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QUARTA-FEIRA · 12 DE AGOSTO DE 2026
☕ Bom dia
Inflação. O IPCA de julho ficou em 0,07% e o acumulado de doze meses caiu para 4,44%, de volta para dentro da meta depois de dois meses acima do teto.
Juros. A ata do Copom mostrou um comitê incomodado com as expectativas e sem nenhuma promessa sobre o próximo corte.
Farmácia. A Anvisa liberou a venda de remédio nos aplicativos de entrega, e o que está em disputa é um mercado de R$ 243 bilhões por ano. ☕

Inflação · De volta pra dentro
IPCA · IBGE · Conta de luz · Tomate · Bandeira amarela · Copom
A conta de luz subiu 3%, o tomate caiu 29% e a inflação fechou em 0,07%
O IBGE (o instituto que mede a inflação, o desemprego e o tamanho da economia) divulgou nesta terça o IPCA de julho, o índice oficial de inflação do país. Deu 0,07% no mês, um pouquinho acima dos 0,03% que o mercado esperava. O número que interessa mais, porém, é o outro: no acumulado de doze meses a inflação caiu para 4,44%, e com isso voltou para dentro da meta perseguida pelo Banco Central (3%, com tolerância até 4,5%) depois de dois meses furando o teto.
A inflação voltou para dentro da meta
IPCA acumulado em 12 meses, em %, de julho de 2025 a julho de 2026
|
5,0
4,5
4,0
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| acima do teto da meta (4,5%) | dentro da meta |
Fonte: IBGE e Banco Central · Elaboração: Daily Brew
O mês foi uma disputa entre a casa e a cozinha, e a casa venceu por pouco. Habitação subiu 0,99%, a maior alta entre todos os grupos, puxada pela energia elétrica residencial: 3,09% em julho, contra 1,53% em junho. Sozinha, a luz respondeu por 0,13 ponto percentual do índice. A culpada tem nome burocrático e efeito concreto, a bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
Do outro lado, o prato salvou o mês. Alimentação e bebidas caíram 0,67%, tirando 0,14 ponto do índice, e a queda tem cara de feira: tomate −29,09%, batata-inglesa −19,59%, cenoura −14,41%. O tomate sozinho puxou 0,10 ponto para baixo, o maior efeito individual do mês em qualquer direção. Nem tudo cedeu (o leite longa vida subiu 2,47%), mas a conta do hortifrúti fez o serviço. Vestuário também ajudou, com queda de 0,66%.
Aí está o problema de comemorar cedo demais: o que empurrou o índice para baixo é passageiro, e o que empurrou para cima é teimoso. Queda de hortifrúti é sazonal, coisa de safra e de clima, e costuma se desfazer nos meses seguintes, quando o tomate volta a subir do mesmo jeito que desceu. A conta de luz, essa só alivia quando a bandeira tarifária mudar de cor, o que depende do nível dos reservatórios, não de decisão de governo nem de banco central.
A composição do mês também explica por que a inflação medida quase nunca bate com a inflação sentida. Comida e energia pesam mais no orçamento de quem ganha menos, e foram justamente esses dois itens que se mexeram com força em julho, cada um para um lado. Para a família que deixa boa parte do salário no mercado e na conta de luz, o que valeu não foi a média de 0,07%, foi a soma de um tomate muito mais barato com uma fatura de energia mais cara. Dependendo do peso de cada um na casa, o mesmo mês foi de alívio ou de aperto.
E há o descompasso que decide os próximos meses. A inflação que já aconteceu está em 4,44% e dentro da meta, mas a projeção do próprio Banco Central para o ano fechado é de 5,1%. O passado melhorou, e o futuro, na conta de quem decide o juro, não. Por isso um IPCA bom não vira corte de juros automático nem crediário mais barato no mês seguinte: a taxa básica responde ao que o Banco Central acha que vem pela frente, e a projeção dele segue mais alta do que o número que saiu nesta terça.
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Juros · Sem promessa
Copom · Selic · Banco Central · Expectativas · Emprego · Oriente Médio
O Banco Central cortou os juros e escreveu que não promete o próximo
Na mesma manhã em que saiu a inflação, o Banco Central publicou a ata do Copom (o comitê de diretores que decide a Selic, a taxa básica de juros do país). A ata é o documento em que o comitê conta o raciocínio por trás da decisão, e sai sempre uma semana depois dela. A decisão em questão foi a da quarta passada: corte de 0,25 ponto, unânime, levando a Selic a 14% ao ano.
O que incomoda o comitê não é o preço de hoje. É o preço que as pessoas acham que vem. "As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes", diz o texto. Traduzindo: nem economistas de banco, nem empresas, nem os contratos negociados no mercado acreditam que a inflação vai voltar para 3%, e é isso que trava a mão do Banco Central. As projeções do próprio comitê são de 5,1% neste ano, 3,8% no ano que vem e 3,2% no início de 2028. As do mercado, de 5,0% e 4,2%.
O resto da ata explica por que ninguém quer se comprometer. O mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego em nível historicamente baixo, o que sustenta consumo e preço de serviço. A atividade dá sinais de moderação entre o primeiro e o segundo trimestre. E lá fora a conta segue aberta, com a incerteza no Oriente Médio pesando sobre o petróleo. Daí a frase que o comitê repetiu e o mercado passou o dia mastigando: a magnitude do ciclo será ajustada conforme o cenário evoluir. Ou seja, cortou, pode cortar de novo, e não assina nada.
O pregão de terça não comprou a boa notícia. Com a inflação de volta para dentro da meta e a ata na mesa, a bolsa caiu 2,5%, a maior queda de uma sequência que já durava uma semana, e o dólar subiu para R$ 5,17. Parte disso é humor lá de fora, mas as mesas também relataram saída de dinheiro estrangeiro. É o resumo do problema: quando o juro desce devagar porque ninguém acredita na meta, inflação boa não se comemora por muito tempo.
O que sobra da leitura é um ritmo, não um destino. O comitê já cortou quatro vezes seguidas, sempre em doses de 0,25 ponto, e a ata não dá pista nenhuma de que pretenda acelerar. A próxima reunião é em setembro. Até lá, o que vai pesar na mesa não é o número de inflação que saiu nesta terça, é se as expectativas param de subir.
O que a teoria diz
Desancoragem de expectativas. Quando o público deixa de usar a meta do banco central como referência para pensar no futuro, ele passa a reajustar preço e salário pela inflação que espera, e não pela prometida. A expectativa vira profecia que se cumpre sozinha, e o banco central precisa de juro mais alto, por mais tempo, para conseguir o mesmo efeito. É o motivo de o comitê falar em perseverança e serenidade em vez de anunciar cronograma: reconstruir credibilidade é mais lento do que perdê-la.
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Varejo · A última esquina
Anvisa · iFood · Mercado Livre · Rappi · Raia Drogasil · Entrega
A farmácia é um mercado de R$ 243 bilhões, e os aplicativos brigam para entrar
O brasileiro gasta R$ 243 bilhões por ano em farmácia. É o tipo de compra que todo aplicativo de entrega quer ter: se repete todo mês, e o cliente raramente pesquisa preço quando está gripado. E esse dinheiro já vinha migrando para o digital sem os aplicativos: só nos sites e apps das próprias redes de drogaria, a venda chega a R$ 20 bilhões por ano, quase 55% a mais que um ano antes.
Na segunda-feira, a Anvisa, agência que fiscaliza remédio e alimento, publicou no Diário Oficial a revogação das medidas que restringiam a venda e a propaganda de medicamento em iFood, Rappi, Mercado Livre, Americanas e Submarino. A agência agiu para cumprir uma lei sancionada em março, a mesma que autorizou farmácia dentro de supermercado, e que permitiu à farmácia licenciada contratar plataforma digital para a logística e a entrega dos pedidos.
A própria Anvisa fez questão de dizer o que a decisão não é. Revogar as restrições não autoriza automaticamente ninguém a vender medicamento, e a aplicação da lei ainda depende de uma regulamentação que a agência precisa escrever. Estão nessa lista as responsabilidades de cada lado, as condições de transporte e armazenamento, a dispensação do que exige receita e os mecanismos para barrar produto irregular. Enquanto isso não sai, o que está no aplicativo é o remédio sem receita: a página do próprio iFood lista paracetamol, dipirona e ibuprofeno ao lado da fralda e do protetor solar. Vender e dispensar continua sendo tarefa da farmácia, com farmacêutico responsável, e a plataforma não compra nem estoca nada.
Quem se mexeu antes foi o Mercado Livre. Em 2025 ele comprou a Cuidamos Farma, uma drogaria no Jabaquara, zona sul de São Paulo, e a razão está no noticiário da época: a legislação não deixava uma empresa de tecnologia sem farmácia própria comercializar medicamento. Em março, essa loja começou a vender pelo aplicativo, com analgésicos, antitérmicos, antiácidos e vitaminas, e entrega prometida em até três horas. Do outro lado, a associação que reúne as 29 maiores redes de farmácia mantém posição contrária à venda de medicamento em marketplace.
E é no relógio que a disputa se resolve. Uma drogaria entrega em cerca de uma hora, enquanto o marketplace leva de três a cinco, dependendo da região. O iFood chega com mais de 400 mil entregadores para encurtar essa diferença, e as redes têm a seu favor as milhares de lojas já instaladas nas esquinas do país. Falta saber se, na hora do aperto, o cliente vai preferir esperar o aplicativo ou descer até a esquina.
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📈 Mercados — Fechamento Terça 11/08
Fontes: B3, InfoMoney, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 11/08 (Brent, ouro e bitcoin em cotação de fim de dia; valores podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew. |
📅 O que vem aí
Quarta · 12/08
Inflação nos EUA. sai o CPI de julho, o índice de preços americano, maior evento da semana lá fora e o que mais mexe com a aposta de juros do Fed (o banco central dos EUA).
Quarta · 12/08
Serviços. o IBGE divulga o desempenho do setor de serviços em junho, o maior pedaço da economia brasileira e o termômetro de quanto o juro alto já mordeu.
Quinta · 13/08
Varejo. as vendas do comércio em junho, também pelo IBGE, mostram se a família continuou comprando com o crédito nesse preço.
Sexta · 14/08
Consumidor americano. a prévia da confiança medida pela Universidade de Michigan vem com as expectativas de inflação das famílias, dado que o Fed acompanha de perto.
📚 Vale ler
IPCA: inflação sobe 0,07% em julho, um pouco acima do esperado pelo mercado
O detalhamento por trás do bloco de abertura: a abertura por grupos, o peso da energia elétrica e a lista dos alimentos que mais caíram no mês.
InfoMoney
Ata do Copom acende alerta: o Banco Central eleva a preocupação com as expectativas de inflação
Os trechos citados da ata e as projeções do próprio Banco Central para este ano, o ano que vem e o começo de 2028.
Money Times
Mercado Livre, iFood e as farmácias: quem vai ganhar a disputa pelos remédios online?
A conta de cada lado da briga do último bloco: a estrutura de entrega dos aplicativos contra a vantagem de quem tem loja na esquina.
Exame
Indique a Daily Brew
Enquanto o mercado decide quanto rende o seu dinheiro, a gente já decidiu quanto rende a sua indicação: cada amigo que você traz vira recompensa, e a caneca exclusiva é o primeiro juro que você compõe aqui.


