
QUARTA-FEIRA · 07 DE OUTUBRO DE 2026
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☕ Bom dia
O Caiado declarou apoio ao Flávio e cobrou equilíbrio nas contas públicas.
O Senado começou a discutir o fim da escala 6x1, e a primeira votação deve ficar para a semana que vem.
As bets saíram do ar, e o dinheiro que ficou nelas volta pelos bancos a partir de sexta.
O FMI mostrou que, depois de uma alta forte de comida e energia, a inflação esperada leva anos para voltar ao normal. ☕

1 · Eleição · O Caiado e o Centrão com o Flávio
O Caiado declarou apoio ao Flávio e cobrou equilíbrio nas contas públicas
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, declarou ontem apoio ao Flávio Bolsonaro no segundo turno, num ato em Goiânia com o Tarcísio de Freitas. Quinto colocado no primeiro turno, com 2,6 milhões de votos, ele cobrou que o Flávio, se eleito, tenha o equilíbrio das contas públicas como prioridade.
Ao lado do candidato, atacou o presidente: "Lula vai tomar uma taca no próximo dia 25 de outubro".
No mesmo dia, o União Brasil e o PP também fecharam com o Flávio. A federação dos dois partidos aprovou o apoio por aclamação, numa reunião em Brasília. O PSD, partido do Caiado, segue neutro e deixou cada diretório escolher.
O mercado aposta na mesma coisa que o Caiado cobrou. No dia seguinte à urna, os juros de longo prazo caíram mais de 1 ponto com a expectativa de um ajuste das contas a partir de 2027.
A dívida bruta do governo subiu para 82,9% do PIB em agosto, segundo o Banco Central. Economistas calculam em pelo menos R$ 250 bilhões o ajuste para estabilizá-la em quatro anos.
A campanha do Flávio promete cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, mas ainda não disse quais despesas cairiam.
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2 · Trabalho · O fim da escala 6x1 no Senado
O Senado começou a discutir a jornada de 40 horas, que muda o contrato de 37 milhões de pessoas
O Senado começou ontem a discutir a proposta que acaba com a escala 6x1. O texto baixa a jornada máxima de 44 para 40 horas por semana, garante duas folgas e proíbe cortar salário. A Câmara aprovou em maio, por 461 votos a 19 no segundo turno.
O Ministério do Trabalho conta 37,1 milhões de trabalhadores com carteira contratados para mais de 40 horas por semana, 74% do total. A conta é de contrato: nem todos estão na escala 6x1.

Se o Senado aprovar o texto sem mudanças, a regra entra em etapas:
- Dois meses depois da promulgação, a jornada cai para 42 horas e as duas folgas passam a valer.
- Em 14 meses, chega a 40 horas, com no máximo 8 horas por dia.
- Ficam de fora os servidores estatutários e quem tem diploma e ganha mais de R$ 21,2 mil. Pequenas empresas e MEIs terão uma transição específica, definida em lei.
A primeira votação deve ficar para a semana que vem. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, seguiu o rito normal, que exige cinco sessões de discussão antes do primeiro turno e mais três antes do segundo. São necessários 49 dos 81 votos em cada turno. Aprovada sem mudanças, a emenda é promulgada pelo Congresso, sem passar pelo presidente.
O governo quer a votação antes do segundo turno da eleição, e a oposição quer esperar. "Eu quero ver a turma do Flávio Bolsonaro votar contra", disse o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. O Flávio disse que o Lula age de forma oportunista e defendeu "dar liberdade para o trabalhador escolher sua própria carga horária", sem dizer como votaria.
A CNI, que representa a indústria, calcula de R$ 178 bilhões a R$ 267 bilhões a mais por ano para as empresas, até 7% da folha de pagamento. O Ipea, instituto de pesquisa do governo, estima alta de 7,8% no custo do trabalho com carteira e de cerca de 1% no custo total das empresas da indústria e do comércio.
🎓 O que a teoria diz
O Brasil já cortou a jornada uma vez. A Constituição de 1988 baixou o máximo de 48 para 44 horas por semana, e os economistas Gustavo Gonzaga, Naercio Menezes-Filho e José Márcio Camargo mediram o que aconteceu nos 12 meses seguintes.
As horas trabalhadas caíram de fato, e o salário por hora de quem teve a jornada reduzida subiu em relação ao dos demais. A chance de esses trabalhadores ficarem desempregados em 1989 foi a mesma de outros anos.
Se a lógica valer agora, o efeito imediato do corte para 40 horas tende a aparecer mais no custo por hora das empresas do que no número de vagas.
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3 · Bolso · O fim das bets
As bets saíram do ar com R$ 1,3 bilhão dos apostadores, que volta pelos bancos a partir de sexta
Os sites e aplicativos de apostas saíram do ar ontem à 0h, pela medida provisória que proibiu as bets no país em 25 de setembro. Os apostadores ainda tinham R$ 1,325 bilhão nas plataformas, divididos entre 26,5 milhões de pessoas, segundo a Fazenda.
O dinheiro que sobrou está concentrado: 1% das contas reúne 80% do saldo. Do outro lado, 92% das contas têm menos de R$ 10. Desde a proibição, os apostadores sacaram cerca de R$ 780 milhões, 37% do que havia nas plataformas.
A devolução é automática, e quem não sacou não precisa pedir nada. As apostas que estavam abertas foram anuladas, com o valor devolvido inteiro.
| Quando | O que acontece |
| Até amanhã (7/10) | As bets informam ao governo e aos bancos o saldo de cada apostador |
| De 9 a 14/10 | Os bancos devolvem o dinheiro, de preferência na conta usada para depositar |
| A partir de 14/10 | Quem não recebeu deve procurar a Caixa |
Fonte: Ministério da Fazenda
O governo diz que a lei de 2023, que liberou as bets com licença, não protegeu as famílias. "Isso é como um câncer", disse o Lula ao assinar a medida.
Em 2024, os brasileiros mandaram de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões por mês em Pix para as bets, antes dos prêmios pagos de volta, segundo o Banco Central. Em agosto daquele ano, 5 milhões de pessoas de famílias do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões.
A proibição também custa: o governo estima perder mais de R$ 5 bilhões por ano em impostos a partir de 2027. A maioria dos clubes da Série A tinha uma bet como patrocinador principal. Desde a proibição, o governo derrubou mais de 11 mil sites de apostas ilegais.
O setor pediu ao STF que suspenda a medida, e a AGU defendeu que ela seja mantida. O relator, ministro Luiz Fux, ainda não decidiu. Para virar lei, a medida provisória precisa ser aprovada pelo Congresso.
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4 · Mundo · O FMI e as crises de custo de vida
Segurar preço custa até 22 vezes mais do que ajudar só quem precisa, calcula o FMI
Pesquisadores do FMI publicaram ontem um estudo mostrando que as crises de custo de vida deixam marcas por anos. São os períodos em que comida, energia e transporte sobem bem mais que o resto dos preços e que os salários. Eles olharam 85 países, de 2005 a 2025.
Três anos depois do começo de uma crise dessas, os preços básicos e a inflação esperada ainda não voltaram ao normal. Em média, nesses episódios:
- Os itens básicos continuam cerca de 7% mais caros que o resto, e o salário real fica 3% abaixo do caminho de antes.
- A inflação que os economistas esperam para o ano seguinte sobe 5,3 pontos nos países emergentes e segue acima do nível de antes três anos depois.
- Os mais pobres sentem mais: de 2021 a 2024, a inflação acumulada dos 20% mais pobres superou a dos 20% mais ricos em 3,2 pontos no país emergente típico.
Os autores avisam que medem o que acontece em média nessas crises, sem provar causa. Refazendo a conta da pobreza com a inflação dos mais pobres, eles acharam quase 23 milhões de pessoas a mais na extrema pobreza em 2024, em 62 países emergentes e de baixa renda.
Para proteger os mais pobres, segurar preço com corte de imposto ou subsídio custa de 3 a 22 vezes mais do que dar dinheiro a quem precisa, pelas contas do Fundo.
Na Europa, de cada euro gasto para conter o preço de luz, gás e gasolina entre 2021 e 2023, menos de 20 centavos ficaram com os 20% de menor renda. Mesmo assim, em 2026, segurar preço virou a maioria das medidas anunciadas pelos governos, mais do que em 2022 e 2023.
No Brasil, a inflação esperada para 2026 no Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, subiu pela terceira semana seguida e chegou a 5,01%. Em 12 meses até agosto, o diesel subiu 12,9%, três vezes a inflação oficial, de 4,2%.
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📈 Mercados
| Ativo | Fechamento | No dia |
| Ibovespa | 205.835 pts | -0,52% |
| Dólar | R$ 4,97 | -0,55% |
| S&P 500 | 7.819 pts | +0,58% |
| Nasdaq | 27.600 pts | +0,45% |
| Petróleo (Brent) | US$ 100,58 | +0,26% |
| Ouro | US$ 4.187 | +0,73% |
Fechamento de terça, 6 de outubro. Dólar à vista no fechamento. Petróleo: contrato Brent de dezembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, ICE e Comex.
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📅 O que vem aí
HOJE · 15h
Ata do Fed: os juros nos EUA
Sai o registro da reunião de setembro, quando o Fed, o banco central americano, subiu os juros pela primeira vez desde 2023.
QUINTA · 08/10
Datafolha do segundo turno
A primeira pesquisa do instituto depois da urna.
SEXTA · 09/10 · 9h
IPCA: a inflação oficial de setembro
O IBGE mostra como andaram os preços no mês. Em agosto eles caíram 0,32%.
📚 Vale ler
o que ele cobrou do Flávio e quem estava no palanque. O TEMPO · ELEIÇÃO · 06/10/2026 |
A primeira votação da 6x1 fica para a semana que vem o que o presidente do Senado disse e como fica o calendário da PEC. AGÊNCIA SENADO · TRABALHO · 06/10/2026 |
Quem trabalha mais de 40 horas o levantamento do Ministério do Trabalho com as jornadas dos 50 milhões de contratos com carteira. CNN BRASIL · TRABALHO · 24/06/2026 |
Como o dinheiro das bets volta o calendário oficial da devolução e o que fazer se não receber. MINISTÉRIO DA FAZENDA · APOSTAS · 05/10/2026 |
quanto os apostadores deixaram nas plataformas e quantas contas têm menos de R$ 10. TERRA · APOSTAS · 06/10/2026 |
O estudo do FMI sobre crises de custo de vida o texto dos autores, em inglês, sobre por que ajudar só quem precisa sai mais barato que segurar preço. FMI · INFLAÇÃO · 06/10/2026 |


