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QUINTA-FEIRA · 08 DE OUTUBRO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

O Flávio prometeu comprar e congelar as dívidas de quem está no vermelho. É a mesma ideia do Desenrola do Lula.

Ele também quer cortar o imposto sobre os salários, e a campanha dele fala em desmontar uma peça da reforma tributária.

O Fed sinalizou mais uma alta dos juros nos EUA.

1 · Bolso · As dívidas das famílias

Lula e Flávio prometem aliviar suas dívidas

O Flávio Bolsonaro prometeu ontem que, se for eleito, o governo vai comprar as dívidas de quem está inadimplente e refinanciá-las pela Caixa, com mais prazo e juros menores. As parcelas ficariam congeladas por seis meses para as pessoas e por um ano para as empresas.

"Sua dívida vai ficar congelada, não vai ser reajustada e você não vai pagar nenhuma parcela", disse ele.

É a mesma ideia do Desenrola 3.0, que o governo Lula lançou em 25 de setembro. Nele, a União compra em leilão carteiras de dívidas atrasadas, e o desconto, de pelo menos 90%, vai inteiro para o devedor. Pelo cronograma do governo, o desconto só chega em fevereiro de 2027, já no próximo mandato.

FlávioLula
Quem compra a dívidaUm fundo do governo, e a Caixa refinanciaA União, em leilão entre os credores
DescontoAté 90%De pelo menos 90%
Quem entraPessoas e empresas, sem regra divulgadaDívidas de até R$ 10 mil, atrasadas de 2 a 4,5 anos
PagamentoSeis meses sem parcela para pessoas e um ano para empresasÀ vista ou parcelado, com regras do Conselho Monetário Nacional
De onde vem o dinheiroUm fundo que ele diz chegar a cerca de R$ 3 trilhões, com petróleo, imóveis da União e venda de créditosAté R$ 15 bilhões da União

Fonte: campanha do Flávio (O Tempo e Folha) e governo federal (Agência Brasil)

O público é grande. Em agosto, 83,98 milhões de brasileiros tinham alguma conta atrasada, segundo a Serasa. O número quase parou de subir no mês, e a Serasa liga isso às renegociações, que cresceram 36% entre maio e agosto em relação ao mesmo período de 2025.

A crítica dos economistas vale para os dois: renegociar não ataca o que leva as famílias a se endividar. E traz o chamado risco moral. A cada rodada de desconto, quem paga em dia aprende que atrasar pode compensar. O primeiro Desenrola é de 2023, e o programa já está na versão 3.0.

Uma das raízes do problema são os juros, e eles seguem altos em parte por causa da conta do próprio governo. Os juros básicos estão em 13,75% ao ano. A dívida bruta do governo chegou a 82,9% do PIB em agosto, segundo o Banco Central, e um programa pago pela União entra nessa conta.

O Flávio diz que o fundo dele também abateria parte da dívida do governo, mas a campanha não detalhou de onde sairiam os cerca de R$ 3 trilhões.

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2 · Impostos · O imposto sobre os salários

Flávio promete cortar imposto da folha

O Flávio Bolsonaro disse que, se for eleito, vai reduzir o imposto que as empresas pagam sobre os salários e diminuir a carga de impostos do país. Não disse quanto, a partir de quando nem como o governo cobriria a perda de arrecadação.

Pela regra geral, as empresas fora do Simples pagam ao INSS 20% sobre o salário de cada funcionário com carteira. Esse dinheiro ajuda a pagar as aposentadorias.

Ontem, ele também falou da reforma tributária aprovada no governo Lula: "Óbvio que sou a favor da modernização do sistema tributário. Mas o ponto central que a gente precisa discutir é o valor do IVA". O IVA são os dois novos impostos sobre o consumo da reforma, um federal e outro de estados e municípios. O plano de governo dele diz que a soma pode chegar a cerca de 30%, acima da média de 19% dos países da OCDE.

A campanha quer acabar com a parte da reforma que cobra o imposto na hora do pagamento. Perguntada numa entrevista se um governo Flávio acabaria com o chamado split payment, a coordenadora econômica, Daniella Marques, respondeu: "Claro que sim". Para ela, o mecanismo "asfixia o capital de giro do pequeno".

Funciona assim: quando o cliente paga por Pix, cartão ou boleto, o sistema separa na hora a parte do imposto, que vai direto para o governo. Pela regra da Receita, só será obrigatório a partir de 2028, e apenas nas vendas entre empresas. O plano de governo registrado no TSE não fala em acabar com ele.

A Receita defende o mecanismo contra a sonegação. "A evasão tende a diminuir muito porque o dinheiro já cai diretamente ali", disse no ano passado o secretário Robinson Barreirinhas.

Cortar imposto sem dizer de onde sai o dinheiro deixa outra conta aberta. A campanha já promete cortar gastos equivalentes a 1,5% do PIB, cerca de R$ 190 bilhões, também sem dizer quais. Do lado do Lula, o programa do PT defende cobrar mais imposto dos mais ricos.

🎓 O que a teoria diz

Quando um país corta o imposto sobre a folha, quem costuma ganhar é o salário, não o emprego. O economista Jonathan Gruber, do MIT, estudou o Chile, que reduziu esse imposto de cerca de 30% para 5% nos anos 1980, ao privatizar a Previdência. As fábricas repassaram o corte para os salários e não contrataram mais.

O Brasil fez um teste parecido em 2011, quando trocou o imposto sobre a folha de alguns setores por uma cobrança sobre o faturamento. Um estudo do Ipea de 2018 comparou os setores beneficiados com os demais, de 2009 a 2015, e não achou efeito no emprego. Um dos autores é o economista Adolfo Sachsida, que hoje está na campanha do Flávio.

Se a lógica valer agora, o corte prometido tende a aparecer mais no salário de quem já está empregado do que em vagas novas.

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3 · Mundo · Os juros nos EUA

A maioria do Fed vê mais uma alta dos juros nos EUA até dezembro

O Fed, o banco central americano, divulgou ontem a ata da reunião de setembro, quando subiu os juros pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. A maioria dos dirigentes avaliou que mais uma alta deve ser adequada até o fim do ano. A próxima reunião é nos dias 27 e 28 de outubro.

O motivo é a inflação, que está acima da meta de 2% há mais de cinco anos. Na reunião, a equipe do banco estimava a inflação que o Fed acompanha em 3,8% em 12 meses até agosto. A equipe atribuiu a alta às tarifas de importação, à energia mais cara com as tensões geopolíticas e aos eletrônicos, puxados pela corrida da inteligência artificial.

O Trump elogiou o presidente do Fed, Kevin Warsh, que ele mesmo indicou, mas disse que os outros dirigentes "gostariam de ver o país ir mal". Para ele, os juros deveriam cair.

O aperto se espalha. A Índia subiu os juros pela primeira vez desde 2023, e os estrangeiros tiraram US$ 26,3 bilhões de ações e títulos de países emergentes em setembro, segundo o IIF, associação que reúne instituições financeiras do mundo todo.

O Brasil vai na direção contrária. O Banco Central cortou os juros básicos pela quinta vez seguida em setembro, para 13,75% ao ano, e 70% dos bancos esperam mais cortes ainda neste ano, segundo a Febraban. Na segunda, depois do primeiro turno, os estrangeiros puseram R$ 10,06 bilhões na bolsa daqui, o maior valor num só dia, segundo a B3. O gatilho foi o resultado da eleição.

Cada alta do Fed diminui a folga para cortar os juros aqui sem pressionar o dólar.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa204.302 pts-0,74%
DólarR$ 5,01+0,72%
S&P 5007.802 pts-0,22%
Nasdaq27.539 pts-0,22%
Petróleo (Brent)US$ 100,20-0,38%
OuroUS$ 4.141-1,11%

Fechamento de quarta, 7 de outubro. Dólar à vista no fechamento. Petróleo: contrato Brent de dezembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, ICE e Comex.

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📅 O que vem aí

HOJE · 14h

A 6x1 no Senado

Mais uma sessão de discussão da PEC que acaba com a escala 6x1. São cinco antes da primeira votação, e o governo quer votar antes do segundo turno.

HOJE

Datafolha do segundo turno

A primeira pesquisa do instituto depois da urna, com 2.520 entrevistas feitas de 6 a 8 de outubro. Na sexta saem AtlasIntel, Vox e Ipespe.

SEXTA · 09/10 · 9h

IPCA: a inflação oficial de setembro

O IBGE mostra como andaram os preços no mês. Em agosto eles caíram 0,32%.

SEXTA · 09/10

O dinheiro das bets

Os bancos começam a devolver o que ficou nas plataformas. O prazo vai até 14 de outubro.

📚 Vale ler

O Flávio e a compra das dívidas

o que ele prometeu ontem e como a proposta se parece com o Desenrola.

FOLHA · DÍVIDAS · 07/10/2026

Como funciona o Desenrola 3.0

quem entra, o desconto e o calendário dos leilões.

AGÊNCIA BRASIL · DÍVIDAS · 25/09/2026

A crítica às renegociações

por que economistas veem risco nos programas dos dois candidatos.

VALOR · DÍVIDAS · 07/10/2026

O split payment e a reforma

o que a campanha do Flávio quer mudar e o que diz a Receita.

G1 · IMPOSTOS · 07/10/2026

A ata do Fed

o texto oficial da reunião de setembro, em inglês.

FEDERAL RESERVE · JUROS · 07/10/2026

O recorde dos estrangeiros na bolsa

de onde veio o dinheiro e por que um dia não faz tendência.

G1 · MERCADO · 07/10/2026