Tudo que importa na economia. Antes do café esfriar.
SEGUNDA-FEIRA · 13 DE JULHO DE 2026
☕ Bom dia
A inflação de junho veio bem menor que o esperado, e o mercado já sonha com juros mais baixos.
O prato feito não ficou sabendo: comer na rua segue subindo, mesmo com a comida mais barata no mercado.
A PF suspeita que o Eduardo Cunha seguia influenciando emendas do Orçamento sem ter mandato, e o Supremo mandou bloquear bens dele.
E o tarifaço americano chega à semana da decisão: o Brasil corre pra escapar da lista. ☕

Brasil · Inflação
Inflação de 0,16% em junho reforça aposta em novo corte dos juros
A inflação oficial do país quase parou em junho: 0,16%, depois de 0,58% em maio e praticamente metade dos 0,31% que o mercado esperava. Foi o menor resultado do ano, como mostra o gráfico, e veio abaixo até do junho do ano passado (0,24%). Com isso, o acumulado em 12 meses caiu de 4,72% pra 4,64%, e o do ano está em 3,36%. Ainda está acima do limite superior de 4,5% da faixa de tolerância da meta, cujo centro é 3%, mas a seta aponta pro lado certo. Os números são do IBGE e saíram na sexta (10/07).
O alívio veio da mesa. Depois de subir 1,33% em maio, o grupo de alimentação e bebidas caiu 0,24% em junho e puxou o índice pra baixo. Dentro de casa, a comida ficou 0,39% mais barata: o café moído recuou 3,72% (uma notícia de interesse direto deste departamento), as frutas caíram 1,58% e as carnes, 0,64%. Nem tudo cooperou, que o diga o feijão-carioca, 8,31% mais caro, e a batata-inglesa, que subiu 3,57%. Os combustíveis também deram folga: queda média de 0,48%, com etanol 3,09% mais barato, diesel em baixa de 1,19% e gasolina praticamente parada.

Do outro lado da conta, a pressão veio da casa em si. O grupo habitação subiu 0,63% e foi o que mais empurrou o índice pra cima no mês, com a energia elétrica avançando 1,53%, efeito da bandeira amarela na conta de luz e de reajustes em capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio. Ainda assim, bem menos que os 3,67% que a luz tinha subido em maio. E as passagens aéreas dispararam 7,12%, segurando o grupo transportes no positivo mesmo com os combustíveis em queda.
O mercado gostou do que viu, e não foi só pelo número cheio. A composição agradou: as medidas que os economistas usam pra enxergar a tendência da inflação, deixando de fora os preços que mais pulam de um mês pro outro, também melhoraram. A reação foi imediata. Os juros futuros caíram e o Ibovespa saltou 2,97% na sexta, aos 177.866 pontos, maior nível desde maio, puxado por empresas que vivem de crédito e consumo interno. O dólar foi junto: fechou a R$ 5,11, terceira queda seguida e o menor patamar em quase um mês. Na semana, o ganho da bolsa somou 2,18%. A leitura predominante no mercado: inflação mais mansa aumenta a chance de o Copom, o comitê do Banco Central que define os juros básicos (hoje em 14,25% ao ano), cortar mais 0,25 ponto na reunião de 4 e 5 de agosto. Seria o quarto corte seguido do ciclo.
Ninguém decretou vitória, e o próprio número explica o porquê: o acumulado segue acima do teto, e a lista de riscos é conhecida, do petróleo pressionado pelas tensões entre Estados Unidos e Irã à incerteza fiscal em ano de eleição. Pro seu bolso, o recado é duplo. A comida deu trégua no supermercado, e juros menores lá na frente podem aliviar, com alguma defasagem, o custo do crédito e das parcelas. Só não confunda desaceleração com desconto: inflação menor quer dizer preços subindo mais devagar, não voltando pro que eram. É exatamente essa diferença que explica a próxima história.
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Brasil · Seu bolso
Almoço no restaurante chega a R$ 31,90 e sobe 5,4% no trimestre
Em junho, a inflação quase parou e a comida caiu de preço no supermercado. O almoço na rua, por sua vez, fechou mais um trimestre subindo. O preço nacional de referência do prato feito, aquele arroz com feijão, proteína, salada e guarnição, chegou a R$ 31,90 em junho: alta de 5,4% de março pra cá e de 7,2% desde janeiro, bem acima dos 3,36% que a inflação oficial acumula no ano (são cestas e períodos diferentes, mas a distância é o recado). Pra quem almoça fora nos 20 dias úteis do mês, são uns R$ 638 por mês só de almoço.
O número é do Índice Prato Feito, calculado pelo núcleo de estudos econômicos da Faculdade do Comércio de São Paulo, mantida pela Associação Comercial de São Paulo. A rodada mais nova veio a público na sexta (10/07) e rodou o fim de semana. Foram 887 preços coletados pelo país, a maior base da história do levantamento. O mapa também diz onde dói mais: Sul e Centro-Oeste têm os PFs mais salgados, na casa dos R$ 34,90 e R$ 34,45.
Como o almoço sobe se o ingrediente deu trégua? A explicação de quem calcula o índice é que o prato que chega à mesa carrega muito mais que arroz e feijão: aluguel do ponto, conta de luz (que subiu 1,53% em junho, como você leu ali em cima), salários, transporte, impostos e os juros do crédito que o dono do restaurante toma pra girar o negócio. Quando o ingrediente cede, esses custos podem seguir empurrando. O próprio IPCA flagra a diferença: em junho, a alimentação dentro de casa caiu 0,39%, mas comer fora subiu 0,15%, desacelerando dos 0,49% de maio (o item refeição, sozinho, foi de 0,51% pra 0,15%). Deu uma acalmada, só que não caiu.
Isso não quer dizer que o IPCA "está errado", nem que todo restaurante do Brasil cobra R$ 31,90. São réguas diferentes: o índice do IBGE mede uma cesta gigante de produtos e serviços no país inteiro; o Prato Feito é uma amostra privada de um único item do cotidiano. Juntas, as duas réguas explicam a sensação que você provavelmente conhece: a inflação caiu, mas nada ficou barato. Na prática, é bem mais comum o prato feito parar de subir do que ficar mais barato: quando o custo cede, a folga tende a recompor margens espremidas na subida antes de aparecer como desconto no cardápio.
🎓 O que a teoria diz: por que os preços sobem e não voltam?
Os economistas chamam isso de preços rígidos ("sticky prices"): preços de serviços, como uma refeição pronta, tendem a subir com facilidade e a demorar bem mais pra cair. O motivo está na receita do custo: num prato feito, boa parte é gente, aluguel e energia, itens que não têm safra nem promoção. Salários dificilmente são cortados (a chamada rigidez nominal), aluguel corrige pela inflação passada, tarifa de luz é decidida por agência. Quando a inflação desacelera, esses custos costumam parar de acelerar, mas raramente devolvem o que já subiram: a refeição pode continuar subindo, ou só desacelerar, mesmo com ingrediente mais barato. Por isso a inflação de serviços é a parte mais teimosa de qualquer queda de inflação, e uma das que o Banco Central mais observa antes de cortar os juros.
E daí?
A inflação medida e a inflação sentida são bichos diferentes. O índice diz que a comida caiu; a sua marmita na rua diz que não. Os dois estão certos: o supermercado reage rápido à safra, o restaurante repassa custo velho. Na prática, cozinhar em casa ficou relativamente mais barato do que comer fora, e essa distância custa a fechar.
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Brasil · Congresso
Sem mandato há 10 anos, Cunha é suspeito de controlar R$ 6,15 milhões em emendas
O ministro Flávio Dino, do Supremo, mandou bloquear até R$ 6,15 milhões em bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, cassado em 2016 e fora do Congresso desde então. A decisão foi assinada no dia 6, estava sob sigilo e só veio a público ontem (12/07). Segundo a Polícia Federal, Cunha seguia atuando como um "vetor relevante" na escolha e no remanejamento de emendas parlamentares, o dinheiro que deputados e senadores carimbam no Orçamento pra mandar a obras e serviços nos municípios.
A investigação achou 21 emendas, somando exatamente esses R$ 6,15 milhões, destinadas a cidades de Minas Gerais na área da saúde (o esquema todo envolveria pelo menos 29). E a suspeita não é de simples pedido político, coisa comum entre dirigentes de partido: é de controle direto sobre a execução do dinheiro, operado por uma servidora de carreira da Câmara, Mariângela Fialek, a Tuca, que segundo a PF agia com "pleno aval" da Presidência da Casa. O cuidado aqui importa: não há acusação formal contra o atual presidente, Hugo Motta. Nas mensagens interceptadas, Cunha cobrava a liberação das verbas, mandava trocar emenda de cidade e reclamava dos prefeitos. Ele já anunciou que quer voltar à Câmara na eleição deste ano, como candidato por Minas.
O caso é parte de uma apuração maior sobre gente sem mandato decidindo emendas. Dias antes, Dino já havia bloqueado R$ 119 milhões ligados ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto: a PF atribui a ele R$ 111,8 milhões em emendas de comissão só em 2024, mais do que 512 dos 513 deputados indicaram individualmente, atrás apenas do então presidente da Câmara, Arthur Lira. Motta reagiu chamando a decisão sobre Valdemar de "indevida intervenção judicial", sinal de que vem briga entre Congresso e Supremo.
Vale o asterisco jurídico: bloqueio é medida cautelar, não condenação, e a defesa de Cunha diz que os R$ 6,15 milhões são o valor total das emendas, não dinheiro que ele tenha embolsado. A própria PGR, o Ministério Público que atua no Supremo, foi contra as medidas cautelares (embora defenda que a investigação continue), e Dino acolheu os pedidos da PF só em parte. O pano de fundo é que interessa a quem paga imposto: o orçamento secreto acabou no papel, mas a influência sobre bilhões em emendas pode ter apenas migrado pra instrumentos menos transparentes. A investigação tenta responder a pergunta que o registro oficial esconde: quem de fato decide pra onde vai o dinheiro público.
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Mundo · Comércio
EUA têm até quarta pra decidir a tarifa extra de 25% sobre o Brasil
Acaba na quarta (15/07) o prazo pros Estados Unidos decidirem se aplicam uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros, desfecho de uma investigação comercial (a chamada Seção 301) que mira do Pix ao etanol. O governo passou o fim de semana tentando marcar uma última conversa com o USTR, o escritório comercial americano, atrás de um aceno sobre quem entra e quem escapa da lista. Na sexta (10/07), Lula reuniu ministros e bateu o martelo da estratégia: nenhuma concessão nova e nenhuma retaliação antecipada. A resposta, se vier, será calibrada depois da lista final, com a Lei da Reciprocidade na gaveta.
Importante separar as contas: o que se decide na quarta é só essa tarifa de 25% e sua lista de exceções. Os 37,5% que assustam a indústria são um cenário da CNI, a confederação da indústria, que soma a ela uma segunda investigação americana, sobre trabalho forçado, ainda sem desfecho: se as duas vingarem, mais de 4 mil produtos, cerca de um terço do que o Brasil vende aos Estados Unidos (uns US$ 14,9 bilhões), pagariam a taxação cheia. A pressão por acordo cresceu dos dois lados da fronteira: siderúrgicas americanas pedem pra poupar o ferro-gusa brasileiro, que não têm de onde tirar, e a indústria do café de lá quer o solúvel fora da lista (o café verde já escapou na prévia). Até Flávio Bolsonaro entrou na dança, pedindo em Washington que a decisão fique pra depois da eleição. Na quarta acaba o prazo legal dessa investigação; a briga por exceções, adiamentos e a resposta brasileira continua depois, e a gente conta o placar aqui.
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📅 O que vem aí
Hoje · 13/07
Boletim Focus. o Banco Central divulga a pesquisa semanal com as apostas do mercado; depois do IPCA magro de junho, o olho vai direto nas projeções pros juros e pra inflação.
Terça · 14/07
Inflação nos EUA. sai o CPI de junho, a inflação oficial americana, às 9h30 de Brasília; o número pesa na decisão de juros do Fed no fim do mês.
Quarta · 15/07
Tarifaço e serviços. termina o prazo legal pros Estados Unidos decidirem a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e o IBGE mostra como andou o setor de serviços em maio.
Quinta · 16/07
Varejo no Brasil. o IBGE divulga as vendas do comércio em maio, mais uma peça pra medir o fôlego da economia com os juros lá em cima.
Sexta · 17/07
Prévia do PIB. o Banco Central solta o IBC-Br de maio, o termômetro mensal que antecipa o rumo da economia do país.
📊 Mercados — Fechamento da semana (06 a 10/07)
* Preço por volta do fechamento do mercado brasileiro de sexta (10/07); segue em negociação no exterior. Variação na semana: fechamento de sexta (10/07) sobre o da sexta anterior (03/07; Bolsa e ouro nos EUA, fechados no feriado, 02/07). Fontes: B3, InfoMoney, ICE, Trading Economics e CoinGecko · Elaboração: Daily Brew |
📚 Vale ler
“Não aguento mais mineiros enrolados”, diz Cunha sobre emendas As mensagens interceptadas pela PF que embasam a decisão de Dino no caso Cunha. Poder360 · Justiça · 12/07/2026 |
IPCA: inflação sobe 0,16% em junho, abaixo do esperado pelo mercado O raio-x do número que animou o mercado, grupo por grupo. InfoMoney · Economia · 10/07/2026 |
Prato feito custa R$ 31,90 em junho, aponta índice O levantamento da FAC-SP por trás do bloco do almoço. BP Money · Economia · 11/07/2026 |
Lula reúne equipe e decide manter estratégia às vésperas de novo tarifaço Os bastidores da sexta-feira no Planalto antes da decisão de quarta. CNN Brasil · Política · 10/07/2026 |
Brasil defende café e outros produtos em audiência comercial nos EUA Quem luta pra ficar fora da lista das tarifas, do café ao ferro-gusa. MundoCoop · Agro · 07/2026 |
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