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Daily Brew

TERÇA-FEIRA · 30 DE JUNHO DE 2026

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

☕ Bom dia

O governo criou um Desenrola pra quem paga em dia, com juro mais baixo pro trabalhador informal.

Uma pesquisa mostrou o apoio a Lula bem alto entre quem recebe o Bolsa Família.

E a inflação do aluguel caiu em junho, um respiro pra quem mora alugado. ☕

Foto de capa: cédulas de real brasileiro.

Brasil · Crédito

Desenrola · adimplentes · trabalhador informal

Desenrola libera juro de até 1,99% pro trabalhador informal em dia

Na segunda (29/06), o governo lançou por medida provisória uma nova fase do Desenrola, e dessa vez a porta é pra quem está em dia. O Desenrola Adimplentes mira o trabalhador informal que paga as contas, e não quem já deve atrasado, que era o público da versão original. A ideia é simples: trocar uma dívida cara por uma muito mais barata.

E o “mais barata” não é força de expressão. O juro do programa fica no teto de 1,99% ao mês, cerca de 27% ao ano. Parece alto, mas é uma pechincha perto do que o endividado paga hoje. O rotativo do cartão de crédito cobra em média 14,95% ao mês, mais de sete vezes o juro do programa, e o cheque especial, 7,61% ao mês, segundo o Banco Central. Trocar uma dessas pelo Desenrola corta o juro a uma fração.

Funciona assim. Dá pra renegociar até R$ 15 mil por banco e ainda pegar um crédito extra de até 50% do saldo. A parcela nova não pode passar de 90% da antiga, ou seja, sempre sobra um pouco mais no bolso. Pra entrar, você precisa ser informal, sem carteira nem aposentadoria, ter pago ao menos 4 parcelas e estar em dia, ou no máximo 90 dias atrasado.

Tem porém, e ele vem em letra miúda. No começo, só a Caixa e o Banco do Brasil oferecem; os bancos privados decidem depois se entram. E tem a contrapartida que pega: ao aderir, o seu CPF fica bloqueado nos sites de aposta, as famosas bets, por 6 meses. O governo quer evitar que o crédito barato vá parar nas apostas.

No total, o pacote usa R$ 4 bilhões do Tesouro: R$ 3 bilhões para o Desenrola Adimplentes e R$ 1 bilhão para o Fies Empreendedor, uma linha à parte a 0,87% ao mês pra quem se formou pelo Fies e está em dia. A equipe econômica espera alcançar de 200 mil a 500 mil trabalhadores informais, justamente quem paga os juros mais altos por não ter carteira.

O pano de fundo mostra o tamanho do problema. O Brasil tem 38,5 milhões de trabalhadores informais e acaba de bater o recorde de 83,5 milhões de pessoas com o nome sujo, segundo a Serasa. A primeira versão do Desenrola, em 2023, renegociou as dívidas de cerca de 15 milhões de brasileiros, R$ 53 bilhões no total, com descontos que chegaram a 90%. Agora a aposta é na turma que ainda consegue pagar.

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Brasil · Eleição 2026

Nexus/BTG · Bolsa Família · intenção de voto

Lula tem 68% entre quem recebe Bolsa Família, diz pesquisa

Uma pesquisa nova mexeu com o tabuleiro de 2026. O instituto Nexus, contratado pelo banco BTG e divulgado na segunda, foi ouvir os eleitores que recebem o Bolsa Família ou moram com alguém que recebe, o programa que paga um valor mensal às famílias de menor renda. Nesse grupo, 68% disseram que pretendem votar em Lula no primeiro turno. Flávio Bolsonaro, o nome mais forte do outro lado nesse cenário, aparece com 13%.

O que chama atenção é o movimento. Como mostra o gráfico, o apoio a Lula nesse grupo vinha perto de 58% no começo do ano e disparou na reta de junho, chegando a 68%. Flávio fez o caminho contrário, caindo de 24% para 13%. Num eventual segundo turno só com esse público, a distância fica ainda maior: 75% a 20%.

Mas atenção, esse é o recorte de um grupo específico. Quando a pesquisa olha para todos os eleitores, a disputa fica bem mais apertada. No primeiro turno geral, Lula tem 42% e Flávio 34%. No segundo turno, 47% a 44%, praticamente empate técnico. São dois retratos diferentes do mesmo país.

A pesquisa ouviu 2.009 pessoas por telefone, entre 26 e 28 de junho, com margem de erro de 2 pontos. O que ela mostra é uma associação clara: entre as famílias atendidas pelo programa, o apoio ao governo é bem maior que na média. Não é prova de que o benefício decide o voto, mas é um retrato de onde está a base de cada lado.

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Brasil · Custo de vida

IGP-M · aluguel · reajuste

Índice do aluguel cai 0,50% em junho e segura o reajuste em 3,16%

A conta do aluguel deu uma trégua. O IGP-M, índice tradicionalmente usado em muitos contratos de aluguel no Brasil, recuou 0,50% em junho, segundo a FGV na segunda. É deflação, ou seja, os preços que esse índice acompanha caíram no mês, depois de subirem 0,84% em maio. Para quem mora alugado, é um respiro num dos maiores gastos do mês.

Aqui mora a parte importante, e é fácil de confundir. O número do mês não é o que entra no seu contrato. O reajuste olha o acumulado dos últimos 12 meses, e esse está em 3,16%, bem mais baixo que os picos de anos atrás. No ano, soma 3,27%. Ou seja, quem renova contrato agora reajusta pelos 3,16%, não pela deflação do mês.

Na prática: um aluguel de R$ 1.500 reajustado pelo IGP-M sobe cerca de R$ 47, indo para perto de R$ 1.547. Há um ou dois anos, com o índice mais alto, esse salto era bem mais salgado. A queda de junho veio do atacado, os preços lá na origem: commodities, gasolina, etanol e café ficaram mais baratos no mês, e isso pesa muito nesse índice.

📚 Teoria · por que o IGP-M corrige o aluguel

O aluguel é um contrato longo, de um ano ou mais. Pra ele não perder valor com o tempo, o contrato precisa de um índice que reponha a inflação na hora de renovar. O IGP-M virou o preferido por ser o mais amplo da praça: ele junta três cestas de preços, a do atacado (lá na origem, antes de o produto chegar à loja), a do consumidor e a do custo da construção. A ideia, lá atrás, era proteger o dono do imóvel, fazendo o aluguel acompanhar o custo de repor aquele bem, e não só o preço do pãozinho.

E daí?

O problema é que o atacado, que pesa mais da metade do índice, reage rápido ao dólar e às commodities. Isso faz o IGP-M balançar muito mais que a inflação do dia a dia: em 2021 ele passou de 30% em doze meses e disparou os aluguéis, o que levou muita gente a trocar pelo IPCA, a inflação oficial. Em junho o movimento foi pro outro lado, e ele ficou negativo.

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📊 Mercados — Fechamento de segunda (29/06)

AtivoFechamentoNo dia
Ibovespa173.205 pts↓ −0,05%
Dólar (comercial)R$ 5,17↓ −0,45%
Petróleo (Brent)US$ 73,56*↑ +2,2%
Ouro (futuro)US$ 4.034*↓ −1,1%
S&P 5007.440 pts↑ +1,2%
BitcoinUS$ 60,2 mil*↑ +1,1%

* Preço por volta do horário de fechamento do mercado brasileiro; segue em negociação no exterior.

Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação no dia (29/06) · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Hoje · 30/06

Saldo de empregos com carteira (Caged) — quantas vagas formais o país abriu ou fechou em maio.

Qui · 02/07

Relatório de empregos dos EUA (payroll) — o dado que mais mexe com dólar e bolsa no mundo; foi antecipado por causa do feriado de 4 de julho.

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