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Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

SEXTA-FEIRA · 11 DE SETEMBRO DE 2026

☕ Bom dia

Serviços. O setor que mais emprega no país ficou parado em julho e está praticamente no mesmo lugar desde outubro.
Juros. O banco central europeu subiu a taxa pela segunda vez no ano para segurar a inflação da guerra do petróleo, dias antes de Copom e Fed decidirem.
iPhone. A Apple lançou seu primeiro celular dobrável, que vai custar até R$ 30.999 no Brasil: 19 meses de salário mínimo. ☕

Brasil · Marcha lenta

IBGE · PMS · Serviços · Atividade · Selic · Copom

O maior setor da economia brasileira não cresce desde outubro

O setor de serviços vai do frete que entrega sua compra ao corte de cabelo, e é o que mais emprega no Brasil: quase sete em cada dez trabalhadores ocupados estão nele, segundo o IBGE (o instituto que mede o PIB, a inflação e o desemprego). Em julho, o setor ficou no zero a zero: não cresceu nem encolheu em relação a junho, mostrou a Pesquisa Mensal de Serviços, divulgada ontem. Analistas esperavam uma leve alta de 0,2%. Os destaques do resultado:

O raio-x de julho

0,0% no mês. Estabilidade, contra expectativa de +0,2% dos analistas.

Perdendo fôlego. O crescimento acumulado em 12 meses desacelerou de 2,6% para 2,4%.

↓ Informação e comunicação: −2,5%. A única grande queda do mês, e a que anulou o resto.

↑ Turismo: +2,7%. O destaque positivo, puxado pelas férias de julho.

Variações de volume, com ajuste sazonal onde aplicável. Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Serviços de julho de 2026.

Um mês parado não seria notícia. O problema é a série: o setor atingiu o pico em outubro de 2025 e, desde então, oscila em volta do mesmo nível, hoje 0,2% abaixo daquele topo. "O setor tem andado de lado", resumiu o analista da pesquisa no IBGE. O gráfico mostra onde ele estacionou:

Volume de serviços no Brasil, índice com ajuste sazonal (média de 2022 = 100), de junho de 2024 a julho de 2026. A linha sobe forte até outubro de 2025 e depois trava: julho de 2026 está 0,2% abaixo daquele pico. Fonte: IBGE, Pesquisa Mensal de Serviços. Elaboração: Daily Brew

Por que o setor parou de subir? A leitura mais comum entre economistas aponta para os juros. A Selic (a taxa básica de juros do Brasil) está em 14% ao ano, e juro alto encarece o crédito, adia consumo e segura investimento. Os salários ainda em alta explicam por que o setor não caiu: ele parou num nível recorde, só que sem força para subir mais.

O resultado chega numa hora sensível. Esse foi o último grande dado de atividade antes da reunião do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, na terça e na quarta. O Copom já começou a cortar a taxa, e a dúvida é se segue agora: a expectativa do mercado é de mais um corte de 0,25 ponto, para 13,75%. Pelas projeções, é aí que a taxa termina o ano. Uma economia andando de lado reforça o argumento de quem defende cortar já. O petróleo acima de US$ 100 reforça o de quem prefere esperar.

🎓 O que a teoria diz

A política monetária age com defasagens longas e variáveis, na expressão do economista Milton Friedman. Quando o Banco Central sobe o juro, o efeito não aparece no dia seguinte: leva meses para o crédito mais caro virar menos consumo e menos contratação. O platô do gráfico é essa engrenagem funcionando: o aperto de juros feito lá atrás ainda está passando pela economia. É também por isso que a decisão da semana que vem é difícil. O Copom mexe hoje numa economia que só vai sentir o movimento em 2027.

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Internacional · Juro de guerra

BCE · Zona do euro · Petróleo · Ormuz · Inflação · Copom · Fed

A guerra do petróleo fez a Europa subir os juros

O BCE (o banco central europeu) elevou ontem os juros pela segunda vez no ano: a taxa que faz o papel da nossa Selic subiu de 2,25% para 2,50%. O motivo tem endereço: o Petróleo Brent, referência global de preço, passou dos US$ 100 com a guerra entre EUA e Irã no estreito de Ormuz, e energia cara contamina o resto dos preços. A inflação da zona do euro roda perto de 3%, acima da meta de 2%, e as novas projeções do BCE dizem que ela só volta à meta em 2028.

Christine Lagarde, presidente do BCE, admitiu na coletiva que a inflação será "mais duradoura" do que a instituição previa. O mercado entendeu o recado: pelos preços de mercado, investidores já apostam em mais 0,60 ponto de alta até abril de 2027. Em resumo, a Europa desistiu de tratar o choque do petróleo como passageiro.

O que vem

Semana que vem é a vez dos outros dois gigantes: o Copom, a reunião dos diretores do Banco Central que define a Selic (a taxa básica de juros do Brasil, em 14% desde agosto), decide na terça e na quarta; o Fed, o banco central dos EUA, decide na quarta. O barril a três dígitos estará na mesa dos dois.

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Bolso · A conta da maçã

Apple · iPhone Duo · Câmbio · Impostos · ICMS · Salário mínimo · Pré-venda

O novo iPhone custa 7 salários mínimos. O dobrável, 19.

A Apple apresentou na quarta a nova safra de iPhones. A estrela foi o iPhone Duo, o primeiro dobrável da empresa, que abre como um livro e vira quase um tablet. No Brasil, a pré-venda do iPhone 18 Pro começa amanhã, a partir de R$ 11.999. O Duo chega em outubro, custando de R$ 21.999 a R$ 30.999 na versão mais cara.

Em vez de perguntar se é caro, vale medir em tempo de trabalho. Para quem ganha o salário mínimo (R$ 1.621 por mês), a versão mais barata do iPhone 18 Pro custa 7,4 meses de trabalho. O Duo mais completo custa 19 meses: mais de um ano e meio trabalhando só para pagar um celular. Nos Estados Unidos, o mesmo iPhone 18 Pro sai por US$ 1.199, cerca de um mês de trabalho no piso federal americano (US$ 7,25 a hora, e a maioria dos estados paga acima disso):

Meses de salário mínimo para comprar um iPhone

19,1 meses · iPhone Duo topo de linha, no Brasil (R$ 30.999)

7,4 meses · iPhone 18 Pro mais barato, no Brasil (R$ 11.999)

1 mês · iPhone 18 Pro mais barato, nos EUA (US$ 1.199)

Preço de tabela dividido pelo salário mínimo mensal de cada país: R$ 1.621 no Brasil; US$ 7,25 por hora (cerca de US$ 1.257 por mês) nos EUA. Elaboração: Daily Brew.

E o salário mínimo não é caso raro: é quase a regra. Segundo a PNAD do IBGE, 69% dos trabalhadores brasileiros, cerca de 103 milhões de pessoas, ganham até 2 salários mínimos (R$ 3.242). Para quem ganha exatamente esses 2 salários mínimos, e quase todo mundo dessa turma ganha menos, o iPhone mais barato da linha nova custa 3,7 meses de renda cheia, sem comer, morar ou pagar conta de luz no caminho.

Por que o preço daqui é outro? O câmbio explica só metade, literalmente. Fizemos a conta para o iPhone 18 Pro mais barato:

A anatomia dos R$ 11.999 do iPhone brasileiro

R$ 6.163 (51%) · o preço americano, convertido a R$ 5,14 por dólar

R$ 5.836 (49%) · a diferença brasileira: impostos em cascata e margem local

iPhone 18 Pro de 256 GB: R$ 11.999 no Brasil ante US$ 1.199 nos EUA (preços de tabela, sem impostos estaduais americanos). Câmbio de 10/09/2026. Elaboração: Daily Brew.

Quase metade do preço brasileiro nasce depois que o aparelho fica pronto. É a cascata de tributos, um cobrado sobre o outro: o imposto de importação de 16%, o IPI (imposto federal sobre produtos industrializados) de 15%, o PIS/Cofins e o ICMS (o imposto estadual sobre consumo), na casa dos 19%. Em fevereiro, o governo tentou subir a alíquota de importação para 20% e recuou em três semanas, depois da reação no Congresso. A conta pesa mais nos aparelhos importados, caso das linhas Pro da Apple; os modelos mais básicos, montados no Brasil, pagam menos imposto. O que não for tributo nessa diferença é a margem que a Apple pratica por aqui. E o aparelho vende mesmo assim.

🎓 O que a teoria diz

Pela paridade do poder de compra, um mesmo produto deveria custar o mesmo em qualquer país depois de converter a moeda. Se não custa, ou o câmbio está fora do lugar, ou algo no meio do caminho está separando os preços. É a lógica do índice Big Mac, da revista The Economist, que compara o sanduíche no mundo inteiro. No caso do iPhone, o desvio brasileiro tem nome: imposto em cascata e margem. O aparelho é o mesmo; o país em volta dele é que muda o preço.

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Que nota você dá pra edição de hoje?

📊 Mercados — Fechamento Quinta 10/09

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 188.269 pts ↑ +1,42%
Dólar (Ptax) R$ 5,1149 ↑ +0,33%
S&P 500 7.592 pts ↓ −0,58%
Nasdaq 26.082 pts ↓ −0,65%
Petróleo (Brent) US$ 107,63 ↑ +6,34%
Ouro US$ 4.439,00 ↓ −0,84%

O Ibovespa descolou do mundo e subiu forte com o mercado reagindo às pesquisas eleitorais; as bolsas americanas caíram com o salto do petróleo na véspera da inflação dos EUA, e o ouro cedeu com os juros longos americanos em alta. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Brent: settlement do contrato de novembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, ICE, InfoMoney e agências · fechamento de 10/09 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew.

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📅 O que vem aí

Hoje · 9h

IPCA de agosto. O IBGE divulga a inflação oficial do mês passado, a última leitura antes da reunião do Copom. Os cortes de imposto da gasolina anunciados esta semana ainda não aparecem nesse número.

Hoje · 9h30

Inflação dos EUA. Meia hora depois da nossa sai a americana, o último grande número antes da decisão do Fed, o banco central dos EUA, na quarta.

Dias 15 e 16

Copom e Fed. Brasil e Estados Unidos decidem os juros nos mesmos dois dias. Depois da alta na Europa, o petróleo caro está na mesa dos dois.

📚 Vale ler

A pesquisa de serviços, atividade por atividade

Os números completos do bloco 1, incluindo o desempenho do turismo e a distância para o pico da série.

Agência Brasil · 10/09/2026

A decisão do BCE por dentro

As novas projeções de inflação da zona do euro e a íntegra das falas de Lagarde na coletiva de ontem.

Forbes · 10/09/2026

O iPhone dobrável por dentro

Tudo sobre o iPhone Duo do bloco 3: a tela que dobra sem vinco, o chip novo e as datas de chegada ao Brasil.

Exame · 09/09/2026

E agora, Europa? Os próximos passos do BCE

Complemento do bloco 2: por que a alta era dada como certa e onde analistas e investidores divergem sobre até onde vai o aperto.

ECO (Portugal) · 10/09/2026