
SEGUNDA-FEIRA · 14 DE SETEMBRO DE 2026
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
☕ Edição especial
O Copom decide os juros na quarta, e no mesmo dia o Fed escolhe entre subir ou esperar. É a superquarta.
O petróleo voltou a passar de cem dólares com a retomada dos combates no Golfo, e a Europa já subiu os juros por causa da energia.
A inflação de agosto caiu no Brasil e subiu nos Estados Unidos.
O dólar caiu no ano mesmo com a vantagem de juros do Brasil encolhendo. Quem manda no câmbio agora é a aposta na eleição. ☕
| 📱 Compartilhe a edição pelo WhatsApp | 🎁 Indique a newsletter (e ganhe prêmios) |
1 · Superquarta · Datas, decisões e o que cada país discute
Na quarta o Brasil deve cortar os juros para 13,75% e os Estados Unidos podem voltar a subir juros
O Copom se reúne amanhã e quarta e deve cortar os juros básicos de 14% para 13,75%, o quinto corte seguido desde março. No mesmo dia o Fed decide se sobe os juros americanos pela primeira vez desde julho de 2023.
O Banco Central Europeu subiu os juros na quinta passada para 2,50%, a segunda alta do ano. Depois da superquarta, o Reino Unido decide na quinta e o Japão na sexta, os dois com diretores já votando por alta.
O Brasil corta na contramão porque subiu antes. Começou a subir os juros em março de 2021, um ano antes do Fed, e voltou a subir a partir de setembro de 2024, de 10,50% para 15%, enquanto os Estados Unidos cortavam. Ficou nove meses em 15%. Chega à quarta com a economia desacelerando, de 1,1% para 0,5% no segundo trimestre, e a inflação cedendo.
Há economista de banco dizendo que o ideal seria o Copom parado até o fim do ano. O próprio Copom escreveu em agosto que expectativas fora da meta pedem juros altos por mais tempo, e na mesma ata supunha o petróleo em queda no segundo semestre. Ele subiu 16% desde o fim de agosto.
Descontada a inflação esperada, sobram 9,4 pontos de juros no Brasil e 1 ponto nos Estados Unidos. Kevin Warsh, presidente do Fed desde maio, disse em agosto que tem dificuldade em chamar isso de aperto.
| Brasil | Estados Unidos | |
| Juros hoje | 14,00% | 3,50% a 3,75% |
| Inflação em 12 meses | 4,22% | 3,4% |
| Inflação esperada, 12 meses à frente | 4,60% | 2,64% |
| Meta | 3% | 2% |
| Juros descontada a inflação esperada | 9,4 pontos | 1 ponto |
| Última decisão | corte de 0,25 em 5/8, unânime | manteve em 29/7, 3 de 12 por alta |
| Decide | quarta 16, 18h30 | quarta 16, 15h |
| Para onde aponta | ↓ corte para 13,75%, 95% nas apostas da B3 | ↑ 85% para alta nos contratos de juros |
Inflação esperada: Brasil pela mediana suavizada do Focus (coleta de 4/9). Estados Unidos pelo modelo do Fed de Cleveland (leitura de setembro). A meta do Fed é medida por outro índice, o PCE. Juros descontada a inflação: diferença simples entre as duas linhas. Apostas: opções de Copom da B3 (8/9) e futuros de juros nos Estados Unidos (11/9).
2 · Inflação · Os dois números que saíram na sexta
Em agosto a inflação caiu 0,32% no Brasil e subiu 0,4% nos Estados Unidos
O IPCA, a inflação oficial, caiu 0,32% em agosto, a maior queda mensal desde agosto de 2022. Em doze meses está em 4,22%, ante 4,44% em julho.
O Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, esperava queda de 0,23%.
A conta de luz respondeu sozinha por 0,33 ponto de queda, mais do que o índice inteiro. A energia elétrica caiu 7,63% com o bônus de Itaipu, um crédito da usina devolvido nas faturas de agosto.
O desconto some da conta em setembro, e o Focus já espera alta de 0,53% no mês: o Copom corta na quarta olhando um número que não vai durar. Os núcleos, as medidas que tiram os preços mais voláteis, ficaram na média um pouco abaixo de julho, mas dois dos seis subiram.
Nos Estados Unidos o CPI, o índice de preços ao consumidor, subiu 0,4% em agosto e 3,4% em doze meses, em linha com o esperado. A gasolina subiu 3,9% no mês e 27% em um ano.
O núcleo, que o Fed olha mais, veio pior: 0,3% no mês contra 0,2% esperado. Christopher Waller, diretor do Fed, tinha dito no começo do mês que consideraria subir os juros "se a inflação vier quente".
Depois do dado, a aposta em alta dos juros na reunião de quarta passou de 70% para quase 90% e fechou a semana em 85%. Duas equipes de economistas que esperavam manutenção passaram a prever alta de 0,25 ponto no mesmo dia. Trump pediu corte na rede social dele e mandou o Fed ser patriota, em letras maiúsculas.
3 · Petróleo · A guerra no Golfo e o subsídio no Brasil
O petróleo chegou a US$ 107 com os Estados Unidos e o Irã atacando navios no Golfo
O Brent, o petróleo de referência, chegou a US$ 107,63 na quinta. Terminou a semana a US$ 104,61, 16% acima do fim de agosto.
A guerra começou em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel mataram o líder iraniano e o Irã fechou o estreito de Ormuz. O cessar-fogo de abril e a trégua de junho devolveram o Brent a US$ 72 em julho.
Os combates voltaram no fim de agosto. Os Estados Unidos destruíram oito petroleiros iranianos no começo do mês, e o Irã disse ter atacado dez navios na quarta passada.
Pelo estreito de Ormuz, a saída do petróleo do Golfo, passam hoje menos de 2 milhões de barris por dia, contra 8 a 9 milhões antes da retomada dos combates. Sumiu um em cada dez barris que o mundo consome.

A alta do petróleo fez a Europa subir os juros, levou o diesel a um recorde nos Estados Unidos e aumentou o subsídio no Brasil.
No Brasil o governo trocou na quarta passada o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina por um corte de imposto de R$ 0,63, e criou mais R$ 1 por litro de subsídio ao diesel. Com a Petrobras sem repassar a alta, a gasolina subiu 3% aqui contra 21% no mundo desde fevereiro.
O pacote custa R$ 7 bilhões por mês, pelo cálculo do governo. O corte de imposto da gasolina vale até 9 de outubro, cinco dias depois do primeiro turno, e o subsídio ao diesel não tem data para acabar.
O dinheiro sai da receita extra que o petróleo caro gera para a União, mais de R$ 10 bilhões no período, pela estimativa da Fazenda. A pasta diz que essa receita não abre espaço na meta fiscal.
Na ata de agosto o Copom escreveu que gasto que estimula a demanda e mexe na percepção sobre a dívida pode elevar os juros. Esses juros, hoje em 14%, encarecem o financiamento, o cartão e o crédito das empresas.
4 · Câmbio · A eleição tomou o lugar dos juros
A vantagem de juros que segura o real encolheu 0,7 ponto em 45 dias
O dólar fechou a semana a R$ 5,09 pela Ptax, a cotação oficial do Banco Central. No ano o dólar subiu 0,9% contra as moedas dos países ricos e caiu 7,5% contra o real.
Quem opera câmbio aponta a eleição: desde que as pesquisas passaram a mostrar empate no segundo turno, o estrangeiro voltou a comprar ações na bolsa brasileira. Segundo a Bloomberg, o seguro contra uma alta do dólar está no menor preço desde 2020.
Enquanto isso, a diferença de juros com os Estados Unidos, que é o motivo clássico para comprar real, encolheu. Nos papéis de dois anos, a diferença entre o que os dois governos pagam caiu de 9,8 para 9,1 pontos em 45 dias. Nos de cinco anos, de 10,3 para 9,4.

Nos juros básicos de hoje a diferença passa de dez pontos. Quem empresta por dois ou cinco anos recebe nove, porque o mercado já conta com ela diminuindo. O investidor que traz dólar para ganhar juros aqui aplica nesses prazos.
A vantagem de juros encolheu e o dólar não subiu. Nas mesmas seis semanas, o dólar terminou meio por cento abaixo de onde estava. O que segurou o câmbio nesse período foi a aposta na eleição.
Enquanto a eleição manda no humor do câmbio, a diferença de juros fica em segundo plano. É o que explica uma queda de 0,7 ponto passar sem efeito no preço do dólar.
Uma hora a eleição deixa de ser o assunto, e aí a diferença de juros volta a pesar na conta de quem traz dinheiro para cá. Só que volta menor do que era. A queda toda veio antes de qualquer decisão, porque o mercado trabalha com o que vem pela frente. Na quarta, se o Copom cortar e o Fed subir, quem perde meio ponto é a diferença entre os juros básicos, que hoje passa de dez.
Nove pontos de diferença ainda são muita coisa. O que mudou é a direção: os juros daqui caem e os de lá sobem ao mesmo tempo, o que não acontecia neste ciclo.

No CDB, no Tesouro ou na conta remunerada, o corte esperado tira um quarto de ponto ao ano, e ainda sobra o dobro do que paga o México.
🎓 O que a teoria diz: como os juros seguram uma moeda?
Quem tem dólar escolhe onde aplicar. Para comprar um título brasileiro é preciso comprar real antes, e é essa compra que segura o câmbio. Na teoria econômica, o juro mais alto é o pagamento pelo risco de o real cair: os cerca de dez pontos a mais que o Brasil paga são o que o investidor exige para aceitar esse risco.
Nas finanças a operação tem nome, carry trade: tomar dinheiro emprestado onde os juros são baixos e aplicar onde são altos, ganhando a diferença enquanto o câmbio não anda contra. A diferença é a margem de segurança. Com nove pontos ao ano, o real pode cair até 9% em doze meses antes de a aposta dar prejuízo. Quando a margem encolhe, a mesma queda do real dói mais e o investidor sai antes.
O que conta é a diferença depois da inflação, porque inflação mais alta corrói a moeda com o tempo. Descontada a inflação esperada, o Brasil paga 9,4 pontos e os Estados Unidos 1: sobram cerca de 8 pontos de vantagem real.
Fazer login ou Inscrever-se participar
📈 Mercados
| Ativo | Fechamento | Na semana |
| Ibovespa | 187.207 pts | +1,11% |
| Dólar (Ptax) | R$ 5,0918 | -0,65% |
| S&P 500 | 7.657 pts | -0,80% |
| Nasdaq | 26.333 pts | -0,66% |
| Petróleo (Brent) | US$ 104,61 | +8,65% |
| Ouro | US$ 4.408,90 | -1,51% |
Fechamento de sexta, 11 de setembro, contra o de sexta, 4 de setembro. A bolsa brasileira subiu pela quarta semana seguida, apoiada pelo dinheiro estrangeiro e pela aposta na eleição, e caiu na sexta com a tensão no Supremo e a queda do petróleo. Wall Street fechou a semana em queda mesmo com a alta de sexta, depois que a inflação de agosto empurrou a aposta em juros mais altos. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central. Petróleo: ajuste do contrato de novembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex, variação no mesmo contrato. Fontes: B3, Banco Central, ICE e Comex.
📅 O que vem aí
HOJE · 8h25
Boletim Focus: o que o mercado projeta
A mediana de mais de cem instituições para juros, inflação e dólar, já com a inflação de agosto.
TERÇA · 9h
Vendas do varejo em julho
O IBGE mostra se o consumo acompanhou a freada dos serviços.
QUARTA · 9h
IBC-Br: índice de atividade econômica
Indústria, comércio, serviços e agropecuária num número só. O de julho está previsto para o dia da decisão.
QUARTA · 15h
Decisão de juros nos Estados Unidos
Manter ou subir, com as projeções dos diretores para o fim do ano.
QUARTA · 18h30
Decisão de juros do Copom
A ata, o documento que explica a decisão, sai na terça seguinte. Reino Unido decide na quinta e Japão na sexta.
📚 Vale ler
o parágrafo sobre não reagir a choque de oferta e a hipótese de petróleo em queda que não se confirmou. BANCO CENTRAL · DOCUMENTO · 11/08/2026 |
"In Our Time", discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole o texto que virou a aposta do mercado de manutenção para alta. FEDERAL RESERVE · DISCURSO · 28/08/2026 |
Decisão de política monetária do BCE a segunda alta do ano e as projeções de inflação acima da meta até 2027. BCE · COMUNICADO · 10/09/2026 |
o texto do corte de PIS/Cofins da gasolina, com a vigência até 9 de outubro. PLANALTO · LEGISLAÇÃO · 09/09/2026 |
Como a queda de 95% no tráfego de Ormuz mudou o transporte mundial os números de navios e barris por dia, com dados da Kpler e da Unctad. AL JAZEERA · REPORTAGEM · 27/08/2026 |
Aposta em vitória de Flávio Bolsonaro ganha força e derruba busca por proteção em dólar o custo de se proteger da alta do dólar no menor nível desde 2020. BLOOMBERG LÍNEA · MERCADOS · 10/09/2026 |
