Daily Brew

QUINTA-FEIRA · 22 DE OUTUBRO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

O Banco Central estuda limitar o crédito sem garantia pela renda de cada cliente, e o governo deve abrir hoje a chamada para comprar dívidas do Desenrola.

A Quaest mostra empate técnico na reta final, com a rejeição do Lula em queda.

Um estudo mediu o que aconteceu quando a França cortou a jornada para 35 horas sem cortar salário.

Os EUA anunciaram um projeto de inteligência artificial no Paraguai movido a energia de Itaipu. ☕

1 · Crédito · O teto pela renda

O BC estuda limitar o crédito sem garantia pela renda de cada cliente, e o governo vai comprar até R$ 90 bilhões em dívidas

O Banco Central estuda limitar o crédito sem garantia, como o cartão e o empréstimo pessoal, de acordo com a renda de cada cliente. A informação é de fontes ouvidas pela agência Reuters. O BC não comentou.

O modelo estudado é o de Cingapura. Lá, cada banco pode emprestar sem garantia no máximo dois meses de salário a quem ganha pouco e quatro meses à faixa do meio. Os mais ricos não têm limite, e quem fica abaixo de um piso de renda não tem acesso a esse crédito. Somando todos os bancos, quem passa três meses seguidos com mais de 12 salários em dívidas com juros fica sem crédito novo.

As medidas viriam aos poucos. Uma das propostas obriga os bancos a avaliar se o cliente consegue pagar as parcelas sem apertar demais o orçamento e se o crédito combina com o perfil dele. Outra exige que custos e condições apareçam com clareza antes da contratação.

As famílias nunca usaram tanto da renda para pagar dívidas com bancos. Em julho, as parcelas levaram 28,7% da renda do mês, o maior nível da série do BC, que começa em 2005, como mostra o gráfico.

A dívida total chegou a 49,9% da renda de um ano, perto do recorde de janeiro. O BC já tinha avisado que ia apertar a oferta de crédito sem garantia, incluindo o cartão.

No mesmo dia, o governo marcou o passo seguinte do Desenrola 3.0. Hoje deve sair a chamada para bancos e fundos oferecerem carteiras de dívidas de cartão e de crédito pessoal de até R$ 10 mil, com 2 a 4 anos e meio de atraso. Quem entrar aceita vender com desconto de pelo menos 90%.

O governo vai pagar no máximo R$ 9 bilhões por até R$ 90 bilhões em dívidas. O desconto do leilão é repassado ao devedor e pode chegar a 97%, segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron. O leilão deve acontecer até o começo de dezembro. Por enquanto, quem deve não precisa fazer nada.

🎓 O que a teoria diz

Um estudo de 2010 dos economistas Stephan Meier e Charles Sprenger mostrou que quem dá peso demais ao presente deve mais no cartão. Eles mediram a impaciência de 606 pessoas de baixa renda em Boston, com escolhas valendo dinheiro de verdade entre receber menos hoje ou mais daqui a um mês, e cruzaram as respostas com o histórico de crédito delas.

Os mais impacientes tinham mais chance de dever no cartão e, quando deviam, deviam cerca de 25% a mais, mesmo com a mesma renda. É o que a economia chama de viés do presente: o prazer da compra pesa agora, e a conta fica para um futuro que parece menor do que é. Para quem tem esse viés, um teto fixado com calma, pela renda, funciona como uma trava contra a decisão tomada na hora da compra.

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2 · Eleição · A reta final

A Quaest dá 45% ao Flávio e 44% ao Lula, e a rejeição do Lula cai de 53% para 47%

A Quaest divulgada ontem dá 45% ao Flávio e 44% ao Lula no segundo turno, um empate técnico a quatro dias da votação. Na rodada anterior, de 14 de outubro, eram 46% a 44%.

A rejeição do Lula caiu 6 pontos em uma semana. Os que dizem que não votariam nele de jeito nenhum foram de 53% para 47%. Os do Flávio, de 54% para 52%.

Os indecisos dobraram na pergunta sem a lista de nomes. Quando o entrevistador não mostra os candidatos, 14% não sabem dizer em quem vão votar, contra 7% na semana passada. Com a lista na mão, os indecisos são 2%.

A bolsa caiu 0,86% ontem, e o dólar subiu 0,17%, para R$ 5,03, na contramão das bolsas americanas. Desde o primeiro turno, o mercado vinha subindo com a aposta numa vitória do Flávio.

Na reta final, as promessas miraram o bolso:

  • O Lula sancionou ontem a lei que perdoa a contribuição ao INSS que os MEIs deixaram de pagar até 13 de outubro e sobe o limite de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil por ano, a partir de janeiro.
  • O governo também mandou ao Congresso uma proposta que reserva pelo menos 26,8% das emendas obrigatórias dos parlamentares para bancar ônibus de graça. São uns R$ 12 bilhões em 2027, o bastante, pelas contas oficiais, para a tarifa zero nos fins de semana e feriados.
  • A campanha do Flávio promete um "Vira Pix", para devolver, com a Caixa, parte do que as pessoas pagam em contas de luz, prestações e taxas. Não disse quanto, quando nem quanto custaria.
  • O ministro da Fazenda, Dario Durigan, respondeu que a devolução já é lei. A partir de janeiro, famílias do Cadastro Único com renda de até meio salário mínimo por pessoa recebem de volta todo o novo imposto federal embutido nas contas de luz, água, gás e telefone, e 20% dele nas outras compras.
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3 · Trabalho · As 35 horas na França

Na França, a jornada de 35 horas não cortou empregos porque veio junto com um corte de impostos, mostra estudo

Pesquisadores publicaram neste mês um estudo mostrando que a jornada de 35 horas não reduziu o emprego na França porque veio junto com um corte no imposto sobre a folha. A partir de 2000, as empresas francesas tiveram de passar de 39 para 35 horas semanais sem mexer no salário do mês.

Na média, o custo de cada hora de trabalho para as empresas subiu só 0,8%, porque o desconto no imposto da folha cobriu 60% da alta do salário por hora.

As horas trabalhadas caíram 6%, e a produção só 1%. A produtividade subiu 2%. Em pesquisas, 42% dos trabalhadores disseram fazer o mesmo serviço em menos tempo, e 32% relataram mais estresse.

O emprego total ficou do mesmo tamanho. Sem o corte de impostos, ele teria caído 3,8%, pela conta dos autores. A média esconde uma troca: as vagas de gerentes e profissionais aumentaram, e as dos demais diminuíram. Entre os demais, quem continuou empregado perdeu 1,7% da renda do ano.

No Brasil, a emenda que acaba com a escala 6x1 foi promulgada na sexta, 16. A jornada máxima cai de 44 para 42 horas, com duas folgas por semana, em meados de dezembro, e chega a 40 horas um ano depois, sem redução de salário.

A emenda brasileira não traz desconto de imposto. Ela só prevê que uma lei complementar pode criar regras de transição para MEIs e pequenas empresas. O tamanho do corte é parecido. Aqui, de 44 para 40 horas, são 9% da jornada. Lá, de 39 para 35, foram 10%.

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4 · Mundo · Itaipu e a inteligência artificial

Os EUA anunciam um projeto de inteligência artificial no Paraguai movido a energia de Itaipu

O governo americano anunciou ontem um projeto de infraestrutura de inteligência artificial no Paraguai, alimentado pela energia da usina de Itaipu. A americana Crusoe e a paraguaia Araico querem ligar a primeira estrutura em meados de 2027, para atender clientes dos EUA e da América Latina.

O anúncio saiu na visita do vice-secretário de Estado, Christopher Landau, ao presidente Santiago Peña, e não cita o Brasil. O valor do investimento e a energia prevista não foram divulgados. O comunicado diz só que pode ser um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai.

No texto, a tecnologia aparece como "SI", e não IA. Desde setembro, os diplomatas americanos foram orientados a dizer superinteligência no lugar de inteligência artificial.

A energia sairia da metade paraguaia da usina. Itaipu é dividida meio a meio entre os dois países, e o que o Paraguai não usa é vendido ao Brasil. O Paraguai ficou com 24% da energia de Itaipu em 2021 e com 35% em 2025. De janeiro a setembro deste ano, foram 37%.

Toda energia que o Paraguai passa a usar em casa deixa de ser vendida ao Brasil. No ano passado, diretores da usina estimaram que o país chegue a usar metade da energia de Itaipu em 2035, puxado por data centers e pela mineração de criptomoedas.

As regras de preço e de venda dessa energia, o chamado Anexo C do tratado, deveriam ter sido revistas até o fim de 2024 e seguem em aberto. No começo do mês, o Peña disse que a negociação espera a eleição brasileira.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa206.495 pts-0,86%
DólarR$ 5,03+0,17%
S&P 5007.757 pts+0,58%
Nasdaq26.703 pts+1,05%
Petróleo (Brent)US$ 108,82+0,03%
OuroUS$ 4.150+0,18%

Fechamento de quarta, 21 de outubro. Dólar à vista no fechamento. Petróleo: contrato Brent de dezembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, ICE e Comex.

Que nota você dá pra edição de hoje?

📅 O que vem aí

HOJE · À TARDE

Datafolha do segundo turno

Nova rodada do instituto, a três dias da votação.

SEXTA · 9h

IPCA-15: a prévia da inflação de outubro

O IBGE mostra quanto os preços subiram entre meados de setembro e meados de outubro.

SEXTA · 21h20

Último debate, na Globo

O Lula e o Flávio se encontram pela última vez antes da votação, depois do Jornal Nacional.

DOMINGO · 25/10

Segundo turno

A votação vai das 8h às 17h, pelo horário de Brasília.

27 E 28/10

Decisão do Fed

O banco central americano decide se sobe os juros de novo, depois da alta de setembro.

📚 Vale ler

O BC e o teto do crédito pela renda

o plano em estudo e o modelo de Cingapura.

G1 · CRÉDITO · 21/10/2026

O passo seguinte do Desenrola 3.0

a chamada para os bancos, o leilão e o desconto mínimo de 90%.

G1 · DÍVIDAS · 21/10/2026

A Quaest de 21 de outubro

os números do segundo turno, a rejeição e a indecisão.

G1 · ELEIÇÃO · 21/10/2026

O "Vira Pix" e a resposta da Fazenda

a promessa da campanha do Flávio e a devolução de impostos que já é lei.

PODER360 · ELEIÇÃO · 21/10/2026

O que muda para o MEI

o perdão das dívidas e o novo limite de faturamento.

AGÊNCIA BRASIL · MEI · 21/10/2026

As 35 horas na França

o estudo sobre emprego, produção e produtividade, em inglês.

NBER · ESTUDO · 10/2026

Itaipu e a inteligência artificial

o anúncio dos EUA no Paraguai.

CNN BRASIL · ENERGIA · 21/10/2026