In partnership with

The AI Work Handbook That Cuts Your Workday in Half

The 8-hour workday is becoming a 4-hour workday for people who know how to use AI.

Everyone else is still catching up.

This AI work playbook shows you exactly how to cut your work hours in half using AI.

Sign up for Superhuman AI and get:

  • 50+ step-by-step AI tutorials to cut your workload in half — covering every part of your workday, from emails to strategy, used by 1M+ professionals at Google, Microsoft, and NASA

  • Superhuman AI newsletter (4 min daily) so you keep discovering new AI tools and skills to stay ahead in your career — the playbook is just the start

Daily Brew

SEGUNDA-FEIRA · 10 DE AGOSTO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

A Fazenda levou ao mercado a ideia de apertar a regra que limita o gasto público. As contas do próprio governo mostram por que ela já não segura.

O imposto das blusinhas tem data pra voltar, e só o Congresso pode impedir.

A dívida das famílias seguiu no recorde e apareceu no balanço de uma das maiores varejistas do país.

E o emprego americano voltou a encolher, o que afasta a alta de juros por lá. A bolsa de Nova York agradeceu, a nossa não. ☕

Fiscal · O teto que já não segura

O governo estuda apertar o teto de gastos para 1,5% e as maiores despesas já crescem até 11%

Nas últimas semanas, em reuniões com o mercado financeiro, integrantes da Fazenda e do Tesouro passaram a citar uma ideia. Reduzir de 2,5% para algo entre 1,5% e 2% o quanto a despesa do governo pode crescer por ano acima da inflação. Não é projeto apresentado nem medida em votação. É conversa de bastidor sobre o que um próximo governo faria, e nem dentro da equipe econômica existe acordo.

Antes de discutir se aperta, vale entender o que esse número é. A regra fiscal de 2023 manda o gasto crescer no máximo 70% do que a receita cresceu no ano anterior, e coloca duas cercas nesse resultado. Piso de 0,6% e teto de 2,5% acima da inflação. Ou seja, 2,5% não é a regra, é o limite superior dela. E é nesse limite que o gasto vem encostando.

Os números do Tesouro e do Ministério do Planejamento mostram o tamanho do problema. As quatro maiores despesas obrigatórias da União crescem mais rápido que o limite agregado de 2,5% do arcabouço, como mostra o gráfico.

O piso da saúde é 15% da receita corrente líquida e o da educação é 18% da receita de impostos. Quando a receita bate recorde, esses gastos sobem sozinhos, sem ninguém decidir nada. Já o BPC e as aposentadorias seguem o salário mínimo.

Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper e um dos economistas que mais estudam o orçamento brasileiro, vê vários problemas na ideia. A despesa já cresce acima do limite por causa das exceções criadas pelo caminho, gastos que saíram da conta, como precatórios e parte da Defesa, então apertar um teto cheio de porta lateral aperta pouco. E se apertarem mesmo assim, a reação mais provável é abrir exceção nova. O histórico da regra é esse: quando o limite incomoda, o Congresso tira um gasto de dentro dele.

Mendes aponta um efeito concreto a favor. O reajuste do salário mínimo está amarrado a esse mesmo teto desde 2025, e baixar o parâmetro desacelera na hora aposentadoria, pensão e BPC, as contas que mais crescem. O alcance para aí. “Não necessariamente essa redução de obrigatórias vai virar superávit maior, ela poderá ser transformada em aumento das despesas discricionárias (como custeio e investimentos). Além disso, as obrigatórias continuarão subindo forte se não houver reformas que controlem o crescimento no número de beneficiários”, diz.

O mercado gostou da conversa, mas pela metade. A discussão que corre por lá é que o desenho atual não para de pé nem com 2,5%, porque toda vez que a despesa obrigatória sobe ela come o espaço do resto. Um teto menor traria ajuste mais rápido e menos dependente de arrecadação recorde, só que a regra ficaria bem mais difícil de cumprir. E tem a cobrança pelo básico: nos últimos quatro anos a despesa cresceu perto de 5% ao ano, bem acima do que o arcabouço permite hoje, com parte do gasto entrando por crédito extraordinário, fora do Orçamento. Regra nova não adianta se a atual não é cumprida.

Dentro do governo tem quem discorde do caminho. No Planejamento a posição é que não dá para discutir aperto fiscal só por parâmetro, e que a conversa precisa incluir controle de fluxo de despesa, gatilhos e a revisão dos pisos de saúde e educação, que são exatamente as duas linhas que mais correram no gráfico.

🎓 O que a teoria diz: por que orçamento amarrado não obedece a teto?

Economista chama isso de rigidez orçamentária. Quando a lei vincula um gasto a um percentual da receita ou a um índice, aquele valor deixa de ser escolha e vira cálculo. O teto continua valendo no papel, mas só consegue apertar a parte que ainda é decisão de alguém, e no Brasil essa parte é pequena. A literatura clássica aponta na mesma direção: regra numérica sozinha não segura déficit, porque pode ser contornada, e o que disciplina o gasto é o processo orçamentário inteiro (Alesina e Perotti, NBER, 1996).

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Famílias · A dívida no balanço

82% das famílias têm dívida e a Renner cortou quase pela metade a projeção de crescimento das vendas

A pesquisa da confederação do comércio mostrou na quinta que 82% das famílias brasileiras carregavam alguma dívida em julho. É o sexto mês seguido renovando o recorde da série, e um ano atrás eram 78,5%. Quase um terço da renda que entra na casa já sai comprometida com prestação: 29,5%.

O retrato piora conforme desce a renda. Entre quem ganha até três salários mínimos, 84,9% devem e 38,5% estão com conta atrasada. Acima de dez salários, 72% devem e só 15,1% atrasaram. O cartão de crédito aparece em mais de 85% das famílias endividadas. A notícia menos ruim: a inadimplência geral cedeu de leve, pra 29,8%.

Na mesma quinta, à noite, a Renner contou o que essa dívida faz com quem vende roupa. A maior varejista de moda do país cortou a projeção de crescimento da receita de 2026 de uma faixa de 9% a 13% pra 4% a 8%. Na sexta a ação caiu 8%, a maior queda do pregão, depois de chegar a perder mais de 15% durante o dia.

A lista de motivos da empresa é um resumo da economia da família brasileira: endividamento alto, juros caindo devagar, menos gente circulando nas lojas durante a Copa e a concorrência das plataformas internacionais depois que a taxa das compras de fora caiu. A conta é direta. Quem compromete quase um terço da renda com prestação adia o que dá pra adiar. Roupa nova dá pra adiar.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Congresso · O relógio da MP

A taxa de 20% das blusinhas volta em 8 de setembro se o Congresso não votar

Em maio o governo zerou por medida provisória o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares. Medida provisória tem prazo. Essa vence em 8 de setembro, e se Câmara e Senado não votarem até lá a taxa volta sozinha, sem precisar de canetada nenhuma.

O calendário é apertado. A comissão que precisa analisar a MP nem foi instalada, e o Congresso só tem duas semanas de votação até o prazo: a que começa hoje e a última de agosto. O governo corre nos bastidores pra evitar a derrota, segundo o Metrópoles.

Enquanto isso o efeito do imposto zerado apareceu inteiro na alfândega. Em junho entraram 28,36 milhões de encomendas internacionais no país. É mais que o dobro de um ano antes e 72% acima de abril, o último mês com a cobrança. A conta não zerou de verdade pra quem compra: o ICMS estadual segue em cima, entre 17% e 20% conforme o estado.

O cabo de guerra tem dois lados com número na mão. O imposto sobre compras internacionais rendeu R$ 5 bilhões em 2025, R$ 2,1 bilhões a mais que em 2024, e é dessa arrecadação que o governo abre mão. Do outro lado, o varejo nacional reclama da concorrência. Na sexta a Renner citou as plataformas internacionais como um dos motivos pra vender menos, história do bloco anterior. Se a MP passar, a compra de até 50 dólares feita por pessoa física em site do Remessa Conforme segue só com o ICMS estadual. Se caducar, os 20% federais voltam nessa faixa.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Internacional · O emprego que murchou

Os EUA fecharam 23 mil vagas em julho e a bolsa de lá terminou no recorde

O relatório de emprego americano de sexta veio ruim de três jeitos. O país fechou 23 mil vagas em julho quando se esperava abrir 80 mil, o primeiro resultado negativo desde fevereiro. Os números de maio e junho foram revisados pra baixo em 103 mil vagas que já tinham sido contadas. E o setor privado criou só 30 mil postos, com o governo cortando 53 mil, quase tudo em escolas municipais.

A taxa de desemprego até caiu, de 4,2% pra 4,1%, mas pelo motivo errado. Menos gente está procurando trabalho: a fatia da população na força de trabalho recuou ao menor nível desde o começo de 2021, e quem sai da procura some da conta do desemprego. O salário médio subiu 3,2% em doze meses, o ritmo mais fraco em cinco anos.

O mercado leu o enfraquecimento como alívio. O banco central americano vinha sinalizando juros mais altos, e nas apostas dos investidores a chance de alta na reunião de setembro caiu de 55% pra perto de 44% depois do dado. Os juros dos títulos americanos cederam, o dólar enfraqueceu no mundo e o S&P 500 fechou no recorde, com alta de 3,6% na semana, a melhor desde abril. O ouro subiu à máxima de sete semanas.

Duas ressalvas pra não comprar a história simples. A alta de juros não saiu da mesa: pros meses seguintes ela segue majoritária nas apostas. E boa parte do alívio da semana veio do petróleo, que caiu 7% com a expectativa de avanço na negociação pra reabrir o Estreito de Ormuz, o que também alivia a preocupação com a inflação por lá. Pro Brasil, o vento a favor não bastou: o Ibovespa caiu 1,7% na sexta e 3,1% na semana, a pior desde maio, com o mercado digerindo o tom cauteloso do nosso Banco Central sobre os próximos cortes.

📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp

Que nota você dá pra edição de hoje?

Login or Subscribe to participate

📅 O que vem aí

Ter · 11/08

Ata do Copom, às 8h, e IPCA de julho, às 9h — primeiro o comitê explica por que cortou os juros básicos pra 14%. Uma hora depois sai a inflação oficial de julho, o dado que pesa na decisão de setembro, nos dias 15 e 16.

Qua · 12/08

Inflação americana de julho, às 9h30 — depois do emprego fraco, é o número que decide se a alta de juros de setembro sai mesmo da mesa por lá. Mexe com o dólar no mundo inteiro.

📈 Mercados — Fechamento da semana (sexta, 07/08)

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa172.513 pts▼ 3,1%
Dólar (Ptax)R$ 5,0908▲ 0,3%
Petróleo (Brent)US$ 83,55▼ 7,3%
OuroUS$ 4.340,70▲ 7,2%
S&P 5007.758 pts▲ 3,6%
Dow Jones54.037 pts▲ 3,0%
Nasdaq26.691 pts▲ 5,2%
BitcoinUS$ 64.880▲ 3,3%

Fonte: B3, Banco Central (Ptax de sexta contra Ptax da sexta anterior), COMEX (ajuste do ouro) e Yahoo Finance. Variação da semana: fechamento de 07/08 contra 31/08.

📚 Vale ler

O emprego americano que encolheu, em detalhe

Os números do relatório de julho e a reação dos mercados, minuto a minuto.

InfoMoney · Economia · 07/08

A pesquisa que mede a dívida das famílias

Os dados completos da CNC: quem deve, quanto da renda está comprometida e onde a conta atrasa.

Agência Brasil · Economia · 06/08

A corrida de bastidor pela MP das blusinhas

Por que o governo teme a derrota e o que acontece se o prazo de 8 de setembro vencer.

Metrópoles · Política · 07/08

O balanço da Renner e o corte na projeção

O que a empresa disse sobre consumo, juros e concorrência internacional.

InfoMoney · Mercados · 07/08

O estudo que mostra o score de crédito fabricando calote

Dois economistas brasileiros mostram que a nota baixa piora o crédito e por isso mesmo vira profecia autorrealizada.

NBER · Paper · jul/2026

🍺 Daily Brew · Indique e ganhe

Indique a Daily Brew

Entender juros, tarifa e imposto em 5 minutos já ajuda, e passar isso pra frente rende na hora. Cada amigo que você traz vira recompensa, e a caneca exclusiva é o primeiro degrau.

Indique a Newsletter