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☕ Bom dia

Indústria. A produção industrial caiu 0,2% em maio, na primeira queda mensal do ano, e o mercado até gostou, apostando em corte de juros.

Supersalários. Um em cada quatro magistrados estaduais passou de R$ 1 milhão acima do teto em 2025, e o STF voltou a liberar parte dos penduricalhos.

Tarifaço. Flávio foi aos EUA tentar barrar a tarifa de 25% de Trump, enquanto o Lula negocia oficialmente e fala em soberania. ☕

Foto: Pexels

Economia · Indústria e juros

Indústria cai 0,2% e o mercado aposta em juro mais baixo em agosto

Na sexta, o IBGE mostrou que a produção industrial caiu 0,2% em maio, a primeira queda mensal do ano depois de quatro meses de alta, como mostra o gráfico. Veio pior do que o mercado esperava, que apostava em alta. Mas o que moveu o dinheiro naquele dia não foi o número em si, foi o que ele diz sobre os juros.

Produção industrial, variação % no mês. Fonte: IBGE, divulgado em 3 de julho de 2026.

A conta do mercado é fria. Fábrica produzindo menos é sinal de economia esfriando. Economia mais fraca tira pressão dos preços. E, se a inflação aliviar, sobra espaço pro Banco Central baixar os juros básicos. Foi por isso que um dado ruim virou boa notícia: a Bolsa subiu 0,74%, fechou aos 174 mil pontos (o maior nível desde o começo de junho), e o dólar caiu pra R$ 5,17.

Só que cortar juro no Brasil não é um passeio, e aqui entram as ressalvas que o mercado prefere esquecer num dia de euforia. Primeiro: a inflação ainda corre acima da meta. O mercado projeta os preços subindo 5,33% neste ano, bem acima do teto de 4,5% que o Banco Central se compromete a não furar. E tem mais: o emprego segue aquecido, com desemprego em 5,6%, perto da mínima histórica, e gente empregada e gastando também pressiona preço. Por isso o próprio Banco Central, mesmo cortando, avisou que vai com o pé no freio.

E o pior de tudo: mesmo depois de três cortes seguidos (a taxa saiu de 15% e está em 14,25% ao ano), o Brasil ainda tem o maior juro real do mundo. Descontada a inflação, o juro por aqui é de quase 9,7% ao ano, à frente de Rússia e Turquia. O Banco Central só aliviou o pé do freio, nem chegou perto do acelerador. O dinheiro continua caro.

E é justamente esse freio, apertado por mais de um ano, que começa a aparecer nos dados. A queda da indústria não veio sozinha: os bens de capital, as máquinas que a empresa compra pra crescer, recuam 6,2% no ano, sinal de investimento adiado por causa do crédito caro. O varejo caiu em abril e a prévia do PIB veio fraca. Junte as peças e o retrato é de uma economia perdendo tração, o efeito atrasado do juro alto finalmente chegando.

Daí a briga do momento no mercado: com o petróleo mais barato e a atividade esfriando, parte dos economistas acha que o Banco Central tem espaço até pra acelerar os cortes no fim do ano; a ala mais cautelosa lembra que a inflação segue acima da meta e pede calma. O consenso, por ora, é de mais um corte na próxima reunião, em 4 e 5 de agosto, levando o juro pra perto de 14% até dezembro.

🎓 O que a teoria diz

Política monetária funciona com atraso. Quando o Banco Central mexe nos juros básicos, o efeito leva de 6 a 18 meses pra rodar pela economia. É como chuveiro elétrico velho: você abre no quente e a água custa a esquentar. A indústria fraca de agora é, em boa parte, resposta ao juro que ficou lá no alto o ano passado inteiro.

E a defasagem vale nos dois sentidos. O corte que o mercado espera pra agosto não vira parcela mais barata da noite pro dia; leva meses até pingar no crédito, no financiamento e na sua fatura. O alívio vem, mas com hora marcada lá na frente.

☕ E daí?

Pra você, a leitura é dupla. No curto prazo é ruim: economia esfriando é menos vaga de emprego e menos venda no comércio. No médio prazo é boa, porque é esse esfriamento que convence o Banco Central a cortar, e cada corte, meses depois, alivia quem deve no cartão ou vai financiar um carro. O jogo agora é a inflação deixar o corte acontecer.

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Foto: Pexels

Contas públicas · Judiciário

A Justiça estadual pagou R$ 10,7 bilhões acima do teto, e o STF voltou a liberar parte dos penduricalhos

No dia 30 de junho, o STF concluiu o julgamento dos "penduricalhos" e voltou a liberar parte deles a juízes e promotores, como férias não usufruídas, plantões e licença-prêmio, além de verbas atrasadas já reconhecidas. Foi o segundo tempo de uma novela que começou em março, quando o Supremo pôs um freio: essas verbas extras ficaram limitadas a 35% acima do teto. Só que, juntando esse limite ao adicional por tempo de casa, o salário pode chegar a cerca de 70% acima do teto. E esse teto, de R$ 46 mil, vale pra todo o resto do funcionalismo.

E a conta é gigante. Só os tribunais de Justiça dos estados pagaram R$ 10,7 bilhões acima do teto em 2025, mais que o dobro de 2023. Um levantamento da Transparência Brasil com dados do CNJ mostra que, entre os cerca de 15 mil magistrados estaduais analisados, 1 em cada 4 (quase 4 mil) passou de R$ 1 milhão acima do teto no acumulado do ano. O teto virou piso.

Alguns casos escancaram. O recordista foi o presidente do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, que levou R$ 385 mil num único contracheque em janeiro, oito vezes o teto, sendo R$ 320 mil só de "verbas eventuais". E não é exceção: no Tribunal de Justiça de São Paulo, 97% dos juízes furaram o teto no começo de 2026, com renda média de R$ 123 mil por mês.

Junte tudo e o Brasil tem a segunda Justiça mais cara do mundo em relação ao tamanho da economia, atrás só de El Salvador. Gastamos cerca de quatro vezes a média mundial, com um detalhe que entrega o problema: temos metade dos juízes que a Europa por habitante, mas gastamos o dobro. O dinheiro não vira mais Justiça, vira salário.

Tudo isso acontece enquanto o governo corta o Orçamento e fala em rombo nas contas. O topo do funcionalismo ganhou reforço acima do teto, agora com o carimbo do próprio STF. Não à toa, 83% dos brasileiros querem rever esses pagamentos, segundo o Datafolha.

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Foto: Pexels

Tarifaço · EUA-Brasil

Flávio vai aos EUA tentar barrar tarifa de 25% de Trump enquanto Lula fala em soberania

Os Estados Unidos querem cobrar um imposto a mais sobre uma lista grande de produtos brasileiros: uma sobretaxa de 25% na importação. A audiência pública sobre a taxa acontece em Washington nesta segunda e terça (6 e 7), e o governo Trump deve bater o martelo até o dia 15. É um capítulo novo de uma briga que vem de 2025, quando Trump impôs uma taxa de 50% que ele ligou ao julgamento de Jair Bolsonaro. Aquela medida não durou, e agora ele voltou à carga por outro caminho legal, com os 25%.

E aí a tarifa virou palanque. Flávio Bolsonaro embarcou pros EUA no sábado pra tentar barrar a taxa e discursa na audiência na terça. Levou um documento de 86 páginas pedindo que a sobretaxa seja suspensa e que o Pix fique de fora da disputa. Do outro lado, o governo Lula negocia pela via oficial: ofereceu baixar o imposto de importação de cerca de 300 produtos americanos e argumenta que a taxa "prejudica os próprios EUA", enquanto o presidente fala em soberania e diz que Washington "ainda age como imperador".

A camada mais quente é a troca de acusações. Já em Washington, Flávio afirmou que o Lula estaria atraindo o tarifaço de propósito, pra ganhar politicamente no papel de vítima. Lula rebateu chamando o gesto do senador de "traição à pátria". A três meses da eleição, cada lado tenta pendurar no outro a conta de uma tarifa que ainda nem saiu.

No fim, quem paga uma sobretaxa de importação costuma ser o consumidor dos dois lados, com produto mais caro na prateleira. Mas, em ano de campanha, ela pesa menos pelo bolso e mais como discurso: se a taxa sair, os dois já têm o discurso pronto pra culpar o adversário. A data pra ficar de olho é 15 de julho.

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📊 Mercados · Fechamento de sexta (03/07)

AtivoFechamentoNa semana
Ibovespa174.070 pts↑ +0,45%
Dólar (comercial)R$ 5,17↑ +0,03%
Petróleo (Brent)US$ 72↑ +0,2%
OuroUS$ 4.180↑ +2,5%
S&P 5007.483 pts*↑ +1,8%
BitcoinUS$ 62,5 mil↑ +4,2%

* O S&P 500 não teve pregão na sexta (feriado de 4 de julho nos EUA); o valor é o fechamento de quinta (02/07).

Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação na semana (26/06 a 03/07) · Elaboração: Daily Brew

📅 O que vem aí

Hoje · 06/07

Boletim Focus. o termômetro do que o mercado espera pra inflação, juros e dólar, sai de manhã.

Quarta · 08/07

Ata do Fed. o diário da última reunião do banco central dos EUA, que mexe com o dólar aqui.

Sexta · 10/07

IPCA de junho. a inflação oficial do Brasil, a que mais pesa no bolso e guia os juros.

Terça · 15/07

Prazo do tarifaço EUA-Brasil. Washington decide se aplica a sobretaxa de 25%, suspende a medida ou negocia uma saída.

📚 Vale ler

Produção industrial cai 0,2% em maio e frustra a expectativa de alta

O dado do IBGE por trás do primeiro bloco, que reacendeu a aposta no corte de juros.

Forbes Brasil · Economia · jul/2026

1 em cada 4 magistrados recebeu R$ 1 milhão acima do teto em 2025

O levantamento da Transparência Brasil com dados do CNJ por trás do bloco dos supersalários.

Poder360 · Contas públicas · 2026

A proposta oficial de tarifa de 25% dos EUA sobre o Brasil

O documento do governo americano (Seção 301) que abriu a sobretaxa, direto da fonte.

US Federal Register · Comércio · jun/2026

EUA marcam a fala de Flávio na audiência sobre a tarifa

A ida do senador a Washington para tentar barrar a sobretaxa de 25%.

InfoMoney · Política · jul/2026

Governo Lula apresenta aos EUA um plano para evitar o tarifaço

O outro lado da mesa: a negociação oficial e a oferta de baixar tarifas.

Poder360 · Governo · jul/2026

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