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Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEXTA-FEIRA · 26 DE JUNHO DE 2026
☕ Bom dia
Inflação. A prévia de junho desacelerou de novo, mas o alívio chega diferente em cada bolso.
Bolsonaro. Michelle e Flávio trocaram farpas em público e escancararam o racha pela herança política da família.
Contas públicas. Um estudo aponta que quase todo o pacote de benefícios do ano escapa do teto de gastos.
Americanas. A Polícia Federal voltou ao caso da fraude bilionária — e agora mira os donos da varejista.

Brasil · A conta da inflação
IPCA-15 · IBGE · Ipea · Alimentos · Energia · Faixa de renda · Combustíveis
A prévia da inflação desacelerou de novo em junho, mas no acumulado do ano foi maior para os mais pobres
A prévia da inflação de junho deu mais uma trégua. O IPCA-15 — o índice que antecipa a inflação oficial do país — subiu 0,41% no mês, desacelerando pela segunda vez seguida (foi 0,62% em maio). O que segurou os preços foi a queda dos combustíveis (−1,22%); o que ainda puxou para cima foram a comida (alimentação e bebidas, +0,74%) e a moradia (habitação, +0,72%) — juntas, cerca de dois terços do resultado do mês. No acumulado de doze meses, a inflação está em 4,8%, ainda acima do teto da meta, que é de 4,5%.
Mas todo índice de inflação é uma média — e média esconde diferença. Quando o IBGE divulga um number só, ele mistura a cesta de quem ganha um salário mínimo com a de quem ganha vinte. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) faz esse recorte por faixa de renda, e o retrato mais recente, com o fechamento de maio, mostra que no acumulado de 2026 quem é mais pobre pagou a conta mais cara: a faixa de renda muito baixa acumula 3,46% de inflação no ano, contra 2,83% da renda alta. O motivo é direto — comida e luz pesam muito mais no orçamento de quem ganha menos, e foram justamente esses itens que mais subiram.
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A inflação por faixa de renda
No ano, os mais pobres pagaram a conta mais cara; em 12 meses, o peso vira para os mais ricos.
Fonte: Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda · Carta de Conjuntura nº 71 · fechamento de maio/2026
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A surpresa aparece quando se estica o prazo. No acumulado de doze meses, a relação se inverte: quem teve a maior alta foi a renda alta (5,26%), e a renda muito baixa, a menor (4,29%). A explicação está no tipo de gasto: ao longo do último ano, o que mais subiu foram serviços como saúde, educação, recreação e alimentação fora de casa — despesas que pesam mais no bolso das famílias de renda mais alta. No fim, a mesma inflação cai de um jeito sobre cada mesa do país.
🎓 O que a teoria diz
Não existe uma inflação só — existe a sua. O índice oficial supõe uma cesta de compras "média", mas cada família tem a sua: quem ganha pouco gasta a maior parte com comida, luz e transporte; quem ganha muito gasta proporcionalmente mais com serviços, viagem e escola. Por isso o mesmo IPCA é sentido de formas diferentes — e quando sobem os alimentos, é o bolso mais pobre que aperta primeiro. Economistas chamam isso de inflação por faixa de renda, e é o que o Indicador do Ipea tenta medir.
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Brasil · Fogo amigo
PL · Michelle · Flávio · Eleições 2026 · Ciro Gomes · Voto feminino · Herança
Michelle e Flávio Bolsonaro trocaram farpas em público e o estrago é na corrida de 2026
Na quarta (24), Michelle Bolsonaro — ex-primeira-dama e principal nome do PL entre as mulheres — publicou um vídeo nas redes dizendo ter "rompido o silêncio" depois de uma sequência de ataques. No relato, ela expõe um desentendimento com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratado nos bastidores do partido como pré-candidato à Presidência. O estopim teria sido a resistência dela a uma possível aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará; na sequência, Michelle acusou Flávio de tentar desgastar candidaturas femininas da legenda.
Horas depois, Flávio negou: "Em nenhum momento ofendi ou quis ofender Michelle", disse, afirmando estar "de coração aberto". Nesta quinta (25), voltou a negar qualquer ofensa e pediu apoio do núcleo feminino do partido. Aliada das duas pontas, a senadora Damares Alves saiu em defesa de Michelle e disse que o vídeo havia sido gravado dias antes, após "ataques orquestrados". Em 24 horas, a treta virou a conversa política do país.
E daí?
Por que isso importa a quem não liga para bastidor: a briga expõe a disputa pela herança política de Jair Bolsonaro — inelegível — e arranha o ativo mais valioso do grupo com o eleitorado feminino e evangélico, a pouco mais de três meses da eleição de outubro. E definição de candidatura mexe com juro longo e câmbio, porque investidor odeia incerteza: enquanto não se sabe quem disputa e com qual agenda, o mercado cobra um "prêmio" maior para emprestar ao Brasil no longo prazo. Uma direita rachada só adia esse desenho.
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Brasil · Fora do teto
Arcabouço fiscal · Marcos Mendes · Insper · Gasto público · Meta primária · Eleição
94% dos novos benefícios do governo em 2026 ficam fora do limite de gastos, aponta estudo
Um levantamento do economista Marcos Mendes, pesquisador do Insper e ex-chefe da assessoria econômica do Ministério da Fazenda, calcula que o governo federal criou R$ 187,2 bilhões em novos benefícios no primeiro semestre de 2026. O ponto que chamou atenção: R$ 176,7 bilhões — 94,3% do total — ficam fora do limite de crescimento de gastos do arcabouço fiscal, a regra que o próprio governo desenhou em 2023 para segurar a despesa. Dentro da conta da regra entram apenas R$ 9 bilhões.
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De cada R$ 100 em novos benefícios…
…R$ 94 ficam fora do limite de gastos do arcabouço.
Dentro do limite de gastos
Fora do limite de gastos
Fonte: levantamento de Marcos Mendes (Insper) · benefícios criados de jan. a jun./2026
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Como isso é possível? O arcabouço tem exceções previstas em lei — despesas que, por regra, não entram na conta do teto. Quando as novas medidas se encaixam nessas brechas, elas saem do radar do limite. E o estudo vai além: R$ 118,7 bilhões (63% do total) escapam até da meta de resultado primário — o indicador que mede se o governo gasta menos do que arrecada antes de pagar os juros da dívida, o termômetro mais usado para julgar a saúde das contas públicas.
Nada disso é ilegal, e boa parte do pacote — que inclui itens como o Gás do Povo, o Desenrola, a ampliação do Minha Casa Minha Vida e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — alivia o bolso de milhões de pessoas em ano de eleição. O problema é de credibilidade: quanto mais despesa fica fora das regras, menos a regra significa. E é essa desconfiança de que a conta pública não fecha que ajuda a manter os juros lá no alto — o mesmo juro que pesa no financiamento, no cartão e na prestação de todo mundo.
🎓 O que a teoria diz
O arcabouço fiscal é uma promessa que o país faz a si mesmo: "vou limitar o quanto minha despesa cresce e mirar um resultado mínimo nas contas". Serve para dar previsibilidade — quem empresta dinheiro ao governo quer saber que ele não vai gastar sem freio. O detalhe é que uma regra vale pelo que ela não deixa passar. Cada exceção é uma porta lateral; quando há portas demais, a porta da frente perde a função, e o mercado passa a olhar a meta com desconfiança. Não é o tamanho do gasto, é o tamanho da brecha.
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Brasil · O rombo volta à cena
Americanas · Polícia Federal · Lemann · Sicupira · Bancos · Risco sacado · R$ 54 bi
A PF mira os donos da Americanas, e a Justiça manda bloquear até R$ 54 bilhões
Nesta quinta (25), a Polícia Federal deflagrou uma nova fase da operação que investiga a fraude contábil da Americanas. Foram nove mandados de busca no Rio e em São Paulo, agora mirando o andar de cima: os sócios de referência da varejista — os bilionários Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira —, ex-conselheiros da empresa e executivos de Itaú, Bradesco e Santander. A 10ª Vara Criminal Federal do Rio determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Relembrando: no início de 2023, a Americanas revelou um rombo contábil de cerca de R$ 24 bilhões e mergulhou em recuperação judicial — uma das maiores quebras da história empresarial brasileira. No centro da fraude estava o "risco sacado", uma forma de financiamento junto a fornecedores que a empresa registrava de um jeito que escondia dívidas, além de contratos de verba de propaganda (o VPC) lançados sem lastro real. Por anos, os balanços mostraram uma companhia bem mais saudável do que ela de fato era.
A novidade da operação é a mira: não os funcionários do meio do caminho, mas os donos históricos e os bancos que financiavam a varejista. A investigação quer saber quem sabia o quê — e até quando. E o bloqueio de R$ 54 bilhões, mais que o dobro do rombo original, dá a medida do tamanho da garantia que a Justiça quer ter em mãos antes que a conta, eventualmente, chegue.
E daí?
O caso virou um teste de responsabilização. Se controladores bilionários e bancos credores podem ser chamados a responder por uma fraude desse tamanho, muda o cálculo de risco de quem empresta para empresa grande e de quem compra ação na bolsa brasileira. É a diferença entre governança ser um detalhe do relatório anual e virar preço de verdade: quanto mais crível a punição, mais barato fica, lá na frente, o crédito para quem faz a lição de casa.
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💬 Frase do dia
"A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que queríamos em um espaço conciso, é absolutamente minha."
— Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sobre o ruído deixado pela ata do Copom · quinta · 25/06/2026
A ata era a chance de o Banco Central esclarecer o corte de juros da semana anterior. Em vez disso, o mercado a achou tão confusa quanto o comunicado original. Galípolo assumiu o erro: disse que o problema foi de excesso, e não de falta de informação.
📊 Mercados — Fechamento de quinta (25/06)
* Preço por volta do horário de fechamento do mercado brasileiro; segue em negociação no exterior. Fontes: B3, InfoMoney, Trading Economics, Investing.com e CoinGecko · variação no dia (25/06) · Elaboração: Daily Brew |
📅 Agenda — de 26 de junho a 3 de julho
| SEX 26 | INFORMATIVO Nos Estados Unidos, sai o PCE, o índice de inflação preferido do Fed (o banco central americano) para calibrar os próprios juros. |
| QUA 1/07 | MÉDIO No Brasil, o IBGE divulga a produção industrial de maio. Nos EUA, o ISM da indústria e os dados de vagas (JOLTS) abrem a semana do mercado de trabalho americano. |
| SEX 3/07 | ALTO IMPACTO Dia cheio: o IBGE divulga a taxa de desemprego (PNAD Contínua, trimestre até maio) e os EUA soltam o payroll, o relatório de criação de empregos que mais mexe com os mercados. |
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