
SEGUNDA-FEIRA · 19 DE OUTUBRO DE 2026
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
☕ Bom dia
No primeiro debate, o Flávio fez um mea-culpa da pandemia, e o Lula acertou mais nos números.
A vantagem do Flávio encolheu na última semana, e a corrida chega apertada à reta final.
As medidas do governo cresceram com as promessas da reta final, e a IFI avisa que quem ganhar herda um ajuste. ☕

1 · Eleição · O debate da Band
No primeiro debate, o Flávio faz mea-culpa da pandemia e promete comprar a dívida de quem deve aos bancos
O Lula e o Flávio se enfrentaram ontem pela primeira vez nesta eleição, num debate de duas horas na Band. Teve mais acusação do que plano de governo. A lobista amiga do filho do Lula, o caso do Banco Master e a Polícia Federal ocuparam boa parte do tempo.
A novidade veio do Flávio, que fez um mea-culpa da pandemia. Depois de o Lula lembrar as mortes, ele disse: "Faço aqui um mea-culpa. Tivemos dois anos de pandemia, uma coisa nova". Admitiu falhas, mas disse que o pai "deu o seu melhor".
Para o bolso, o Flávio prometeu "comprar a sua dívida dos bancos" e criar um Ministério da Prosperidade. O Lula defendeu o perdão de R$ 12,6 bilhões em dívidas de microempreendedores, aprovado pelo Congresso na semana passada.
Nos números, o Lula acertou mais. A agência Lupa checou 27 falas até as 23h22. Das 12 do Lula, 6 estavam corretas e 2 eram falsas, como a de que o governo do Bolsonaro deixou um déficit de 2,8%. Em 2022, o governo central teve superávit de R$ 54,1 bilhões, uns 0,5% do PIB.
Das 15 do Flávio, 2 estavam corretas, como a de que a dívida pública passou de R$ 11 trilhões, e 3 eram falsas. Uma delas foi a de que o Lula gastou R$ 7 bilhões em viagens "com a Janja". O valor é o de todas as viagens do governo federal de 2023 a 2025.
O momento mais duro foi pessoal. Quando o Flávio perguntou por que 60% dos presos votaram no Lula, ele respondeu: "Quero 100%, inclusive o teu pai!". A Globo marcou o último debate para sexta, a dois dias da votação.
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2 · Eleição · As pesquisas
As pesquisas da semana ficaram entre 51 a 49 e o empate, e a vantagem do Flávio caiu quase pela metade
As pesquisas de segundo turno da semana passada convergiram para um placar apertado. Nos votos válidos, a conta da urna sem brancos e nulos, quase todas ficaram entre 51% a 49% para o Flávio e o empate. O Datafolha deu 51 a 49, a MDA, 50,5 a 49,5, e a PoderData, 50 a 50.
Na tendência das pesquisas, a linha que junta todas as rodadas e desconta a mão de cada instituto, o Flávio tem 50,9%, e o Lula, 49,1%. Em 8/10, eram 51,6% a 48,4%, como mostra o gráfico.

A vantagem do Flávio caiu quase pela metade em uma semana. Na última pesquisa de cada um dos 12 institutos que acompanhamos depois do primeiro turno, ele aparece a frente em 11. A PoderData dá empate. A conta não inclui a Vox Brasil.
Cada instituto tem a sua mão, e ela muda a leitura de cada número. O jeito de entrevistar e de pesar a amostra deixa uma marca que se repete rodada após rodada. Ao longo de 2026, o MDA deu ao Flávio, em média, 3,2 pontos a menos que a tendência, e a Gerp, 2,8 a mais. Descontada essa mão, o Datafolha de 13 a 15/10, que dá 51% ao Flávio, equivale a 52%. A Gerp de 14 a 16/10, que dá 52%, equivale a 49,9%.
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3 · Fiscal · A conta das medidas do ano
Com as promessas da reta final, as medidas do governo passam de R$ 366 bi
As medidas do governo neste ano somam R$ 354 bilhões, pela conta do Estadão, que junta crédito, subsídio, benefício e renúncia de impostos. A conta foi atualizada em 14/10, com o pacote dos microempreendedores.
Depois vieram duas promessas: o Pé-de-Meia para universitários, de R$ 4,6 bilhões por ano, e a tarifa zero nos fins de semana, de R$ 7 bilhões a R$ 8 bilhões por ano, pelas contas do governo. Somado um ano das duas, a conta chega a uns R$ 366 bilhões.
Nem tudo isso sai do caixa. A Instituição Fiscal Independente (IFI), o órgão do Senado que acompanha as contas públicas, fez na sexta outra conta, de R$ 298,4 bilhões, e separou o que é o quê. Mais de 60% são empréstimos, que voltam para o governo: R$ 185,7 bilhões em crédito com juros subsidiados, como o Move Brasil, que financia carro para taxistas e motoristas de aplicativo, e o Minha Casa, Minha Vida para a classe média.
O que pesa direto nas contas são R$ 93,8 bilhões: R$ 63,2 bilhões em gasto e R$ 30,6 bilhões em impostos que deixam de ser cobrados, como mostra o gráfico.

O crédito também tem custo. Como o Tesouro se financia a juros mais altos do que os cobrados nesses empréstimos, a diferença vira subsídio: R$ 10,2 bilhões neste ano, pela conta da IFI, nas linhas criadas ou ampliadas desde 2024. Esse custo não aparece no déficit, mas aumenta a dívida.
Parte da conta só chega em 2027. As medidas da reta final pesam nos próximos anos:
- o reajuste de 15% do Bolsa Família: uns R$ 22 bilhões por ano a partir de 2027, pela conta do governo
- o teto maior do MEI: R$ 8,1 bilhões em três anos
- o Pix de até R$ 5 mil para MEIs: R$ 5 bilhões em quatro anos
- o perdão de dívidas dos MEIs: uns R$ 3 bilhões em três anos
Para a IFI, o ajuste vai ter de ser grande. O diretor Alexandre Seijas, responsável pelo levantamento, calcula que a dívida bruta, hoje em 82,9% do PIB, só para de subir com um superávit de 2,1% do PIB, sem contar os juros. A meta atual, segundo ele, não basta. Sair do déficit de 0,5% do PIB previsto para este ano até esse superávit é uma virada de 2,6 pontos do PIB, uns R$ 350 bilhões por ano em valores de hoje, pela nossa conta.
O diretor-executivo da IFI, Marcus Pestana, foi direto: "Um ajuste fiscal será inevitável", seja quem for o vencedor. E os juros entram na mesma conta. No relatório de setembro, a IFI mostrou que a situação fiscal é "determinante central" do prêmio que o mercado cobra para emprestar ao governo, e falou num "círculo vicioso" entre desequilíbrio fiscal e juros altos.
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📈 Mercados
| Ativo | Fechamento | Na semana |
| Ibovespa | 205.430 pts | -1,74% |
| Dólar (Ptax) | R$ 5,08 | +1,87% |
| S&P 500 | 7.659 pts | -1,95% |
| Nasdaq | 26.140 pts | -4,48% |
| Petróleo (Brent) | US$ 109,86 | +4,91% |
| Ouro | US$ 4.181 | -0,83% |
Na semana: fechamento de sexta, 16 de outubro, contra o da sexta anterior. Dólar pela Ptax. Petróleo: contrato Brent de dezembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, Banco Central, ICE e Comex.
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📅 O que vem aí
HOJE · 8h25
Boletim Focus
A pesquisa semanal do Banco Central com economistas mostra o que o mercado espera para a inflação, os juros e o crescimento.
HOJE
Bolsa Família com reajuste
Começa o pagamento de outubro, o primeiro com o reajuste de 15%. O piso sobe de R$ 600 para R$ 691, e o pagamento vai até 30/10, pelo final do NIS.
SEXTA · 9h
IPCA-15 de outubro
A prévia da inflação oficial do mês, medida pelo IBGE.
SEXTA · À NOITE
Debate na Globo
O último debate antes do segundo turno, marcado para dois dias antes da votação.
📚 Vale ler
as 27 falas do Lula e do Flávio que a Lupa conferiu, com o número certo de cada uma. LUPA · CHECAGEM · 18/10/2026 |
as falas do Lula e do Flávio na ordem em que saíram, do primeiro confronto ao fim. EXAME · ELEIÇÃO · 18/10/2026 |
O levantamento da IFI sobre as medidas de 2026 o total, o que é crédito e o que pesa nas contas. INFOMONEY · FISCAL · 16/10/2026 |
O Gastômetro chega a R$ 354 bilhões a conta do Estadão das medidas do ano, depois do pacote dos MEIs. TIMES BRASIL · FISCAL · 14/10/2026 |
O diretor da IFI sobre o ajuste a entrevista do Marcus Pestana sobre a tarifa zero e o aperto do ano que vem. CNN BRASIL · FISCAL · 16/10/2026 |
