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Daily Brew

TERÇA-FEIRA · 18 DE AGOSTO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

A Casas Bahia, com R$ 17,3 bilhões em dívidas, pediu recuperação judicial.

A prévia da economia mostrou o país quase parado no trimestre passado.

A campanha abriu com Lula na frente, empate técnico no 2º turno e promessa de aperto no gasto.

E um estudo americano diz que a inteligência artificial não está demitindo os jovens. Está deixando de contratá-los. ☕

A edição de hoje tem 1.373 palavras, uma leitura de 5 minutos.

1 · Varejo · Recuperação judicial da Casas Bahia

A Casas Bahia pediu recuperação judicial e vai fechar 298 lojas

A Casas Bahia entrou ontem com pedido de recuperação judicial em São Paulo, junto com nove empresas do grupo. Na prática, pediu à Justiça pra suspender cobranças enquanto renegocia as dívidas e tenta não falir. A loja que parcelou a geladeira de três gerações de brasileiros não aguentou os juros de 14%. A empresa lista os motivos: juros altos, crédito restrito e consumo pressionado.

O tamanho do tombo:

  • Prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre, 18 vezes o de um ano antes. Desses, R$ 9,1 bilhões são perdas só no papel, de uma vez. A operação em si perdeu R$ 978 milhões (+76%).
  • R$ 17,3 bilhões em dívidas listadas no pedido, no oitavo trimestre seguido de prejuízo.
  • 298 lojas vão fechar, com corte de pessoal a caminho (o pedido fala em 1,9 mil vagas, parte da imprensa em 3 mil).
  • A ação fechou ontem em queda de 33%, a R$ 0,44. No ano, perde cerca de 80%.

Não é um caso isolado. A Marabraz, rede de móveis de 135 lojas no auge, pediu o mesmo no sábado, citando juros altos e consumo em queda. E a Serasa divulgou que 9,1 milhões de empresas estão com o nome sujo, um recorde, devendo R$ 232,9 bilhões.

A Magazine Luiza subiu 8,2% ontem enquanto a concorrente pedia socorro. O mercado já separou o varejo entre quem atravessa os juros de 14% e quem fica pelo caminho.

🎓 O que a teoria diz: por que os juros quebram primeiro a loja que vende a prazo?

O aperto não é igual pra todo mundo. Economistas chamam de canal do crédito: quando os juros sobem, quem vive de dinheiro emprestado sofre duas vezes. A loja de eletrodoméstico popular é o caso extremo, porque ela é meio banco. Financia o cliente no carnê e, pra bancar isso, toma dinheiro caro no mercado.

Os juros altos encarecem a dívida da empresa, encolhem o crediário e derrubam a venda, tudo ao mesmo tempo. Os estudos do tema mostram o aperto batendo antes nas empresas endividadas e nos clientes sem sobra de renda. A Casas Bahia era os dois.

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2 · Atividade · Prévia do PIB de junho

A economia quase parou no trimestre dos juros a 14%

A prévia mensal do PIB, calculada pelo Banco Central, caiu 0,6% em junho, mais do que se esperava. O recuo fechou um trimestre de quase estagnação: a economia cresceu 1,2% no primeiro trimestre e só 0,2% no segundo.

Crescimento do IBC-Br sobre o trimestre anterior, com ajuste sazonal. Fonte: Banco Central, série até junho de 2026.

O raio-x de junho:

  • Indústria caiu 1,4% e serviços caíram 0,5%.
  • A agropecuária subiu 1,0% e segurou o resultado: sem ela, a queda do mês seria de 0,9%.
  • Em 12 meses a economia acumula alta de 1,5%.

O freio tem endereço: os juros básicos passaram o ano inteiro em 14% ou mais, e os juros agem com atraso. O aperto de 2025 está chegando à economia real agora. A recuperação judicial da notícia anterior é este mesmo número contado por uma empresa.

A pesquisa Focus, feita toda semana pelo Banco Central com economistas, completou o quadro pelo lado ruim. Depois de sete semanas em queda, a projeção de inflação pra 2026 parou de cair e a de 2027 subiu pra 4,24%. Atividade freando sem alívio na inflação é a pior combinação pro Copom, que decide os juros em setembro.

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3 · Eleição · Pesquisa e discurso fiscal no 1º dia útil

8 em cada 10 eleitores de Lula e Flávio dizem que não mudam mais de voto

A campanha começou no fim de semana e a pesquisa BTG/Nexus já mostrou uma disputa travada: 86% dos eleitores de Lula e 80% dos de Flávio Bolsonaro descartam mudar de candidato até outubro. Os números da corrida:

  • Lula tem 41% e Flávio Bolsonaro 36% no primeiro turno, 5 pontos de vantagem, acima da margem de erro de 2 pontos (2.003 entrevistas de 14 a 16/08).
  • No segundo turno, o placar é 47% a 44%, empate técnico.
  • As rejeições quase empatam: 50% não votariam em Flávio, 48% dizem o mesmo de Lula.

“O eleitor hoje está prestando atenção em Lula e Flávio Bolsonaro”, disse Marcelo Tokarski, que comanda o instituto Nexus. Os dois somam 67% quando o eleitor responde de cabeça, e quase 80% com a lista na mão. Desde março são dez rodadas de segundo turno, nove deram empate técnico, e em nenhuma Flávio apareceu na frente.

Sobra pouco pra terceira via: nenhum outro passa de 5 pontos, e Tokarski vê “largada desfavorável” pra Caiado, Zema e Renan Santos. O que pode mexer é o horário eleitoral, que 68% dizem que vão acompanhar. O precedente é Ciro Gomes em 2022, dois dígitos nas pesquisas e 3% nas urnas.

Pela leitura da Nexus, nem as investigações sobre o filho mais velho de Lula mexeram o ponteiro. Cada eleitor olha pro próprio candidato. O que se mexeu foi o mapa: Lula cresce no Nordeste, Flávio avança no Sudeste, e a média nacional fica parada.

Pra quem investe, o pano de fundo já era ruim antes da largada. O Ibovespa emendou a décima queda seguida, e os estrangeiros tiraram R$ 15,6 bilhões da B3 em agosto até o dia 13, a maior saída mensal desde janeiro de 2022, pela conta da Elos Ayta.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, discursou no mesmo dia numa conferência de banco: “a mesma intolerância que nós temos para a inflação alta, a gente tem que ter com a irresponsabilidade fiscal”.

O discurso tem teste marcado, o Orçamento de 2027 que precisa chegar ao Congresso até 31 de agosto. Enquanto a conta pública não fecha, os juros ficam em 14%, e as duas primeiras notícias de hoje mostram quem paga.

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4 · Trabalho · O estudo sobre IA e o primeiro emprego

O emprego jovem caiu 11% nas profissões expostas à IA e subiu 10% nas outras

Pesquisadores de Stanford mediram o que a inteligência artificial já fez com o emprego americano usando a folha de pagamento real de milhões de trabalhadores. O achado central: a IA não está demitindo os jovens. Está deixando de contratá-los.

Os números do estudo, atualizado na semana passada:

  • Entre 22 e 25 anos, o emprego nas ocupações mais expostas à IA está cerca de 19% abaixo do que estaria se tivesse acompanhado as pouco expostas.
  • Nas ocupações mais expostas, o emprego da faixa caiu 11% desde o fim de 2022. Nas menos expostas, subiu 10%.
  • A queda se concentra onde a IA automatiza a tarefa, como atendimento e programação júnior, e não onde ela funciona de ferramenta de apoio.

Os próprios autores avisam que o estudo descreve um padrão, não prova causa e efeito: a diferença encolhe quando se compara gente com a mesma escolaridade, e parte da tendência já existia antes de o ChatGPT ficar popular. O que o dado mostra é o degrau de entrada estreitando, não uma onda de demissões.

A lógica é desconfortável: quem está começando faz exatamente as tarefas que a máquina aprendeu primeiro. O dado é americano, sem medição equivalente aqui, mas o mecanismo não pede passaporte, e o primeiro emprego já é a porta mais apertada do nosso mercado de trabalho.

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📅 O que vem aí

Amanhã · 19/08

Ata do banco central americano

Sai às 16h de Brasília: o detalhamento da reunião de julho, quando três dirigentes votaram por subir os juros. O texto diz se a alta de setembro está viva, e o que eles fazem mexe no dólar daqui.

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📈 Mercados · Fechamento de segunda (17/08)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa166.784 pts▼ 0,1%
Dólar (Ptax)R$ 5,2014▼ 0,4%
Petróleo (Brent)US$ 91,08▲ 2,9%
OuroUS$ 4.471,60▲ 0,8%
S&P 5007.745 pts▼ 0,5%
Dow Jones53.460 pts▼ 0,5%
Nasdaq26.645 pts▼ 0,3%
BitcoinUS$ 64.345▲ 2,4%

Fonte: B3, Banco Central (Ptax do dia contra Ptax de sexta), COMEX (ouro: contrato mais ativo, variação no mesmo contrato) e Yahoo Finance.

📚 Vale ler

O pedido de recuperação da Casas Bahia por dentro

Os números do balanço, as nove subsidiárias incluídas e os motivos que a empresa listou à Justiça.

NeoFeed · Negócios · 17/08

A prévia do PIB de junho, número a número

A abertura por setor do IBC-Br e a comparação com o que o mercado esperava.

Metrópoles · Economia · 17/08

O estudo de Stanford sobre IA e o emprego dos jovens (em inglês)

Os seis fatos que os autores documentaram na folha de pagamento americana, com os gráficos originais.

Stanford · Estudo · 12/08

A leitura do CEO da Nexus sobre a disputa

A entrevista de Marcelo Tokarski: o voto solidificado, a terceira via sem tração e o efeito nulo do caso do filho de Lula.

CNN Brasil · Eleições · 17/08

O discurso fiscal do ministro da Fazenda, na íntegra

As aspas completas de Durigan sobre gasto, juros e o tarifaço americano.

InfoMoney · Política · 17/08