In partnership with

Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUARTA-FEIRA · 08 DE JULHO DE 2026

☕ Bom dia

Tarifaço. Flávio Bolsonaro depôs na audiência nos EUA, que terminou sem os próprios técnicos acharem base para taxar o Brasil; a palavra final de Trump fica para 15 de julho.
Atacado. Os preços no atacado recuaram 0,79% em junho, bem mais que o esperado, mas a inflação que chega ao consumidor segue teimosa.
Comércio exterior. O Brasil caminha para o segundo maior superávit da história, com o governo projetando US$ 90 bilhões em 2026.

Tarifaço · Contagem regressiva

EUA · USTR · Seção 301 · Flávio Bolsonaro · Azevêdo · CNI · Pix · Trump

A audiência do tarifaço terminou sem achar base técnica pra taxar o Brasil

Terminou na terça, em Washington, o segundo e último dia da audiência pública que vai ajudar a decidir se os Estados Unidos taxam o Brasil. Quem conduz é o USTR (o escritório de comércio dos EUA), com base na Seção 301, o trecho da lei de comércio americana de 1974 que permite retaliar países acusados de práticas desleais. Em jogo, uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. Ao longo dos dois dias, cerca de 81 inscritos tiveram cinco minutos cada para defender sua parte.

Já na segunda, os próprios analistas americanos tinham admitido não encontrar base técnica para a tarifa: nenhuma conta sustenta a acusação de que o Brasil joga sujo no comércio. A terça trouxe o capítulo mais aguardado, o depoimento do senador Flávio Bolsonaro.

Flávio cruzou o hemisfério com um documento de 86 páginas pedindo duas coisas: que os EUA suspendam a sobretaxa e que o Pix fique fora da disputa. O pedido sobre o Pix é o mais estratégico. É justamente nele que os americanos têm a queixa comercial mais concreta, já que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central tirou espaço das bandeiras de cartão dos EUA. Tirar o Pix da mesa isola o ponto mais espinhoso e deixa o resto da tarifa, que os próprios técnicos já disseram não ter base, ainda mais difícil de justificar.

Pela indústria, o recado técnico mais duro veio de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (a Organização Mundial do Comércio) e hoje à frente da CNI (a confederação nacional da indústria). Ele argumentou que a tarifa não resolve nenhuma das queixas americanas e ainda encareceria a produção dos dois lados, com parte da conta sobrando para o próprio consumidor dos EUA. A CNI calcula em US$ 14,9 bilhões o tamanho do estrago nas exportações brasileiras se a medida vingar. Do outro lado, nem todo mundo é contra: representantes americanos do etanol e da pecuária subiram ao púlpito para defender a sobretaxa.

O saldo final é um paradoxo: foram dois dias de argumentos econômicos para uma decisão que não é econômica. Com os técnicos dizendo que não há base para taxar, a palavra fica com a política, ou seja, com o humor de Donald Trump.

E o relógio corre. Encerrada a fase pública, as entidades ainda têm cerca de cinco dias para enviar documentos complementares ao USTR, que então fecha a recomendação e a entrega à Casa Branca. A decisão de Trump sobre aplicar ou não a tarifa é esperada até 15 de julho, uma semana depois desta edição.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

💬 Frase do dia

"Seria o pior momento possível para agir."

— Flávio Bolsonaro, senador (PL-RJ) · na audiência do USTR sobre o tarifaço · Washington, 07/07/2026

A frase resume a estratégia do dia. O senador não foi a Washington só preocupado com a economia: seu argumento central foi que uma tarifa de 25% a cerca de 90 dias da eleição acabaria jogando a favor de Lula, ao entregar ao governo um vilão externo para culpar. É a cena rara de um líder da oposição pedindo aos Estados Unidos que poupem a economia do governo que ele quer derrotar nas urnas.

Inflação · Desconto no atacado

IGP-DI · FGV · IPA · Commodities · IPCA · Serviços · Selic

No atacado, os preços caíram bem mais do que o esperado em junho

O IGP-DI, um dos índices de inflação calculados pela FGV (Fundação Getulio Vargas), caiu 0,79% em junho, um recuo maior do que os 0,60% que o mercado esperava. Diferente do IPCA (a inflação oficial, medida na ponta do consumidor), o IGP olha sobretudo para o atacado: os preços na porta da fábrica e do produtor, antes de o produto chegar à prateleira.

Foi ali que veio a queda. O IPA, o pedaço que mede os preços ao produtor e responde por 60% do índice, recuou 1,36%, puxado por commodities mais baratas, como petróleo e grãos. No acumulado de 12 meses, o IGP-DI ainda sobe 3,59%, mas em desaceleração. E aqui aparece o contraste que interessa: enquanto o atacado desinflaciona, o IPCA segue teimoso, rodando perto de 4,72% em 12 meses.

Por que isso importa para o seu bolso? Porque o IGP tem um primo famoso, o IGP-M, o índice que reajusta a maioria dos contratos de aluguel. Os dois caminham juntos, e ambos estão em baixa: quem tem aluguel atrelado ao IGP-M e renova o contrato em julho pega um reajuste de 3,16% em 12 meses, bem abaixo da inflação sentida no supermercado. Para o inquilino, é alívio na renovação.

Para os juros, porém, não espere efeito imediato. O Banco Central mira o IPCA, não o atacado, e a parte do IPCA que não cede é a de serviços. Por isso a queda das commodities pode demorar a virar corte de Selic (a taxa básica de juros do país), hoje em 14,25%. O barril mais barato ajuda, mas não é o que tira o sono de quem decide os juros.

🎓 O que a teoria diz

Repasse de preços (pass-through). O preço no atacado é um indicador antecedente: quando cai na origem, tende a aliviar a prateleira meses depois, no que os economistas chamam de repasse. Só que o repasse é incompleto e lento, porque boa parte do IPCA é serviço (escola, plano de saúde, restaurante, salário), que quase não usa commodity e carrega inflação inercial. Por isso o barril mais barato aparece rápido no atacado e chega devagar, e diluído, ao consumidor.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Comércio exterior · Recorde na contramão

MDIC · Exportações · Petróleo · China · Superávit · Dólar

O Brasil caminha para o segundo maior superávit comercial da história

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) elevou a projeção de superávit comercial de 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões na sexta-feira passada. Superávit é a diferença entre o que o país exporta e o que importa. Se o número se confirmar, será o segundo maior da história, atrás apenas de 2023, e uma alta de 32,3% sobre o saldo de 2025.

A conta de junho explica o otimismo. O saldo do mês foi de US$ 9,8 bilhões, com exportações recordes de US$ 36,3 bilhões, quase 25% acima de junho do ano passado. No primeiro semestre, o superávit somou US$ 42,4 bilhões, contra US$ 30,2 bilhões um ano antes. Só um asterisco: apesar de recorde, junho veio um pouco abaixo do que o mercado esperava, algo perto de US$ 10,6 bilhões.

A pergunta óbvia é como o Brasil vende tanto justamente enquanto os EUA ameaçam taxá-lo. A resposta tem três partes. Primeiro, a tarifa americana ainda não saiu do papel: a decisão só vem em 15 de julho, então nada disso apareceu nos números. Segundo, o freguês que sustenta a balança não são os EUA, e sim a China, destino de quase 30% das exportações, com apetite por petróleo, soja e minério. Terceiro, o grande motor de junho foi o preço: o petróleo exportado saiu 67,6% mais caro do que um ano antes, o que inflou o valor das vendas mesmo com o volume crescendo pouco.

Vai durar? Aí mora a dúvida. Justamente porque o recorde se apoiou tanto no petróleo caro, ele fica refém do barril. E o barril virou: depois de bater US$ 100 no auge da tensão no Oriente Médio, o petróleo recuou para a casa dos US$ 72. Se o preço não voltar a subir, o empurrão que inflou as exportações no primeiro semestre tende a perder força no segundo. Some a isso a tarifa americana, que pode entrar em vigor no meio do mês, e o quadro do segundo semestre fica bem menos garantido do que a projeção de US$ 90 bilhões sugere.

Ainda assim, um superávit gordo é um colchão em tempo de ameaça comercial. Mais dólares entrando ajudam a segurar a cotação da moeda e a reforçar as reservas do país, o que dá fôlego para atravessar turbulências como o tarifaço. O detalhe é que boa parte do resultado vem de preço e volume de commodities, não de a indústria brasileira ter virado uma potência exportadora. É um superávit que depende do apetite da China e do clima da safra, mais do que do esforço de casa.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Que nota você dá pra edição de hoje?

Login or Subscribe to participate

📊 Mercados · Fechamento de terça, 07/07

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 172.021 pts ↓ −0,25%
Dólar (BRL) R$ 5,16 ↓ −0,20%
Petróleo Brent US$ 72,89 ↑ +1,26%
Ouro US$ 4.116,60 ↓ −0,93%
S&P 500 7.503,85 ↓ −0,45%
Dow Jones 52.925,15 ↓ −0,25%
Nasdaq 25.818,69 ↓ −1,16%
Bitcoin US$ 63.588 ↓ −0,64%

Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 07/07 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Quarta · 08/07

Ata do Fed. os bastidores da última reunião do banco central dos EUA, que mexem com o dólar aqui.

Sexta · 10/07

IPCA de junho. a inflação oficial do mês, com alívio esperado por alimentos.

200+ Claude Prompts Top Professionals Actually Use at Work

Claude can be your analyst, editor, and strategist.
But most professionals are using it to fix grammar.

These 200+ Claude prompts take it from grammar tool to your most powerful AI work assistant.

Sign up for Superhuman AI and get:

  • 200+ ready-to-use Claude prompts to get real work done in minutes — researched, tested, and used by professionals at Google, Microsoft, and NASA

  • Superhuman AI newsletter (4 min daily) so you keep learning new AI tools and skills to stay ahead in your career — the prompts are just the beginning

📚 Vale ler

Audiência nos EUA não decide a tarifa; entenda como funciona

Um guia de como funciona a investigação da Seção 301, por que a audiência não decide nada sozinha e o que ainda falta até a palavra final de Trump.

Correio Braziliense

IGP-DI cai 0,79% em junho e recua mais que o esperado, mostra FGV

O detalhamento da FGV sobre a deflação no atacado, puxada pelos preços ao produtor, e o que ela sinaliza (ou não) para a inflação que chega ao consumidor.

InfoMoney

Projeção de superávit comercial é elevada para US$ 90 bilhões

Os números por trás do recorde: o desempenho do primeiro semestre, o peso do petróleo e da soja e por que o governo revisou a conta para cima.

Agência Brasil

EIA amplia a projeção de queda do petróleo Brent para 2026

Enquanto o Brasil exporta petróleo em ritmo recorde, a agência de energia dos EUA projeta um barril mais barato à frente, com mais oferta global. É o risco por trás do superávit.

ADVFN

☕ Daily Brew · Indique e ganhe

Indique a Daily Brew

Enquanto o mercado decide quanto rende o seu dinheiro, a gente já decidiu quanto rende a sua indicação: cada amigo que você traz vira recompensa, e a caneca exclusiva é o primeiro juro que você compõe aqui.

Patrocine a Daily BrewDAILY
BREW

A newsletter que milhares de pessoas leem antes da primeira reunião.

Economia e mercados explicados em 5 minutos, todos os dias, direto na caixa de entrada. Sua marca na frente de um público que decide, investe e influencia.

7h

no ar todos os dias

5 min

de leitura

100%

público engajado

✉  [email protected]

Keep Reading