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SEGUNDA-FEIRA · 31 DE AGOSTO DE 2026

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O Orçamento de 2027 chega hoje ao Congresso com aumento no salário mínimo e promessa de conta no azul.

Brasil e Estados Unidos sentam à tarde pra primeira reunião de negociação do tarifaço.

E a eleição chega embolada à primeira semana cheia de propaganda na TV. ☕

A edição de hoje tem 1.136 palavras, uma leitura de 5 minutos.

1 · Fiscal · O Orçamento de 2027

O salário mínimo vai a R$ 1.741 no Orçamento que o governo entrega hoje

O governo envia hoje ao Congresso, no último dia do prazo, o projeto de Orçamento de 2027. O texto prevê o salário mínimo do ano que vem, o gasto de cada ministério e a meta de fechar 2027 no azul.

O mínimo proposto é de R$ 1.741, alta de 7,4% sobre os R$ 1.621 de hoje. Descontada a inflação prevista, sobra um ganho real perto de 2,4%. Quem recebe o piso sobe junto: aposentadorias e pensões no valor mínimo, BPC, abono e o piso do seguro-desemprego. Cada R$ 1 a mais no piso custa R$ 413 milhões por ano, e os R$ 120 do reajuste somam perto de R$ 50 bilhões em despesa nova.

O tamanho do azul depende de quais despesas entram na conta. A meta oficial é guardar 0,5% do PIB depois de pagar tudo, fora os juros. Essa conta deixa de fora despesas que a regra autoriza a descontar, entre elas parte dos precatórios, as dívidas que a Justiça mandou o governo pagar. Com tudo dentro, a folga encolhe.

Os números do projeto:

  • Meta oficial: sobra de R$ 73,2 bilhões, ou 0,5% do PIB.
  • Conta cheia, com tudo dentro: R$ 18 a 20 bilhões, perto de 0,1% do PIB.
  • As despesas obrigatórias, como aposentadorias e salários, crescem 6,8%. As livres, quase 20%.
  • A dívida bruta roda perto de 82% do PIB, e a projeção oficial aponta 86% no fim de 2027.

Até aqui, 2026 roda no vermelho. Julho teve sobra de R$ 10,8 bilhões, a melhor pro mês desde 2022, com ajuda do imposto que os bancos pagam no trimestre. No acumulado de janeiro a julho o buraco é de R$ 81,3 bilhões, maior que o do mesmo período do ano passado.

Com a dívida perto de 82% do PIB e subindo, quem empresta ao governo cobra caro. Mais da metade dessa dívida é corrigida pelos juros básicos de 14%, os mesmos que encarecem o financiamento, o cartão e o crédito das empresas.

O Congresso tem até dezembro pra votar. E a LDO, a lei que deveria guiar esse Orçamento, ainda nem foi votada.

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2 · Comércio exterior · A negociação do tarifaço

Brasil e EUA fazem hoje a primeira reunião pra tentar reduzir o tarifaço de 37,5%

Às 14h30 de hoje, por videoconferência, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, senta com Jamieson Greer, o chefe do comércio exterior da Casa Branca. É a primeira reunião oficial de negociação desde o telefonema de 1h20 entre o Lula e o Trump, dez dias atrás.

O lado brasileiro vai pedir alíquotas menores e mais produtos na lista de isenções.

As tarifas em vigor são duas. Uma de 25%, criada em julho num processo sobre práticas que os EUA chamam de desleais, com o Pix citado nas justificativas. Outra de 12,5%, pela acusação de falha na fiscalização de trabalho análogo à escravidão.

Quando as duas incidem juntas, a taxa vai a 37,5%. É o caso de US$ 6,6 bilhões em exportações, 16,5% do que o Brasil vende aos EUA. Outros US$ 2,7 bilhões em produtos pagam só uma delas.

O peso cai sobre calçados, móveis, madeira e máquinas. A indústria calcula 3.958 produtos atingidos. Cada item que entrar na lista de exceções alivia um setor inteiro.

O próprio ministro baixou a régua na quinta: "Não é a reunião da tomada de decisões. Nós vamos começar, de novo, o nosso diálogo". Qualquer mudança na tarifa mexe com o dólar e com as ações das exportadoras, e o desfecho da conversa deve sair ao longo da tarde.

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3 · Eleição · As pesquisas da semana

O primeiro empate técnico em dois meses chega junto com a estreia da propaganda na TV

A pesquisa PoderData desta semana mostrou o Lula com 38% e o Flávio Bolsonaro com 35% no primeiro turno. Com margem de dois pontos é empate técnico, o primeiro em dois meses. No segundo turno, 45% a 44%.

Quinze dias antes, a vantagem no mesmo levantamento era de seis pontos. O campo foi de 23 a 26 de agosto, com 2.400 entrevistados.

Só que a semana teve quatro pesquisas de segundo turno, e elas não dizem a mesma coisa. O Datafolha viu o Lula quatro pontos à frente. A Gerp viu o Flávio cinco pontos à frente, a única com o senador na dianteira.

BTG/Nexus e PoderData enxergaram um ponto de diferença, aperto que cabe dentro de qualquer margem. Lado a lado, o retrato da semana:

Intenção de voto no 2º turno, em %, com o período de campo de cada pesquisa. Fontes: Datafolha, BTG/Nexus, PoderData/Aya e Gerp.

A diferença entre as pesquisas é maior que a diferença entre os candidatos. Na semana, a bolsa subiu 2,7% com a oitava alta seguida e o dólar subiu junto, pra R$ 5,20.

A propaganda em rádio e TV começou na sexta e vai até 1º de outubro. O Lula tem 5min31s por dia, o Flávio, 4min20s. É o pedaço da campanha que costuma mexer mais nos números, e as próximas rodadas já medem esse efeito.

🎓 O que a teoria diz: por que quatro pesquisas sérias dão quatro números?

Cada instituto sorteia gente diferente, em dias diferentes, por um método diferente: telefone, visita ou internet. Cada um também corrige a amostra a seu modo, dando mais ou menos peso pra idade, renda e região. Essas escolhas criam um jeito próprio de errar, que os estatísticos chamam de efeito da casa: um instituto mede um candidato um pouco acima, outro um pouco abaixo, de forma consistente. A margem de erro divulgada cobre só o azar do sorteio, não essas escolhas. Por isso a leitura mais honesta compara cada pesquisa com a anterior do mesmo instituto e olha a tendência, não o placar de um dia.

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📈 Mercados

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa175.665 pts+2,71%
Dólar (Ptax)R$ 5,2005+0,74%
S&P 5007.712 pts+0,5%
Nasdaq26.402 pts+0,9%
Petróleo (Brent)US$ 88,10-5,7%
OuroUS$ 4.529,90-3,22%

Fechamento de sexta 28/08 contra sexta 21/08. Dólar pela Ptax de venda do Banco Central nas duas pontas. Ouro: contrato de dezembro na Comex, variação no mesmo contrato. Petróleo: a semana cruza a troca de vencimento do contrato (outubro pra novembro). Fontes: B3, Banco Central, Broadcast/Estadão, Reuters.

📅 O que vem aí

Hoje · 8h25

Boletim Focus

A pesquisa semanal do Banco Central com cerca de 140 instituições. Na última leitura, a aposta era de juros básicos em 13,75% no fim do ano, contra os 14% de hoje.

Hoje · 14h30

A reunião do tarifaço

A videoconferência do bloco 2. Qualquer sinal que sair de lá mexe com o dólar ainda hoje.

Hoje · 16h

Taxa das blusinhas

A relatora apresenta o parecer da MP que zera o imposto das compras internacionais de até US$ 50. Se o Congresso não votar até 8 de setembro, a regra caduca.

Amanhã · 9h

PIB do 2º trimestre

O IBGE fecha a conta de abril a junho. No 1º trimestre a economia do país cresceu 1,1%, e a prévia da FGV aponta desaceleração pra perto de 0,3%.

📚 Vale ler

O Orçamento de 2027 chega hoje ao Congresso

O envio no último dia do prazo, com os números que o Planejamento antecipou ao mercado.

Money Times · Economia · 30/08/2026

A diferença entre a meta oficial e a folga de verdade

Por que os R$ 73 bilhões prometidos viram R$ 18 a 20 bilhões quando os precatórios entram na conta.

InfoMoney · Política · 30/08/2026

Quem paga a tarifa cheia de 37,5%, produto por produto

A conta oficial do governo sobre os US$ 6,6 bilhões em exportações que pagam as duas sobretaxas somadas.

Agência Brasil · Economia · 07/2026

A PoderData que mostrou o empate, número a número

Campo, margem, registro no TSE e a série que vinha dando seis pontos de vantagem.

Poder360 · Eleições · 27/08/2026

As regras do horário eleitoral que estreou na sexta

Horários, tempo de cada candidato e até quando a propaganda fica no ar.

TSE · Eleições · 28/08/2026