Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

SEGUNDA-FEIRA · 20 DE JULHO DE 2026

☕ Bom dia

A dívida do país bateu o maior nível em cinco anos, e um estudo da própria Câmara diz que o ajuste necessário é maior do que tudo o que o governo pode cortar.

Uma carta revelou que os Estados Unidos ofereceram aliviar a tarifa se o Brasil limitasse a China nos minerais críticos.

A guerra no Golfo atingiu instalações de petróleo pela primeira vez, e o barril fechou a semana em forte alta.

E a Copa terminou com premiação recorde e bilhões apostados no Brasil. ☕

Economia · A conta do país

Para estabilizar a dívida faltam R$ 330 bilhões por ano, mais que o dobro do Bolsa Família

A dívida bruta do país chegou a 81,1% da economia em maio, ou R$ 10,6 trilhões, o maior nível em cinco anos. O número é do Banco Central. O que mudou na sexta foi quem resolveu falar dele: a Consultoria de Orçamento da própria Câmara dos Deputados trouxe o assunto de volta com um estudo dizendo que o país vive uma "fadiga fiscal" e que, sem reforma, a dívida passa de 100% da economia entre 2032 e 2035.

O estudo, assinado pelo consultor Paulo Bijos, faz a conta que ninguém gosta de fazer em ano de eleição. Para gerar sobra de caixa suficiente e travar a dívida em 80%, o Brasil precisaria de um ajuste de R$ 330 bilhões por ano. Para dar a dimensão, tudo o que o governo pode cortar no Orçamento deste ano, a parte que não é obrigatória por lei, soma cerca de R$ 240 bilhões. Zerar tudo isso, todo ano, ainda não bastaria, como mostra o gráfico.

A ironia atravessa as duas Casas. O estudo é da Câmara e veio a público três dias depois de o Senado aprovar, por 73 votos a 1, uma aposentadoria especial para agentes de saúde que deve custar R$ 27,9 bilhões em dez anos, sem dizer de onde sairia o dinheiro. A mesma proposta já havia passado pela Câmara em outubro do ano passado, por 426 votos a 10. Um lado do Congresso avisa que a conta não fecha, o outro aprova a despesa.

"Fadiga fiscal" é o nome que o estudo dá ao que acontece quando um país passa anos empurrando o ajuste com a barriga. Cada nova tentativa de arrumar as contas encontra menos espaço político e mais despesa carimbada por lei, até sobrar quase nada para cortar. O remédio que os consultores apontam não é tesourada pontual, e sim reforma do que está travado no orçamento.

E o relógio tem data marcada. Quem ganhar a eleição em outubro vai precisar levar uma solução estrutural ao Congresso até abril de 2027, quando o governo manda o projeto que define as metas de 2028. É a primeira fatura que o próximo presidente recebe, antes mesmo de escolher o time.

🎓 O que a teoria diz: por que a dívida do governo aparece na sua prestação?

Quando o governo deve muito e não convence o mercado de que vai parar de dever, precisa oferecer juros maiores para achar quem empreste. Como ele é o tomador mais seguro da praça, esses juros viram o piso sobre o qual o banco monta o preço do resto: financiamento de carro, crédito imobiliário, cartão. Não é o único ingrediente, porque entram também calote, prazo, imposto e a margem do banco, mas é a fundação. Só em maio o país gastou R$ 107,5 bilhões com juros da dívida, contra R$ 92,1 bilhões um ano antes. Quanto maior essa conta, menos espaço sobra no Orçamento para todo o resto.

E daí?

A conta não chega pelo noticiário, chega pela prestação. Enquanto o mercado achar que a dívida não para de crescer, os juros longos seguem altos, e é sobre eles que o banco calcula o financiamento da casa e do carro. Para quem tem dinheiro guardado, a renda fixa continua pagando bem. Para quem precisa tomar emprestado, e para o governo, que deve muito, cada mês assim sai mais caro.

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Geopolítica · O que estava na mesa

Documento indica que os EUA poderiam aliviar a tarifa de 25% se o Brasil limitasse a China nos minerais críticos

A sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor nesta quarta, dia 22. Na sexta veio à tona uma carta de três páginas que o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, mandou ao governo brasileiro em janeiro. O texto não prometia nada, mas sinalizava que Washington poderia considerar reduzir as tarifas caso o Brasil aceitasse uma lista de condições. Uma delas: restringir o acesso de "atores não orientados pelo mercado" a minerais críticos e terras raras em território brasileiro.

A carta não cita a China pelo nome, mas foi assim que autoridades brasileiras entenderam a frase. E isso muda a leitura da briga. O debate público girava em torno de Pix, etanol e desmatamento. Nos bastidores, o que estava na mesa era o Brasil se posicionar na disputa entre americanos e chineses pelos minerais que fazem funcionar carro elétrico, turbina eólica e equipamento militar.

O governo decidiu não revidar por ora. A Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso, ficou na gaveta, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que "não cabe falar em retaliação". Em vez disso, o Executivo reativou o Plano Brasil Soberano para socorrer as 2,4 mil empresas atingidas, e o BNDES pediu R$ 7,25 bilhões a mais para reforçar as linhas de crédito de quem perder mercado nos Estados Unidos. Antes mesmo de a tarifa valer, o governo já mobilizava dinheiro público para amortecer o baque.

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Internacional · A guerra e o barril

O petróleo beira US$ 90 depois que a guerra no Golfo saiu da rota e chegou na produção

Foi um fim de semana de escalada. Na noite de sexta, mísseis e drones iranianos atingiram a base americana de Al-Azraq, na Jordânia, e mataram dois soldados dos Estados Unidos, com um terceiro desaparecido. No sábado, o Irã acertou uma instalação da estatal de petróleo do Kuwait, mais uma usina de energia e uma planta de dessalinização. Na madrugada de domingo, às 3h39, mísseis americanos atingiram o canteiro de obras da usina nuclear de Darkhovin, no sul do Irã. Quem afirma isso é a agência nuclear iraniana. Os Estados Unidos não confirmaram esse alvo e só disseram ter completado a oitava noite seguida de ataques, mirando defesa antiaérea, radares da costa e depósitos de mísseis. A agência nuclear da ONU informou que apura o caso, que a usina está em fase muito inicial de construção e que não havia material nuclear no local, ou seja, sem risco de radiação. Somando tudo, o Irã já atingiu alvos americanos em seis países da região.

A mudança que interessa ao seu bolso é essa. Até agora a guerra travava a rota, agora está atingindo a torneira. O Estreito de Ormuz, por onde passava um quarto de todo o petróleo transportado por mar no mundo, está bloqueado desde fevereiro, e o Irã declarou a via formalmente fechada em 12 de julho. O Brent fechou a sexta a US$ 88,10, alta de 4,59% em um só dia, e no domingo à noite seguia subindo, a US$ 89,95. Mesmo assim segue longe do pico de março, quando o barril bateu US$ 118, como mostra o gráfico.

No Brasil o efeito entra por uma porta específica. O país é autossuficiente em petróleo bruto, mas não em diesel, e a Petrobras voltou a importar o combustível em julho depois de três meses sem comprar lá fora. Por enquanto a estatal segura o repasse, e a gasolina sai da refinaria cerca de 20% abaixo do preço de importação. Isso protege a inflação agora e aumenta o risco de um ajuste lá na frente, se o barril não ceder. Nos Estados Unidos, onde não há estatal segurando nada, o galão chegou a US$ 4,00 na média nacional de domingo, 34% acima do que custava dois dias antes de a guerra começar.

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Fora da caixa · A conta da Copa

A Copa distribuiu US$ 655 milhões em prêmios e as apostas no Brasil movimentaram até R$ 4,4 bilhões só na primeira fase

A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0 no domingo e levou US$ 50 milhões. A Fifa distribuiu US$ 655 milhões em prêmios, 50% a mais que no Catar, e nenhuma das 48 seleções voltou para casa com menos de US$ 10,5 milhões, sendo US$ 9 milhões de prêmio e US$ 1,5 milhão de ajuda para a preparação. Do outro lado do caixa, a entidade projeta faturar cerca de US$ 8,9 bilhões só com o torneio: US$ 3,9 bilhões de direitos de transmissão, US$ 3 bilhões de ingressos e pacotes de hospitalidade e US$ 1,8 bilhão de patrocínio. A bilheteria pesou porque a Fifa usou preço dinâmico pela primeira vez numa Copa, com ingresso saindo de US$ 60 a US$ 7.875.

Os US$ 3,8 bilhões que apareceram nas manchetes não são conta pública: é o que a própria Fifa gastou para montar o torneio, entre operação, premiação e hospedagem das seleções. A conta dos governos existe, mas está espalhada e nunca foi consolidada. Onde alguém auditou, o número apareceu: no Canadá, o órgão que fiscaliza o Orçamento do Parlamento calculou 1,07 bilhão de dólares canadenses de dinheiro público para sediar 13 jogos, cerca de 82 milhões por partida.

No Brasil o dinheiro correu por outro caminho. Só na fase de grupos, entre 11 e 27 de junho, as apostas sobre a Copa movimentaram até R$ 4,4 bilhões, segundo estimativa da consultoria Aposta Legal. A mesma consultoria projeta que as casas fechem o período do torneio com R$ 10,85 bilhões de receita líquida, o que renderia R$ 1,41 bilhão de imposto. O que já é fato consumado é a arrecadação da Receita Federal: ela praticamente dobrou, de R$ 2,3 bilhões nos quatro primeiros meses de 2025 para R$ 4,6 bilhões no mesmo período deste ano, alta de 101%.

E tem o número que resume o país: a CBF paga R$ 58,6 milhões por ano a Carlo Ancelotti, mais do que os técnicos da Espanha e da Argentina ganham somados. Os dois disputaram a final. O Brasil assistiu pela televisão.

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📅 O que vem aí

Hoje · 20/07

Começam as convenções partidárias. Até 5 de agosto, os partidos escolhem oficialmente seus candidatos a presidente, governador, senador e deputado. É quando a promessa de campanha vira compromisso registrado.

Hoje · 20/07

Boletim Focus. Às 8h25, a pesquisa semanal do Banco Central mostra se o mercado mexeu nas contas de inflação e de juros depois da alta do petróleo.

Terça · 21/07

Produção da Vale. Uma das maiores exportadoras do país divulga quanto minério tirou do chão no trimestre, a prévia do balanço que sai no dia 30.

Quarta · 22/07

Tarifa em vigor. Começa a valer a sobretaxa americana de 25% sobre os produtos brasileiros que ficaram fora da lista de isenções.

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📊 Mercados — Fechamento da semana (13 a 17/07)

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa173.714 pts↓ −2,33%
Dólar (comercial)R$ 5,11↓ −0,40%
Petróleo (Brent)US$ 88,10↑ +15,9%
Ouro (futuro)US$ 4.013*↓ −2,23%
S&P 5007.458 pts↓ −1,55%
Dow Jones52.146 pts↓ −0,93%
Nasdaq25.520 pts↓ −2,90%
BitcoinUS$ 63,9 mil*↓ −0,36%

* Preço por volta do fechamento do mercado brasileiro na sexta; segue em negociação no exterior. O Brent continuou subindo no fim de semana e chegou a US$ 89,95 no domingo à noite.

Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação de 10/07 a 17/07 · Elaboração: Daily Brew

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O ataque à usina nuclear de Darkhovin, no sul do Irã (em inglês)

O relato do bombardeio da madrugada de domingo que abre o bloco 3, com a versão da agência nuclear iraniana.

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A tabela de premiação da Fifa posição por posição, do campeão ao último colocado.

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