Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
QUINTA-FEIRA · 09 DE JULHO DE 2026
☕ Bom dia
Dólar. O BTG subiu a aposta para R$ 5,40 e provou que dá para o real cair até com o Brasil cortando juros. A "culpa" mora nos EUA.
Petróleo. Bastou o Trump dizer que a trégua com o Irã acabou para o barril pular quase 6%. Cessar-fogo com prazo de validade de iogurte.
FMI. O Fundo, que costuma ser o cauteloso da mesa, agora aposta mais no Brasil (2,4%) do que os próprios brasileiros.

Câmbio · A conta do BTG
BTG · Dólar · Selic · IPCA · PIB · Dívida · Fed
O BTG elevou a previsão do dólar para R$ 5,40, mesmo apostando em corte de juros
O BTG Pactual, maior banco de investimentos da América Latina, atualizou nesta quarta suas projeções para a economia brasileira, e a mudança que mais salta aos olhos é o dólar. O banco elevou a previsão para o fim de 2026 de R$ 4,90 para R$ 5,40, um salto de 50 centavos de uma vez. E o motivo não está aqui dentro: é a expectativa de um Fed (o banco central dos EUA) mais duro, que pode até voltar a subir juros e, com isso, fortalecer o dólar no mundo inteiro.
O curioso é que o banco fez essa conta ao mesmo tempo em que passou a apostar em mais cortes de juros por aqui. O BTG agora vê a Selic (a taxa básica de juros do país) terminando o ano em 13,75%, com dois cortes no segundo semestre, contra os 14,25% de hoje. Parece contraditório, mas não é: quando a força vem de fora, o real pode se enfraquecer mesmo com o Brasil derrubando o próprio juro. É a diferença entre o que o país controla e o que o mundo impõe.
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📊 O que o BTG projeta
Projeções BTG Pactual, relatório de 08/07. PIB e dívida em 2026 e 2027. Elaboração: Daily Brew. |
O resto do relatório completa o retrato. A inflação (IPCA, o índice oficial de preços) fica em 5,3% neste ano, o PIB (o tamanho total da economia) cresce 2,0% em 2026 mas desacelera para 1,1% em 2027, e a dívida bruta sobe para 81,6% do PIB neste ano e 85,8% no próximo. Não por acaso, o próprio banco liga a piora da dívida ao câmbio mais fraco e a um cenário fiscal mais apertado: dólar caro encarece a parte da dívida ligada à moeda e realimenta o próprio pessimismo.
E daí?
Para quem consome: dólar projetado mais alto encarece viagem, eletrônico e tudo que depende de importado.
Para quem investe: se a Selic cai devagar, a renda fixa segue pagando bem por mais tempo.
O número a vigiar é a dívida em 81,6% do PIB: é ela que sustenta o prêmio de risco que puxa dólar e juros para cima.
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Geopolítica · Trégua rasgada
Irã · EUA · Trump · Petróleo Brent · Ormuz · Petrobras · Ibovespa
Trump declara o fim do cessar-fogo com o Irã e o petróleo dispara
A trégua durou pouco. Na quarta, o presidente americano Donald Trump anunciou que o memorando que segurava o cessar-fogo com o Irã "acabou". A declaração veio um dia depois de uma nova ofensiva militar dos EUA contra alvos iranianos e da revogação da licença que autorizava a venda de petróleo do Irã no mercado internacional. Tradução: mais sanção e menos óleo circulando.
O mercado reagiu na hora. O Petróleo Brent, referência global de preço, disparou quase 6% e voltou para perto dos US$ 79 o barril. As bolsas caíram na Europa e na Ásia, e por aqui o Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) andou em queda no pregão, com o dólar rondando os R$ 5,15. Quando o barril sobe por medo de que falte oferta, o resto do mercado corre para se proteger.
Para o Brasil, o efeito imediato é o que preocupa: petróleo mais caro pressiona combustível e reacende o risco de inflação, ainda que a Petrobras não repasse a alta todo dia. O ponto que realmente assusta é o Estreito de Ormuz, o corredor por onde passa cerca de um quinto do petróleo do mundo: se a escalada chegar lá, o susto deixa de ser manchete e vira conta no posto.
E aqui entra o efeito cascata, que atinge todo mundo e não só quem investe. Petróleo caro vira gasolina e diesel caros, que entram direto no IPCA (a inflação oficial do país). O diesel ainda sobe o frete, que empurra o preço dos alimentos e de quase tudo que anda de caminhão. Se essa conta engrena, ela bate na porta do Banco Central, que segura a Selic (a taxa básica de juros) em 14,25% e ensaiava começar a cortar. Um choque de petróleo que dure é justamente o tipo de coisa que adia esse corte: a inflação volta ao radar antes de o juro poder ceder. É por isso que uma guerra do outro lado do mundo termina na sua prestação e na sua próxima compra de supermercado.
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💬 Frase do dia
"O memorando de entendimento com o Irã chegou ao fim."
— Donald Trump, presidente dos EUA · sobre o cessar-fogo no Oriente Médio · 08/07/2026
Bastou a frase para o petróleo saltar quase 6% em um único dia. O cessar-fogo que deveria acalmar o Oriente Médio durou pouco mais que a tinta da assinatura, e o mercado, que já tinha guardado o susto na gaveta, teve que tirar de novo. Para o Brasil, a conta chega dividida: é bom para quem exporta petróleo, e ruim para quem abastece no posto.

Brasil · O Fundo aposta mais
FMI · PIB · Petróleo · Focus · Exportações · Termos de troca · Câmbio
O FMI vê o Brasil crescendo mais do que o próprio mercado brasileiro
Enquanto o petróleo assustava lá fora, saiu uma boa notícia para o Brasil. O FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou na quarta a projeção de crescimento da economia brasileira para 2,4% em 2026, meio ponto a mais do que estimava antes, e para 2,2% em 2027. É mais otimista que o próprio mercado local, que no consenso enxerga algo perto de 2,0% para este ano. O FMI, vale dizer, costuma ser mais conservador que os brasileiros com o Brasil, então a inversão chama atenção.
O detalhe curioso está no motivo. Parte do ajuste, segundo o Fundo, vem justamente da guerra no Oriente Médio. Como o Brasil hoje exporta mais petróleo do que importa, um barril mais caro joga renda a favor do país. É o paradoxo do dia: o mesmo choque que apavora as bolsas melhora a conta externa brasileira.
Antes de comemorar, dois asteriscos. Primeiro, o próprio FMI diz que o ritmo desacelera em 2027, ou seja, o empurrão é de curto prazo. Segundo, petróleo caro é bênção para quem exporta e maldição para quem abastece: ajuda o PIB (o Produto Interno Bruto, o tamanho total da economia) pela via das exportações, mas cutuca a inflação pela via da bomba. O ganho aparece na planilha do país; a dor aparece no bolso de quem dirige.
🎓 O que a teoria diz
Termos de troca. É a relação entre o preço do que um país vende lá fora e o preço do que ele compra. Quando sobe o preço de um produto que o Brasil exporta em peso, como petróleo, minério e grãos, o país recebe mais dólares pela mesma carga: os termos de troca melhoram e entra renda na economia. Foi essa alavanca que turbinou o Brasil no boom das commodities dos anos 2000. O risco é a dependência: quando o ciclo vira, a mesma alavanca puxa para baixo.
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📊 Mercados · Fechamento de quarta, 08/07
| Ativo | Fechamento | Dia |
|---|---|---|
| Ibovespa | 170.653 pts | ↓ −0,79% |
| Dólar (BRL) | R$ 5,15 | ↑ +0,12% |
| Petróleo Brent | US$ 79,25 | ↑ +6,86% |
| Ouro | US$ 4.086,60 | ↓ −1,42% |
| S&P 500 | 7.482,71 | ↓ −0,28% |
| Dow Jones | 52.348,39 | ↓ −1,09% |
| Nasdaq | 25.870,65 | ↑ +0,20% |
| Bitcoin | US$ 61.957 | ↓ −2,12% |
Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 08/07 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew
📅 O que vem aí
Sexta · 10/07
IPCA de junho. a inflação oficial do mês, e o primeiro termômetro de como o susto do petróleo pode aparecer nos preços.
Quarta · 15/07
Tarifa dos EUA. prazo para a decisão de Trump sobre taxar ou não os produtos brasileiros, depois da audiência da semana passada.
Follow the $50 Billion Buy-In
Wall Street just bet billions on a small collection of stocks.
And after a volatile first half of 2026, it looks like they’re about to shift even more.
MarketBeat’s updated 10 Best Stocks to Own in 2026 report reveals the 10 names attracting fresh capital right now.
📚 Vale ler
BTG muda a visão para a Selic e passa a projetar mais dois cortes em 2026
O relatório completo do banco: por que elevou o dólar para R$ 5,40 e, ao mesmo tempo, passou a apostar em juros menores por aqui.
Money Times
Ações globais caem e petróleo sobe após Trump declarar fim do cessar-fogo com o Irã
O raio-x da reação dos mercados ao anúncio: o salto do Brent, a queda das bolsas na Europa e na Ásia e o que os investidores temem a seguir.
Bloomberg Línea
FMI eleva projeção para o PIB do Brasil em 2026 e 2027, mas ainda prevê desaceleração
Os números do World Economic Outlook e por que o Fundo ficou mais otimista que o mercado local, com o petróleo pesando a favor do Brasil.
InfoMoney
Um ano após o tarifaço, a fatia dos EUA nas exportações do Brasil foi substituída pela China
Um ano depois da tarifa de 50%, os dados da Amcham mostram o Brasil trocando de freguês: EUA na menor fatia desde 1997 e a China no maior patamar em anos.
O Tempo
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