca de 18 meses pro efeito principal chegar na inflação. Primeiro muda o preço do crédito novo, depois a decisão de comprar, e só no fim a capacidade de pagar o que já estava contratado. Por isso o pico do calote costuma vir depois do pico dos juros, e não junto.

O Copom se reúne nos dias 15 e 16, com esse número na mesa.

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2 · Congresso · A taxa das blusinhas

A Câmara e o Senado aprovaram no mesmo dia o fim da taxa de 20% nas compras de até US$ 50

A Câmara aprovou ontem à tarde, em votação simbólica, a medida provisória que autoriza a Fazenda a zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, algo como R$ 255. À noite o Senado aprovou o mesmo texto, sem mudanças, e a medida seguiu para a sanção do presidente.

O relógio explica a pressa: a medida provisória perderia a validade na terça, dia 8, e sem a votação nas duas casas a cobrança de 20% voltaria sozinha.

A mesma regra permite derrubar de 60% para até 30% a alíquota sobre compras de até US$ 3.000, cria mecanismos contra fraude nas plataformas e obriga a Fazenda a avaliar de tempos em tempos o efeito econômico da mudança.

Sua fatura de setembro não muda com isso. O governo já tinha zerado a cobrança por medida provisória em maio, e o que aconteceu ontem foi o Congresso referendar aquilo, à espera só da assinatura do presidente. Estava em jogo a volta do imposto, não o fim dele.

O ICMS do seu estado segue sendo cobrado do mesmo jeito na entrega. O que cai é a fatia federal.

O imposto sobre todas as encomendas internacionais rendeu R$ 5 bilhões em 2025 e R$ 2,88 bilhões em 2024, quando a taxa de 20% só valeu de agosto a dezembro. A fatia de até US$ 50 que deixa de ser cobrada custa R$ 1,94 bilhão neste ano, pela conta da Fazenda. O Congresso abre mão dessa receita na mesma semana em que recebe do governo um Orçamento de 2027 que promete uma sobra de R$ 18,6 bilhões.

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3 · Petróleo · Trump e o Irã

O petróleo parou de subir depois de uma semana de 7% de alta, com Trump dizendo que a briga com o Irã não vai durar

O Brent, o preço de referência do petróleo, ficou de lado ontem perto de US$ 95,50, depois de três altas seguidas e de 7% acumulados na semana. Pela manhã tinha passado de US$ 97, com o Kuwait sob ataque de novo.

O que segurou o preço foi o tom da Casa Branca. Trump disse na quarta que o ataque foi "muito pesado", que os Estados Unidos podem "fazer outro quando quisermos" e que não acha que a campanha vá durar muito. Ele diz que gosta da posição atual, com "controle quase total" do estreito de Ormuz. Ontem o vice J.D. Vance completou: "eu não chamaria isso de guerra".

A semana que levou o barril até aqui:

  • Domingo: os Estados Unidos atingiram dois lançadores de foguetes na ilha de Larak, em Ormuz, o primeiro ataque em um mês.
  • Terça: a onda maior, cerca de 100 alvos entre radares, defesas aéreas e lançadores de minas na costa sul do Irã. Um míssil atingiu um casamento em Kuhestak: 4 mortos e mais de 50 feridos, pelo Crescente Vermelho iraniano.
  • Noite de terça pra quarta: o Irã revidou com mísseis e drones contra bases americanas na Jordânia, no Kuwait, no Bahrein e no Iraque.
  • Quinta: o Irã voltou a mirar o Kuwait, que falou em "grave violação do direito internacional".

No estreito passaram seis navios na quarta, contra onze na terça e uma média de treze nos dez dias anteriores. O secretário de Energia dos EUA fala em 17 milhões de barris num dia recorde na segunda. Quem rastreia os navios por satélite contou só cinco petroleiros cruzando o estreito naquele dia. A conta oficial e a dos satélites não fecham.

Na bomba, a Petrobras não mexe na gasolina desde o fim de maio, e pela conta dos importadores o litro está R$ 0,90 abaixo do preço internacional. Com o barril perto de US$ 95, a pressão por reajuste volta, junto com a inflação que o Copom vai olhar no dia 16. A ação da estatal subiu 9% na semana, cedeu 1,3% ontem e acumula mais de 50% no ano.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa185.188 pts-0,01%
Dólar (Ptax)R$ 5,0962-0,61%
S&P 5007.748 pts+1,06%
Nasdaq26.584 pts+1,40%
Petróleo (Brent)US$ 95,52-0,12%
OuroUS$ 4.520,30+2,39%

Fechamento de quinta 03/09. A bolsa ficou de lado e a sequência parou em onze altas seguidas, depois de tocar 188,9 mil pontos pela manhã. Nova York subiu com a aposta de que o Fed segura os juros. O petróleo parou de subir depois de três altas seguidas. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Petróleo: contrato de novembro. Ouro: contrato de dezembro na Comex, variação no mesmo contrato. Fontes: B3, Banco Central, Comex.

📅 O que vem aí

Hoje · 9h30

Payroll: o emprego americano de agosto

Quantas vagas os Estados Unidos criaram no mês. É o número que o Fed olha antes de decidir os juros, e lá a discussão é sobre subir.

Hoje · 15h

Balança comercial de agosto

O mês fechado das exportações, o primeiro retrato completo com o tarifaço americano e a freada chinesa dentro.

Segunda · 07/09

Feriado da Independência

A bolsa não abre e os bancos não funcionam.

Terça · 08/09

Prazo da medida provisória das blusinhas

O dia em que a medida provisória perderia a validade. Com a aprovação das duas casas, falta só a assinatura do presidente.

Dias 15 e 16

Copom e Fed decidem os juros

Nos mesmos dois dias. Aqui a aposta é de corte, nos Estados Unidos a discussão é de alta.

📚 Vale ler

A série da inadimplência das famílias, na fonte

O dado do gráfico de hoje, mês a mês desde 2011, aberto pra qualquer um baixar.

Banco Central · Dados abertos · Série 21084

O que os bancos responderam ao Banco Central

A pesquisa de estabilidade divulgada ontem, com o fiscal em 34% e a inadimplência subindo pra 26%.

Jornal do Comércio · Economia · 03/09/2026

A votação da taxa das blusinhas na Câmara

O que foi aprovado, o que muda nas alíquotas e por que o prazo de terça manda no assunto.

Forbes · Congresso · 03/09/2026

O petróleo nas máximas de cinco semanas

A cronologia dos ataques desta semana e o barril passando de US$ 97 na manhã de quinta.

ADVFN · Petróleo · 03/09/2026

A conta de Ormuz que não fecha

O secretário de Energia fala em 17 milhões de barris num dia. Os rastreadores de navios contam 9 milhões, em inglês.

Fortune · Energia · 03/09/2026