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Daily Brew

SEGUNDA-FEIRA · 27 DE JULHO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

O PL oficializou Flávio Bolsonaro candidato à Presidência, e o argentino Milei roubou a cena chamando Moraes de "lixo careca".

Cinco pesquisas de julho terminaram do mesmo jeito: Lula na frente de Flávio no segundo turno.

Lá fora, o petróleo bateu US$ 100, já aliviou um pouco, mas afastou ainda mais um corte de juros do Fed.

E o imposto criado pra taxar os ricos rendeu 8% do previsto. Adivinha quem vai cobrir o furo. ☕

Brasil · Contas públicas

O imposto criado pra taxar os ricos rendeu 8% do previsto

Um imposto de 10% sobre os dividendos, a fatia do lucro que a empresa repassa aos donos, retido quando ela paga mais de R$ 50 mil por mês à mesma pessoa, foi criado para bancar a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e deveria render R$ 28 bilhões neste ano. No primeiro semestre, entrou apenas R$ 2,2 bilhões, 8% da previsão para o ano inteiro. Na sexta 24/07, a Receita admitiu o furo em relatório oficial e cortou a meta para R$ 17,2 bilhões.

O motivo do furo estava na própria lei. Ela isentou o lucro apurado até o fim de 2025, mesmo que o pagamento saísse depois. Então as empresas correram para aprovar a distribuição ainda em 2025, antes de o imposto valer, e boa parte do estoque que seria taxado passou pela janela que a lei abriu. A XP calculou que elas poderiam antecipar entre R$ 42 bilhões e R$ 85 bilhões em dividendos para aproveitar a brecha.

A Receita diz que ainda dá tempo, porque os dividendos se concentram no segundo semestre, e mantém a expectativa de arrecadar cerca de R$ 15 bilhões de julho a dezembro. Mas o salto exigido assusta: seria preciso arrecadar quase sete vezes o ritmo do primeiro semestre para chegar lá.

Enquanto isso, a isenção de R$ 28 bilhões por ano segue de pé e beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas, somando quem deixou de pagar e quem passou a pagar menos. A receita que ia compensá-la é que não veio. Alguém terá de cobrir a diferença, com outra receita, corte de gasto ou mais déficit. E aqui mora a regra que ninguém conta: imposto novo não é dinheiro novo, é comportamento novo, e o topo, que tem holding e pode escolher a hora de distribuir o lucro, se mexe mais rápido que a lei.

E isso num país onde a conta de impostos já é recorde, perto de um terço de tudo o que a economia produz. Uma frustração dessas não some no ar. Ela pode virar mais déficit, mais dívida e pressão sobre os juros, dependendo de como o governo tapar o buraco. A isenção foi real. A receita que a bancaria, não. E toda conta pública que não fecha, no fim, é a sociedade que paga.

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Brasil · Eleição 2026

Cinco pesquisas em julho, e Lula com o número maior nas cinco

A Datafolha divulgada na sexta 24/07 mostrou Lula com 48% e Flávio Bolsonaro com 43% num eventual segundo turno. Foi a quinta pesquisa nacional divulgada no mês, e em todas o presidente apareceu com o número maior. O próprio instituto classificou os 5 pontos de diferença como vantagem de Lula, não empate.

No primeiro turno, o mesmo levantamento colocou Lula em 40% e Flávio em 32%. Atrás vieram nomes ainda pequenos: Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 3%. Contra Caiado e Zema no segundo turno Lula abriu mais, o que faz de Flávio o adversário que hoje chega mais perto.

Julho teve cinco institutos e cinco resultados diferentes para o mesmo Lula contra Flávio. A AtlasIntel, com campo ainda em junho, deu 48,8 a 42,3, a Meio/Ideia 45 a 40, a Quaest 45 a 37, a Real Time 45 a 42 (que o próprio instituto chamou de empate técnico) e a Datafolha 48 a 43. A vantagem de Lula variou de 3 a quase 9 pontos conforme quem perguntou e como perguntou.

Mas uma coisa não mudou de junho para cá: Lula na dianteira, com uma folga que oscila de pesquisa para pesquisa e não some.

🎓 O que a teoria diz: por que cinco pesquisas sérias dão cinco números?

Institutos sérios chegam a resultados diferentes porque perguntam de jeitos diferentes. Uns batem na porta, outros ligam, outros mandam um formulário pela internet, e cada um pondera a amostra do seu modo. Essa tendência de uma casa puxar sempre um pouco para o mesmo lado tem nome na estatística, o efeito casa. Em 2005, o estatístico Simon Jackman mostrou que juntar várias pesquisas e corrigir esse viés dá um retrato mais fiel da eleição do que qualquer pesquisa sozinha.

E daí?

Não cace a pesquisa da moda nem a mais recente, olhe o conjunto. A média simples das cinco dá a Lula cerca de 5 pontos de vantagem, e os agregadores sérios ainda pesam cada pesquisa pelo tamanho e pela data. Quando a pergunta muda de mil formas e o resultado continua parecido, ele tende a ser real.

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Brasil · Eleição 2026

PL lança Flávio 8 pontos atrás de Lula, e o Milei chama Moraes de "lixo careca"

O PL oficializou Flávio Bolsonaro candidato à Presidência no sábado, na Arena Pacaembu, em São Paulo. A chapa saiu sem vice: Valdemar Costa Neto disse que quem escolhe o segundo nome é Jair Bolsonaro.

A estrela do ato foi o argentino Javier Milei. Ele discursou em espanhol, com legendas, chamou Alexandre de Moraes de "lixo careca" por ter barrado sua visita a Jair na prisão e pediu voto contra a "palhaçada socialista". "Confiamos em você, Flávio", disse. Edson Fachin, presidente do STF, respondeu que foi uma "referência desrespeitosa" a um ministro da mais alta Corte.

No palco estavam o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes. O resto do centrão faltou: PP, União Brasil e o Republicanos como partido não entraram na aliança. Michelle Bolsonaro não foi, ficou em Brasília cuidando do marido, e mandou um vídeo. Jair, que cumpre em prisão domiciliar uma pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe, apareceu num vídeo feito com inteligência artificial, que imitava sua voz e imagem.

Flávio herda a candidatura porque o pai está preso e inelegível. Disse que pode ser mais "calmo e moderado", mas que tem "sangue de Bolsonaro". E a largada é atrás: o Datafolha da véspera deu 40% a Lula e 32% a Flávio no primeiro turno.

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Internacional · Petróleo e o Fed

O petróleo a US$ 100 afasta ainda mais um corte de juros do Fed

O barril do Brent bateu US$ 100 na quinta, a primeira vez em dois meses, empurrado pelo medo no Oriente Médio, com ataques a dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Na sexta o preço recuou quase 4% e fechou a US$ 96,78, depois de uma reportagem de que a China se moveu para retomar as conversas de paz entre Estados Unidos e Irã. Mesmo assim, o Brent subiu quase 10% na semana.

No Brasil o efeito foi na hora. A Petrobras subiu na esteira do petróleo caro, e na quinta o Ministério da Fazenda prorrogou por mais 30 dias o subsídio de R$ 0,44 por litro na gasolina, para segurar o preço na bomba e não deixar a inflação escapar.

Nesta quarta 29/07 o banco central americano decide os juros, agora sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu no lugar de Jerome Powell em maio. A taxa está na faixa de 3,50% a 3,75%, e a aposta principal é de manutenção. Mas o petróleo a US$ 100 mudou o humor: a chance de os juros subirem saltou de cerca de 12% para perto de 38% em uma semana. Corte, ninguém mais espera.

Para o bolso brasileiro a conta é direta. Os juros americanos parados no alto mantêm o dólar forte e apertam o espaço do nosso Banco Central, que se reúne em 4 e 5 de agosto com os juros por aqui em 14,25%. E a semana ainda tem os balanços das gigantes de tecnologia, num mercado já nervoso com o tanto que elas gastam em inteligência artificial.

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📅 O que vem aí

Qua · 29/07

Decisão de juros nos EUA (o Fed) — o banco central americano define a taxa, com uma parte do mercado passando a cogitar alta por causa do petróleo.

Qui · 30/07

Crescimento da economia dos EUA (o PIB) — a primeira leitura do tamanho da maior economia do mundo no segundo trimestre.

Qui · 30/07

Desemprego no Brasil (a PNAD) — a taxa de desocupação do trimestre, o termômetro do emprego.

📊 Mercados — Fechamento de sexta (24/07)

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa174.042 pts↑ +0,19%
Dólar (comercial)R$ 5,08↓ −0,58%
Petróleo (Brent)US$ 96,78↑ +9,85%
S&P 5007.412 pts↓ −0,60%
Dow Jones51.947 pts↓ −0,40%
Nasdaq24.976 pts↓ −2,10%

Fontes: B3, InfoMoney, Reuters, Trading Economics e Yahoo Finance · fechamento de sexta (24/07), variação na semana · Elaboração: Daily Brew

📚 Vale ler

Receita corta a previsão do imposto sobre dividendos para R$ 17,2 bi

O relatório oficial por trás do furo de R$ 10,8 bilhões na arrecadação.

Agência Brasil · Economia · jul/2026

Datafolha: Lula 48 x 43 sobre Flávio no 2º turno

Os números completos da pesquisa, turno a turno.

Gazeta do Povo · Eleições · jul/2026

Sem vice, o PL lança Flávio Bolsonaro candidato a presidente

O relato da convenção: a chapa, os aliados no palco e as ausências.

Poder360 · Eleições · jul/2026

Milei chama Moraes de "lixo careca", e Fachin rebate

A fala do argentino no palanque e a resposta do presidente do STF.

Poder360 · Justiça · jul/2026

Petróleo recua após superar US$ 100, mas fecha a semana em alta

O contexto do bloco internacional, o Brent e o sinal de conversa entre EUA e Irã.

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