Sponsored by

AI Marketing Agent With Ahrefs Data Access

AI tools are great at answering questions. But what if they could actually do the work?

Agent A by Ahrefs is an AI marketing agent with access to Ahrefs data and reports. It can analyze competitors, find content gaps, identify technical issues, track brand visibility in AI search, create content strategies, build reports, and much more.

Unlike generic AI assistants, Agent A comes with pre-built marketing skills and can connect to tools like Slack, Notion, HubSpot, WordPress, and Linear to fit directly into your workflow.

See what an AI agent built specifically for marketers can do at ahrefs.com/agent-a.

Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

DOMINGO · 28 DE JUNHO DE 2026 · EDIÇÃO ESPECIAL

Quem é Lee Robinson, o investidor que lucrou com a quebra de 2008

Em 2008, quando o sistema financeiro pegou fogo e a quebra do banco Lehman Brothers arrastou a economia do mundo inteiro, quase todo mundo perdeu dinheiro. Quase. Foi um ano de terra arrasada: o fundo de hedge médio, esse tipo de fundo que se gaba de ganhar dinheiro com o mercado subindo ou caindo, caiu 18%. Um gestor inglês pouco famoso chamado Lee Robinson fez o caminho oposto. Bem no meio do incêndio, ele acertou uma aposta que rendeu 900%, transformando US$ 20 milhões em US$ 200 milhões, quase R$ 1 bilhão pela cotação de hoje, ao apostar contra as hipotecas americanas.

O que o tornou lenda não foi sorte. Enquanto quase todo o mercado jurava que o preço dos imóveis americanos só subia, Robinson apostou que aquilo era uma bolha prestes a estourar, e acertou em cheio. Ele não é um chutador de ocasião: passou décadas no mercado vivendo de farejar o que pode dar errado, e hoje comanda a própria gestora, a Altana, em Londres.

Dezessete anos depois, Robinson voltou a fazer o mesmo tipo de aposta. Montou um fundo novo na Altana, a gestora dele em Londres, e botou dinheiro do próprio bolso. Ou seja, é a grana dele que está em jogo, não só a dos clientes. E a imprensa especializada conta que ele batizou o fundo de um jeito que entrega o plano: Downside Protector, o protetor contra a queda. Desta vez, a desconfiança dele mira um canto pouco iluminado do sistema financeiro: o crédito privado, que é o empréstimo que as empresas pegam direto com grandes fundos e seguradoras, sem passar pelo banco. E provavelmente tem um pedaço do seu dinheiro lá dentro, sem você saber.

Como funciona a aposta, e o risco escondido que ela enxerga

Tem um detalhe esperto na nova aposta. Não dá pra apostar diretamente contra o crédito privado, porque ele não é negociado em bolsa: não é uma ação que você possa vender hoje. Então Robinson mirou em quem bancou a festa: as grandes seguradoras de vida americanas, como a MetLife, a Lincoln National e até a Berkshire Hathaway, do lendário Warren Buffett, que encheram o caixa desse tipo de empréstimo.

A arma dele é um tipo de seguro contra calote. Funciona assim: você paga uma espécie de mensalidade e, se a empresa segurada não pagar suas dívidas, você recebe uma indenização. A sacada é que dá pra comprar esse seguro mesmo sem ter emprestado nada pra ninguém, só pra lucrar caso a encrenca aconteça, mais ou menos como fazer seguro contra incêndio na casa do vizinho (no mercado, isso se chama CDS). É o que Robinson está fazendo, e ele não está sozinho: segundo a agência Bloomberg, as apostas desse tipo contra as seguradoras americanas subiram de cerca de US$ 4,9 bilhões para US$ 5,5 bilhões, e gigantes como J.P. Morgan e Goldman Sachs também entraram na dança. Importante não confundir isso com bola de cristal: Robinson não é um profeta. Ele é alguém que ganha dinheiro quando as coisas dão errado lá no mercado, e se posicionou pra isso.

Pra entender o medo dele, vale conhecer melhor esse tal crédito privado. Já dissemos o básico: em vez de pegar dinheiro emprestado no banco, a empresa pega direto com um fundo ou uma seguradora. Virou um mercado gigante, de quase US$ 2 trilhões. O problema é que esse empréstimo é difícil de vender rápido sem aceitar um preço ruim, igual a um imóvel: ninguém vende um apartamento em dez minutos pelo preço justo.

A melhor imagem é a do caderninho de fiado da venda da esquina. Enquanto todo freguês paga em dia, o caderninho parece o melhor negócio do mundo: rende mais que o banco e ninguém reclama. Mas tem dois problemas. O primeiro é que só o dono do caderninho sabe quem deve e quanto; não existe um placar público dizendo se aquele deve pra mim ainda vale o que está escrito. O segundo é que o caderninho só é testado de verdade na primeira seca: quando o aperto chega e os fregueses somem, aquele monte de promessa pode virar pó. Aí o dono é obrigado a admitir que o empréstimo vale bem menos do que dizia.

Foi atrás de um rendimento um pouquinho maior, na época do dinheiro barato, que as seguradoras encheram a carteira desses empréstimos. E aqui mora o paralelo com 2008. Hoje, a diferença de juro que os investidores cobram pra emprestar pra uma empresa arriscada, em vez de emprestar pro governo, que é o devedor mais seguro, está quase no menor nível desde 2007, o ano em que a crise estourou poucos meses depois. Em bom português: o mercado está cobrando quase nada a mais pra correr risco, sinal de uma calma que pode ser perigosa. Mas é um sinal de risco, não uma data: mostra que a margem de erro ficou pequena, não quando o problema vai aparecer.

“Em agosto de 2008, estávamos arrancando os cabelos, sem entender como diabos a volatilidade, o tamanho do sobe e desce dos preços, estava tão baixa. A sensação agora é um pouco parecida”, disse Robinson à Bloomberg. E já há rachaduras à vista: empresas como a Tricolor e a First Brands quebraram nos últimos meses, deixando prejuízos escondidos pra quem havia emprestado.

📚 Teoria · O banco que não é banco

Quando a gente pensa em empréstimo, pensa em banco. Mas boa parte do crédito do mundo hoje passa longe deles: são empresas pegando dinheiro direto com fundos de investimento e seguradoras, sem o banco no meio. Esse é o crédito privado, parte do chamado sistema bancário paralelo (em inglês, shadow banking), o banco que não é banco. Ele explodiu depois de 2008 justamente porque, por não ser um banco, escapa de boa parte das regras que ficaram mais duras na crise: guarda menos reserva e presta menos contas. De quebra, quase não aparece nas estatísticas oficiais. Para quem pega o empréstimo, é mais rápido e flexível. Para o sistema, é um crédito opaco e mal fiscalizado, que ninguém consegue vender rápido quando o aperto chega.

E daí?

O problema é que quase ninguém mede o tamanho real desse bolo. Como esses empréstimos não têm preço público e raramente trocam de mãos, o risco vai se acumulando sem aparecer no balanço de ninguém, até a primeira seca, exatamente como no caderninho de fiado. E quanto mais dinheiro corre para esse escuro, correndo atrás de uns trocados a mais de juro, maior fica o estrago se ele tropeçar. É essa montanha crescendo sem alarde que tira o sono de gente como o Robinson, e que deveria fazer você olhar com atenção onde o seu dinheiro seguro foi parar.

Por que o seu fundo "conservador" pode estar exposto a isso

Agora a parte que importa pro seu bolso. Esse filme o brasileiro já assistiu. Lembra de Americanas, Light e Casas Bahia? Eram dívidas vendidas como seguras que, do dia pra noite, viraram quase pó dentro de fundos que se diziam conservadores. No caso da Americanas, um rombo contábil de R$ 20 bilhões fez o valor daquelas dívidas despencar.

E aqui vem o ponto incômodo: você provavelmente tem um pedacinho disso sem saber. Quando uma empresa pega dinheiro emprestado lançando um papel que paga juros, esse papel tem nome: debênture. E é exatamente isso que aquele fundo do seu banco vendido como conservador, o tal "renda fixa crédito privado", e a sua previdência privada (os tais PGBL e VGBL) andam comprando, com o seu dinheiro. Só em 2025, as empresas brasileiras emitiram o recorde de R$ 492,8 bilhões em debêntures. E os fundos que compram esses papéis foram os que mais atraíram dinheiro no país no ano.

Como um susto lá de fora chega até aqui? É uma reação em cadeia. O mundo se assusta. O investidor tira o dinheiro de países como o Brasil e corre pro dólar, visto como porto seguro. Com isso, o real perde valor e o dólar fica mais caro por aqui. E os juros tendem a ficar altos por mais tempo, o que encarece a sua prestação e a fatura do cartão. Vale o outro lado, pra não soar catastrófico: até agora, em 2026, esse susto não veio. Pelo contrário, o real se valorizou, o dólar caiu por aqui e a Bolsa brasileira foi uma das melhores do mundo.

Falando em não ser catastrófico, fica o contraponto honesto. A própria MetLife rebate, dizendo que cerca de 95% do que ela tem em crédito privado é de boa qualidade. E o próprio Robinson não fala em fim do mundo. A lição que sobra pra você não custa nada e vale pra qualquer crise: abra o extrato e veja quanto do seu dinheiro seguro é, na verdade, dinheiro emprestado pra alguma empresa.

Robinson não está cravando que 2008 vai se repetir amanhã. A aposta dele é mais sutil: a de que o mercado está calmo demais diante de um risco que quase ninguém testou. Pode estar certo, pode estar adiantado. Mas, no fim das contas, render mais que a poupança e ser totalmente seguro quase nunca moram no mesmo lugar sem uma letra miúda no meio do caminho. Vale o café de domingo.

📱 Compartilhe essa matéria pelo WhatsApp

A seguir, compartilhamos um texto de Maristela Basso, professora de Direito Internacional da Faculdade de Direito da USP.

✍ Artigo convidado

O Brasil começa a proteger sua riqueza invisível

Decreto 13.011/2026 trata-se da construção de uma infraestrutura jurídica indispensável para a economia do conhecimento.

Por Maristela Basso

Durante séculos, a riqueza das nações foi medida pela extensão de seus territórios, pela abundância de minérios ou pela capacidade de produzir alimentos e energia. No século XXI, porém, uma nova forma de riqueza ganha protagonismo: o conhecimento.

Os países que lideram a economia global já compreenderam essa transformação. A disputa internacional deixou de ocorrer apenas pelo controle de terras, petróleo ou rotas comerciais. Ela acontece cada vez mais nos laboratórios, nos centros de pesquisa e nos sistemas de proteção da inovação.

É nesse contexto que deve ser compreendida a recente promulgação, pelo Brasil, do Tratado de Budapeste sobre o Reconhecimento Internacional do Depósito de Micro-organismos para Fins de Procedimento em Matéria de Patentes (Decreto 13.011/2026).

O nome é técnico. O tema parece distante do cotidiano. Mas sua importância estratégica é difícil de exagerar.

O tratado permite que um único depósito internacional de um micro-organismo seja reconhecido por todos os países participantes do sistema. Na prática, reduz custos, simplifica procedimentos e oferece maior segurança jurídica para pesquisadores, universidades, startups e empresas que desenvolvem tecnologias baseadas em recursos biológicos.

Pode parecer uma mudança burocrática. Não é.

Trata-se da construção de uma infraestrutura jurídica indispensável para a economia do conhecimento.

O Brasil ocupa uma posição singular no mundo. Somos uma potência agrícola, ambiental e biológica. Abrigamos uma das maiores biodiversidades do planeta. Possuímos ecossistemas únicos, recursos genéticos extraordinários e uma comunidade científica capaz de produzir pesquisa de alto nível.

Mas existe uma diferença fundamental entre possuir riqueza biológica e transformar essa riqueza em desenvolvimento.

A história econômica brasileira é marcada por um paradoxo recorrente. Exportamos recursos naturais e importamos tecnologia. Fornecemos matéria-prima e compramos inovação. Produzimos riqueza física, mas frequentemente deixamos que o valor agregado seja criado em outros lugares.

O desafio do século XXI é romper esse ciclo.

A biodiversidade, isoladamente, não gera prosperidade. Florestas, microrganismos, recursos genéticos e conhecimentos tradicionais precisam ser convertidos em ciência, tecnologia, propriedade intelectual e atividade econômica.

É exatamente nesse ponto que o Tratado de Budapeste assume relevância estratégica.

Ele aproxima o Brasil das principais economias inovadoras do mundo. Facilita a proteção internacional de invenções biotecnológicas. Amplia a segurança para investimentos em pesquisa e desenvolvimento. E fortalece a inserção do país em setores que deverão definir a economia das próximas décadas.

Estamos entrando em uma era em que medicamentos avançados, bioinsumos agrícolas, novos materiais, biologia sintética, engenharia genética e tecnologias ambientais dependerão cada vez mais do domínio sobre recursos biológicos e sobre o conhecimento associado a eles.

A verdadeira riqueza do futuro talvez não esteja sob o solo brasileiro, mas dentro de laboratórios, universidades, centros de pesquisa e empresas inovadoras.

Por isso, a promulgação do Tratado de Budapeste possui um significado que transcende a propriedade intelectual.

Ela simboliza a compreensão de que soberania, no século XXI, não é apenas controlar fronteiras. É também participar da produção global do conhecimento.

Não basta proteger a floresta. É preciso proteger a inteligência que transforma a floresta em inovação.

Não basta preservar a biodiversidade. É preciso criar condições para que ela gere desenvolvimento científico, tecnológico e econômico.

O Brasil possui uma riqueza invisível de valor incalculável. O desafio agora é transformá-la em prosperidade.

O Tratado de Budapeste não resolve sozinho essa tarefa. Mas indica que estamos começando a compreender onde está a verdadeira riqueza das nações no mundo contemporâneo.

Que nota você dá pra edição de hoje?

1
2
3
4
5
☕ Daily Brew · Indique e ganhe

Indique a Daily Brew

Enquanto o Copom decide quanto rende o seu dinheiro, a gente já decidiu quanto rende a sua indicação: cada amigo que você traz vira recompensa, e a caneca exclusiva é o primeiro juro que você compõe aqui.

Patrocine a Daily BrewDAILY
BREW

A newsletter que milhares de pessoas leem antes da primeira reunião.

Economia e mercados explicados em 5 minutos, todos os dias, direto na caixa de entrada. Sua marca na frente de um público que decide, investe e influencia.

7h

no ar todos os dias

5 min

de leitura

100%

público engajado

✉  [email protected]

Keep Reading