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Daily Brew

Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.

QUINTA-FEIRA · 02 DE JULHO DE 2026

☕ Bom dia

Inadimplência. O crédito das famílias bateu o pior índice de atraso da série histórica em maio, 5,6%, mesmo com o Desenrola tentando segurar a onda.
Ibovespa. A bolsa fechou junho em queda pelo quarto mês seguido, mas o semestre ainda sobra positivo, com alta de 6,76% no ano.
Diesel. O governo cortou o subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel nesta quarta, mas o preço na bomba nem se mexeu, quem economizou foi o Tesouro. ☕

Crédito · O recorde que ninguém queria

Banco Central · Serasa · Desenrola · Inadimplência · Crédito livre · Pessoa física

O atraso das famílias no crédito bancário nunca foi tão alto

O Banco Central divulgou nesta quarta os números de crédito de maio, e o destaque não é bom. A inadimplência das famílias (atrasos acima de 90 dias) subiu de 5,5% para 5,6%, o maior nível da série histórica, iniciada em março de 2011. No crédito total, somando linhas livres e direcionadas e incluindo empresas, a taxa foi de 4,6% para 4,7%, também recorde da série. No crédito livre isoladamente, linhas sem direcionamento oficial, como cartão e cheque especial, a inadimplência foi de 6,1% para 6,2%. Entre as empresas, chegou a 3,24%, o maior porcentual desde novembro de 2017.

Inadimplência de pessoas físicas

% da carteira de crédito com atraso acima de 90 dias, mês a mês.

mai/25
  
4,36%
jun/25
  
4,41%
jul/25
  
4,66%
ago/25
  
4,92%
set/25
  
4,89%
out/25
  
4,99%
nov/25
  
5,12%
dez/25
  
5,12%
jan/26
  
5,38%
fev/26
  
5,56%
mar/26
  
5,40%
abr/26
  
5,51%
mai/26
  
5,62%

Em 12 meses, de maio de 2025 a maio de 2026, a inadimplência das famílias subiu

+1,26 p.p.

Atraso acima de 90 dias, crédito total (livre + direcionado). Fonte: Banco Central (SGS, série 21084) · Elaboração: Daily Brew.

O dado coincide com o Desenrola 2.0, o programa de renegociação de dívida pra quem ganha até 5 salários mínimos, cerca de R$ 8.105, lançado em 4 de maio e com adesão aberta por três meses. Vale a ressalva: o próprio Banco Central escreveu, no relatório que acompanha os números, que medidas de renegociação "tendem a reduzir a inadimplência nas linhas elegíveis nos próximos meses". Com o programa rodando havia menos de um mês quando maio fechou, é possível que o efeito ainda nem tenha tido tempo de aparecer na estatística.

Do lado da Serasa, o retrato é outro. A empresa soma 83,5 milhões de brasileiros em situação de inadimplência, 50,8% da população adulta, e esse total cresceu apenas 0,14% em maio frente a abril, a menor alta do ano. Ou seja, o estoque de negativados de todo tipo de dívida (banco, loja, conta de luz, telefone) quase parou de crescer, enquanto o estoque mais estreito que o Banco Central acompanha, especificamente o crédito bancário, bateu recorde. São dois retratos do mesmo problema, e eles não bateram este mês.

🎓 O que a teoria diz

Serasa e Banco Central não medem o mesmo universo. A Serasa soma qualquer dívida negativada, de banco, loja, prestadora de telefone ou conta de luz, contra uma base já enorme, o que faz o total se mover devagar mês a mês. O Banco Central olha só o crédito bancário, uma fatia mais estreita, mas onde qualquer piora aparece rápido na proporção em atraso. Dá pra um crescer quase nada e o outro bater recorde ao mesmo tempo, sem contradição: são réguas diferentes medindo pedaços diferentes do mesmo problema.

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Mercados · Freio de meio de ano

Ibovespa · Petróleo · WTI · Brent · Estrangeiros · B3 · Petrobras

Ibovespa cai pelo quarto mês seguido, mas o semestre ainda é positivo

O Ibovespa (principal índice da bolsa brasileira) fechou junho em queda de 1,01%, aos 172.024 pontos, a quarta baixa mensal seguida. Foi também o pior trimestre em quase cinco anos: de abril a junho, o índice caiu 8,2%. Mesmo assim, quem olha só o ano de 2026 até aqui não vê motivo de pânico: o primeiro semestre fecha com alta de 6,76%, com o impulso forte de janeiro a março segurando boa parte do tombo dos últimos três meses.

Dois motores empurraram junho para baixo. O primeiro foi a fuga de dinheiro estrangeiro: investidores de fora tiraram R$ 8,7 bilhões da bolsa brasileira só no mês, até o dia 26. O segundo foi o próprio petróleo: com o arrefecimento da guerra entre EUA, Israel e Irã, o mesmo conflito por trás do recente corte no subsídio do diesel, o WTI (petróleo de referência americana) caiu 20,4% em junho e o petróleo Brent (referência internacional) recuou 19,9%, dois dos tombos mensais mais fortes da década para a commodity.

A queda do petróleo até ajuda o bolso do brasileiro, é literalmente o motivo do corte no subsídio do diesel desta edição, mas machuca a bolsa. Petrobras é um dos pesos mais relevantes do Ibovespa, e quando o preço do barril despenca, o valor de mercado da própria estatal derrete junto, puxando o índice para baixo com ela.

🎓 O que a teoria diz

Quando um índice de bolsa concentra peso em poucos setores, o caso do Ibovespa com petróleo e mineração, seu desempenho deixa de refletir só "a economia brasileira" e passa a copiar o preço de matérias-primas negociadas em dólar lá fora. É por isso que a bolsa cai justo no mês em que o IPCA-15 (prévia da inflação) desacelerou para 0,41%, ante 0,62% em maio: os dois efeitos nascem do mesmo lugar, o petróleo mais barato, só que aparecem em lados opostos do balanço.

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Combustíveis · A ordem por trás do corte

Petrobras · Diesel · Gasolina · IPCA · IBGE · FGV · Vibra · Ultrapar

Subsídio do diesel acaba, mas o preço na bomba não muda

O subsídio de R$ 0,35 por litro que o governo pagava a quem produz ou importa diesel no Brasil nasceu em março, quando a guerra entre EUA, Israel e Irã, com as tensões no Estreito de Ormuz (a passagem estreita no Golfo Pérsico por onde passa boa parte do petróleo do mundo), fez o preço do barril disparar. Nesta quarta, com o conflito esfriando e o petróleo devolvendo boa parte da alta, o subsídio chegou ao fim. No mesmo dia, a Petrobras cortou o preço do diesel na saída da refinaria no mesmo valor, R$ 0,35 por litro. O resultado: o preço cobrado das distribuidoras não muda nada, mas o governo para de gastar com essa fatia da conta. Quem embolsa a economia não é o caminhoneiro, é o Tesouro.

Ainda ficam de pé um subsídio maior ao diesel, de R$ 1,12 por litro, garantido até dezembro, e o da gasolina, de R$ 0,44 por litro, que o Ministério da Fazenda avalia reduzir aos poucos nos próximos dias. Segundo a XP (corretora e banco de investimentos), o corte de hoje aproxima o preço da Petrobras da paridade de importação, o que torna o diesel importado menos competitivo e melhora a margem de distribuidoras como Vibra e Ultrapar.

O motivo de o diesel ter sido o primeiro a perder o subsídio, e não a gasolina, tem menos a ver com petróleo e mais com estatística. A gasolina é item pesquisado diretamente pelo IBGE (o instituto que mede a inflação) e responde sozinha por cerca de 5% da cesta do IPCA, a maior ponderação entre os 377 itens da pesquisa. O diesel nem entra como subitem direto, já que pouca gente no Brasil abastece o carro de passeio com ele: seu efeito é indireto, via frete, e se espalha devagar por centenas de preços diferentes, do alimento ao insumo industrial. Como resumiu o economista André Braz, da FGV (Fundação Getulio Vargas): "o impacto do diesel sobre o IPCA é pequeno, pesa pouco na inflação ao consumidor. Mas pesa muito no frete." Cortar o subsídio que quase não aparece no índice oficial é, na prática, de baixo risco. Mexer no da gasolina, esse sim, doeria no número que estampa a manchete todo mês, e num ano de eleição, cada décimo do IPCA pesa dobrado na conta política.

E daí?

Não espere o frete ficar mais barato por causa disso, o preço pras distribuidoras nem mudou. Fique de olho é no anúncio da gasolina: quando ele vier, aparece no IPCA-15 do mês seguinte e entra direto na conversa sobre corte de juros. É dali que sai o efeito real sobre a inflação, não do diesel.

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💬 Frase do dia

"Como muitas outras instituições, o Fed está passando por um teste de estresse."

— Jerome Powell, ex-presidente do Fed (o banco central americano) · discurso ao receber o prêmio JFK Profile in Courage · 31/05/2026, Boston

Foi a primeira fala pública de Powell desde que deixou a presidência do Fed, em maio. Sem citar o governo Trump pelo nome, o recado ficou claro: se uma gestão consegue remover dirigentes do banco central por divergência política, a próxima também vai conseguir, e some junto a confiança de que decisão de juros é técnica, não capricho eleitoral. Escolher um prêmio de coragem cívica pra dizer isso não foi acaso.

📊 Mercados · Fechamento de quarta, 01/07

Ativo Fechamento Dia
Ibovespa 171.689 pts ↓ −0,20%
Dólar (BRL) R$ 5,20 ↑ +0,63%
Petróleo Brent US$ 71,57 ↓ −1,89%
Ouro US$ 4.044,60 ↑ +0,54%
S&P 500 7.483,23 ↓ −0,22%
Dow Jones 52.305,24 ↓ −0,03%
Nasdaq 26.040,03 ↓ −0,66%
Bitcoin US$ 60.387 ↑ +3,12%

Fontes: B3, Reuters e Yahoo Finance · fechamento de 01/07 (cotações podem variar por contrato e horário) · Elaboração: Daily Brew

📅 Agenda · de 2 a 4 de julho

QUI 2/07 ALTO IMPACTO Nos EUA, sai o payroll de junho, o relatório de criação de empregos que mais mexe com os mercados, antecipado um dia por causa do feriado de 4 de Julho.
SEX 3/07 INFORMATIVO No Brasil, o IBGE divulga a produção industrial de maio. Nos EUA, os mercados ficam fechados pelo feriado da Independência.
SÁB 4/07 INFORMATIVO Feriado da Independência dos EUA. Mercado americano fechado; agenda doméstica esvaziada.
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7 Stocks to Buy Before the Robots Take Over

The next AI trade may not be another chatbot.

It may be surgical robots, automated warehouses, smart factories, and machine vision systems already reshaping how companies operate.

MarketBeat’s new 7 Stocks to Buy Before the Robotics Revolution report reveals seven companies positioned across the automation boom, from robot builders and AI chip leaders to machine vision providers and factory automation giants.

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And as labor shortages, wage pressure, and supply chain stress push more companies toward automation, these stocks could move before the robotics story becomes impossible to ignore.

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