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Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
QUARTA-FEIRA · 15 DE JULHO DE 2026
☕ Bom dia
Tarifa. Vence hoje o prazo para os EUA taxarem o Brasil em mais 25%. Um ano depois do tarifaço, a fatia deles nas exportações já é a menor desde 1997.
Emprego. O desemprego caiu a 5,6%, o menor para o período desde 2012, teimando contra o juro a 14%.
Petróleo. O mercado desistiu de tratar a disparada como susto passageiro e já aposta em barril caro por vários anos. ☕

Comércio · A decisão dos 25%
EUA · USTR · Seção 301 · Pix · Etanol · Trump · China
Vence hoje o prazo para os EUA taxarem o Brasil em mais 25%
Enquanto o país ainda digere a tarifa de 50% que Trump anunciou há um ano, uma segunda cobrança bate à porta, e o prazo é hoje. Esta é diferente: nasceu de uma investigação do USTR (o escritório de comércio dos EUA) sob a chamada Seção 301, aberta em julho de 2025, que concluiu que práticas brasileiras seriam "irrazoáveis". A lista de queixas é reveladora do que incomoda Washington: o Pix, as regras de comércio digital, a proteção de patentes e, entre outras, o acesso ao mercado brasileiro de etanol, o mesmo etanol do primeiro bloco de hoje. A recomendação é taxar em 25% quase tudo, poupando café, carne bovina, terras raras, alguns metais e peças de avião.
A palavra final é de Trump, e o prazo legal para ele bater o martelo termina nesta quarta. O governo brasileiro trabalha com a hipótese de que a taxa sai mesmo, atingindo dezenas de setores.
Passado um ano do primeiro tarifaço, dá para trocar o susto pelo dado, e ele surpreende. No primeiro semestre de 2026, as exportações do Brasil para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, uma queda de 13% ante o ano anterior, e a fatia americana nas vendas externas encolheu de 12,1% para 9,4%, a menor desde 1997. Parece um desastre, até você olhar o resto da tabela: o total exportado pelo país não caiu, subiu 11,5%, com a China avançando 21,9% e a União Europeia, 12,8%. O Brasil não perdeu mercado. Trocou de freguês.
Trocou de freguês
Exportações do Brasil no 1º semestre (jan–jun) · US$ bilhões
Total exportado
| 2025 | 165,7 | |
| 2026 | 184,8 ↑12% |
Para os EUA
| 2025 | 20,0 | |
| 2026 | 17,4 ↓13% |
A fatia dos EUA nas exportações caiu de 12,1% para 9,4%, a menor desde 1997. As duas escalas são diferentes: os EUA são uma fração do total.
Fonte: MDIC e Amcham Brasil · 1º semestre (jan–jun) · Elaboração: Daily Brew.
Vale a honestidade: nem toda a queda de 13% é culpa da tarifa. Ciclo de preços das commodities, demanda chinesa em alta, câmbio e compras antecipadas antes de a taxa valer também pesam, e separar um efeito do outro é trabalho de econometria que ainda ninguém publicou para o caso brasileiro. A dor, aliás, se concentrou no específico: açúcar, madeira, aço e cobre, que não acharam para quem vender, encolheram; café, carne e minério redirecionaram a carga. O desvio protege o total do país, não o produtor que perdeu o comprador americano.
🎓 O que a teoria diz
Desvio de comércio (trade diversion). Quando um país taxa o outro, o fluxo bloqueado nem sempre evapora: ele se desvia para terceiros. Foi o que a economia brasileira fez, mandando para a China e a Europa o que antes ia para os EUA. Um estudo de Casagrande, Mallmann e Feistel (2026) mediu o mecanismo na guerra comercial EUA-China e achou efeito positivo para as exportações do Brasil: em briga de gigantes, o país de fora costuma faturar. A ressalva é que o desvio salva o agregado, não o setor específico que perdeu o freguês e não achou outro.
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💬 Frase do dia
"A expectativa de acordo é quase nenhuma, ou nenhuma mesmo."
— Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio · sobre a negociação da tarifa com os EUA · 14/07/2026
É o governo tirando o véu do otimismo. Depois de semanas dizendo que buscava o diálogo, o ministro responsável pelo comércio admite, em bom português, que a porta está fechada. Para o exportador brasileiro, a mensagem é prática: menos tempo esperando um acordo que não vem, mais tempo procurando outro comprador.

Trabalho · À prova de juro
PNAD · IBGE · Desemprego · Selic · Serviços · Copom
Desemprego a 5,6%, o mais baixo para o período desde 2012
Num país que convive com juros de 14% ao ano, o esperado seria ver o emprego encolher. Aconteceu o contrário. A taxa de desemprego ficou em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o nível mais baixo para o período desde o início da série da PNAD, a pesquisa de emprego do IBGE, em 2012. A população ocupada bateu 102,7 milhões, um recorde, com 558 mil vagas a mais em três meses. Mesmo com o Banco Central pisando fundo no freio, o mercado de trabalho seguiu andando.
O quadro, porém, não é redondo. A informalidade recuou de leve, para 37,3% dos ocupados, mas o rendimento médio real de quem tem carteira assinada caiu 3,1% no trimestre, cerca de R$ 172 a menos no bolso (na comparação com um ano atrás ainda há ganho). Ou seja: tem mais gente trabalhando, só que o salário deu uma engasgada. É emprego firme com o poder de compra andando de lado.
Para o Banco Central, um mercado de trabalho tão aquecido é uma faca de dois gumes. Gente empregada gasta, e gasto sustenta a inflação, principalmente a de serviços, a mais teimosa de todas. É por isso que, mesmo com os preços dando sinais de trégua, o Copom (o comitê do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros) hesita em cortar: o quase pleno emprego é ótimo para o trabalhador e um espinho para quem persegue a meta de inflação.
🎓 O que a teoria diz
Curva de Phillips. A relação, formulada por A. W. Phillips e desenvolvida por Friedman e Phelps, diz que um desemprego muito baixo tende a acelerar salários e preços: com pouca gente disponível, o empregador paga mais para contratar, e esse custo escorre para os preços, sobretudo nos serviços. Por isso um desemprego na mínima da série, que parece só boa notícia, acende a luz amarela no Banco Central, é o tipo de aperto no mercado de trabalho que costuma segurar o juro alto por mais tempo.
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Energia · Não é só um susto
Petróleo · WTI · Irã · Cessar-fogo · Futuros · Inflação
O mercado já aposta em petróleo mais caro por vários anos
Trump declarou encerrado o cessar-fogo com o Irã, e o mercado de energia entendeu o recado na hora. Mas o ponto mais interessante não é o susto de um dia. É o que aconteceu com os contratos futuros de petróleo, que são as apostas de quanto o barril vai valer daqui a meses e anos. Não subiu só o preço de agora: a curva inteira, de hoje até o começo da próxima década, se deslocou para cima.
Nos números, o petróleo americano de referência (o WTI) que era negociado em torno de US$ 70 na semana passada saltou para perto de US$ 79 no contrato mais curto. E, mais revelador, os contratos para 2028, 2029, até 2033, todos ficaram mais caros do que estavam dias antes. Traduzindo o que o gráfico grita: o investidor parou de tratar a tensão no Oriente Médio como um solavanco de um ou dois meses e passou a embutir no preço a ideia de que o barril fica salgado por vários anos.
A curva inteira subiu
Futuros do petróleo WTI · US$ por barril · contrato curto: ~US$ 70 na semana passada → ~US$ 79 hoje
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| 70 → 79 | 70 → 75 | 68 → 71 | 67 → 69 | 65 → 66 |
| Fim/26 | 2027 | 2028 | 2029 | 2033 |
Semana passada Hoje
A curva desce (o mercado espera preços menores no futuro), mas subiu inteira depois do fim do cessar-fogo. Valores em US$/barril, aproximados; eixo a partir de US$ 60. Fonte: Yahoo Finance (futuros do WTI, série CL) · Elaboração: Daily Brew.
Para o Brasil, isso pesa em três frentes. Na bomba, petróleo caro por mais tempo empurra gasolina e diesel, e realimenta a inflação, num momento em que ela mal começou a dar trégua. Foi justamente essa instabilidade que o governo usou de argumento, esta semana, para elevar a mistura de etanol na gasolina e depender menos do importado. E para a Petrobras a conta vem dividida: barril alto engorda a receita, mas reacende o velho dilema de repassar ou segurar o preço, uma decisão que é técnica no papel e política na prática.
🎓 O que a teoria diz
Prêmio de risco geopolítico. Parte do preço do petróleo não paga o barril de hoje, e sim o seguro contra o barril que pode faltar amanhã. Quando um conflito ameaça rotas como o Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo do mundo, o mercado embute nos contratos futuros uma compensação extra pelo risco de a oferta ser interrompida. E é esse prêmio que subiu não só para o mês que vem, mas para os próximos anos: os investidores passaram a precificar a instabilidade como um problema duradouro, não uma manchete passageira.
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Como você prefere a Daily Brew?
📊 Mercados · Fechamento de terça, 14/07
| Ativo | Fechamento | Dia |
|---|---|---|
| Ibovespa | 176.641 pts | ↑ +0,51% |
| Dólar (BRL) | R$ 5,07 | ↓ −1,17% |
| Petróleo Brent | US$ 86,35 | ↑ +3,66% |
| Ouro | US$ 4.058,30 | ↑ +1,53% |
| S&P 500 | 7.543,59 | ↑ +0,38% |
| Dow Jones | 52.508,27 | ↑ +0,02% |
| Nasdaq | 26.107,01 | ↑ +0,90% |
| Bitcoin | US$ 64.620 | ↑ +3,83% |
Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 14/07 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew
📅 O que vem aí
Quarta · 15/07
Tarifa dos EUA e serviços. vence o prazo legal para a decisão de Trump sobre taxar o Brasil em mais 25%, e o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços de maio, o termômetro do setor que responde por perto de 70% da economia.
Quinta · 16/07
Varejo. sai a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, com as vendas do varejo em maio, para medir se o consumo ainda segura ou já começou a ceder.
Sexta · 17/07
Congresso. último dia útil antes do recesso, que começa em 18/07, com uma fila de pautas econômicas ficando para agosto.
📚 Vale ler
Governo dos EUA propõe nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O que está em jogo na investigação da Seção 301: as queixas americanas sobre o Pix, o etanol e o comércio digital, e a lista de produtos que ficaram de fora.
Agência Brasil
Sob ameaça de 25% de tarifa dos EUA, Brasil tem prazo apertado para negociar
Os bastidores da negociação: o que Brasília ainda pode tentar antes do martelo, e por que o governo trabalha com a hipótese de que a taxa será mesmo aplicada.
JOTA
Desemprego no trimestre até maio é de 5,6%, o menor já registrado para o período
Os números completos da PNAD: a população ocupada em novo recorde, a informalidade em queda e o rendimento real que recuou no trimestre.
Agência Gov
Petróleo WTI salta e supera US$ 80 o barril com a escalada entre EUA e Irã
A reação do mercado ao fim do cessar-fogo e ao bloqueio naval no Estreito de Ormuz, e por que a alta contamina toda a curva de preços futuros.
InfoMoney
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