In partnership with

Elon's Launching His Own "iPhone." 3 Stocks to Buy to Prepare

If you'd bought Apple before the first iPhone, you'd have seen peak gains of 7,537%. One product turned ordinary investors into millionaires.

Now Elon Musk is launching his own version — a device he claims will be "10x bigger than the largest product in history."

Target launch: July 22. Just days away.

The people who win on launches like this don't buy after the headlines. They position before. Our analyst pinpointed 3 stocks set to ride the launch — with entry guidance and price targets, plus a bonus 4th pick (the most undervalued name in the supply chain) and a 3-phase playbook showing exactly when to buy, when to add, and when to take profits.

100% free. No credit card. Over 2,500 investors have already read it.

Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

DOMINGO · 2 DE AGOSTO DE 2026

☕ Bom domingo

Hoje a Daily Brew senta com o fenômeno de consumo da década: as canetas emagrecedoras. Os economistas foram medir o efeito delas no trabalho e a resposta saiu torta: quase não mudam a produtividade nem o salário de quem já trabalha, mas emagrecer fez gente que vivia barrada na hora de contratar finalmente conseguir emprego. E não seria a primeira vez que um remédio reorganiza o mercado de trabalho: a última foi a pílula anticoncepcional. Sem pressa. ☕

Economia · A febre das canetas

Semaglutida · Ozempic · Mounjaro · Wegovy · Novo Nordisk · Eli Lilly · JPMorgan

As canetas emagrecedoras já movimentam R$ 13 bilhões por ano no Brasil

Elas nasceram para tratar diabetes e viraram o fenômeno de consumo da década. O GLP-1, a classe de remédios por trás de Ozempic, Wegovy e Mounjaro, imita um hormônio que o corpo produz depois de comer: reduz o apetite, ajuda a controlar o açúcar no sangue e, nas doses mais altas, faz emagrecer. No caminho, os estudos clínicos também apontam menos eventos cardíacos e, como veremos, menos gente de licença médica. É um remédio que mexe no corpo inteiro, não só na balança.

E o uso explodiu. Nos Estados Unidos, cerca de 12% dos adultos já usaram um GLP-1. No Brasil, Ozempic, Wegovy e Mounjaro somaram R$ 13,3 bilhões em farmácias em doze meses (de maio de 2025 a maio de 2026), e só o Mounjaro saltou de 208 mil para 4,5 milhões de unidades no período, uma alta de mais de 2.000%. Para dar a dimensão, em valor de vendas, três dos cinco medicamentos de marca de maior faturamento no país, todos vendidos sob prescrição, já são canetas de emagrecer, uma lista antes dominada por remédios de uso contínuo, como os de diabetes. E tende a ficar ainda mais acessível: nos Estados Unidos, a semaglutida em comprimido começou a ser vendida em janeiro de 2026.

A explosão das canetas no Brasil

Vendas em farmácia da classe GLP-1, com prescrição · 5x em 4 anos

2021
R$ 1,8 bi
2025
R$ 10,0 bi
12 m até
abr/26
R$ 14,6 bi

Fonte: IQVIA / Itaú BBA · Elaboração: Daily Brew

3 dos 5 remédios de marca mais vendidos já são canetas

Medicamentos de marca com prescrição · faturamento em farmácia, 12 m até set/2025

Wegovy
R$ 3,8 bi
Forxiga
R$ 2,1 bi
Mounjaro
R$ 1,9 bi
Ozempic
R$ 1,8 bi
Glifage
R$ 1,3 bi

canetas emagrecedoras    diabetes

Fonte: IQVIA · Elaboração: Daily Brew

Um fenômeno desse tamanho não para na farmácia. Quem toma sente menos fome e come menos, e o efeito logo aparece na conta de outros setores: nos Estados Unidos, domicílios com um usuário de GLP-1 cortaram de 6% a 9% dos gastos de supermercado, e o setor de fast-food e lanches viu as vendas caírem cerca de 8%. O banco JPMorgan estima que o hábito pode subtrair de US$ 30 a 55 bilhões por ano da indústria de alimentos e bebidas já em 2030. As canetas estão mexendo com todos os mercados, inclusive o do trabalho, nem sempre de forma tão óbvia. É o que as próximas páginas vão te explicar.

🎓 O que a teoria diz

Por que a caneta avança e a cirurgia recua. A cirurgia bariátrica ainda faz perder mais peso que o remédio (por volta de um quarto a um terço do peso do corpo, contra cerca de 15% a 20% das canetas). Mesmo assim, as cirurgias caíram (perto de 20% em 2025) enquanto as prescrições disparam. E não é porque a caneta seja mais barata: tomada todo mês, ela pode custar mais que a operação ao longo dos anos. O que faz a caneta avançar é ser simples e alcançar muita gente: não precisa de cirurgião, centro cirúrgico nem recuperação, o risco é menor e agora cabe até num comprimido. Uma revolução de saúde chega longe quando é fácil de alcançar, não só quando funciona melhor.

📱 Compartilhe essa edição pelo WhatsApp

Mercado de trabalho · Menos atestado

Dinamarca · Ozempic · Licença médica · Diabetes · Daysal · NBER · Fisco

Na Dinamarca, a caneta cortou 17% das licenças médicas longas. E mais nada.

O estudo mais rigoroso já feito sobre canetas e trabalho saiu em julho, no NBER (o principal centro de pesquisa econômica dos Estados Unidos), e usou um trunfo raro: os registros da Dinamarca, que acompanham cada pessoa por prescrição, saúde e emprego. Os pesquisadores compararam quem começou a tomar semaglutida (o princípio ativo do Ozempic) nos primeiros anos com quem começou depois. Vale um aviso: 84% dessa amostra eram diabéticos tomando Ozempic para controlar a doença, não gente emagrecendo por estética.

O achado central é econômico: as licenças médicas longas (afastamentos de mais de 30 dias) caíram 17,3%. Menos afastamento vira dinheiro público porque, durante uma licença longa, é o Estado (junto com o empregador) que paga o auxílio de quem fica parado; menos gente afastada significa menos auxílio a pagar. Os autores calculam uma economia de cerca de US$ 866 por ano para cada trabalhador tratado, o equivalente a 1,5% da renda anual do trabalho. E a saúde melhora de verdade: caem as idas à emergência e o uso de remédios do coração.

Agora a parte contraintuitiva. Sobre renda, emprego e participação na força de trabalho, o estudo não achou efeito nenhum em quatro anos. Parte disso é institucional: na Dinamarca, quem fica de licença continua recebendo quase o salário inteiro. Como adoecer quase não reduzia a renda do trabalhador, adoecer menos também não a aumenta: o ganho fica com quem paga a licença, o empregador e o Estado, não com ele. Mas o recado maior é outro: nessa gente, que tomava o remédio para tratar diabetes, a caneta não deixou ninguém mais produtivo, melhor pago, nem trouxe mais gente de fora para o emprego. Se o efeito no trabalho existe, ele está em outro lugar.

📱 Compartilhe essa edição pelo WhatsApp

🧠 Economia para não economistas

Saúde também é economia

Faz mais de cinquenta anos que os economistas passaram a tratar a saúde como um tipo de capital, uma ideia do economista Michael Grossman. O raciocínio é simples: assim como o estudo, a saúde é um estoque que a pessoa acumula e vai gastando com o tempo, e ele rende "tempo produtivo", os dias em que ela está bem o bastante para trabalhar. Quem cuida da própria saúde, na teoria, tem mais desse tempo para oferecer no mercado.

E os estudos aplicados, no geral, dão razão à teoria. Há décadas a pesquisa mostra que problemas de saúde derrubam emprego, salário e horas trabalhadas: quem adoece falta mais, rende menos mesmo quando está no trabalho e, nos casos mais sérios, deixa a força de trabalho antes da hora. Na direção oposta, tratar uma condição que limitava a pessoa tende a devolver capacidade de produzir. Por isso a saúde da população virou item nas contas de produtividade de empresas e de países.

Por isso a expectativa natural era que um remédio que emagrece e melhora a saúde de milhões virasse mais produtividade e mais renda, algo que o estudo do bloco 2 não encontrou. A explicação dos próprios autores é reveladora: o ganho de saúde é real, mas quem fica com ele depende das regras de cada país. Onde o seguro-doença é generoso, como na Dinamarca, o ganho vira economia para o Estado; onde é fraco, como nos Estados Unidos, ele tende a aparecer como mais produtividade e menos gente perdendo o emprego por doença.

Mercado de trabalho · O primeiro contato

Diamond · Penalidade do peso · Contratação · Emprego · Kaestner · Casamento · NBER

Desempregada que emagreceu teve 27 pontos a mais de emprego. Quem já trabalhava, zero.

A economista Rebecca Diamond foi olhar um grupo diferente: mulheres americanas que tomaram a caneta para emagrecer, comparadas com mulheres parecidas que também queriam tomar mas ainda não tinham começado. Entre as que estavam desempregadas, a taxa de emprego subiu 27 pontos percentuais em cerca de um ano e meio, com quase dez horas a mais de trabalho por semana. Quase todas saíram do desemprego.

O contraste dentro do estudo de Diamond é o coração da história. Entre as mulheres que já tinham emprego, não houve promoção, aumento de salário nem troca para um cargo melhor. Mesmo remédio, mesmo emagrecimento, e dois resultados que não podiam ser mais diferentes: um salto para quem estava fora, nada para quem já estava dentro. A caneta não muda a vida de quem já tem emprego, ela muda quem consegue ser contratado.

A explicação que sobra é desconfortável. Existe uma penalidade do peso que opera no primeiro contato, na hora de contratar, como um desconto de primeira impressão: o mesmo currículo rende menos se a pessoa está acima do peso. A mesma lógica apareceu no "mercado" de casamento: entre as solteiras, a taxa de passar a morar com um parceiro subiu 29 pontos após iniciarem o tratamento. Valem duas honestidades aqui. Primeiro, parte desse aumento no emprego pode vir de saúde melhor, não só de preconceito vencido. Segundo, esses números são medidos sobretudo em mulheres, porque é nelas que a penalidade do peso se concentra, mas o mecanismo, julgar a pessoa na hora de contratar e não pelo trabalho que ela entrega, é da economia, não do gênero.

📱 Compartilhe essa edição pelo WhatsApp

História econômica · A outra pílula

Pílula · Claudia Goldin · Nobel · Participação feminina · Capital humano · Casamento · Bailey

A última vez que uma pílula reescreveu o mercado de trabalho, não foi deixando ninguém mais saudável.

Já vimos esse filme. Há dois anos, Claudia Goldin ganhou o Nobel de Economia por explicar a entrada das mulheres no mercado de trabalho, e no centro dessa história está outro comprimido: a pílula anticoncepcional. A pílula não deixou nenhuma mulher mais saudável nem mais produtiva na tarefa que já fazia. Ela fez outra coisa: deu controle sobre o momento de ter filhos, e com isso permitiu planejar carreiras longas. Onde a pílula chegou mais cedo, as mulheres casaram mais tarde e passaram a ocupar profissões que exigem anos de formação, como direito e medicina.

É uma história parecida com a da caneta. A pílula mexeu em quem podia entrar e se comprometer com uma carreira. E, como a caneta, moveu o trabalho e o casamento ao mesmo tempo: adiou uniões e reorganizou a vida profissional na mesma tacada. Para quem estava de fora, os dois mercados se abriram juntos.

Vale a ressalva que o paralelo pede. O efeito direto foi nas mulheres; nos homens, veio de segunda mão, via casamentos mais tardios, uma segunda renda em casa e mais gente terminando a faculdade. E o canal da pílula não era puramente social: decidir a hora de ter filho também é produtividade, porque gestação, licença e criança pequena pesam no emprego. A diferença da caneta é somar a isso um ganho direto de saúde, que a pílula não tinha. Mas o recado econômico das duas é o mesmo: a virada não está na produtividade de quem já trabalha, e sim em quem a sociedade passa a deixar entrar.

📱 Compartilhe essa edição pelo WhatsApp

Que nota você dá pra edição de hoje?

Login or Subscribe to participate

📚 Vale ler

The Labor Market Impacts of GLP-1s

O paper dinamarquês do bloco central, com o desenho completo: a queda de 17% nas licenças médicas longas, a conta de US$ 866 por trabalhador e o nulo em renda e emprego.

NBER

GLP-1–Induced Weight Loss and the Female Obesity Penalty

O estudo por trás do bloco da tese: mulheres que emagreceram e estavam fora do mercado tiveram 27 pontos a mais de emprego, e as que já trabalhavam, nada.

NBER

The Power of the Pill

O clássico de Goldin e Katz por trás do bloco da pílula: como a pílula anticoncepcional adiou casamentos e abriu profissões para as mulheres, mudando quem podia entrar no mercado.

NBER

Canetas emagrecedoras movimentam R$ 13,3 bilhões em um ano no Brasil

O levantamento com os números brasileiros do primeiro bloco: o faturamento por marca, o salto de mais de 2.000% do Mounjaro e a nova cara do varejo de farmácia.

ICTQ

☕ Daily Brew · Indique e ganhe

5 indicações.
O primeiro prêmio é seu.

Manda o link pra quem vive te perguntando sobre economia. Essa pessoa para de perguntar. Você começa a ganhar.

Seu placar agora {{rp_personalized_text}}
Indicar pelo WhatsApp
ou copie seu link pessoal newsletter.dailybrew.com.br/subscribe?ref={{rp_referral_code}}
05
Resumo de 5 livros de Economia
2 meses de leitura. Em PDF. Hoje.
10
Caneca do Mercado Financeiro
Exclusiva. Só quem indica tem.
20
Livro A Psicologia Financeira
De graça, na sua casa.
50
Chat no Zoom em grupo com o Leo
Você pergunta o que quiser, ao vivo.
Grátis. Sem prazo. Cada indicação conta pra sempre.

Ver minhas recompensas