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TERÇA-FEIRA · 13 DE OUTUBRO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

Aliados do Flávio já disputam quem comandaria a economia num eventual governo dele.

O Nobel de Economia foi para os criadores do modelo que os bancos centrais usam para decidir os juros.

Os juros reais do Brasil caíram desde o 1º turno. Nos Estados Unidos, subiram.

Uma dirigente do Fed defendeu novas altas dos juros nos Estados Unidos. ☕

1 · Eleição · A disputa pela Economia

A campanha do Flávio já disputa o comando da Economia entre Campos Neto, Marcelo Kayath e Daniella Marques

Com o Flávio à frente nas pesquisas do 2º turno, aliados dele já disputam quem comandaria a economia num eventual governo. Três nomes aparecem com mais força nas reportagens do fim de semana: o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, o ex-banqueiro Marcelo Kayath e a coordenadora do plano econômico da campanha, Daniella Marques.

Num governo Flávio, a Fazenda deve voltar a se chamar Ministério da Economia, como no governo do pai.

Quem ficar com a Economia vai decidir se sai do papel o ajuste que o mercado já embutiu nos juros. Os juros reais dos títulos do Tesouro caíram desde o 1º turno com essa aposta, como mostra o bloco seguinte.

O Campos Neto presidiu o Banco Central de 2019 a 2024, indicado pelo Jair Bolsonaro. No cargo, lançou o Pix e subiu os juros básicos de 2% para 13,75% para conter a inflação. Hoje é vice-presidente do conselho do Nubank.

Ele contaria com o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e teria sido sondado para a pasta. A amigos, diz que está focado na expansão do Nubank fora do Brasil. Na campanha, há quem veja risco no fato de ele ter sido citado no caso do Banco Master.

O Kayath defende que os juros só caem com as contas em ordem. Ex-presidente do Credit Suisse no Brasil e sócio da gestora QMS Capital, ele aproximou o Flávio de banqueiros e empresários e tem o apoio do Eduardo Bolsonaro.

"Não se reduz juros na canetada", disse em setembro. "A melhor política para baixar os juros não é pressionar o BC. É recuperar a credibilidade fiscal."

Ele nega ter conversado sobre cargo e chama a disputa de especulação. Entre bolsonaristas, pesa contra ele ter apoiado o Lula no passado e criticado a gestão do Paulo Guedes.

A Daniella Marques é a porta-voz econômica oficial, mas é mais cotada para um superministério da área social. Ex-presidente da Caixa, ela deixou a gestora Legends Capital em junho para coordenar o plano da campanha. O plano que apresentou em agosto tem quatro frentes:

  • Um conselho com os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo para cuidar das contas.
  • Uma nova regra fiscal no lugar do arcabouço atual.
  • Um corte de gastos de 1,5% do PIB, uns R$ 190 bilhões.
  • Um choque de gestão, com uma estrutura de governo menor.

No sábado, ela disse que o ajuste vai mirar as "regalias em Brasília", e não os programas sociais. Sobre a disputa, afirmou que não aceita que usem suas relações pessoais "para especular sobre articulações que simplesmente não existem".

Correm por fora o Adolfo Sachsida, que coordena o núcleo econômico da campanha, o executivo Alexandre Bettamio, do Bank of America, e o senador Rogério Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional. A palavra final deve ser do Jair Bolsonaro, segundo aliados. O Flávio diz que só define ministros depois do 2º turno.

Em 2018, o Jair Bolsonaro apresentou o Paulo Guedes ainda na campanha. Em 2022, o Lula só anunciou o Fernando Haddad em dezembro, depois de eleito. Desta vez, quem coordena o plano econômico do Lula é o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan.

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2 · Nobel de Economia · Hall e Woodford

Robert Hall e Michael Woodford ganham o Nobel de Economia pelo modelo que os bancos centrais usam para decidir os juros

Os americanos Robert Hall, de Stanford, e Michael Woodford, de Columbia, levaram o prêmio ontem. No modelo que os dois ajudaram a construir, famílias e empresas decidem olhando para o futuro. Bancos centrais e ministérios da Fazenda do mundo todo usam versões dele para decidir juros e gastos.

O Hall mostrou em 1978 que as famílias gastam de acordo com o que esperam ganhar ao longo da vida. O consumo só muda quando chega uma informação nova, e por isso a variação dele não dá para prever.

Com o economista Frederic Mishkin, ele estimou em 1982 que uns 80% das famílias americanas decidem assim. O resto vive com o que entra no mês.

O Woodford juntou num livro de 2003 o modelo que virou o laboratório dos bancos centrais. Nele, a empresa também olha para frente na hora de reajustar preço, e sobe antes se espera custo maior. Por isso, quando o banco central anuncia o caminho dos juros, os preços de hoje já reagem.

Os juros reais do Brasil caíram sem nenhuma mudança nas regras das contas públicas. O título do Tesouro corrigido pela inflação que vence em 2035 rendia 8,22% ao ano acima da inflação no fim de julho. Na sexta, eram 6,66%, o menor nível desde dezembro de 2024.

A maior parte da queda veio na semana do 1º turno. Na sexta anterior à eleição, a taxa estava em 7,55%.

Nos Estados Unidos, os juros reais do título de 10 anos subiram de 2,41% para 2,91% no mesmo período. A diferença entre os dois países, de 3,75 pontos, é a menor em dois anos, como mostra o gráfico.

Para gestores ouvidos pela imprensa, a queda é uma aposta num ajuste das contas a partir de 2027. O Orçamento de 2027 ainda está em discussão no Congresso.

🎓 O que a teoria diz

Num estudo de 1996, o Woodford mostrou que, se a expectativa sobre quanto o governo vai economizar no futuro oscila, nenhuma política de juros garante preços estáveis. Como os preços demoram a se ajustar, a oscilação também mexe na produção e nos juros reais.

Se o mercado deixa de acreditar que o governo vai poupar para pagar o que deve, a inflação pode fazer esse ajuste, porque corrói o valor da dívida.

A ideia, chamada de teoria fiscal dos preços, tem críticos entre os economistas. No estudo, a saída era um teto para a dívida, como o que o Tratado de Maastricht impôs aos países do euro.

Se a lógica valer aqui, os juros que caíram desde a eleição dependem de a promessa de ajuste virar superávit.

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3 · Mundo · Os juros nos EUA

Uma dirigente do Fed defende novas altas dos juros americanos, que já estão em até 4% ao ano

A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defendeu ontem juros mais altos nos EUA. Ela vota nas decisões do banco central americano neste ano.

"Quando possível, prefiro fazer ajustes menores, e relativamente rápido, a esperar e correr o risco de precisar de uma correção maior", disse num encontro de economistas.

O Fed subiu os juros em setembro pela primeira vez desde 2023, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. A próxima reunião é em 27 e 28 de outubro, e a Hammack não se comprometeu com uma alta já nela.

A Hammack teme que empresas e trabalhadores passem a contar com preços subindo, o que ela chamou de mentalidade inflacionária. No modelo premiado ontem, é essa expectativa que o banco central tenta segurar.

Para ela, a pressão sobre os preços está espalhada, com guerras, tarifas, menos gente disponível para trabalhar e o gasto com a infraestrutura da inteligência artificial.

Nos títulos do governo americano, os juros reais subiram de 2,41% para 2,91% ao ano desde o fim de julho. A inflação de setembro nos EUA sai amanhã, às 9h30 de Brasília, e economistas esperam alta puxada pela gasolina.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa209.067 pts+1,38%
Dólar (Ptax)R$ 4,99-0,45%
S&P 5007.807 pts-0,06%
Nasdaq27.246 pts-0,44%
Petróleo (Brent)US$ 106,65+1,84%
OuroUS$ 4.191-0,61%

Ibovespa e dólar: fechamento de sexta, 9 de outubro (segunda foi feriado no Brasil e não houve pregão na B3). S&P 500, Nasdaq, petróleo e ouro: fechamento de segunda, 12 de outubro. Dólar pela Ptax. Petróleo: contrato Brent de dezembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, ICE e Comex.

📅 O que vem aí

QUARTA · 9h

Volume de serviços de agosto

O IBGE mostra se o setor que mais emprega no país cresceu ou encolheu no mês.

QUARTA · 9h30

CPI: a inflação americana de setembro

O índice de preços ao consumidor dos EUA pesa na decisão do Fed, o banco central americano, que se reúne no fim do mês.

QUINTA · 9h

Vendas do varejo de agosto

A pesquisa do IBGE mostra quanto o comércio vendeu no mês.

📚 Vale ler

A disputa pela Fazenda do Flávio

os nomes, quem apoia cada um e o peso do Jair Bolsonaro na escolha.

FOLHA · ELEIÇÃO · 10/10/2026

Os cotados para a equipe econômica

a lista de nomes para cada ministério num eventual governo Flávio.

GAZETA DO POVO · ELEIÇÃO · 11/10/2026

O anúncio do Nobel

o comunicado da academia sueca sobre o prêmio de Hall e Woodford, em inglês.

NOBELPRIZE.ORG · NOBEL · 12/10/2026

Dívida e estabilidade de preços

o estudo de 1996 do Woodford da caixa Teoria, em inglês.

NBER · ESTUDO · 07/1996

Os juros reais e a eleição

por que os títulos do Tesouro desafiaram a alta dos juros no mundo.

VALOR · JUROS · 12/10/2026

A dirigente do Fed e a mentalidade inflacionária

o que a Beth Hammack disse sobre subir os juros, em inglês.

CNBC · JUROS · 12/10/2026