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Sábado · 28 de março de 2026 · Edição Semanal
☕ A semana em resumo

Foi a semana do acordo que nunca foi — e do prazo que virou dois prazos. Trump anunciou conversas produtivas na segunda. O Irã negou na terça. O Paquistão se ofereceu para mediar na quarta. O prazo vencia nesta sexta. Na quinta, Trump prorrogou para 6 de abril. A narrativa do cessar-fogo virou um ativo financeiro negociado em ciclos de 24 horas.

No meio de tudo isso: a ata do Copom confirmou que não sabe o que vai fazer em maio. O BC publicou o Relatório de Política Monetária e usou as palavras "significativo e duradouro" para descrever o impacto da guerra. O IPCA-15 de março veio em 0,44% — tecnicamente uma desaceleração, praticamente uma meia-verdade, já que a coleta capturou menos da metade dos dias de guerra.

O Ibovespa terminou a semana em 181.557 pontos — alta de 3,03% em relação ao fechamento de sexta passada (176.219), apesar dos tombos de quinta e sexta. Na conta da semana, segunda e quarta salvaram o saldo. O novo prazo de Trump é 6 de abril. A semana que vem começa com o relógio zerado — de novo.

Destaque da Semana · Seg–Sex 23–28/03
Trump · Irã · Brent · Bolsas
Trump negociou. O Irã não estava na sala. O prazo venceu — e virou outro prazo

Na segunda-feira, Trump postou no Truth Social que havia tido "conversas produtivas" com o Irã e adiou por 5 dias qualquer ataque a instalações energéticas iranianas. O Brent despencou 10% — de US$ 109 para US$ 95. O Ibovespa subiu 3,24%. Wall Street subiu 1,38%. O mercado comprou a narrativa antes de checar os fatos.

Os fatos chegaram na terça: o Irã negou qualquer negociação. O Brent voltou a US$ 102. Na quarta, Washington enviou ao Irã um plano de 15 pontos via Paquistão. O mercado voltou a subir. Ibovespa +1,6%. Na quinta, o ministro iraniano das Relações Exteriores disse que o Irã "não tem intenção de negociar". O Ibovespa caiu 1,45%. Na sexta, com o prazo prestes a vencer, Trump prorrogou para 6 de abril — dizendo que o Irã havia permitido a passagem de 10 petroleiros pelo Estreito como "presente". O Brent subiu para US$ 104. O Ibovespa caiu mais 0,64%.

O saldo da semana: um prazo que virou dois prazos, um acordo que ninguém confirmou e um petróleo que encerrou a semana mais caro do que começou. O mercado passou os cinco dias comprando e vendendo a mesma narrativa — com margem de lucro dependendo de quando você entrou e saiu.

🎓 O que a teoria diz
"Trade no rumor, vende no fato": é um dos axiomas mais antigos do mercado. Quando há alta incerteza, qualquer sinal positivo — mesmo sem confirmação — gera alívio desproporcional. O risco é a reversão violenta quando os fatos contradizem o rumor. O Brent fez esse movimento pelo menos três vezes nesta semana. O investidor que ignorou as manchetes e olhou apenas os fundamentos saiu melhor do que quem acompanhou cada tweet.
O que vem
O novo prazo é 6 de abril — segunda semana de abril. A semana que vem abre com o Brent acima de US$ 104 e o mercado tendo que recalibrar as expectativas pela segunda vez. Se o Irã sinalizar abertura real até lá, a segunda pode ser outra segunda de +3%. Se não, o ciclo se repete — com menos paciência dos investidores desta vez.
📊 O gráfico da semana
Ibovespa — pregão a pregão · 24 a 27/03/2026
Fonte: B3 · Investing.com · Linha tracejada = fechamento de 20/03 (176.219)
Segunda disparou 3,24% com o "acordo" de Trump. Quarta fechou nas máximas com o plano de 15 pontos. Quinta e sexta devolveram parte dos ganhos. A semana em cinco barras — saldo final positivo apesar de tudo.
Destaque da Semana · Ter–Qui 24–26/03
Copom · BC · IPCA-15 · Estagflação
A ata disse "cautela". O relatório disse "duradouro". O IPCA-15 disse "0,44%". A mesa do brasileiro disse outra coisa

A ata do Copom saiu na terça sem nenhuma pista sobre maio — o BC vai depender de dados, e os dados dependem do Brent. Na quinta, o Relatório de Política Monetária foi mais direto: a guerra pode ter impacto "significativo e duradouro" no PIB e na inflação brasileiros. Foi a primeira vez no ano que o BC usou essa combinação de palavras no mesmo documento.

O IPCA-15 de março veio em 0,44% — abaixo dos 0,84% de fevereiro, o que tecnicamente é uma desaceleração. O problema é que a coleta terminou em 17/03, capturando apenas 17 dos 33 dias de guerra. O IPCA cheio de março, divulgado em abril, vai contar a história completa. Os vilões já se revelaram: açaí +29,95%, feijão +19,69%, ovo +7,54%. Os combustíveis ainda apareceram tímidos — a guerra chegou tarde na coleta.

O que vem
Copom em 28/29 de abril. Se o Brent ainda estiver acima de US$ 90, o corte vai ser de 0,25pp de novo. Se houver cessar-fogo real antes, pode acelerar para 0,50pp. O petróleo continua sendo o co-presidente do Copom — e nenhum dos dois está sinalizando muita coisa para a próxima reunião.
Destaque da Semana · Brasil
Bolsonaro · Master · Consignado · Política
Bolsonaro foi para casa, o Master custou R$ 60 bi e o governo quer tapar juros com teto.

Moraes aceitou a prisão domiciliar de Bolsonaro na terça. O ex-presidente, condenado a 27 anos por tentativa de golpe e internado com pneumonia desde 13/03, poderá cumprir pena em casa. Para o mercado, impacto neutro no curto prazo — mas o radar eleitoral acendeu. Flávio Bolsonaro empata com Lula em segundo turno nas últimas pesquisas. O investidor estrangeiro voltou a olhar para o calendário de 2026.

O caso Banco Master voltou às manchetes com o número que ninguém queria ver: R$ 60 bilhões de rombo no FGC — um terço do patrimônio do fundo. Para recompor o caixa, os bancos tiveram que antecipar 60 meses de contribuição. Esse custo vai aparecer no spread dos próximos anos. BTG, Nubank e XP estão na mira da Justiça por terem distribuído os CDBs a 140% do CDI usando o FGC como argumento de venda. E o governo quer propor teto de juros no consignado privado — boa intenção, péssimo histórico, e um Working Paper do próprio BC explicando por que não funciona.

O que vem
A proposta do teto no consignado deve ser anunciada nas próximas semanas. O caso Master segue nos tribunais. E Bolsonaro em casa significa eleição 2026 oficialmente no radar — com Flávio como candidato provável do PL, o mercado vai monitorar pesquisas eleitorais com mais atenção a cada semana.
📌 O número da semana
+3,03%
Ibovespa na semana · 24 a 27/03/2026
O índice saiu de 176.219 na sexta passada para 181.557 nesta sexta. Cinco dias em que o Irã negou o acordo pelo menos três vezes. O mercado subiu mesmo assim — o que diz muito sobre como os investidores estão precificando o fim da guerra antes que ele aconteça.
📈 Mercados — fechamento semanal (28/03 vs. 20/03)
Ativo Fech. 28/03 Semana
Ibovespa 181.557 pts ↑ +3,03%
Dólar (BRL) R$ 5,2405 ↓ −1,64%
Brent Jun 26 US$ 104,58 ↑ +1,39%
Ouro (COMEX) Jun 26 US$ 4.521/oz ↑ +0,27%
S&P 500 6.368,74 ↓ −1,89%
Dow Jones 45.166,64 ↓ −1,90%
Nasdaq 20.948,36 ↓ −1,60%
Bitcoin US$ 66.096 ↓ −8,85%
Variação semanal: fech. 28/03 vs. fech. 20/03. Fonte: B3, Investing.com · 2026
💬 A frase da semana
"O nível da sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?"
— Ebrahim Zolfaqari, porta-voz das Forças Armadas do Irã · 25/03/2026
A resposta do Irã ao plano de paz de 15 pontos que Washington enviou via Paquistão. Trump disse que o Irã queria fazer um acordo. O porta-voz militar iraniano respondeu em tom de deboche. As bolsas subiram de qualquer forma.
📅 O que vem na semana de 30/03 a 03/04
Seg 30/03 Boletim Focus — Primeiro Focus pós-IPCA-15 e pós-RPM. Expectativas de inflação e Selic para 2026. Se IPCA esperado subir acima de 4,5%, alerta vermelho para o Copom de abril. ALTO IMPACTO
Sex 03/04 Payroll EUA (março) — BLS às 9h30 (Brasília). Fraco = Fed corta = dólar cai = alívio. Forte = mais pressão sobre emergentes. MÉDIO IMPACTO
Seg 06/04 Novo prazo de Trump — Data limite para acordo com Irã ou retomada dos ataques. Qualquer declaração nos dias anteriores move o Brent. ALTO IMPACTO
Semana toda IR 2026 — Prazo aberto até 29 de maio. O Leão não acompanha o Estreito de Ormuz. INFORMATIVO
📚 Os melhores textos da semana
Wall Street sobe com acordo que o Irã diz não existir
A semana em uma manchete: o mercado comprou o acordo antes de confirmar com o vendedor.
CNN Brasil · Qua 25/03
BC: guerra pode ter impacto "significativo e duradouro"
O Relatório de Política Monetária colocou em preto e branco o que o mercado já precificava — mas dói mais quando o BC confirma.
Poder360 · Qui 26/03
IPCA-15 veio em 0,44% — mas o açaí subiu 30% e o feijão 20%
O índice geral desacelerou. Os itens da cesta básica não receberam o comunicado.
Agência Brasil · Qui 26/03
Copom vê guerra como potencial cenário estagflacionário
Análise do Valor: o BC alinhando seu diagnóstico ao de outros bancos centrais — não é um choque passageiro.
Valor Econômico · Qui 26/03
🎯 Bom fim de semana — se conseguir
Cinco dias. Cinco narrativas de acordo. Nenhuma com assinatura do Irã.
O prazo venceu e virou outro prazo. O Brent fechou mais caro do que abriu.
O Ibovespa subiu 3% mesmo assim.

O novo prazo é 6 de abril. A guerra não tem prazo. ☕☕
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