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Edição especial · quinta · 9 de setembro de 2026

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☕ Edição especial

O EWZ, o ETF de ações brasileiras em Nova York, subiu 7% em cinco pregões, e as opções de compra sobre ele estão no maior nível desde 2007.

Nas mesmas duas semanas saíram nove pesquisas de segundo turno. Quatro deram o Lula à frente, três deram o Flávio Bolsonaro e duas deram empate exato. Oito das nove ficaram dentro da margem de erro.

O mercado lê esse empate com otimismo. Disputa apertada quer dizer chance real de troca de governo, e é isso que os contratos de dezembro compraram. ☕

Edição especial, com dados próprios. São 1.379 palavras, uma leitura de 6 minutos.

1 · Mercado · Quem já está pagando para ver

As apostas na alta da bolsa brasileira estão no maior nível desde 2007

O EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, subiu 7,2% em cinco pregões, entre 31 de agosto e 8 de setembro.

No fim da semana passada havia 5,2 milhões de opções de compra em aberto sobre ele, a maior quantidade desde 2007, segundo dados da Bloomberg. A maior parte expira em novembro e dezembro, logo depois do segundo turno.

O Ibovespa fechou a 187 mil pontos, 5,6% acima do fim de agosto, e no dia 8 o Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras, de neutra para compra.

Isso não começou nesta semana. Juntamos o fechamento ajustado do EWZ com a distância entre o Lula e o Flávio na média corrigida das pesquisas. Em 12 de maio, com a disputa empatada, o EWZ estava em 37,9. Em 21 de julho, com o Lula 3,7 pontos à frente, em 35,6. Na terça, com o empate de volta, em 38,6.

A maior parte do movimento está na opção, que custa uma fração do preço à vista. Uma das operações montadas na semana passada aposta que o EWZ, hoje entre 38 e 39 dólares, termine dezembro entre 44 e 50.

O que está sendo comprado, em contrato de dezembro, é uma leitura de pesquisa. A principal aposta atrás dela é o fiscal. Disputa apertada abre chance de troca de governo, troca de governo aumenta a chance de gasto público menor, e gasto menor abre espaço para juros mais baixos, que é o que levanta bolsa.

2 · Eleições · A série inteira, não o último número

Nove pesquisas de segundo turno em duas semanas, e oito dentro da margem de erro

Entre 27 de agosto e 7 de setembro, nove pesquisas mediram um segundo turno entre o Lula e o Flávio Bolsonaro. Quatro deram o Lula à frente, três deram o Flávio e duas deram empate exato. Só uma passou da margem de erro. A mais recente é a Nexus/BTG, que foi a campo de 4 a 7 de setembro. Ela deu o Flávio com 46% e o Lula com 45%, dentro da margem de 2 pontos.

Desde janeiro são 63 medições desse mesmo confronto. O gráfico junta todas pela data em que estiveram em campo, e a série para em 31 de agosto. Em dezoito delas o Flávio apareceu à frente e em outras cinco deu empate exato.

  • A tendência terminou agosto com os dois colados e o Flávio 0,2 ponto à frente: 44,4% contra 44,2%.
  • Do fim de fevereiro ao fim de abril a distância já tinha ficado praticamente zerada, e o ponto mais favorável ao Flávio foi 0,3 ponto.
  • Depois disso o Lula abriu até 3,7 pontos em julho, e em agosto voltou a fechar.

Agosto teve vinte e uma pesquisas, de treze institutos, e elas não concordam. A CNT/MDA deu o Lula 8,9 pontos à frente. O Instituto Veritá deu o Flávio 5,3 à frente. São catorze pontos entre as duas pontas, no mesmo mês e sobre a mesma pergunta. A média do mês fica em 1,2 ponto para o Lula.

A linha é uma regressão local: para cada dia ela ajusta uma reta às pesquisas em volta, com mais peso nas mais próximas no calendário. Os pontos e a linha vêm com o instituto descontado. Com o mês cheio o desconto quase some: ele move a ponta em cinco centésimos de ponto. Ele pesa quando o mês tem poucas medições, porque aí a linha carrega a casa que mediu.

A direção também mudou. Em 21 de julho o Lula estava 3,7 pontos à frente na tendência. No fim de agosto, o Flávio 0,2.

O que mantém o assunto de pé é o STF. Em 1º de setembro senadores foram à tribuna pedir a saída do ministro Alexandre de Moraes, e no 7 de setembro os atos da oposição em várias capitais pediram o mesmo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, contou 109 pedidos de impeachment de ministros do Supremo em tramitação no Congresso. É a pauta que leva a oposição às ruas, e enquanto ela durar a melhora do Flávio tem de onde se sustentar.

Contra os outros três adversários testados a distância é outra. No fim de agosto a tendência dava o Lula 10,3 pontos à frente do Romeu Zema, 6,5 do Renan Santos e 3,5 do Ronaldo Caiado. O Caiado é o mais perto, e chegou a passar: a Real Time Big Data, de 27 a 31 de agosto, deu a ele 45% contra 43% do Lula.

3 · Eleições · O gabarito de 2022 e o que mudou

No primeiro turno de 2022 a pesquisa errou 6 pontos. No segundo, o erro é menor

O último gabarito que existe é o de 2022. Onze das casas que medem 2026 já foram conferidas contra uma urna presidencial, e são elas que dão para comparar: Datafolha, Ipespe, Quaest, AtlasIntel, MDA, Paraná Pesquisas, PoderData, Ideia, Futura Inteligência, Gerp e Veritá. São 19 medições ao todo, e o gráfico traz as nove do primeiro turno.

As nove subestimaram o Bolsonaro, e nenhuma por menos de dois pontos. No Lula elas quase acertaram: cinco das nove ficaram a menos de um ponto da urna, e o erro médio nele foi de 0,2. No Bolsonaro o erro médio foi de 4,7, sempre para baixo.

É daí que vem o erro na diferença entre os dois. Nas cinco publicadas na véspera, a distância média que elas deram foi 6,1 pontos maior do que a da urna. As duas maiores empatam em 8,8: Datafolha e Ipespe publicaram no sábado que o Lula estava 14 pontos à frente, e no domingo a diferença foi de 5,2.

No segundo turno são seis pesquisas de véspera, o erro médio cai para 0,8 ponto e duas delas erram para o outro lado. O erro típico, ignorando a direção, vai de 6,1 no primeiro turno para 2,4 no segundo.

Parte da diferença é mecânica. Em 2022 a urna do primeiro turno tinha onze nomes, cada casa escolhia quantos deles ler para o entrevistado e decidia o que fazer com quem não achava o seu candidato na lista, e essa decisão variava de instituto para instituto. No segundo turno só existem dois nomes, e a conta fica igual para todo mundo.

O erro também não é de mão única. O maior de 2022 a favor da direita foi da Gerp, que três dias antes do segundo turno deu o Bolsonaro ganhando por quatro pontos. Entre as seis de véspera, as duas que erraram para esse lado foram o Veritá, que deu o Bolsonaro na frente, e a Paraná Pesquisas, que deu ao Lula um ponto a menos do que a urna.

As hipóteses mais citadas para esse erro são o voto envergonhado, o eleitor que não declara a preferência ao entrevistador, a abstenção, que as pesquisas não estimam bem, e o peso de cada faixa da população, calculado sobre um censo que estava velho. O mercado trata isso como probabilidade.

E não é só a urna de 2022 que o dinheiro está lendo. Na Quaest que foi a campo de 3 a 6 de setembro, a desaprovação do governo Lula subiu de 48% para 50% e a aprovação caiu de 45% para 43%. Fora do Brasil, a região virou duas vezes em nove meses. O Chile elegeu José Antonio Kast em dezembro, com 58% dos votos no segundo turno, e a Colômbia elegeu Abelardo de la Espriella em junho, por menos de um ponto. Os dois pela direita, os dois com economia e segurança no centro da campanha.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa187.367 pts+1,20%
Dólar (Ptax)R$ 5,0856−0,77%
S&P 5007.674 pts−0,58%
Nasdaq26.421 pts−0,32%
Petróleo (Brent)US$ 97,92+1,70%
OuroUS$ 4.393,90−0,81%

Fechamento de terça, 8 de setembro. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Petróleo: contrato de novembro. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, ICE e Comex.

📅 O que vem aí

Hoje · 9h

Serviços de julho

O IBGE mede o setor que responde por cerca de setenta por cento da economia. É o dado de julho, com dois meses de atraso, que é o ritmo dessa pesquisa.

Hoje · 9h15

Decisão de juros do Banco Central Europeu

A reunião de dois dias termina hoje, em Berlim, e o mercado dá como quase certa uma alta de 0,25 ponto, que levaria o juro de depósito de 2,25% para 2,50%. Um banco central decide os juros de 21 países de uma vez. Às 9h45 a Christine Lagarde fala à imprensa.

Amanhã · 9h

Inflação de agosto no Brasil

O IBGE fecha o mês. É o último número cheio antes de o Copom se reunir na semana que vem.

Amanhã · 9h30

Inflação de agosto nos Estados Unidos

Meia hora depois da nossa. É o que o Fed leva para a mesa na terça.

Dias 15 e 16

Copom e Fed decidem os juros

Nos mesmos dois dias, e as duas decisões saem na quarta. Do lado de lá, o mercado está dividido entre manter e subir 0,25.

📚 Vale ler

A bolsa e a pesquisa, no mesmo parágrafo

O fechamento de terça, com o Ibovespa em 187 mil pontos, e a leitura de mesa de que a eleição apertada é o que puxou a alta.

InfoMoney · Mercados · 08/09/2026

A pesquisa que fecha a série

A Nexus/BTG de 4 a 7 de setembro, a mais recente do segundo turno, com margem de erro de dois pontos.

Poder360 · Eleições · 08/09/2026

A maior amostra de agosto

A AtlasIntel ouviu 5.014 eleitores entre 25 e 30 de agosto e deu a maior distância do mês, 4,5 pontos.

Poder360 · Eleições · 31/08/2026

Cento e nove pedidos

A conta é do presidente do Senado: são 109 pedidos de impeachment em tramitação contra os dez ministros do Supremo.

Senado Notícias · Congresso · 01/09/2026

O 7 de setembro nas ruas

Os atos da oposição em várias capitais, com o pedido de impeachment do Moraes como palavra de ordem.

Gazeta do Povo · Política · 07/09/2026