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TERÇA-FEIRA · 29 DE SETEMBRO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

Mais da metade da dívida federal agora acompanha os juros básicos, a maior fatia desde 2000.

O mercado subiu de novo a inflação esperada para 2026 e ainda aposta em corte dos juros em novembro.

Os juros dos EUA foram ao maior nível desde 2007 e levaram o dólar a R$ 5,23. ☕

1 · Dívida · Metade atrelada aos juros

Mais da metade da dívida federal agora acompanha os juros básicos, a maior fatia desde 2000

A dívida pública federal fechou agosto em R$ 9,29 trilhões, segundo o Tesouro. A parte atrelada aos juros básicos subiu de 51,1% para 52,7%, a maior fatia da série, que começa em 2000.

A fatia saltou porque em 15 de agosto venceram mais de R$ 250 bilhões em títulos atrelados à inflação. No mesmo mês, metade do que o Tesouro vendeu foi em títulos que pagam os juros do dia.

Só na dívida interna, a fatia chegou a 70% em 2003, depois da crise de confiança de 2002.

O investidor prefere esses títulos quando os juros estão altos e o mercado, instável, segundo o Tesouro. Em agosto, o Tesouro subiu de 50% para 53% o limite desses títulos no plano anual da dívida.

Em setembro, a fatia tende a cair. No dia 1º venceu um título atrelado aos juros de R$ 178 bilhões, e nos leilões do mês o Tesouro vendeu mais prefixados do que títulos ligados aos juros do dia.

Com mais da metade da dívida nos juros do dia, cada alta dos juros básicos pesa na hora. Pelo cálculo do BC, um ponto a mais nos juros, mantido por um ano, aumenta a dívida bruta em R$ 63 bilhões. Os juros básicos estão em 13,75%.

Em 12 meses até julho, a conta de juros do setor público chegou a R$ 1,15 trilhão. É o equivalente a 8,7% do PIB, a soma de tudo o que o país produz em um ano. Um ano antes, eram R$ 941 bilhões. A dívida bruta foi a 82,5% do PIB.

No domingo, o presidente Lula disse que a dívida não lhe causa pânico e citou as reservas internacionais, de US$ 370 bilhões. As reservas protegem o país numa crise de dólar. Da dívida federal, 96% é em reais.

🎓 O que a Teoria diz

Em 1994, os economistas Alessandro Missale e Olivier Blanchard acharam um padrão nos países ricos com dívida muito alta, como Itália, Bélgica e Irlanda. Quanto mais a dívida crescia, mais curto ficava o prazo dos títulos.

A explicação é credibilidade. Com dívida longa e de juro fixo, o governo ganharia com uma inflação-surpresa, que reduz o valor real do que ele deve. Com dívida curta, esse ganho some, e a promessa de inflação baixa fica mais crível. Título longo que paga o juro do dia conta como dívida curta nesse raciocínio.

No Brasil, esse título nasceu em 1987, depois que o Plano Cruzado acabou com a correção monetária. Em 1988 e 1989, foi praticamente a única forma de o governo se financiar com títulos.

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2 · Inflação · O Focus, as empresas e o diesel

A inflação esperada para 2026 subiu para 4,99%, e o mercado ainda aposta em corte dos juros

O Focus, a pesquisa semanal do Banco Central com economistas, subiu ontem a inflação esperada para 2026 de 4,92% para 4,99%. É a segunda alta seguida, e o teto da meta é 4,5%.

A coleta terminou na sexta, dia da prévia de setembro, que veio em 0,70%. Entre os economistas que responderam nos últimos cinco dias úteis, a mediana já é 5,08%.

Mesmo assim, o mercado ainda espera outro corte dos juros em novembro. O Banco Central cortou os juros básicos para 13,75% em setembro, e a mediana do Focus prevê 13,50% na reunião de 3 e 4 de novembro.

Na pesquisa Firmus, que o BC faz com 379 empresas, a inflação esperada para 2027 subiu de 4% para 4,5%. O crescimento esperado para 2027 caiu de 1,8% para 1,5%.

O otimismo das empresas com o setor em que atuam é o menor desde maio de 2024, quando a pergunta entrou na pesquisa. A coleta foi em agosto, antes da prévia.

Nos postos, o diesel subiu 6,5% em um mês, mesmo com subsídio. O litro do S10 chegou a R$ 7,33 na semana passada, pela pesquisa da ANP, a agência do petróleo. A gasolina subiu 0,3% e está em R$ 6,55.

O subsídio ao diesel está em R$ 2,12 por litro desde 15 de setembro e foi renovado por 30 dias na sexta. Pela estimativa do governo, cada R$ 0,10 por litro custa R$ 492 milhões por mês. No valor atual, são cerca de R$ 10 bilhões por mês.

Ontem, o governo detalhou as multas de até R$ 500 milhões, criadas na sexta, para posto ou distribuidora que subir preço sem justa causa ou recusar venda tendo estoque. A ANP já aplicou mais de R$ 700 milhões em multas a distribuidoras, que ainda podem recorrer.

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3 · Mundo · Os juros sobem lá fora

O juro de 10 anos dos EUA foi a 5,24%, o maior desde 2007, e o dólar voltou a R$ 5,23

O título de 10 anos do Tesouro americano fechou ontem a 5,24% ao ano, a taxa mais alta desde junho de 2007. Só em setembro, a alta foi de quase meio ponto. O ouro, que não rende juros, caiu 3,5% no dia.

Os investidores apostam em mais juros nos EUA. O Fed subiu os juros em 16 de setembro, para a faixa de 3,75% a 4%, e o mercado vê cerca de 70% de chance de nova alta em 28 de outubro. Pelo cálculo do Fed de Nova York, quase toda a alta do mês até sexta veio dessa expectativa.

Ontem, a diretora do Fed Lisa Cook estimou a inflação americana em 3,8% em 12 meses e disse que os investimentos em inteligência artificial e o petróleo caro devem manter a pressão nos próximos meses.

O Brent, o petróleo de referência, fechou a US$ 105,28, depois que o Trump recusou a proposta do Irã para reabrir o estreito de Ormuz. Por ali passa um quinto do petróleo consumido no mundo, e o estreito está praticamente fechado desde março.

Na Europa, o BCE também subiu os juros em setembro, e o juro de 10 anos da Alemanha está no maior nível desde 2011.

Aqui, o dólar fechou a R$ 5,23, o maior valor desde 30 de março. Com o título americano pagando 5,24% ao ano, o investidor cobra mais para deixar dinheiro em países emergentes. Em agosto, os estrangeiros tiraram US$ 6,5 bilhões de ações e fundos no Brasil, a maior saída desde dezembro de 2024.

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Que nota você dá pra edição de hoje?

📈 Mercados

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa182.991 pts-0,26%
DólarR$ 5,23+0,83%
S&P 5007.684 pts-0,77%
Nasdaq26.820 pts-0,92%
Petróleo (Brent)US$ 105,28+0,92%
OuroUS$ 4.168-3,54%

Fechamento de segunda, 28 de setembro. Dólar à vista no fechamento. Petróleo: contrato Brent de novembro na ICE. Ouro: contrato de dezembro na Comex. Fontes: B3, ICE e Comex.

📅 O que vem aí

HOJE · 8h

IGP-M

O índice que reajusta boa parte dos aluguéis sai com o resultado de setembro.

HOJE · 9h

PNAD: o desemprego

O IBGE mostra o desemprego no trimestre até agosto. No trimestre até julho, ficou em 5,3%, o menor para o período desde 2012.

HOJE

Contas do governo

O Tesouro divulga o resultado de agosto, e o Ipea estima um déficit de R$ 14,4 bilhões.

QUARTA · 30/09

Caged

O Ministério do Trabalho mostra as vagas com carteira assinada criadas em agosto, às 14h30.

QUARTA · 30/09

Planos de saúde no STF

O Supremo julga o reajuste por idade nos planos antigos.

SEXTA · 02/10

Payroll

O relatório de emprego dos EUA de setembro, que pesa na aposta de nova alta de juros do Fed.

DOMINGO · 04/10

Primeiro turno

Os brasileiros escolhem presidente, governadores, senadores e deputados.

📚 Vale ler

O relatório da dívida de agosto

a composição por tipo de título e o vencimento do mês.

TESOURO NACIONAL · DÍVIDA · 28/09/2026

Quanto cada ponto de juros pesa na dívida

o relatório do BC sobre as contas públicas, com a tabela de sensibilidade aos juros.

BANCO CENTRAL · FISCAL · 31/08/2026

O Focus desta semana

as projeções dos economistas para inflação, juros e crescimento.

BANCO CENTRAL · INFLAÇÃO · 28/09/2026

As medidas contra a alta dos combustíveis

a fiscalização e as multas para postos e distribuidoras.

AGÊNCIA BRASIL · COMBUSTÍVEIS · 28/09/2026

A fala da Lisa Cook

a diretora do Fed sobre inflação, inteligência artificial e petróleo (em inglês).

FED · JUROS · 28/09/2026