Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
QUINTA-FEIRA · 16 DE JULHO DE 2026
☕ Bom dia
Reforma tributária. O Brasil vai passar a recolher imposto na hora do pagamento, e isso mexe no caixa das empresas.
Agro. O país exporta como nunca, e mesmo assim o produtor rural nunca deveu tanto.
Eleição. A nova Quaest mostra Lula abrindo 8 pontos sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno.
Dólar. A inflação mais fraca nos EUA derrubou o dólar ao menor nível em um mês, a R$ 5,07. ☕
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Enquanto o mercado decide quanto rende o seu dinheiro, a gente já decidiu quanto rende a sua indicação: cada amigo que você traz vira recompensa, e a caneca exclusiva é o primeiro juro que você compõe aqui.

Tributos · Cobrança em tempo real
Reforma tributária · CBS · IBS · Pix · Receita · Caixa · Appy
O Fisco cansou de esperar: o imposto vai ser recolhido na hora do pagamento
Uma das maiores mudanças da reforma tributária se chama split payment, ou pagamento dividido. Hoje, o lojista recebe o valor cheio da venda e só depois repassa o imposto ao governo. Na nova lógica, no instante em que você paga, o sistema separa sozinho a fatia do tributo e a manda direto para o Fisco; o vendedor recebe apenas o líquido. É a cobrança em tempo real, integrada aos meios de pagamento e à nota fiscal eletrônica, que passam a conversar com a Receita a cada compra.
A engrenagem vale para os dois novos impostos sobre consumo que estão nascendo, a CBS (a contribuição federal que substitui PIS e Cofins) e o IBS (o imposto de estados e municípios que substitui ICMS e ISS). O calendário é gradual: 2026 é ano de teste, com uma alíquota simbólica de 1% só para o sistema rodar; a cobrança de verdade começa em 2027, primeiro pelo Pix e pelo boleto, e a Receita já publicou em junho a documentação técnica que ensina as empresas a se conectar. O Brasil vira um dos primeiros grandes países a recolher imposto no exato momento da transação.
Onde isso morde? No caixa. Muita empresa hoje usa o dinheiro do imposto como capital de giro no intervalo entre vender e recolher, um fôlego que some quando o tributo é retido na hora. Para o governo, é o fim desse jogo e um golpe na sonegação: fica muito mais difícil deixar de pagar o que já saiu automaticamente. Para o pequeno negócio, é adaptação de sistema e planejamento financeiro mais apertado. O consumidor quase não vê diferença no caixa; a revolução acontece nos bastidores do pagamento.
E daí?
Se você tem empresa, o recado é começar agora: simular o fluxo de caixa sem o imposto passando pela conta e adaptar o sistema de emissão de nota, porque quem depende desse dinheiro parado para girar vai sentir. Do lado bom, menos sonegação tende a aumentar a arrecadação, porque mais gente passa a pagar o que devia. Isso não baixa imposto sozinho, mas cria margem para o governo, se quiser, reduzir a alíquota lá na frente, aliviando justamente quem sempre pagou em dia.
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Agro · Colheita farta, caixa curto
Exportação · Serasa · Plano Safra · Selic · Custeio · Grãos
Exportações do agro batem recorde, e o produtor rural nunca deveu tanto
Dois números do agro saíram quase colados, e eles não combinam. De um lado, a fartura: as exportações do agronegócio somaram US$ 87 bilhões no primeiro semestre, um recorde, e o setor puxa sozinho o superávit comercial do país…
O semestre nunca rendeu tanto
Exportações do agronegócio por semestre · US$ bilhões
1º semestre 2º semestre
| 2022 |
|
159,1 | |||
| 2023 |
|
166,6 | |||
| 2024 |
|
164,3 | |||
| 2025 |
|
169,2 | |||
| 2026* |
|
87 |
*Em 2026 só há o 1º semestre, e ele já é o maior da série: US$ 87 bi, contra algo em torno de US$ 82 bi nos primeiros semestres anteriores.
Fonte: Mapa/Secex (agronegócio) · 2º semestre por diferença do total anual · Elaboração: Daily Brew.
…De outro, a conta atrasada: a Serasa Experian divulgou nesta quarta que a inadimplência dos produtores rurais chegou a 8,8% no primeiro trimestre, o maior nível de toda a sua série e o quinto trimestre seguido de alta. Em um ano, subiu 1,2 ponto…
A conta que não para de subir
Inadimplência do produtor rural (% dos tomadores de crédito)
| 1º tri 25 | 7,6% | |
| 4º tri 25 | 8,2% | |
| 1º tri 26 | 8,8% |
Os mais jovens são os mais apertados: a inadimplência chega a 13,6% entre produtores de 30 a 39 anos. Por região, o Norte lidera, com 13,2%.
Fonte: Serasa Experian · dados do 1º trimestre, divulgados em 15/07 · Elaboração: Daily Brew.
Como um país com um agro tão forte tem, ao mesmo tempo, o produtor tão endividado? A resposta é que "o agro" do recorde e "o produtor" da dívida quase não são a mesma pessoa. O número gigante da exportação é dominado por poucas culturas e pelas grandes tradings, as empresas que compram a safra do produtor e a revendem ao exterior. A dívida, essa se concentra em quem planta financiado. E o que separa os dois é a margem: o que sobra para o produtor depois de pagar todas as contas da lavoura. É essa sobra que encolheu. Os preços de vários grãos caíram, enquanto adubo, defensivo, diesel e os juros a 14% ao ano seguem caros. Colhe-se mais, vende-se por menos e paga-se mais para produzir. O problema não é a capacidade de plantar, é o quanto resta no fim, e não à toa o endividamento do setor está no maior nível em vinte anos.
O governo já se mexe nessa direção. O Plano Safra 2026/27, o pacote anual de crédito para a agricultura, foi lançado com R$ 525 bilhões e taxas menores em várias linhas (o custeio dos grandes caiu de 14% para 12,5% ao ano), e Brasília estuda renegociar cerca de R$ 82 bilhões em dívidas do setor. É o reconhecimento oficial de que a foto da exportação esconde um filme mais difícil na porteira.
E o descompasso deve durar mais um tempo. Do lado das vendas, a força não dá sinal de trégua: o Brasil colhe uma safra recorde de soja, a China já reservou antecipadamente parte da safra do ano que vem, e as exportações caminham para mais um ano histórico. Do lado da dívida, o alívio é mais lento, e depende de duas coisas que ninguém garante no curto prazo: os juros começarem a cair e os preços das commodities se recuperarem. Enquanto isso não vem, o retrato deve seguir o mesmo, um país exportando recorde com boa parte dos produtores no aperto.
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Eleição · A distância que cresce
Quaest · Genial · Lula · Flávio Bolsonaro · 2º turno · 2026
Lula abre 8 pontos sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno
A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta, mostra o presidente Lula à frente em todos os cenários de 2026. No segundo turno mais provável, ele aparece com 45% contra 37% de Flávio Bolsonaro, uma distância de 8 pontos, a maior vantagem do ano. E o quadro virou rápido: em abril, era Flávio quem liderava; Lula retomou a ponta em maio e vem ampliando a distância a cada rodada desde então. O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13, com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.
A virada aparece rodada a rodada:

Fonte: Genial/Quaest · cenário de 2º turno · intenção de voto (%) · Elaboração: Daily Brew.
Por que importa? Porque o mercado precifica eleição. Câmbio e juros carregam um prêmio de risco político, e quanto mais definido fica o favorito, menor tende a ser a incerteza que os investidores cobram para segurar ativos brasileiros. Uma corrida que se estabiliza também antecipa o debate que mais importa para o bolso: qual será a âncora fiscal a partir de 2027, ano em que o próximo governo assume o Orçamento.
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Câmbio · A inflação que veio de fora
EUA · CPI · Fed · Dólar · Real · Ibovespa · Gasolina
A inflação nos EUA cedeu, e o dólar caiu ao menor nível em um mês
O alívio do câmbio não nasceu em Brasília, veio de Washington. Saiu o CPI (o índice que mede a inflação ao consumidor nos Estados Unidos) de junho, e ele veio muito mais fraco do que o mercado esperava. E aqui está o que chamou atenção: o mercado projetava uma queda de apenas 0,1% no mês, mas os preços caíram 0,4%, quatro vezes mais, a maior queda desde abril de 2020. A inflação em 12 meses recuou para 3,5%. A conta que todo investidor fez na hora é direta: com a inflação americana cedendo bem mais rápido que o previsto, o Fed (o banco central dos EUA) ganha espaço para cortar os juros lá na frente.
Quando o juro americano perde força, o dólar tende a enfraquecer no mundo todo, e o dinheiro volta a procurar países que pagam mais, como o Brasil. O resultado apareceu no placar: o dólar fechou a terça em queda de 1,1%, a R$ 5,07, o menor patamar desde 15 de junho, e a bolsa, o Ibovespa (principal índice da B3, a bolsa brasileira), subiu 0,51%. Um empurrão de fora, num momento em que os juros de 14% ao ano por aqui já vinham fazendo o trabalho pesado de segurar a moeda.
Nesta quarta, o movimento se acomodou. O dólar ficou praticamente parado, fechando a R$ 5,08, ainda coladinho na mínima do mês, enquanto o mercado dividia a atenção entre a inflação mais fraca lá fora e a espera pela decisão dos EUA sobre a nova tarifa.
Vale o pé no chão. O gatilho foi a gasolina e a energia, que despencaram nos EUA e puxaram o índice cheio para baixo; o núcleo da inflação, que tira comida e energia da conta por serem voláteis, veio de lado. Ou seja, parte do alívio pode ser de uma tacada só. Para o Brasil, um dólar mais barato é bem-vindo porque alivia o preço do que se importa, do trigo ao remédio, mas ainda é um respiro que depende do próximo dado lá fora.
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📈 Mercados — Fechamento Quarta 15/07
Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 15/07 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew. |
📅 O que vem aí
Quinta · 16/07
Varejo. o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Comércio, com as vendas do varejo de maio, o teste para saber se o consumo ainda segura ou já sentiu o juro alto.
Sexta · 17/07
Congresso. último dia útil antes do recesso, que começa em 18/07, com uma fila de pautas econômicas (do novo teto do MEI à renegociação de dívidas rurais) ficando para agosto.
📚 Vale ler
Split payment: entenda o novo modelo tributário do Brasil
O guia do mecanismo que vai separar o imposto no ato do pagamento: as modalidades, o cronograma da transição e o que muda no caixa das empresas.
Thomson Reuters
Dólar fecha no menor nível em um mês sob influência da inflação dos EUA
Por que um CPI americano mais fraco reacendeu a aposta em corte de juros nos EUA e derrubou o dólar frente ao real, e o que o mercado passou a olhar depois do dado.
Reuters · Investing.com
Inadimplência no agro atinge 8,8% e bate recorde da série
Os números completos da Serasa Experian: o recorte por idade e por região, a queda do Agro Score e por que a crise é de margem, não de produção.
Forbes Agro
Genial/Quaest: Lula lidera todos os cenários de 1º e 2º turno
A pesquisa completa por trás do número: os cenários de primeiro turno, a evolução mês a mês e a leitura do que mudou entre junho e julho.
Metrópoles


