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Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
QUINTA-FEIRA · 30 DE JULHO DE 2026
☕ Bom dia
Fed. O banco central dos EUA manteve os juros em 3,5% a 3,75% pela quinta vez seguida.
Escritório. Sentar perto dos colegas rende 22% mais feedback e mais promoções lá na frente, mesmo produzindo menos no curto prazo, mostram dois estudos.
Pix. O Pix chegou a quase 100% dos adultos brasileiros; o sistema parecido do México parou em 3%, e uma pesquisa explica por quê.

Juros · Fed dividido
Fed · Kevin Warsh · Juros americanos · FOMC · Inflação · Dólar
O Fed manteve os juros, e três diretores queriam era subir
Nesta quarta (29), o Fed, que é o banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. Foi a quinta reunião seguida sem mexer. A novidade não foi a decisão em si, e sim o placar: 9 votos a 3.
O detalhe é para que lado os três discordaram. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan não queriam cortar os juros, queriam aumentar em 0,25 ponto, preocupados com uma inflação que segue acima da meta de 2% ao ano. É raro ver diretores votando pelo lado mais duro, e isso diz algo do momento: parte do comitê acha que o juro ainda está baixo demais.
Por trás da cena está o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, na sua segunda reunião no cargo. Warsh prometeu um banco central que fala menos e sinaliza menos o futuro, o oposto do estilo anterior, que guiava o mercado passo a passo. "Pedi uma boa briga em família, e consegui", disse ele sobre a divisão. Na prática, o investidor sai da reunião sabendo o que o Fed fez, mas com bem menos pista do que vem depois.
E daí?
O juro dos EUA é a referência do preço do dinheiro no mundo. Enquanto ele fica parado e alto, o dólar tende a seguir forte e o Banco Central brasileiro ganha menos espaço para cortar a Selic (a nossa taxa básica) sem pressionar o câmbio. Um Fed que hesita e fala pouco joga mais incerteza no dólar e nos juros por aqui, justamente na semana em que o Copom, o comitê que define a Selic, também se reúne (quarta, 5 de agosto).
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Trabalho · Poder da proximidade
Home office · Proximidade · Mentoria · Capital humano · Fed de NY · Harvard · NBER
Sentar perto dos colegas rende menos código hoje e mais promoção amanhã
O home office virou quase consenso depois da pandemia: mais foco, menos trânsito, menos estresse. Mas dois estudos recentes mostram que ele cobra uma conta silenciosa, que não aparece no fim do mês e sim lá na frente, na carreira.
Num estudo pré-aceito no Quarterly Journal of Economics (uma das principais revistas de economia do mundo), os autores acompanharam engenheiros de software de uma das 500 maiores empresas dos EUA, do período pré-pandemia até a volta gradual ao escritório. Quando ficavam no mesmo prédio dos colegas, esses profissionais recebiam 22% mais feedback (comentários e correções no próprio código), quase tudo de gente mais experiente para a mais nova, e boa parte em conversa de corredor, não em reunião marcada.
Só que isso tinha preço. Quem sentava perto produzia cerca de 23% menos código no curto prazo, sobretudo os mais experientes, que gastavam o tempo ensinando em vez de entregar. No começo, esse pessoal tinha menos aumento salarial. Mas alguns anos depois, já mais formados, colhiam mais promoções, mais reajustes e mais chance de um emprego melhor, dentro e fora da empresa.
Um outro estudo, ainda em revisão e não publicado, aponta na mesma direção e mostra que não precisa de muito. Num time totalmente remoto na Turquia, um único dia de escritório por mês cortou a rotatividade (a saída de funcionários) em cerca de um terço e elevou em 8% a produtividade, medida em chamadas atendidas por hora, sem perder qualidade. O mecanismo: sentar ao lado de alguém aumentava em 11 pontos a chance de os dois conversarem na semana seguinte.
A mensagem que estes estudos deixam é que a proximidade física reduz a produtividade hoje, mas aumenta o valor do trabalhador amanhã. Muitos jovens acham que estão ganhando liberdade com o home office, quando talvez estejam abrindo mão da coisa mais importante da carreira: crescimento real.
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Pagamentos · Caso Pix
Pix · Sinpe Móvil · CoDi · Dinheiro vivo · Banco Central · VoxEU · Efeito de rede
Por que o Pix aposentou o dinheiro vivo, e sistemas iguais no papel fracassaram
Por que alguns sistemas de pagamento digital aposentam o dinheiro em papel, enquanto outros, tecnicamente iguais, só se somam a ele sem tirar a cédula da carteira? Um estudo recente foi atrás da resposta comparando três sistemas que nasceram quase idênticos: o Pix, no Brasil, o Sinpe Móvil, na Costa Rica, e o CoDi, no México.
Os destinos não podiam ser mais diferentes. Em cerca de um ano o Pix já chegava a 60% dos adultos brasileiros, e beirava a totalidade da população em 2024. O Sinpe Móvil subiu mais devagar, mas alcançou uns 80%. Já o CoDi mexicano empacou em 2% a 3% de uso ativo, mesmo com milhões de contas cadastradas. A diferença, mostra o estudo, não estava na tecnologia (os três faziam o mesmo), e sim em quem adotava e com que velocidade.

Adoção ao longo do tempo: o Pix (Brasil) foi a quase toda a população adulta, o Sinpe Móvil (Costa Rica) chegou a cerca de 80%, e o CoDi (México) ficou em 2% a 3%.
Fonte: Argente, González-Alvarez, Méndez e Van Patten, "Drivers of Digital Payment Adoption" (NBER WP 34280, 2025), via VoxEU/CEPR, jun/2026.
O que fez o Pix e o Sinpe vingarem foi a rapidez com que desceram a escada de renda: saíram do usuário rico e urbano e chegaram logo ao mais pobre, até a rede ficar densa o bastante para valer a pena para todo mundo. Pesou o fato de o Banco Central ter obrigado os bancos a entrar (no México a adesão era voluntária), somado a gratuidade, confiança e gente sabendo que o sistema existia. O CoDi travou justamente por faltar isso: pouca gente ouvira falar dele, os bancos não tinham incentivo para empurrar, e a rede nunca engrenou.
E o dinheiro vivo sentiu. No Brasil e na Costa Rica, a quantidade de cédulas em circulação passou a cair abaixo do que se esperaria sem o novo sistema; no México, nada disso aconteceu. Na Costa Rica, quem usa o Sinpe passou a ficar, em média, 15,6 dias por mês sem tocar em dinheiro físico, contra 6,4 dias de quem não usa. Para o Brasil, o recado tem um sabor raro: uma política pública brasileira virou referência mundial de eficiência, citada em estudos lá fora como prova de que um bom encanamento público e de graça muda o comportamento de um país inteiro.
🎓 O que a teoria diz
Efeito de rede. Um meio de pagamento vale mais quanto mais gente aceita: quando quase todo mundo usa, ninguém quer ficar de fora. Se o serviço é público, gratuito e universal, a adoção dispara e ele substitui o dinheiro em espécie. Se é privado, com tarifa ou adesão opcional, o mesmo efeito de rede não engrena, e o novo meio apenas convive com a cédula em vez de aposentá-la.
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📈 Mercados — Fechamento Quarta 29/07
Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 29/07 (Brent e Bitcoin em cotação aproximada de fim de dia) · Elaboração: Daily Brew. |
📅 O que vem aí
Terça · 04/08
Emprego. o IBGE divulga a taxa de desemprego (PNAD Contínua) referente a junho.
Terça e quarta · 04-05/08
Copom. o Copom (a reunião do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros) volta a se reunir, com o mercado dividido entre um novo corte e uma pausa.
Sexta · 07/08
Payroll. os EUA divulgam o relatório mensal de criação de empregos (o payroll), um dos termômetros que o Fed observa para decidir os próximos passos dos juros.
📚 Vale ler
Federal Reserve issues FOMC statement
O comunicado oficial do Fed desta quarta, com a decisão de manter os juros, o placar de 9 a 3 e os nomes dos três diretores que preferiam subir a taxa.
Federal Reserve
The Power of Proximity to Coworkers
O paper por trás do estudo com engenheiros de software, com o mecanismo completo: mais feedback perto dos colegas, menos código no curto prazo e mais promoções lá na frente.
NBER
One office day a month boosts remote team performance
O experimento na Turquia explicado pelos próprios autores: um dia de escritório por mês, produtividade 8% maior, rotatividade um terço menor e o efeito de sentar ao lado de um colega.
VoxEU · CEPR
Why some digital payment systems replace cash and others don't
A comparação entre Pix, Sinpe Móvil e CoDi, com todos os gráficos: as curvas de adoção, a queda do dinheiro em circulação e por que o sistema mexicano não decolou.
VoxEU · CEPR
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