Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUINTA-FEIRA · 28 DE MAIO DE 2026

☕ Bom dia

Em duas semanas, o áudio do Banco Master derrubou Flávio Bolsonaro. Trump o recebeu no Salão Oval e o Novo passou a pressionar Zema a parar de criticá-lo. A pré-campanha entrou na pauta do mercado — a quatro meses do primeiro turno.

No fronte macro, o IPCA-15 de maio veio em 0,62% e levou a inflação de doze meses para 4,64% — primeiro estouro do teto da meta contínua (4,5%) em 2026. O petróleo perdeu mais três dólares e fechou em US$ 96,40. O PIB do 1º tri sai amanhã às 9h. Quinta cheia. ☕

Brasil · A costura

Flávio Bolsonaro · Trump · Zema · Novo · Banco Master · Kalshi

Em duas semanas, o áudio derrubou Flávio. Trump o recebeu — e o Novo pressionou Zema.

Rebobinando duas semanas. O áudio em que Flávio Bolsonaro cobrava do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, cerca de R$ 60 milhões para o filme "Dark Horse" sobre Jair Bolsonaro vazou no início de maio. A reação foi imediata: o PL emitiu nota, o Novo se descolou, Zema chamou o pedido de "tapa na cara dos brasileiros de bem" e Renan Santos (Missão) subiu o tom.

Dois movimentos no mesmo dia mexeram a costura. Flávio foi recebido por Trump no Salão Oval — devolução simbólica à visita de Lula a Washington no início do mês. Dirigentes do Novo se reuniram com Zema: continuar atacando Flávio coloca em risco o apoio do partido e, no fundo, a cláusula de barreira da legenda na Câmara. Zema gravou um vídeo de aproximação em seguida.

O mercado anotou. No Kalshi, Lula segue em primeiro com 44%, Flávio com 33%, Renan Santos com 11%, Haddad com 5,3%, Zema com 5%, Michelle com 3,2% e Caiado com 2,8%. Em bastidor, o nome de Haddad começa a aparecer em especulações sobre eventual saída de Lula da disputa por razões de saúde. A curva conta o filme: Flávio passou Lula em abril, perdeu em maio com o áudio. Agora reabsorve com selfie em Washington? Faltam 129 dias para o primeiro turno.

Do outro lado do tabuleiro, o governo seguia o roteiro. Enquanto a direita queimava energia no áudio e na costura com Trump, a PEC do fim da escala 6x1 — pauta prioritária do Planalto — passou na Câmara na mesma quarta, com folga e a oposição isolada depois de tentar emplacar a escala 4x3 de última hora. Dois tabuleiros, dois ritmos.

Petróleo · Sem chão à vista

Brent · WTI · Ormuz · EUA · Irã · OPEP+

Terceiro pregão seguido de queda. Em uma semana, o petróleo perdeu cerca de quinze dólares.

O Brent fechou a quarta em US$ 96,40, queda de 3,19% no dia. O WTI cedeu 4,05% e fechou em US$ 90,09. Em três sessões seguidas (segunda, terça, quarta), o petróleo saiu da casa dos US$ 110 para a dos US$ 96 — algo entre US$ 14 e US$ 15 perdidos, dependendo da base de referência. O ouro acompanhou o movimento de menor prêmio geopolítico e recuou para US$ 4.489.

Rebobinando. A causa é a mesma de sempre: o avanço (não assinado, mas avançado) das tratativas entre Washington e Teerã sobre o fim das hostilidades no Estreito de Ormuz. Na terça houve recaída: ataque americano a alvos próximos do estreito interrompeu o otimismo por algumas horas. Na quarta, o mercado voltou ao lado da paz — com uma trader extra: o sinal da OPEP+ projetando aumento de produção no segundo semestre, já com a hipótese do estreito reaberto na conta.

A foto para o Brasil é ambivalente. Petrobras perde margem — PETR4 fechou em R$ 42,98, terceiro pregão seguido de queda. O consumidor ganha gasolina mais barata sem o decreto de subvenção precisar agir. E o IPCA-15 deste mês ainda colhe o efeito tardio do petróleo caro de abril, não do barato de agora. O que importa para os próximos meses está sendo desenhado nesses três últimos pregões — mais do que em qualquer composição de índice do passado.

Brasil · O mês e o ano que vem

IPCA-15 · Petróleo · Copom · Selic 14,5% · Curva DI · PIB

O IPCA-15 furou o teto. O mercado olhou para frente.

O IPCA-15 de maio veio em 0,62% no mês, acima do consenso de mesa (0,56%), e levou a inflação acumulada em doze meses para 4,64% — primeiro estouro do teto da meta contínua (4,5%) em 2026. A composição não ajudou: alimentos e bebidas subiram 1,38%, maior contribuição do mês. Mas o leitor atento já pegou o detalhe que pesa para frente: combustíveis caíram 1,47%, na esteira do petróleo mais barato — e essa queda ainda não capturou o tombo dos últimos três pregões contado acima.

A curva DI fez o cálculo. Depois de abrir na terça com o decreto da subvenção, fechou no neutro na quarta. Mesmo com o teto furado no índice do dia, o que ela precifica continua sendo a tendência — não o número realizado. O combustível em queda que começa a entrar no índice nos próximos meses pesa mais para o curto e médio prazo do que o alimento que pesou agora.

O Copom de 16-17 de junho vai fazer o mesmo exercício. Entra na sala com Selic em 14,5% e expectativa de mercado em 13,25% para o fim do ano — números que só conversam se o comitê estiver olhando para 2027, não para o IPCA-15 de maio. PIB do 1º tri sai amanhã (sex 29/05, 9h); se vier mais fraco do que +1,0% na margem, abre espaço; mais forte, contém o ritmo. O passado está no índice. O futuro está em construção — em petróleo, em câmbio, em atividade.

🎓 O que a teoria diz

Horizonte relevante da política monetária (Lars Svensson, 1997, Inflation Forecast Targeting; Milton Friedman, 1968, The Role of Monetary Policy): o IPCA-15 mede o passado — com pesos que se acumularam em três a doze meses para trás. A Selic opera no que está por vir: a transmissão completa da política monetária leva 18 a 24 meses para chegar à inflação cheia. Por isso o Banco Central não calibra a taxa pelo número realizado no mês; calibra pela inflação projetada no horizonte em que a política ainda pode atuar. Choque transitório em um grupo (alimento, no caso) entra como ruído; tendência (petróleo em queda, câmbio, expectativas, hiato de atividade) entra como sinal. A curva de juros faz o mesmo cálculo.

E daí?

Os dados de inflação passada — o IPCA-15 inclusive — vão pesar menos do que o leitor imagina nas próximas decisões. O que entra no modelo do Copom de junho está em duas frentes: o desfecho da conversa EUA-Irã (que define o nível do petróleo e, com ele, o item combustível do índice nos próximos meses) e a atividade — PIB do 1º tri sai amanhã e dele depende a leitura de hiato. Se o petróleo seguir caindo e a economia mostrar moderação, a janela para cortes adicionais em agosto/setembro segue aberta. Se a guerra reacender no fim de semana ou o fiscal voltar a fazer barulho, fecha. O número estourou. A tendência ainda está sendo escrita.

📊 Gráfico do dia

IPCA-15 acumulado em 12 meses · mai/24 — mai/26

Depois de meses rondando o teto, a prévia voltou a estourar.

Fonte: IBGE / BCB SGS série 7478 (IPCA-15 mensal, acumulado calculado por composição) · Elaboração: Daily Brew

IPCA-15 acumulado em 12 meses, calculado por composição sobre a série mensal do IBGE/BCB. O ponto laranja destaca maio/26, quando o índice chegou a 4,64% — acima do teto de referência de 4,5%. Em 25 meses, pela série composta, o indicador ficou acima desse teto em 14 leituras e no teto ou abaixo em 11. A linha vermelha representa o teto da banda da meta contínua do IPCA, usado aqui apenas como referência para o IPCA-15.

📌 O número do dia

472 a 22

PLACAR DA APROVAÇÃO DA PEC DO FIM DA 6x1 NA CÂMARA

O mínimo eram 308 dos 513 — passou com folga na noite de quarta. A oposição tentou emplacar a escala 4x3 de última hora para tumultuar; foi barrada. O texto passou na Câmara e segue agora ao Senado, onde Alcolumbre sinalizou que não vai segurar a pauta — a expectativa é que avance até a promulgação sem muitas mudanças. A jornada cai de 44 para 40 horas, sem corte de salário.

📈 Mercados — Fechamento Quarta 27/05

Ativo Fechamento Dia Mín / Máx
Ibovespa 175.744 pts ↓ −0,48% 175.555 / 177.640
Dólar (spot) ⭐ R$ 5,06 ↑ +0,96% 5,02 / 5,06
Petróleo (Brent) ⭐ US$ 96,40 ↓ −3,19% 95,71 / 99,80
Ouro US$ 4.489 ↓ −0,25% 4.486 / 4.502
S&P 500 7.520 pts ↑ +0,02% 7.500 / 7.531
Dow Jones 50.644 pts ↑ +0,36% 50.487 / 50.830
Nasdaq 26.675 pts ↑ +0,07% 26.538 / 26.715
Bitcoin US$ 74.407 ↓ −1,87% 74.256 / 75.974

Dólar: única moeda das Américas em alta forte no dia. Ruído eleitoral (áudios do Banco Master, PEC adiada) levou prêmio de risco para a curva — não para a bolsa, que segurou. PTAX venda na terça (26/05) ficou em 5,0211.

Petróleo: terceiro pregão consecutivo de queda. Em uma semana, Brent perdeu cerca de US$ 14-15. Driver: avanço (não assinado) das tratativas EUA-Irã sobre Ormuz, agora reforçado por sinal de aumento de produção da OPEP+ no segundo semestre.

Fonte: B3 (Ibov) · Money Times / CNN Brasil (Dólar spot) · AP / Yahoo Finance (S&P, Dow, Nasdaq) · Reuters settlement / ADVFN (Brent) · WSJ (Ouro front-month) · Investing (BTC ref. 24h) · Elaboração: Daily Brew · 27/05/2026

💬 A frase do dia

"Chegamos a uma conclusão sobre grande parte dos assuntos em discussão. Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente — ninguém pode fazer essa afirmação."

— Esmail Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, em coletiva nesta semana sobre as tratativas com os EUA

Trump disse "largely negotiated". O Irã disse "grande parte dos assuntos". E a TV estatal persa divulgou ontem uma minuta prevendo reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias — sob gestão iraniana, com Omã, sem militares americanos. O petróleo perdeu quinze dólares em uma semana entre uma fala e outra. O acordo não foi assinado. O mercado já escolheu o lado.

📅 O que vem aí

Qui 28/05

PIB dos EUA (2ª estimativa) e PCE de abril (BEA) — dois dados às 9h30 (BRT). A primeira leitura do PIB do 1º tri veio em +2,0% anualizado, abaixo do esperado; a revisão sai hoje. O PCE é a medida de inflação preferida do Fed — pesa direto na trajetória de juros americana. Alto impacto

Sex 29/05

PIB do Brasil — 1º trimestre (IBGE) — divulgação às 9h. Projeção de mercado: +1,0% na margem, +1,8% interanual. Primeira foto cheia da economia brasileira já com Selic em 14,5% (depois do corte de 25 bps em abril). Surpresa para cima reforça tese de inércia; para baixo, libera debate sobre a defasagem da política monetária. Alto impacto

📚 Vale ler

Prévia da inflação: IPCA-15 sobe 0,62% em maio, diz IBGE

A cobertura da CNN Brasil traz os números oficiais divulgados pelo IBGE: 0,62% no mês, 4,64% em doze meses (primeiro estouro do teto da meta contínua de 4,5%). Vilões: alimentos (+1,38%) e serviços subjacentes. Alívio em combustíveis (−1,47%).

CNN BRASIL · ECONOMIA · 27/05/2026

Irã x EUA: minuta de acordo prevê reabertura de Ormuz em 1 mês, diz TV

A TV estatal persa diz ter tido acesso à minuta: gestão iraniana do Estreito de Ormuz, reabertura do canal em 30 dias e retirada das forças dos EUA das proximidades. Tráfego coordenado com Omã. Um acordo final em 60 dias poderia virar resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.

METRÓPOLES · MUNDO · 27/05/2026

Como o áudio de Flávio Bolsonaro sobre o Banco Master afeta a pré-campanha

Análise da Gazeta do Povo sobre o desgaste interno do PL após a divulgação do áudio em que o senador cobra repasses do banqueiro Daniel Vorcaro para o filme sobre o pai. Marqueteiros consultados projetam efeito nas pesquisas de junho.

GAZETA DO POVO · ELEIÇÃO 2026 · 26/05/2026

Petróleo Brent cai mais de 3% com negociações entre EUA e Irã

A ADVFN compila os fechamentos do dia: Brent a US$ 96,40 e WTI a US$ 90,09. Foco da matéria: a leitura do mercado de que as tratativas entre Washington e Teerã sobre o Estreito de Ormuz seguiram avançando apesar do ataque americano da véspera.

ADVFN · COMMODITIES · 27/05/2026

☕ Boa quinta

A PEC foi pra setembro.

O áudio foi para o tabuleiro.

O barril perdeu mais três dólares.

O IPCA-15 sai às nove. Café passado. ☕

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