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QUINTA-FEIRA · 04 DE JUNHO DE 2026

☕ Bom dia

Tarifas. Os EUA impõem nova tarifa de 12.5% ao Brasil por "cooperar" com trabalho escravo.

PIX. Lula chamou Flávio de traidor da pátria — e a briga pelo crédito do Pix dominou a semana.

Copa. Passagens para assistir ao jogo presencialmente estão o dobro do preço.

Brasil · Tarifaço em dobro

Trump · USTR · Seção 301 · Trabalho forçado · 37,5% · Itamaraty · Julho · Audiência pública

Os EUA propuseram uma segunda tarifa. A conta total pode chegar a 37,5%.

Na terça, o governo americano anunciou a proposta de 25% sobre importações brasileiras via Seção 301 — a lei de comércio americano que permite sancionar países por "práticas desleais". Na quarta, antes que o Itamaraty terminasse de redigir a resposta oficial, o USTR (escritório de comércio dos EUA) anunciou uma segunda investigação: desta vez, por falhas do Brasil no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A nova proposta é de mais 12,5%. Se as duas forem implementadas juntas: 37,5% de tarifa sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.

A investigação sobre trabalho forçado não é exclusividade brasileira — outros 59 países e a União Europeia estão na mesma lista. Mas para o Brasil, o efeito é cumulativo. São dois mecanismos legais diferentes, duas listas de exceções diferentes, dois cronogramas diferentes correndo em paralelo. A Seção 301 tem audiência pública em 6 de julho e implementação possível a partir de 15 de julho. A investigação de trabalho forçado pede pedidos de participação até 22 de junho, comentários por escrito até 6 de julho e audiência presencial no dia 7 de julho. Os dois calendários convergem para julho como prazo crítico.

O governo brasileiro afirma que as negociações seguem e que há margem para fechar um entendimento antes da implementação. Tecnicamente, isso é verdade — as propostas ainda são propostas, não decisões. Mas o padrão de escalada em menos de 48 horas sugere que Washington está usando o cronograma como pressão. Cada nova investigação encolhe o espaço de negociação e eleva o preço de um eventual acordo.

E daí?

A 25%, os setores mais afetados seriam manufaturas e serviços digitais — calçados, têxteis, fintechs. A 37,5%, o leque se alarga e a competitividade de quase toda a indústria brasileira no mercado americano entra em xeque. Para o câmbio: dois tarifaços pendentes, dois calendários de negociação, um real que não sabe se respira ou afunda. Para o investidor: o risco-Brasil sobe enquanto julho não chega.

📌 O número do dia

37,5%

TETO DO TARIFAÇO · SEÇÃO 301 + TRABALHO FORÇADO · EUA VS BRASIL

25% por Pix, desmatamento e comércio digital. Mais 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado. Se os dois tarifaços forem empilhados, é o maior obstáculo tarifário já proposto pelos EUA contra o Brasil em décadas — antes mesmo de julho.

Brasil · TarifLávio

Lula · Flávio Bolsonaro · PIX · Banco Central · Trump · Eleições 2026 · Itamaraty · PCC · CV

Lula acusa Flávio de trair o Brasil — e o PIX virou o troféu da briga.

Quando o USTR (escritório de comércio dos EUA) citou o PIX — o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil — como uma "prática desleal" ao comércio americano, Lula foi na ofensiva. Brandiu um cartaz com os dizeres "o PIX é nosso" e virou a acusação para dentro de casa: apontou o dedo para o senador Flávio Bolsonaro, que havia se reunido com Trump na Casa Branca dias antes do anúncio das tarifas — e dois dias antes de os EUA classificarem o PCC e o CV como organizações terroristas internacionais. "Traidor da pátria" foi o que o presidente disse sobre o senador. Não exatamente linguagem diplomática, mas a temporada eleitoral de 2026 começa cedo.

Flávio não ficou quieto. Na quarta, ergueu o próprio cartaz em resposta: "O PIX é do Brasil e do Bolsonaro." O argumento tem base factual — o PIX foi lançado pelo Banco Central em novembro de 2020, durante o governo Jair Bolsonaro. Que o BC (Banco Central do Brasil) seja tecnicamente independente do governo de plantão é um detalhe que nenhum dos dois lados mencionou. A disputa sobre quem "criou" o PIX transformou uma crise de política externa numa corrida para cravar a bandeira num produto público que pertence, na prática, a 160 milhões de usuários. A hashtag #TarifLávio foi o top das redes. "Bolsonaros inimigos do Brasil" veio logo atrás.

A tarifa de 25% ainda não existe — é uma proposta com audiência em julho. Mas ela já rendeu o primeiro grande conflito político da disputa presidencial de 2026. Quem foi a Washington, quem negociou o quê, quem traiu quem: perguntas sem resposta definitiva que vão atravessar os próximos meses. O tarifaço pode não virar lei. O desgaste político já começou.

🎓 O que a teoria diz

Banco Central independente e crédito político: o PIX foi desenhado pelo BC (Banco Central do Brasil) como infraestrutura pública, apartada de governos. A independência formal do BC — aprovada em lei em 2021, também no governo Bolsonaro — existe exatamente para que decisões de política monetária e inovação financeira não sejam capturadas pelo ciclo eleitoral. Disputar a "paternidade" do PIX é politicamente rentável e tecnicamente incorreto: a instituição que o criou não pertence a nenhum governo.

💬 A frase

"O PIX é do Brasil e do Bolsonaro."

Flávio Bolsonaro · Senador · 03/06/2026

Resposta ao presidente Lula, que havia dito "o PIX é nosso" após os EUA citarem o sistema de pagamentos como prática desleal ao comércio. Flávio exibiu o cartaz em público — lembrando que o Banco Central lançou o PIX em novembro de 2020, durante o governo Jair Bolsonaro. A frase resume bem a semana: uma crise comercial que virou disputa de cartaz.

Brasil · Hexa com desconto?

Seleção · Ancelotti · Copa 2026 · Egito · Passagens aéreas · Querosene · Ormuz · ANAC · Newark · Cleveland

A seleção chegou. A passagem custou o dobro do que deveria.

A Seleção Brasileira desembarcou na terça-feira em Newark, Nova Jersey, com Carlo Ancelotti e 26 convocados. O amistoso contra o Egito é neste sábado em Cleveland — último teste antes da estreia no dia 13, contra Marrocos. Para o torcedor que foi pessoalmente, a conta chegou antes do apito inicial.

O querosene de aviação acumulou alta de até 90% em 2026, segundo a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), arrastado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz e pela escalada militar no Golfo Pérsico. A ANAC participou de audiência na Câmara esta semana para explicar os impactos: mais de 3.500 voos cancelados só em maio, com projeção de 2.600 cancelamentos adicionais em junho. A tarifa média das passagens domésticas já ultrapassou R$ 700 em março — e para os EUA, o impacto foi proporcionalmente maior.

O governo suspendeu o PIS/Cofins sobre o querosene até o fim de maio para segurar a alta — mas a medida expirou, as companhias aéreas já avisaram que vão repassar o restante do aumento parcelado em até seis vezes a partir de julho, e o petróleo Brent — referência global de preço — fechou ontem acima de US$ 97, de volta ao patamar mais alto do ano. A guerra no Oriente Médio ainda não acabou. O querosene também não vai baratear tão cedo.

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📊 Mercados — Fechamento quarta 03/06

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 170.348 pts ↓ −2,21%
Dólar (spot) R$ 5,067 ↑ +1,15%
Petróleo Brent US$ 97,78 ↑ +2,00%
Ouro (futuro) US$ 4.440,07 ↓ −1,11%
S&P 500 7.553,38 pts ↓ −0,74%
Dow Jones 50.686,79 pts ↓ −1,21%
Nasdaq 26.852,51 pts ↓ −0,89%

Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 03/06 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

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☕ BOA QUINTA-FEIRA

O tarifaço ainda não existe.
A briga pelo PIX já começou.
O Irã continua fechando o estreito.
A seleção chegou — e ninguém sabe qual das duas guerras vai durar mais. ☕

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