
SEXTA-FEIRA · 25 DE SETEMBRO DE 2026
Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
☕ Bom dia
O Banco Central cortou a previsão de crescimento e ainda vê a inflação acima do teto no fim do ano.
Para quase metade dos brasileiros o dinheiro não dá, e o BC prepara medidas contra o crédito predatório.
O Trump quer parar de exportar diesel, e o Brasil compra dos EUA quase todo o diesel que importa. ☕
O melhor investimento de hoje: mandar esse link.
| Seu placar agora {{rp_personalized_text}} |
|
Grátis, sem prazo — cada indicação conta pra sempre.

1 · Juros · O relatório do BC
O BC prevê inflação de 5,2% no fim do ano, mesmo com a economia esfriando
O Banco Central manteve em 5,2% a previsão de inflação para o fim do ano, acima do teto da meta de 4,5%. E cortou de 2% para 1,8% a de crescimento da economia em 2026. Para 2027, espera 1,4%.
As contas saíram ontem no Relatório de Política Monetária, o balanço trimestral do BC. A economia esfria e a inflação ainda não dá folga. Desde o fim de 2024, já com os juros em alta, o consumo das famílias cresce em média 0,1% por trimestre. Antes crescia 1,4%.
O BC descarta recessão: "Apesar de alguma narrativa do mercado, não existe uma perspectiva de recessão significativa para o ano de 2027", disse o diretor Paulo Picchetti.
No relatório, a chance de a inflação terminar o ano acima do teto subiu de 79% para 90%.

No caminho que o BC projeta, a inflação em 12 meses volta a passar do teto em outubro e chega a 5,2% em dezembro. Em março de 2027 ainda estará em 4,9%. Como mostra o gráfico, ela só chega perto da meta de 3% no começo de 2028.

Se ela passar seis meses seguidos acima do teto, o presidente do BC tem de explicar o motivo em carta aberta ao ministro da Fazenda. O atual, Gabriel Galípolo, já escreveu uma em julho de 2025.
A projeção para o começo de 2028, o prazo que guia os juros, ficou em 3,2% como em junho. O caminho até lá é que ficou mais alto, com 2027 até meio ponto acima. Pesaram o clima, o petróleo e as expectativas de inflação. E a economia está mais aquecida do que o BC estimava, mesmo desacelerando.
É com a projeção de 3,2% que o Copom sustenta os cortes. Os juros básicos estão em 13,75% ao ano, depois de cinco reduções seguidas.
O BC não espera ajuste nas contas do governo até o começo de 2028. "Não prevemos consolidação fiscal no horizonte relevante", disse o Picchetti. No mesmo dia, o governo refez as contas de 2026. Contando todas as despesas, o déficit previsto subiu de R$ 52 bilhões para R$ 81 bilhões.
O reajuste de 15% do Bolsa Família, que começa em outubro, ainda está fora das projeções. O BC só conta uma medida quando ela já está valendo, disse o Galípolo.
Hoje às 9h o IBGE divulga o IPCA-15, a prévia da inflação de setembro. A conta de luz deve pesar, porque acabou o bônus de Itaipu que baixou a de agosto. Para setembro inteiro, o BC projeta alta de 0,65%.
🎓 O que a Teoria diz
Os juros levam tempo para chegar aos preços. Passam primeiro pelo crédito, pelo câmbio e pelas expectativas, e só depois pelos reajustes. O Milton Friedman chamou esse atraso de defasagem "longa e variável", expressão que o BC repete no relatório. Um corte feito agora pesa pouco na inflação de dezembro.
Por isso quem trabalha com meta mira a inflação projetada, e não o número do mês. O economista sueco Lars Svensson chamou isso de meta para a previsão de inflação, em 1997. No Brasil, o alvo é o horizonte relevante, cerca de seis trimestres à frente, hoje o começo de 2028. Ali o BC projeta 3,2%, perto dos 3%.
A alta do fim do ano vem sobretudo de petróleo e clima, choques de oferta que os juros não alcançam no curto prazo. A boa prática, lembra o Copom, é tolerar o efeito direto e reagir ao de segunda ordem, quando o choque contamina salários e outros preços. O BC não viu esse contágio no petróleo, mas com as expectativas acima da meta o risco segue.
| 📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp |

2 · Crédito · O crédito predatório
Para 49% dos brasileiros o dinheiro não dá, e o BC prepara medidas contra o crédito predatório
Para 49% dos brasileiros, o que a família ganha não dá para as despesas. É o que diz o Datafolha feito de 14 a 19 de setembro. Para 34%, às vezes falta dinheiro. Para 15%, a renda é tão baixa que traz muitas dificuldades.
Ontem o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse que o BC está preocupado com a oferta de crédito "agressivo ou até predatório" e vai anunciar medidas contra o endividamento.
As dívidas nunca pesaram tanto no orçamento das famílias. Pelos dados do BC:
- as parcelas levavam 28,9% da renda das famílias em junho, o maior nível da série
- o calote no crédito livre às famílias chegou a 7,8%, também recorde
- cerca de 100 milhões de brasileiros têm dívida no cartão, e metade deles paga juros perto de 15% ao mês
No rotativo do cartão, a linha mais cara, a inadimplência chega a 65%. "Um produto com 65% de inadimplência tem problema de design", disse o Galípolo.
O BC quer criar atrito na hora de contratar, para a pessoa olhar os juros e não só se a parcela cabe no bolso. Uma ideia em estudo, inspirada em Singapura, é que quem já está muito endividado só receba oferta de empréstimo se autorizar antes.
Os bancos esperam também que o BC cobre deles mais capital para emprestar no cartão e no crédito pessoal sem garantia, o que encarece essas linhas. As medidas vão sair aos poucos. O Galípolo reconheceu o risco de apertar os bancos e empurrar o cliente para empresas fora do alcance do BC.
A preocupação vai além do cartão. Financiar a casa é dívida para comprar um bem, disse ele. "O problema é o risoto seis vezes sem juros."
| 📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp |

3 · Diesel · A ameaça do Trump
O Trump quer parar de exportar diesel, e 80% do que o Brasil importa vem dos EUA
O Trump disse na terça, na ONU, que defende proibir a exportação de diesel dos EUA, onde o combustível bateu recorde. "Eu disse para não mandarmos o diesel para fora", afirmou. O litro lá custa o equivalente a quase R$ 9.
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, e em setembro 80% dessas compras vieram de refinarias americanas, segundo a associação dos importadores. A Rússia, que era a maior fornecedora, parou de exportar depois dos ataques da Ucrânia às suas refinarias. O Brasil já tinha perdido o diesel russo, e agora o americano entrou em dúvida.
O diesel move os caminhões e as máquinas do campo, e o preço dele chega ao frete e à comida. Outubro é o mês de maior consumo, com a colheita e o plantio.
Em Washington, o governo ainda estuda se a proibição seria total ou parcial. Na quarta, o secretário de Energia, Chris Wright, disse que "ninguém quer uma proibição total".
Mesmo antes da ameaça, trazer diesel de fora já estava caro:
- importar o litro chegou a custar perto de R$ 7 em alguns portos na semana passada, recorde da ANP, contra uns R$ 3 no começo do ano
- mesmo com R$ 2,12 de subsídio por litro, o diesel da Petrobras sai R$ 1,32 abaixo do custo de importar, pela conta dos importadores
- as medidas de setembro para segurar diesel, gasolina e etanol custam cerca de R$ 7 bilhões por mês à União
Ontem o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que a tendência é manter o subsídio de R$ 2,12 por mais um mês. A decisão é do Lula, e a parte de R$ 1,12 vence amanhã.
A Petrobras diz que já comprou 650 milhões de litros para outubro e que está ampliando a produção própria.
| 📱 Compartilhe essa notícia pelo WhatsApp |
📈 Mercados
| Ativo | Fechamento | No dia |
| Ibovespa | 183.966 pts | -0,99% |
| Dólar | R$ 5,19 | +0,47% |
| S&P 500 | 7.704 pts | -0,02% |
| Nasdaq | 26.939 pts | +0,01% |
| Petróleo (Brent) | US$ 106,60 | +3,41% |
| Ouro | US$ 4.298 | -0,47% |
Fechamento de quinta, 24 de setembro. Dólar à vista no fechamento. Petróleo: contrato Brent na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, ICE e Comex.
Fazer login ou Inscrever-se participar
📅 O que vem aí
HOJE · 9h
IPCA-15: a prévia da inflação
O IBGE mede os preços de meados de agosto a meados de setembro. É a última leitura da inflação oficial antes do primeiro turno.
SÁBADO · 26/09
Subsídio do diesel
Vence a parte de R$ 1,12 por litro. O governo diz que deve manter o total de R$ 2,12 por mais um mês.
TERÇA · 29/09
PNAD: o desemprego
O IBGE mostra o desemprego no trimestre até agosto. No trimestre até julho, ficou em 5,3%, o menor para o período desde 2012.
QUARTA · 30/09
Decreto do Orçamento
O governo diz se devolve aos ministérios o R$ 1,9 bilhão liberado no relatório de receitas e despesas de ontem.
📚 Vale ler
O Relatório de Política Monetária de setembro as projeções do BC para inflação e crescimento, com a tabela usada no gráfico. BANCO CENTRAL · JUROS · 24/09/2026 |
BC descarta recessão em 2027, "apesar de alguma narrativa do mercado" as falas do Picchetti e do Galípolo sobre as contas do governo e o Bolsa Família. CORREIO BRAZILIENSE · JUROS · 24/09/2026 |
O BC está preocupado com ofertas agressivas e predatórias de crédito o que o Galípolo disse sobre cartão, parcelas e as medidas em estudo. G1 · CRÉDITO · 24/09/2026 |
Quase metade dos brasileiros diz que o dinheiro não é suficiente para o orçamento a pesquisa Datafolha sobre a renda das famílias. FOLHA · BOLSO · 24/09/2026 |
A ameaça do Trump ao diesel que o Brasil importa quanto do diesel importado vem dos EUA e o custo recorde para trazer o combustível. FOLHA · DIESEL · 23/09/2026 |
